terça-feira, 30 de dezembro de 2008

As dificuldades atuais são tão intensas quanto as dificuldades antigas.

Concordo, é claro, que vivemos num mundo excessivamente violento. Concordo também que nossa país ainda tem seu problema agravado pela desigualdade social a que nós todos (tanto o rico quanto o pobre) somos vítimas. Concordo que a TV vende a violência em forma de sensacionalismo nos seus noticiários. Concordo com tudo isso. Só não concordo quando dizem que antigamente era melhor de se viver do que os dias atuais.

Temos sempre a tendência de acreditar que "éramos felizes e não sabíamos". Basta ver que, aqui mesmo no Brasil, o povo lutou pela democracia, lotou o largo do Anhangabaú para exigir eleições diretas para Presidente da República, fez passeatas para demitir Fernando Collor e, agora, é muito comum ouvirmos pessoas reclamando de ter que ir votar uma vez a cada dois anos.

Antigamente, podíamos sair na rua sem medo de sermos assaltados. Podíamos deixar nossos filhos brincarem além dos nossos portões. Podíamos confiar mais na palavra do que no papel assinado. Pode ser que sim... Mas pergunto: e a gripe espanhola, quantas pessoas ela matou? A Hanseníase era considerada uma sentança de morte. Tuberculose, Malária e outras mais. Isso tudo sem contar a escravidão, violência política e latifundiária, o racismo muito mais acentuado do que é hoje.

É claro, prezados leitores, que neste momento alguns de vocês estão listando as doenças do novo milênio, como Dengue, Aids e outras mais, além de dizer que ainda há escravidão no mundo e que a PM carioca mata mais que o tráfico. Porém hoje existe defesa. Hoje podemos por a boca no mundo, existe a imprensa que nos ajuda a denunciar, podemos questionar aquilo que não nos agrada. A Dengue mata muito menos que a Tuberculose matava e as fraudes trabalhistas atuais não se comparam com o que os negros sofreram.

Hoje as mulheres entram em depressão pela violência urbana, antes elas entravam em depressão pela violência doméstica. Hoje os jovens se matam por não conseguirem passar de fase no RPG, antes eles se matavam por serem submetidos aos casamentos arranjados. Que diferença faz?

A única diferença que consigo ver é que a violência atual dói mais porque dói agora, mas se os tempos voltassem, em nada melhorariam. A solução está na forma com que se vive a vida e o que se faz para construir um futuro mais justo. Lamentações não edificam.

Chego a conclusão que viver, seja hoje, seja nos anos de 1920 ou na idade média, é a mesma coisa: fácil para alguns e difícil para outros. As dificuldades existem, porém atendem por outros nomes. São dificuldades modernas em vez das medievais.

No futuro, nossos filhos e netos dirão que, no tempo do Lula e do FHC é que era bom... Com base nisso, confio que teremos um 2009 maravilhoso, que somente será superado por 2010, que será melhor ainda. E assim por diante...

Feliz Ano Novo a todos, inclusive ao Lula e ao FHC.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pequena fábula da evolução política.

No principio Deus criou o Céu e a Terra. E depois criou o ser humano, que evoluiu e aprendeu a manufaturar. Depois aprendeu a industrializar e a digitalizar. Mas antes um pouco, quando ele simplesmente fazia coletas de alimentos nas matas, teve a idéia de trocar alimentos com seus semelhantes. Assim nasceu o trabalho.

Dizia a minha professora do ginásio que “trabalho” era tudo aquilo feito por um em benefício de todos. Então quando o homem deixou de buscar na floresta somente a sua comida, ele fundou o trabalho. Colia mais que o necessário para si mesmo, pois tinha que levar aos seus semelhantes, que em contrapartida, o abasteciam com outros frutos. Era o comunismo.

Assim o homem evoluiu mais um pouco percebeu que sempre tinha aquele folgado que quase não trabalhava, mas vinha buscar alimento. Então ele colocou uma regra: só forneço meus frutos a quem me oferecer algo em troca. E nesse momento ele inventou o comércio.

Alguns séculos se passaram e o homem descobriu que a dificuldade que ele vivia para apanhar os frutos mais altos era maior do que o seu semelhante tinha para recolher frutos rasteiros, portanto deveria quantificar o numero de frutos rasteiros que precisaria levar para dar de volta um fruto dos difíceis. E assim surgiu o preço.

Passaram-se mais algumas décadas e o homem percebeu que mesmo dando o seu fruto difícil por dezenas de outros fáceis, ele poderia não ter necessidade de tantos. Mas que poderia pegar depois a sua sobra. Então ele inventou o dinheiro.

Pensando em ter mais dinheiro, o homem resolveu jogar várias sementes de frutos difíceis em seu redor e com isso, ali ele poderia colher. Então se deu a origem do empreendedorismo.

Mas se ele plantava e colhia e havia tido a idéia e assumia os riscos, então deveria tomar posse. Cercou o sítio e disse que era dele. Eis o capitalismo.

Felizes e ricos, os homens acreditavam que deviam se organizar. Definiram que um deles iria representá-los perante outras tribos e o chamaram de chefe. Estava criado o governo.

Mas então choveu muito e estragou a plantação do homem. Ele então resolveu que o governo deveria ajudá-lo com um pouco do que produziam os outros homens. Fez passeatas pela floresta, gritou palavras de ordem e finalmente foi atendido. Apareceu o socialismo.

Alguns anos depois eles entenderam que era desnecessário ter o tal do governo que só mandava e que ninguém era dono de ninguém. Não mais reconheceram o chefe e sua organização e saíram em batalha para conquistar a liberdade. Ali se instalava o anarquismo.

Depois de um tempo de liberdade, a confusão era tão grande que os homens não conseguiam exercer sua liberdade porque a liberdade do outro não queria. Nesse momento desejaram estabelecer regras que todos deveriam obedecer em prol do bem estar social de todos. Era a Social Democracia.

Mas aqueles que eram mais espertos e ambiciosos queriam ter mais frutos para escolher. Eles então ofereciam facilidades a outros homens em troca de mais frutos. Eis a origem da corrupção.

