quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Há que se ter tolerância religiosa.


Religião tem a ver com o Mercado Corporativo?

Eu me lembro que quando era garoto, a visão que tinha de religiões é que o mundo era dividido em dois grupos de pessoas: católicos e crentes. Os católicos eram os “normais”, enquanto que os crentes eram aquelas mulheres que só usavam saias e não cortavam os cabelos. Eram vistos como pessoas que não “podiam” fazer nada. Não podiam dançar, falar palavrões, beber cerveja, assistir televisão e nem nada que supostamente era legal. Mas tinha o lado bom de ser crente: eram consideradas pessoas honestas e sem maldade, pois temiam a Deus.

Mais tarde eu passei a entender que o mundo das religiões é muito mais amplo que isso. E o Brasil também começou a viver uma grande mudança religiosa, com a Igreja Católica perdendo sua força e a modernização das pregações Evangélicas. Aquela figura do “crente” Pentecostal, cheio de regras, deu lugar ao Evangélico, que é simplesmente o Protestante, herdeiro puro de Calvino e Lutero (que viveram no século XVI).

Mas o que isso tem a ver com uma empresa, ou com o mercado corporativo? Até este ponto, nada. Mas continuemos mostrando a mudança religiosa no Brasil. A década de 90 foi palco de uma grande virada, onde a mídia deixou de ser exclusiva dos padres e bispos católicos e passou a ter a concorrência dos pastores. Com isso a população começou a perceber que havia outras opções além de ir à missa no domingo e muitos passaram a se declarar Evangélicos.

Acontece que muitos outros também perceberam que poderiam se declarar evangélicos e aproveitar de um certo “status” sem perder sua liberdade de usar roupas da moda. Isso porque as novas Igrejas Evangélicas traziam a promessa de um estilo de vida sem pecado, mas também sem abdicações, com cultos animados por muito rock Gospel. Mas até então, o Evangélico (ou Crente) ainda sofria uma série de perseguições brancas, o que os fazia declararem passagens bíblicas se comparando ao “Povo de Israel”.

Porém as coisas foram mudando e a cada dia mais gente se convertendo e algumas outras entendendo ser um grande “negócio” se converter. Algumas pessoas perceberam que se declarando Evangélicos podem ter as portas abertas em alguns lugares ou mesmo ter facilidade maior de fechar alguns negócios devido aquela fama de honesto que eu me referia lá em cima.

Então chegamos ao ponto atual, onde a religião acaba influindo no mercado corporativo. Tanto era ruim quando a maioria católica perseguia a minoria crente, quanto é ruim o fato do movimento evangélico agir com preconceito em relação aos que não se declaram da igreja. Percebemos hoje que Evangélicos agem diferentemente com Católicos e Espíritas devido a sua crença, o que pode ser muito perigoso para as empresas e também para o nosso país.

A tolerância religiosa é fundamental numa democracia. Aqui no Brasil existe gente com todo tipo de crença e também de descrença. Pregar, querer trazer outras pessoas para aquilo que você acredita pode ser totalmente normal e digno, desde que se respeite o direito dessa outra pessoa não querer ser trazido. Nossa sociedade é composta por Católicos, Evangélicos, Espíritas, Budistas, etc. O preconceito não é positivo contra nós, mas também não ao nosso favor, pois esconde nossa verdadeira essência e nos torna violentos.

Alguns dizem que as batalhas religiosas são previstas na Bíblia, mas seguramente não nos cabe provocá-las. O papel de um verdadeiro “Crente”, de qualquer crença que seja, é fazer o bem. Falando mais especificamente dos Cristãos, que inclui o Católico, o Evangélico, Mórmon, Testemunha de Jeová e o Espírita, é seguramente seguir o primeiro e mais importante mandamento, que é “Amar a Deus e ao Próximo”. Para que isso aconteça, é necessário que se tenha tolerância religiosa e respeito com as pessoas.

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