terça-feira, 17 de abril de 2018

Millenials: de donos do mundo a pobres e mimados.



Me lembro que em 2010 eu comecei a estudar as gerações. Não era possível que aquilo que eu fazia há quase duas décadas não dava mais certo. Eu não conseguia mais trazer pessoas para minha equipe e quando conseguia, não as mantinha por muito tempo. Não demorou muito para eu procurar cursos, seminários, livros e palestras sobre o assunto.

Descobri que o comportamento havia mudado, fosse pela evolução tecnológica ou pelas oportunidades de escolha, mas a geração Y não se motivava mais com os mesmos estímulos que a sua antecessora e as empresas precisavam se adaptar a isso muito rapidamente, antes que essas fizessem parte de uma geração envelhecida. Os novos profissionais eram dinâmicos, desapegados, queriam aprender, viajar e conhecer novas culturas. Ficavam pouco tempo em cada empresa, mas traziam novas informações a cada troca de trabalho… ou seja, estavam abertos a aprender e dispostos a ensinar o que tinham aprendido antes. Eles estavam na moda… só não contavam com uma coisa: a crise. Eles nunca tinham vivido uma.

Em 2010 eles tinham em média 25 anos e começaram no mercado de trabalho já com a economia estabilizada pelo Plano Real. Não sabiam o que era desemprego e pediam demissão sem pensar duas vezes, afinal emprego “dava em árvore” e eles conseguiriam outro antes que o seguro acabasse…
Mas a crise chegou e o trem saiu do percurso. Os “millenials” se depararam com alguém chamado “mundo”, que não se preocupava com suas emoções. Não dava mais pra “resetar” aquele vídeo-game e se perdessem o jogo, não teriam “outra vida” ou próxima fase. Então eles foram obrigado a viver uma transição e durante esse período foram chamados de “mimados” pelos patrões.

Enfim, tempos fáceis criam pessoas fracas, pessoas fracas criam tempos difíceis e tempos difíceis criam pessoas fortes. Finalmente chegamos neste terceiro estágio e os jovens da Geração Y, depois de terem vivido os tais tempos difíceis, já se fortaleceram. Estão preparados para criarem tempos fáceis. E o que é melhor: vão ter histórias para contar para seus filhos e netos de como eles ajudaram a reverter uma das maiores crises que o país já viveu.

Parabéns antecipado, meus jovens!!! Eu acredito em vocês… mas quando acertarem a mão, não parem, pois os tempos fáceis vão voltar e eles geram pessoas que vocês não querem mais ser.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A vida é feita de poucas certezas e muito dar-se um jeito


Guimarães Rosa, a meu ver, foi o mais célebre escritor brasileiro. Mas lembro que não suportava a ideia de ter que ler “Grande Sertão Veredas” para o vestibular (que nunca fiz). Mais tarde porém, percebi que ele enxergava o mundo com uma simplicidade ímpar e virei seu fã.

Uma das afirmações marcantes do autor é que “a vida é um ato de rasgar-se e remendar-se”, o que traduz todas as nossas intérpretes. Ele vai mais longe e diz que “tudo o que muda a vida vem quieto no escuro, sem preparos de avisar”. São as oportunidades que surgem todos os dias e que, em alguns casos, temos medo de aproveitar.

Nosso dia a dia é cheio de procuras, de metas, desejos, algumas histórias de sucesso e também algumas frustrações. Há momentos em que pensamos em desistir daquilo que sempre buscamos e no meio dessa quase desistência, encontramos a felicidade. Aliás, Guimarães também escreveu que “felicidade se acha é em horinhas de descuido”, talvez porque costumeiramente não encontramos aquilo que estamos procurando. Mas é nesse momento que encontramos outras coisas, que já procuramos um dia. Lamentável é que nem sempre damos valor aos nossos achados.

Às vezes comemos carne num dia em que queríamos comer massa e a massa geralmente está disponível quando queremos comer carne, até que conquistamos uma situação onde podemos escolher. O que quero dizer é que a vida sempre dá o que a gente pede, mas no tempo e do jeito dela. Por outro lado, nós humanos somos muito imediatistas (e também instáveis) e mudamos demais os nossos quereres, o que faz com que o presente da vida chegue quando já não se espera mais.

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem…” Guimarães Rosa escreveu a frase anterior, mas escreveu também que “o rio não quer chegar, mas ficar largo e profundo”. Portanto, mais importante do que chegar exatamente aonde você queria é saber quanto verdadeiramente você irá aprender nesse trajeto…




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