Alguém então disse que estava tudo errado e que o sistema político que ali estava era podre e tirano. Criou-se uma onda de revolta e concluíram que a culpa de tudo isso ser assim era de Deus, que criou o homem e deu a ele a capacidade de pensar. Aí surgiu o comentarista político!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Perseverança é diferente de esperança



Hoje conversei com um amigo agoniado. Ele me disse que trabalha faz 4 anos na mesma profissão, já está na segunda empresa, sabe que tem potencial, mas ainda não conseguiu resultados que o levem ao lugar que ele quer estar. Me disse ainda que fica feliz quando vê um colega de trabalho alcançar o sucesso, mas se pergunta porque ele não consegue fazer a mesma coisa.

E eu contei a ele a minha história. Contei que eu fui um cara muito cabeçudo. Sempre tive boa intenção, mas não conseguia coloca-las em prática e nem transformá-la em resultados. Eu havia aprendido que deveria ser perseverante e eu era, mas quando chegava no final de cada ano, percebia que nada havia mudado. Mesmo assim eu entrava o ano seguinte determinado a fazer a revolução que tanto era necessária na minha vida.
Assim se passaram vários anos e o meu sonho foi desaparecendo. Parecia que a minha esperança de ser um baita profissional de sucesso começava a morrer. Mas a minha perseverança continuava, afinal perseverança é uma coisa, esperança é outra. Esperança é quando a gente “espera”. E eu havia sido acostumado a perseverar, ou seja, trabalhar. Em todos esses anos eu trabalhei muito.

Trabalhava até sem pensar e isso foi bom, porque se eu pensasse muito, teria desistido. Eu tive mil razões para desistir, mas como não pensava nelas, perseverava. Até que as coisas começaram a mudar e eu, como não pensava, também não percebi. Mas elas mudavam assim mesmo e pra melhor. Talvez se eu tivesse percebido tivesse também acomodado. Poderia haver, naquela época, um paradigma na minha cabeça que me mantivesse abaixo do nível da água, sei lá o que...

Só sei que quando eu percebi, estava crescendo na vida. E minha vida profissional estava indo para um rumo diferente do que eu planejei. É verdade, eu nem imaginava tanto. Se tivesse pensado muito naquela época, talvez tivesse tentado ir para o lado planejado e continuado na mesma. Enfim, eu perseverei, continuei trabalhando e a coisa aconteceu. Portanto, ter esperança é importante, mas ter perseverança é fundamental.

Meu amigo entendeu o recado. Ele concluiu dizendo que, às vezes, as coisas boas demoram chegar e a gente tem que ter perseverança para poder aproveitar. Tudo tem seu tempo, mas pode demorar um pouco. Somente há que se ter sensibilidade para não perder as oportunidades.

Quem quiser vencer tem que ter paciência. Afinal, se a gente trabalhar, não é certeza que vence, mas se não trabalhar, é certeza que não vence.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Cão que muito late é porque tem medo de morder

Por diversas vezes tive a oportunidade de presenciar aquelas conversas descompromissadas ou, como diria Nizan Guanaes, papos dos "empresários de mesa de bar". Quero dizer que são aquelas conversas onde se prega ética e moral, mas ao sair dali o cidadão pouco faz para agir da forma com que acabou de defender uma posição.

Faz uns quinze dias, fui almoçar com um amigo em Campinas. Este, por sinal, estava acompanhado de seu colega de trabalho e aproveitou para me apresentar o cidadão. Tratava-se de um garoto de 22 anos, estudante de Direito, muito bem apresentado e igualmente comunicativo.

Durante o almoço, surgiu o assunto da eleição Americana e, por isso, o garoto mostrou seu espírito revolucionário. Falou a respeito da podridão do Capitalismo, da herança imperialista, da justiça e revelou-se ser, embora jovem, um experiente defensor da ética e da revolução.

Alguns dos assuntos citados foram o absurdo de uma cidade como Campinas não ter cestos de lixo nas esquinas de um bairro como aquele em que estávamos (Guanabara), a falta de faculdades públicas ou ainda a necessidade de os teatros públicos ou privados serem adaptados aos portadores de deficiência.

A verdade é que tudo aquilo que o garoto falava (e falava sem parar) era totalmente pertinente e razoável. Mas, eu sempre tive a sensação de que aquelas pessoas que falam demais, normalmente esquecem-se de executar suas pregações. Geralmente, o cara que se diz muito sincero é o que mente. Como dizia o meu avô, "Cão que muito late, tá querendo é assustar o ladrão porque tem medo de morder".

E vejam só o que descobri quando estávamos de saída: o carro do garoto revolucionário e indignado com a falta de ética da sociedade, estacionado bem em frente a um acesso de deficientes. É óbvio que eu o convidei a sair na foto, mas ele não quis. E eu não o fotografaria sem sua autorização. Mas o carro sim, mesmo sem mostrar a placa.

Enfim, percebemos que a sociedade passa o tempo todo cobrando ética dos governantes, mas não faz também a sua parte. O cidadão que reclama que a sua cidade está suja, normalmente é o mesmo que joga uma embalagem de bolacha pela janela do ônibus. O mesmo que se mostra indignado diante da notícia de corrupção é o que pede um desconto na loja para comprar sem nota.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Encontrei velhos Amigos


O ano 2000 foi o último que eu vivi na antiga empresa, onde trabalhei por 8 anos. Lá, além do aprendizado, fiz muitos e muitos amigos. Porém, como na época não existia Orkut, a maioria deles sumiu do mapa. E eu digo isso porque foi pelo Orkut que eu encontrei muitos deles.

Recentemente, encontrei pelo site de relacionamento, o Henrique e o Armando, dois ex-colegas de trabalho que fizeram parte de uma fantástica equipe que tive o prazer de liderar no início do milênio. Numa das conversas, sugeri um almoço para nos reencontrarmos. Eles toparam, mas ficamos de marcar a data. E com isso, o tempo passou e não marcamos.

Até que o Henrique me chamou a atenção sobre a lenda do almoço. Pois então ele aconteceu. Ontem, dia 13 de novembro de 2008, no restaurante Samurai Mix, em Campinas, fomos nos reencontrar.

