terça-feira, 18 de dezembro de 2007

A visita do Grande Cliente.

Estava ela em frente ao computador conferindo o trabalho de sua equipe. Além dela, funcionária há mais de 5 anos, havia ainda sete outras pessoas na sala. Eis que entra o dono da empresa, com um visitante. Ele estava fazendo um tour pelo prédio com um grande cliente. Entrou dizendo:

- Aqui é o Departamento de Planejamento... São instalações novas, acabaram de passar por uma reforma. As máquinas, todas de última geração, ar condicionado digital, iluminação natural e espaço para mais 5 mesas, prevendo a demanda que virá.

O visitante o congratula pela beleza do escritório e ambos saem da sala rumo ao departamento ao lado, para continuar a visita. Por um momento todos se olharam... pasmados. O dono havia entrado na sala, apresentado os computadores, as mesas e até o ar condicionado... mas não havia apresentado as pessoas. O orgulho dele era pela infra-estrutura física, mas o capital intelectual nem fora lembrado.

Os funcionários sentiram-se mal e com razão, mas o dono nem notou. Afinal ele nem lá voltou naquele dia. Para ele, despercebido, nada havia acontecido. Alguns minutos depois, despediu-se do visitante e já retornou ao seu gabinete, onde planejava a festa de confraternização de final de ano. Estava empenhado em fazer a melhor festa que pudesse, com vinho chileno, carne argentina e sobremesa francesa. Também pediu um bom músico para dar ritmo a comemoração. Sua intenção era que todos tivessem orgulho de trabalhar lá.

Ela, a funcionária, dias antes havia sugerido aos seus colegas de departamento que se trajassem socialmente naquela quinta-feira, já esperando a visita do grande cliente. O mensageiro estava de gravata, a estagiária usava um terninho em pleno verão paulistano e a desenhista muito bem maquiada. Mas o dono nem notou... Por sua vez, nem o cliente. O episódio havia gerado um mal estar e já tinha gente falando em procurar outro emprego. O dono, nesta manhã pensara em um aumento de salário acima do índice do dissídio combinado com o sindicato. Ele acreditava que se pagasse mais, o trabalho fluiria melhor e teria menos rotatividade no time. Passava o dia todo retirado dos outros, pois queria que as pessoas estivessem em paz e concentradas.

A empresa continuou tendo muita rotatividade de funcionários e estes partiam para outras empresas mesmo que, para salários iguais. O dono continuou com o “grilo na cuca”, sem entender por que as pessoas mudavam tanto de emprego, já que ganhavam bem e tinham bons equipamentos. Os funcionários continuaram revoltados e odiando aquele patrão insensível. E todos tinham a mesma intenção positiva, mas como não se comunicavam, não sabiam o que a outra parte realmente queria. Foi assim que aconteceu.

Um comentário:

  1. Aguinaldo, serei sucinto desta vez, prometo:

    No ambiente corporativo é assim mesmo: quando se pensa no negócio se esquece das pessoas.
    Ao se pensar nas pessoas, se esquece do negócio.
    Este é o grande dilema dos gestores e principalmente da Consultoria:
    Como criar consonância entre as duas partes (negócio com pessoas e pessoas empenhadas no negócio)?
    A resposta ainda não veio.
    Enquanto isso, os gestores continuam conjecturando entre o que é ideal e o que é necessário.
    Qual o melhor?
    Depende do contexto?

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