sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Mais jovem, mais inteligente e mais livre!


Acho muito interessante (pra não dizer: contraditório) o fato das pessoas esconderem suas idades. Percebo que se preocupam tanto com isso que não percebem a irrelevância da coisa. É claro que, do ponto de vista físico, ficamos mais vulneráveis conforme os anos se passam, mas também ficamos mais experientes e essa experiência tem tudo para ser boa.

Aceito perfeitamente que alguém deseje “parecer” mais jovem, mas mentir ou não dizer suas idades ao serem indagados não muda absolutamente nada em suas trajetórias. Ao contrário, até oculta um motivo pelo qual poderiam ser elogiados. Afinal, ter 40 anos e parecer 35 é um baita sinal de saúde e vitalidade.

Mais estranho é perceber que, generalizadamente, as mesmas pessoas que se incomodam com o passar da idade, demonstram sinais de ansiedade para chegar logo a sexta-feira, o final de semana, as férias ou o Natal. Principalmente se estiverem na expectativa de alguma coisa boa acontecer, vivem contando as semanas para chegar logo o grande dia e para então algo acontecer e ter as suas vidas resolvidas.

Essa ansiedade é perfeitamente compreensível, afinal quando sabemos que podemos fazer ou ter resultados positivos com nossas ações, logicamente queremos chegar a essas metas. Enquanto o tempo não passa, vivemos uma espécie de “Escafandro e Borboleta”, que já fez alusão a um filme de Julian Schnabel (2008) em que o personagem principal (uma vítima de AVC que perdera todos os seus movimentos) dizia que poderia visitar qualquer lugar do mundo em sua imaginação e, em função disso esperava o dia em que se libertaria daquele corpo sem movimentos.

Mas, voltando a pressa de ver o tempo passar, vale lembrar que é a mesma pressa que faz a gente ficar mais velho, coisa que incomoda a tantos. Tudo que queremos é o sentimento de sermos mais jovens, mais inteligentes e mais livres. Ideal seria que fôssemos também mais calmos e que conseguíssemos equalizar o desejo de avançar em nossas conquistas com a vontade de viver cada minuto, pois se não tomarmos cuidado, o tempo passa e a gente nem vê. E com a correria que vive hoje a humanidade, se tempo fosse dinheiro, estaríamos gastando um monte.

Por Aguinaldo Oliveira

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

No ano que vem, você será sujeito ou predicado?


O mundo ocidental está em contagem regressiva. A expectativa da chegada de um novo ano faz com que mudemos o nossos sentimentos e com isso temos a sensação da renovação. É como se começasse tudo de novo, com a possibilidade de fazermos diferente. De termos melhor sorte, de seguirmos ventos mais promissores e muito mais. Aliás, se não fosse por um detalhe, eu diria que este sentimento seria maravilhoso.

E qual o detalhe? É que o fato de acharmos que o ano novo irá mudar a nossa vida, faz com que fiquemos escravos dele. Se até um determinado momento de 2018 as coisas não estiverem do jeito que queremos, tudo se perde e nos damos conta que talvez tenhamos passado a virada com a roupa da cor errada e por isso não estamos felizes.

Reparem que tendemos a “cantar de galo” sempre que estamos bem e, da mesma forma, costumamos culpar os outros (o governo, a sociedade ou até o universo) quando não conseguimos o que queremos. Isso pode ser percebido nas nossas palavras cotidianas, que nos colocam em posições diferentes conforme o desafio que encaramos. Tanto a Neurolinguística quanto a psicanálise se baseiam muito nisso: na palavra.

Imagine um sujeito cheio de força e confiança, o que ele diz? Te olha no olho e declara: “eu fiz, eu faço e continuarei fazendo! Eu escolho a vida que quero”. Se nos lembrarmos das aulas de Português, poderíamos dizer que ele se coloca como o sujeito da frase, como o senhor da situação. Mas este mesmo sujeito, quando tem resultados ruins, se esquiva e diz que “as coisas não deram certo para ele”. Neste último exemplo, aquele mesmo valentão acaba de virar predicado, sem ter absolutamente nenhum controle de seu insucesso.

Se levarmos ao pé da letra e analisarmos sintaticamente, aquele que põe a culpa em outro, em alguns casos nem predicado é, afinal se exclui das frases, como se não tivesse nenhuma responsabilidade pelo que acontece. Apenas se lamenta dizendo: “o meu ano não foi bom!” e com isso se isenta e chora. Mas há mais de um século atrás Freud já dizia que “uma mudança de comportamento somente seria possível por meio da palavra, devolvendo a ela o seu feitiço original”. E o que ele quis dizer com isso? Que o sucesso, antes de estar em suas mãos, está em sua boca e em sua mente. Dessa forma, antes de cantarolar frases despretensiosas, escolha as palavras e a posição em que quer estar em sua vida: se no controle da oração ou se como coadjuvante nela.

Independente disso, lhe desejo um Feliz Natal e que venha 2018!


Postado originalmente por Aguinaldo Oliveira em 26/12/2017 em Portal Novo Dia.