Cominamos tudo pela internet. Eu, o Armando, o Henrique e o Ricardo. Esse último, quando eu mudei de empresa, ele me acompanhou e trabalha comigo até hoje. Os outros dois, creio que fazia uns 7 anos que eu não via mais. Sabia que o Henrique estava gordo e que o Armando não tinha mais cabelos, pois as fotos do Orkut estavam lá pra todo mundo ver. Mas pessoalmente, eles estão muito mais feios.

Eu fui o primeiro a chegar, único pontual. Alguns minutos depois aparece o Armando. Depois o Ricardo (unico de gravata) e por fim o Atrazildo Henrique Siqueira. Ficamos exatamente duas horas almoçando e contando histórias.

Por fim, combinamos de nos encontrarmos a cada mês. Esse encontro mostra que o tempo não apaga as amizades. Grandes caras... menos o Ricardo, que é baixinho.

***Na foto, eu estou de amarelo, o Henriqeu de azul, o Armando de camisa escura e o Ricardo de gravata.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pitadinhas de Especiarias que caem por aqui.

Um dia desses eu tive a oportunidade de conhecer uma daquelas grandes figuras que Deus espalha por aí. Eu creio que esses caras são como aquela pitadinha de especiarias que a gente joga sobre um bolo. Deus também fez isso no mundo, espalhou uns caras acima da média e alguns deles caíram aqui em Jundiaí. Foi o caso do nosso amigo abaixo.

Plínio Esteves Ricon, arquiteto e designer há mais de trinta anos, com várias obras premiadas no campo profissional, apareceu em minha frente. Aqui em nossa cidade, ele criou “a Capela”, monumento de comemoração aos 350 anos de fundação da Vila de Jundiahy, criou a Praça em homenagem ao Lions Club e também a Praça do Maçom, entre outros. Eu já havia lido sobre ele, mas não o conhecia.

Eis que numa dessas quartas-feiras ele surge para assistir uma palestra onde eu também estava. Não me contive a me apresentar e dizer que admirava muito o seu trabalho. Foi o bastante para aquele fantástico e simpaticíssimo cidadão me contar tudo que o inspirou na construção daquelas obras.

E eu o ouvi, duas vezes, sem pressa, antes e depois da palestra. E se tivesse tempo, o ouviria mais. Pois pessoas como ele, como eu disse lá em cima, não tem aos montes. Eu sei que esse artigo não agrega muito no ponto de vista do objetivo deste blog, mas eu tinha que fazer essa homenagem. Vale lembrar aos nossos leitores que uma das melhores maneiras de tornarmo-nos bons homens é ler biografia de bons homens. E eu acrescento que conhecê-los pessoalmente também agrega muito.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Aprenda a andar de bicicleta para viver a vida.


Ultimamente, uma das características mais admiradas em um profissional é a sua capacidade de tomar decisões corretas em momentos de pressão. O poder de decidir, de falar na hora certa, de aproveitar uma oportunidade ou de não agir por impulso, de mostrar calma no momento em que todos estão nervosos ou ser agressivo quando ninguém quer arriscar, tem sido o grande diferencial entre o homem normal e o outro acima da média. Esse poder de decisão é resultado de uma outra característica fundamental na vida de um ser humano bem sucedido: o equilíbrio mental.

Esse tal equilíbrio mental pode ser comparado a um outro que encontramos numa das atividades mais simples e mais loucas de nossa vida, que é andar de bicicleta. A bicicleta, que era o brinquedo mais esperado na minha época de criança, é um negócio muito doido, basta ver que foi feita para cair. Ela, por si só, não para em pé, a não ser que esteja em movimento. E é justamente aí que o ciclista precisa aprender uma das coisas mais importantes na vida: ter equilíbrio.

Nossa vida é cheia de dificuldades, gente complicando aquilo que é simples, outros nos deixando nervosos, às vezes nós mesmos ficando nervosos à toa, brigas, discussões, problemas, etc. Tudo isso só para atrapalhar o nosso caminhar. Assim também é o caminho de um ciclista desde o princípio. Se ele estiver pedalando no meio do mato e cair, vai se estrepar todo. Se estiver no asfalto, vai se ralar. Ou seja, independentemente de qual seja a trilha, a primeira coisa que o cara aprender é a ter equilíbrio.

E para se equilibrar é necessário ter movimento. Para ter movimento é preciso pedalar. Quanto mais se pedala, mais preparado se está para continuar pedalando. Na vida é igual, pois precisamos nos movimentar para manter o equilíbrio. Um ser humano que não consegue vencer suas dificuldades e seus problemas, é como alguém que está com a bicicleta parada. Não pedala porque não agüenta o esforço, não agüenta o esforço porque não treina e não treina porque é mais fácil ficar parado. Mas, se a gente parar com a vida, assim como com a bicicleta, a gente cai.

É importante dizer que não é sadio e nem inteligente pedalarmos além do nosso nível de atleta. Então, começar pedalando pouco é normal, desde que vá aumentando o ritmo conforme a experiência e a força chega. Surgirem pedras e sarjetas no meio do caminho também é normal, pois são elas que dão graça no nosso passeio. Imaginem como seria um destino reto, sem subidas, sem descidas, sem obstáculos, sem desafios: seria muito chato!

Converse com um ciclista e ele te contará que escolhe caminhos com obstáculos, pois são justamente esses obstáculos que o farão sentir-se vitorioso no final do trecho percorrido. Mais uma coisinha: às vezes precisamos empurrar a nossa bicicleta morro acima. Nessa situação, pense que mesmo sendo um peso a mais para carregar, ela o ajudará nos outros trechos planos ou de descida. Assim é a vida, às vezes empurramos alguém para cima e depois esse alguém nos ajuda a andarmos mais rápido.

Pra finalizar, eu gostaria de dizer que quem inventou a bicicleta provavelmente diria que é uma das máquinas mais simples que existem: duas rodas, um guidão, uma corrente, duas engrenagens e dois pedais. Mas a nossa vida super simples também, a gente é que complica, porque temos a mania de pensar demais e agir de menos. Então vamos agir, pedalar, correr e buscar o nosso caminho, porque pensar demais não é sinônimo de inteligência. O verdadeiro inteligente é quem transforma o conhecimento em prosperidade.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Visita ao Lar Galeão Coutinho

As ações de Responsabilidade Social tem sido comuns no meio em que vivo. Tanto na empresa em que eu trabalho, como na minha família ou entre meus amigos, o habito de preparar donativos para entidades beneficentes é algo normal. Mas confesso que quando fica comigo a tarefa de entregá-los aos destinatários, sinto-me ainda mais feliz.

Na última sexta-feira, diante da antecedência do dia das crianças, estivemos no Lar Galeão Coutinho, em Jundiaí, para levar algumas coisinhas para a molecada. O encontro ocorreu por iniciativa da Entidade da qual faço parte, que arrecadou verba suficiente para a doação de brinquedos as 64 crianças que passam o dia na creche. Para complementar, a escola onde eu trabalho arrecadou doces, entre seus alunos (que são adultos), durante os 20 dias que antecediam o dia das crianças.

Nessa narrativa, vale citar alguns momentos interessantes, como os gritos da molecada, que já esperavam por nós “os sorveteiros”, logo depois do almoço. Também foi fantástico podermos interagir com as crianças, mesmo sendo em coisinhas simples, como organizar filas ou ver quem levanta primeiro a mão.

Aproveito para agradecer aos meus três companheiros, nesse dia, o Reginaldo, o Nadalin e o Galego, assim como a todos os outros membros da Entidade acima citada e a todos os alunos da UPTIME que trouxeram os doces. Vocês podem, mesmo sem saberem ao certo, terem contribuído para dar rumo à vida de algumas pessoas.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

De Office Boy a Diretor



Hoje eu vou contar a história do Carlinhos. Ele é um velho conhecido, do tempo em que eu arrumei um emprego numa loja lá no Centro. O Carlinhos tinha 16 anos e era o boy. Ele fazia todo aquele trabalho que já sabemos qual é, como correios, cartórios, bancos, etc. Era um garoto muito simpático e muito bem quisto por todos. Tanto nós da mesma idade, quanto os funcionários mais velhos nos simpatizavamos com ele, afinal era inteligente e prestativo e tinha muita vontade de trabalhar.

Mais de quinze anos depois, o Dr. Carlos Zamparotto é o Diretor financeiro de uma grande rede de Concessionárias de Veículos e controla algumas lojas em 3 cidades da nossa região. Um dia desses encontrei-me com ele, por acaso, no bar do Pedro, no Mercado Municipal. E ele estava me contando sobre como tudo aconteceu. Afinal, na época em que trabalhávamos juntos, ele chegou até a ter oportunidades de crescer, mas continuava sendo visto como o boy que ia buscar os lanches.

Segundo o que me contou, tudo começou 2 anos depois, de uma forma muito natural, quando um cliente lhe sugeriu que mudasse a forma de vestir-se. Aconselhou-o a trajar-se mais formalmente no trabalho, dispensando aquelas camisetas dos Ramones (estou falando de 1990) e habituando-se ao jeans com sapato social. Ele experimentou, percebeu que, embora os colegas mais antigos ainda o tratassem como o eterno office-boy, os novos funcionários já tinham outra visão. Também notou que os clientes já demonstravam mais confiança em suas explicações.

Outra mudança foi o linguajar. O Carlos deixou de usar gírias, passou a falar mais devagar e, segundo ele, a não mais contar aberta e orgulhosamente as “loucuras” que fazia nas baladas. Resumindo, começou a se comportar de outra maneira. Nessa época, devido a ida para o exército, precisou ficar fora da empresa por um período e, quando voltou, lhe foi confiado o cargo de Supervisor de Contas a Receber.

Incentivado pelo cargo novo, voltou a estudar e fez faculdade de Direito. Ainda antes de se formar, aos 24 anos começou a estagiar em um escritório de advocacia e contabilidade, onde aprendeu a usar gravatas. Nessa época comprou seu primeiro carro, um Gol ano 83. Formou-se na faculdade aos 25 anos, mas não quis seguir como Advogado, pois preferiu trabalhar como gerente numa financeira. Foi lá que conheceu sua esposa, a Debora, com quem se casou aos 28 anos e, tempos depois, a convite de um cliente, passou a exercer o cargo de gerente administrativo em uma loja de veículos.

Aos 32 anos, Carlos se sobressaiu num dos processos seletivos que participou, assumindo o cargo que mantém hoje. Ele me contou, em tom de brincadeira, que em seu departamento, tem alguns “guardinhas” e que sempre que pode conta sua história. Também complementa dizendo que continua usando as camisetas dos Ramones, mas no lugar certo e não no trabalho. Resumindo, o que fez com que o Carlos fosse reconhecido pelas outras pessoas foi sua mudança de comportamento. Não é de um dia para o outro que se poderá sentir o respeito das pessoas, mas sim ao longo de um determinado tempo, conforme o quadro de funcionários de sua empresa for mudando e pessoas novas chegarem. Mas para quem quer resultados rápidos, já poderá sentir a diferença com os clientes novos, que não o vêem todos os dias. Para finalizar a história, o Carlinhos ainda contou que, na época da mudança de comportamento, como estava sempre ocupado fazendo coisas legais, não tinha mais tempo para sair comprar lanches para o pessoal e, com o tempo, eles também pararam de pedir.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O importante é ser competitivo.

O lema do atletismo "mais rápido, mais alto e mais forte" ("citius, altius e fortius"), representado pela trilogia correr, pular e arremessar, foi criado por Dére Didon em 1896, mas surgiu bem anteriormente, por volta de 776 a C. entre os soldados gregos, para desenvolver as habilidades físicas e criar competições. Apesar de falarem a mesma língua e de terem unidade cultural, os gregos antigos não tinham unidade política, encontrando-se divididos em 160 cidades com governos soberanos, que há cada quatro anos se reuniam num festival esportivo em Olímpia, deixando de lado suas divergências. Mesmo que inicialmente possuíssem um caráter apenas local, depois de algum tempo as competições passaram a contar com participantes de todas as partes da região. Por volta do Século V d.C., os Jogos Olímpicos acabaram juntamente com a antiga cultura grega.

Em 1896, na cidade de Atenas, por iniciativa do educador francês Pierre de Frédy, o barão de Coubertin, as Olimpíadas foram reeditadas. Fascinado pelo comportamento dos gregos no passado, De Frédy convocou em 1894, uma reunião com delegados de 9 países, expondo seu plano de reviver os torneios que tinham sido interrompidos há 15 séculos. Foi justamente ele que, em 1908, implantou o lema "O IMPORTANTE NÃO É VENCER, MAS COMPETIR". (wikipedia)

Desde o início dos Jogos da Era Moderna, essa frase é rechaçada pelas pessoas que, na verdade, não tiveram a sabedoria de entendê-la. Nunca se valorizou, contudo, o verdadeiro sentido da mensagem que o Barão de Coubertin quis transmitir aos atletas. Se buscarmos analisar a fundo, perceberemos que faz todo sentido interpretar o verbo “competir” como “ser competitivo” e, não apenas, como “participar”. Afinal, sabemos que, por melhor que seja um competidor, ele não vai ganhar sempre, mas é importante que ele sempre esteja entre os melhores, ou seja, que seja “competitivo”.

E verdadeiramente competitivo é aquele que busca a vitória com honestidade, querendo sempre fazer o melhor. Competitivo é aquele que, no início de uma disputa, é tido como possível vencedor e, mesmo nos momentos de derrota, se levanta preparado para a próxima, com a certeza que brigará pelo troféu. Mais importante do que saber quem vai vencer é saber quem será realmente competitivo. Pois ser vencedor dependerá dos detalhes, mas ser competitivo dependerá da disciplina de cada um em fazer realmente aquilo que tem que ser feito.

Quem sempre é competitivo, sempre terá chance de vencer, enquanto que aquele que somente se preocupa em ganhar, perde a grande oportunidade de aprender.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Evite falar daquilo que você não conhece

Ontem eu conversava com uma pessoa sobre assuntos banais. Não vem ao caso aqui divulgar seu nome, ainda que, na maioria das vezes eu troque os nomes das pessoas a fim de não identificá-las. Mas ontem o assunto foi rodando e, em determinado momento, estávamos falando do livro “Código Da Vince”, do autor Dan Brown. Eu e meu interlocutor concordávamos com quase tudo, até que ele citou negativamente o livro, chamando-o de herege e afirmando que as tais sociedades secretas são coisas do diabo. Então eu perguntei a ele se conhecia de fato alguma dessas sociedades. E ele admitiu que não conhece... e, segundo ele, nem quer.

Pois bem, uma das lembranças mais negativas que eu guardo, é de algo que aconteceu no final dos anos 80. Naquela época, eu tinha cerca de 16 anos e meu ciclo de amizade estava entre o pessoal do Heavy Metal de Jundiaí. Eu era muito conhecido entre eles e também conhecia a quase todos.

Quase todos! E o problema aconteceu por isso. Havia um rapaz chamado Thomaz, que era vocalista de uma banda de “Power Metal” da cidade. Embora ninguém negasse seu talento com a voz, a verdade é que o cara não era uma unaminidade. Ele era muito querido por uns e odiado por outros, justamente por ser polêmico. Os meus amigos mais próximos eram os que o odiavam e falavam mal. E eu, pra variar, também falava, mesmo sem nunca ter visto o cidadão.

Num domingo à noite eu estava no ponto de ônibus, voltando para a minha casa, quando vi o Edson, um colega que, por acaso, estava acompanhado de um outro rapaz “cabeludo” e no “visual metal”. Começamos a conversar, mas não fomos apresentados pelos nomes, apenas estávamos conversando. Foi então que surgiu o assunto do tal Thomaz e, eu muito arrogante e besta, comecei a falar mal dele, o que não seria novidade entre a nossa galera. Alguns poucos minutos mais tarde estava eu, com a cara no chão, sem saber o que dizer ao descobrir que o “cabeludo” em minha frente era o próprio Thomaz, me indagando agora. Afinal, com qual autoridade eu estava falando de alguém que eu nem conhecia?

Com isso eu aprendi que não se fala daquilo que não se conhece. Essa mensagem vale para pessoas como eu, que naquele momento cometi um grave erro. Vale para o meu interlocutor de ontem, que falava de algo desconhecido para ele. E também para os ambientes profissionais. É conveniente que não falemos de pessoas que não conhecemos, assim como é importante não denegrirmos nem mesmo as empresas concorrentes simplesmente porque alguém nos disse que o produto deles é ruim. Pode ser que um dia, se precise trabalhar lá.

sábado, 13 de setembro de 2008

Herói de verdade é o goleiro



Se, em algum momento, você estiver pensando que seu trabalho está difícil, que es coisas não estão dando certo, que as vendas caíram ou qualquer outra coisa nesse sentido, experimente se inspirar no trabalho do goleiro.

Ser goleiro é ser herói e vilão, ao mesmo tempo. Pois se um atacante perde dez gols e faz dois, sai de campo como herói, mas um goleiro defende dez ataques e sofre dois gols, sai como frangueiro. Portanto, perceba que suas características são um misto de determinação, automotivação, consciência e humildade.
Ser goleiro é querer evitar o inevitável sempre achando, lá no fundo, que dava pra defender o mais indefensável dos chutes. É jogar um jogo coletivo de forma quase individual e depois de um gol a favor, ainda assistir de longe os outros jogadores do seu time comemorando lá na frente sem nem se lembrarem dele. Então trata-se de uma pessoa com muito auto-estima, pois só assim permanece motivado e entende que é assim mesmo.

Depois de uma grande defesa, ainda que ninguém agradeça, que ninguém grite um “Boa, Goleiro!!!”, ele vai saber que é tão importante quanto todo o restante do time junto, afinal, um time joga sem um atacante, sem um volante, sem um zagueiro, mas jamais haverá um time sem goleiro. Isso faz do goleiro um confiante convicto.
Um goleiro sabe que as falhas fazem parte, pois só quem joga lá sob as traves, sabe o quanto as defesas que parecem fáceis, podem ser bem mais difíceis do que se espera. Mas a verdade é que um goleiro de verdade torce para que o outro time venha. Goleiro que é goleiro não gosta de ter zagueiro bom no time, ele quer mesmo é que a bola chegue, pois só assim poderá aparecer e fazer o seu trabalho. Goleiro não tem medo de cara feia.
Enfim, ser goleiro é ser o coração do time, mesmo num jogo onde o principal objetivo deve ser por ele evitado, ele festeja cada defesa, cada saída. E, lá no seu íntimo sabe, que se o atacante chutou pra fora, foi porque o goleiro fechou o ângulo.

Ah! Um goleiro nunca corta as unhas antes de um jogo. Quer saber por que? Chute uma bola bem no canto oposto e, quando ele tocar bem de leve e desviá-la pra escanteio, você imaginará que ele não cortou as unhas.

A principal mensagem que vejo nisso tudo é a ausência do medo. Um profissional que torce para ter dificuldades no jogo, pois se não for assim, ele passará despercebido. E quando tem dificuldades, se motiva e aproveita a oportunidade de mostrar que é bom.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

No trânsito, não existe bom senso

No passado eu já escrevi que o lugar onde as pessoas mais revelam a falta de bom senso é no trânsito. Lá, o certo e o errado são julgados não pelo que diz a inteligência, mas sim pelo argumento de cada um. Se eu tenho uma determinada atitude, ela é correta, mas se outro tem uma atitude parecida que venha a me prejudicar, então ela é um absurdo. E quando questionado, digo que “é diferente”. Vão alguns exemplos:

SE EU DOU SETA, O OUTRO É OBRIGADO A ME DEIXAR ENTRAR.
SE O OUTRO DÁ SETA, ELE QUE ESPERE UM POUCO.

SE EU ESTOU ATRÁS, O DA FRENTE É LERDO.
SE EU ESTOU NA FRENTE, O DE TRÁS É APRESSADINHO.

SE EU ESTOU COM PRESSA, OS OUTROS ESTÃO ENROLANDO.
SE EU ESTOU CALMO, OS OUTROS SÃO TODOS AFOBADOS.

SE BUZINO, É PORQUE O OUTRO MERECEU.
SE BUZINAM PARA MIM, PERGUNTO SE QUER VENDER?

SE EU ESTOU NA PISTA E PEÇO PASSAGEM, RECLAMO SE O OUTRO NÃO SAI.
SE EU ESTOU NA PISTA E ALGUÉM PEDE PASSAGEM, NÃO SAIO PORQUE ESSE CARA É MUITO FOLGADO COM ESSE FAROL NO MEU RETROVISOR.

SE ESTOU NA FRENTE E ALGUÉM PEDE PASSAGEM, NÃO SAIO PORQUE JÁ ESTOU NO LIMITE PERMITIDO E NÃO HÁ PORQUE ESSE ALGUÉM ME PASSAR.
SE ESTOU ATRÁS PEDINDO PASSAGEM E O DA FRENTE NÃO SAI, RECLAMO, POIS NÃO É ELE QUEM TEM QUE CONTROLAR MINHA VELOCIDADE.

SE SOU PEGO PELO RADAR, RECLAMO DO ABSURDO DA INDÚSTRIA DE MULTAS.
SE VEJO ALGUÉM ANDANDO EM ALTA VELOCIDADE, PERGUNTO: CADÊ OS RADARES DESSA CIDADE???

SE OS MOTOCICLISTAS ANDAM PELO CORREDOR, OS CHAMO DE LOUCOS E RETARDADOS.
SE ELES ANDAM NA PISTA ATRÁS DOS CARROS, QUESTIONO PORQUE ELES TÊM MOTOS SE É PRA FICAREM PARADOS.

SE PRECISO PARAR EM FILA DUPLA, DIGO QUE É BEM RAPIDINHO.
SE VEJO ALGUÉM PARADO EM FILA DUPLA, ACHO UM ABSURDO.

SE ESTACIONO MUITO PRÓXIMO A UMA ENTRADA DE GARAGEM, DIGO QUE DÁ PRA ENTRAR ATÉ UM ÔNIBUS ALÍ.
SE ALGUÉM PARA PERTO DA MINHA GARAGEM, AMEAÇO CHAMAR O GUINCHO.

SE PASSO NO SINAL AMARELO, É PRA EVITAR QUE ALGUÉM BATA EM MINHA TRASEIRA.
SE VEJO ALGUÉM PASSANDO NO AMARELO, RECLAMO DA IMPRUDÊNCIA.

SE POSSO IR DE ÔNIBUS, DIGO QUE NÃO TEM SENTIDO TER CARRO SÓ PARA FICAR NA GARAGEM.
SE PEGO CONGESTIONAMENTO, RECLAMO QUE ESSE POVO NÃO ANDA DE ÔNIBUS.

SE SOU MULHER, ENTENDO QUE AS MULHERES DIRIGEM MELHOR PORQUE PROVOCAM MENOS ACIDENTES.
SE SOU HOMEM, DIGO QUE ELAS PROVOCAM MENOS ACIDENTES PORQUE PEDEM PARA O MARIDO DIRIGIR.

SE BATO O CARRO, NÃO FUI EU... BATERAM EM MIM.
E SE FOI NUM POSTE, RECLAMO QUE AÍ NÃO É LUGAR DE TER UM POSTE, SACO!!!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A capacidade de planejar


Eu li algo interessante, acho que foi no livro do Golleman - Inteligência Emocional, sobre uma experiência que foi feita em uma Universidade nos Estados Unidos. Nessa experiência, os pesquisadores colocaram para uma determinada quantidade de crianças, um doce a disposição de cada um. As crianças tinham duas opções: a primeira seria comer o doce naquele mesmo momento e a outra opção seria deixar para trinta minutos depois. Antes disso, porém, foram avisados que se optassem por deixar para depois, ganhariam outro doce igualzinho no final da tarde.

O que eles queriam saber era quantas daquelas crianças tinham, já naquela idade, capacidade de planejar o futuro e se possuíam visão de planejamento. Mais interessante do que o resultado percentual de quantos comeram o doce imediatamente ou quantos deixaram para depois, foi saber que depois de 25 anos, a Universidade se interessou por saber o que faziam aquelas crianças que haviam sido pesquisadas. E perceberam que a maioria das crianças que haviam comido o doce na hora, depois de adultos, tiveram dificuldade de ascender em suas carreiras profissionais enquanto, a maioria dos que souberam esperar para ter direito ao outro doce, já se desenvolviam como pessoas bem sucedidas.

Ficou nítido que há uma relação entre a capacidade de escolher por fazer alguma coisa imediatamente ou por esperar para fazer mais tarde, com a probabilidade de uma carreira de sucesso. Num outro livro, encontrei a afirmação de que as únicas duas coisas que não podemos nos livrar é morrer e fazer escolhas. São duas coisas inevitáveis, afinal todos morreremos um dia e fazer escolhas, até quando nos negamos a fazê-las, estamos escolhendo não escolher.

Acontece que, na vida profissional, as pessoas que conseguem abrir mão de um conforto momentâneo em prol de um benefício maior no futuro, têm a tendência de atingir maior grau de satisfação. Essas pessoas têm mais capacidade de poupar, portanto maior possibilidade de estrategiar. Os mais ansiosos são mais propensos a tomarem decisões impulsivas e irracionais.

Enfim, para concluir, basta lembrar a fábula da Cigarra e da Formiga. É o caso do adolescente que quer trabalhar cedo e daquele outro que protela ao máximo assumir essa tarefa, preocupado apenas com o conforto momentâneo e querendo evitar uma mudança, pensando apenas no que lhe custaria a tarefa e nunca no quanto poderia lhe custar fugir dela.

Às vezes achamos que nossa vida está boa, mas na verdade nosso aparente conforto não passa de comodismo.

domingo, 7 de setembro de 2008

J.J. Jackson em Vinhedo, mas cadê o garçom?



Na semana passada, dia 29 de agosto, estive com alguns amigos no restaurante do clube Banespa, dentro do Condomínio Marambaia, em Vinhedo. Fomos atraídos pela apresentação de J.J. Jackson e sua banda, que começaria a tocar naquele dia às 22 horas. Chegamos exatamente às 21:50h, pois estamos acostumados aos tradicionais atrasos, mas surpreendentemente em menos de dez minutos de nossa presença ali, o músico septuagenário subia ao palco.

Nascido no Arkansas – EUA, aos 76 anos de vida, grande parte dela morando no Brasil, J.J. Jackson é um dos grandes intérpretes da música americana. Canta com a alma e um sorriso no rosto. Quando sobe no palco, incendeia a platéia com sua voz e carisma. É um negro magro, alto e iluminado. Com visual elegante, estilo Ray Charles, porta-se de forma muito marcante: dá a mão para alguns presentes, faz pose, piada, brinca com os músicos e provoca a platéia. Quando o show termina, ele faz questão de conversar com os presentes e atende com atenção a todos que o procuram. Desde os 15 anos, Jackson vive da música; na sua longa estrada dividiu palco com grandes artistas consagrados como BB King e Lightinin Hopkin. Seu primeiro grupo chamava-se Rocking Teens e tinha entre seus integrantes Jimi Hendrix.

Infelizmente, nem tudo funcionou como esperávamos. Não pelo músico, que é fantástico, mas sim pelo tal restaurante. Quando compramos o convite para o show, imaginamos um outro ambiente. Era numa sexta-feira, portanto fomos para ver o show e também para jantar. Mas ao chegar percebemos que alguma coisa iria complicar. Não havia ninguém jantando, apenas algumas pessoas comendo petiscos.

Sentamos em 6 pessoas numa mesa de plástico próxima ao palco e ficamos esperando algum garçom. Havia um pequeno panfleto amarelo informando o preço da meia dúzia de porções fritas disponíveis e de uns 10 tipos diferentes de bebida. “Que chato!”, pensamos. Afinal fomos lá para jantar e teríamos que nos confortar com as “batatinhas”.

Mas como dizia Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior. Acreditem que depois de muito tempo, nenhum dos dois únicos garçons da casa havia nos atendido. O próprio J.J. Jackson, entre uma música e outra, perguntou usando o seu português típico de um americano, o motivo que levava seis pessoas estarem sem nenhum copo na mesa. “Vocês non eston bebendo nada?” E nem assim o garçom vinha. Meu irmão não pensou duas vezes e foi até o outro lado de um salão com cerca de 50 mesas chamar o homem meio gordinho com uma bandeja vazia na mão.

Notamos que o tal restaurante, na verdade, era apenas um salão de clube equipado com cozinha e o proprietário (ou arrendatário?) deve contratar mão de obra avulsa. Nesse dia, certamente, economizou nos garçons, o que foi uma pena. Pois como também dizia o mesmo Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior, mas também pode ser consertado. E J.J. Jackson, com seu talento nato, tratou de consertar tudo, com um show contagiante. E imaginem que se tivesse mais garçons no local, o consumo provavelmente compensaria a maior despesa com mão de obra.

Economizar demais, às vezes custa caro. Muitos empresários pensam que o cliente pode nem notar que o atendimento está ruim e, pode até ser que eles tenham razão. Mas não há como negar que mais gente trabalhando faria o consumo aumentar. Muitas pessoas pensam que o garçom existe para servir as mesas, mas eu aprendi com o “Professor”, ex-proprietário da fantástica Galeteria Serrana, em Serra Negra, que o verdadeiro papel do garçom é vender comida, por isso o bom garçom é o que conversa com o cliente e oferece mais alguma coisinha. Isso significa que, se há demanda, quanto mais garçons a casa tem, maior será sua receita. E se os convites foram vendidos e esgotados antecipadamente, nada justifica a existência de apenas dois profissionais no local, a não ser o fato do dono do restaurante não pensar assim. Prejuízo para ele, infelizmente. E pra 'nós, que saímos de lá com fome.

sábado, 6 de setembro de 2008

O problema é o salário.



A Danila, uma colega aqui de Jundiaí me contou que gosta do seu trabalho. O ambiente é bom, o serviço é gostoso, tem uma razoável estabilidade, pois é funcionária antiga, tem liberdade para pedir algumas concessões ao chefe e, o que é melhor, fica há dez minutos de sua casa.

Porém agora ela se desmotivou e resolveu que quer sair. O problema é o salário. Não que seja uma miséria, pois não é o caso. Mas ontem ela ficou sabendo que uma ex-colega de trabalho, bem mais jovem e menos experiente, está trabalhando numa grande empresa em São Paulo. A amiga tem um salário maior que o dela e ainda goza do status de trabalhar numa empresa de maior porte.

Eu senti que a Danila está com um pouco de inveja da amiga, por isso se revoltou. Senti que se não tivesse ficado sabendo do salário da outra, nesse momento estaria tudo bem. Mas saber que alguém conseguiu conquistar algo melhor que ela o fazia mal. Então mudei de assunto e fiz uma questão a ela: se fosse uma vendedora de automóveis, qual seria a primeira pergunta que faria aos seus clientes? Ela respondeu meio sem ter certeza que seria quanto ao modelo que estava procurando ou quanto quer gastar.

Então eu contei a minha colega o que eu aprendi com o Sêo Walter (tem um tópico sobre ele aqui no blog): a primeira pergunta a se fazer é “o que é mais importante num carro para você?” E várias podem ser as respostas, como potência, conforto, economia, preço, qualidade, status, etc. Dependendo da resposta do cliente, então o vendedor pode oferecer alternativas que o satisfaçam. Se a prioridade é a potência, seguramente não será um carro econômico ou se a prioridade é o preço baixo, então não poderá ser um modelo de alta grife.

“Ta! Mas o que isso tem a ver”, perguntou a Danila. Tem a ver, respondi eu, que o emprego é a mesma coisa. A gente vê o que é nossa prioridade, se é o salário, o status, a segurança, a estabilidade, o conforto, etc. Se escolhermos pela estabilidade, teremos que abrir mão de um plano de carreira. Se escolhermos pelos ganhos altos, teremos que abrir mão de alguma tranqüilidade.

A amiga da Danila, pelo que se sabe, faz dois anos que acorda às 5 horas da manhã, sai de casa às 6 horas, pega um ônibus fretado até São Paulo para chegar às 8 horas e nunca viu o seu diretor pessoalmente. Chega em casa por volta das sete e meia da noite e constantemente está preocupada com o risco de ser substituída por outra pessoa.

Se a Danila estiver disposta a fazer o mesmo, eu acho que deve, mas sem ilusão de que vai encontrar o trabalho perfeito. Precisa estar preparada para ganhar mais dinheiro e abrir mão de alguns confortos. O que não pode é ter inveja, pois se a outra tem hoje um emprego mais rentável é porque abriu mão de seu conforto antes, o que a Danila também poderia ter feito e não fez. A única coisa que não adiante é se revoltar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Financiar um carro pode ser bom negócio


Faz dois anos, Cristiane queria comprar um apartamento. Achou um ótimo, mas não tinha todo o dinheiro disponível. Então, somou suas economias com as do marido, o FGTS acumulado e os dois saíram em busca de um financiamento. Acontece que a soma do FGTS e do dinheiro que tinham na poupança, não dava o mínimo da entrada para que o banco financiasse o restante. Então eles tiveram uma idéia: venderam um dos carros do casal e completaram o dinheiro para a entrada no imóvel. Dias depois compraram outro carro financiado em 60 meses.

Cristiane me passou um email contando sua história e dizendo: “Tenho ouvido o Mauro Halfeld pela CBN e acho que esse financiamento do carro foi um péssimo negócio. Nós financiamos um carro, para financiar um apartamento. Estamos pagando dois carros com os juros. Todo dia 1º do mês eu fico deprimida!!”

A minha opinião, cara Cristiane, é diferente da sua. Arrisco dizer que vocês não financiaram o carro para poder "financiar" um apartamento, mas sim para poder "dar entrada" no apartamento. Se pudessem financiar um valor maior pelo apartamento e dar menos entrada, certamente teriam feito.

A compra de um carro em financiamento nunca é um bom negócio economicamente falando. O comprador sempre pagará juros, é obvio e, pelo que entendi, quando fizeram o negocio sabiam disso. Todo economista diz que o ideal é comprar a vista. Mas acontece que muitas vezes não existem recursos para tal, portanto temos que financiar ou ficar sem o bem. Se vocês não tivessem feito assim, estariam pagando aluguel, o que seria um desperdício de dinheiro ainda maior do que os juros do carro.

Há que se ver a relação entre custo e beneficio, e o negócio que fizeram, parece-me que foi bom. Para entender melhor, some o valor do crédito imobiliário com o que paga do carro. Enxergue esse total como se fosse o que você paga pelo apartamento durante os primeiros 5 anos. Depois disso, é como se o valor caísse.

Claro que vocês teriam outra opção, que seria ter ficado com um carro só, mas nem sempre isso é possível, conforme as profissões que se exerce. Se o carro é para você ou para o seu marido, uma ferramenta de trabalho, entendo que vocês não poderiam ficar sem ele. Se vocês tivessem esperado dois anos para comprar o apartamento, talvez não comprassem mais, pois os preços de imóveis aumentaram bastante no Estado de São Paulo.

O Mauro Halfeld fala genericamente sobre economia. Ele não leva em conta o uso do bem ao longo do período de pagamento. Ele dá informações a respeito do que compensa ou deixa de compensar no raciocínio puro. Mas imagine uma pessoa desempregada, com dificuldade de encontrar emprego e dinheiro suficiente para mais 3 meses de subsistência. Por outro lado tem talento e preparo para empreender. Se não arrisca, dali há 3 meses o dinheiro acaba. Se arrisca, de desempregado pode virar patrão.

Concluo perguntando a Cristiane se ela fica deprimida também nos outros 29 dias do mês, quando anda de carro e não de ônibus, quando entra em casa, dorme bem, recebe os amigos, toma um banho gostoso. Fica deprimida quando está calor e então liga o ar condicionado do seu carro? Fica deprimida quando desfruta do carro e do apartamento?


Acho que não!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Em sinal de protesto, ele pedia demissão!


Faz uns dois anos o Marcelo me contava a sua história. Ele tinha 28 anos e ainda não havia se firmado em nenhum emprego. Infelizmente, há dez anos ele tomou impulsivamente uma decisão errada, de parar a faculdade de administração no primeiro ano. Daí pra frente trabalhou em diversas empresas, sempre como ajudante e, nunca por mais de 9 meses seguidos. Mas eu suspeitava que a falta de curso superior era o menor problema dele.

Eu pedi que ele me contasse o motivo que o levou a sair de todos esses trabalhos que ele teve. E pude perceber que os motivos foram sempre os mesmos ou quase os mesmos. Na maioria das vezes ele saiu por revolta. Aqui porque não tinha vale refeição, ali porque não pagava adicional noturno, lá porque o chefe era resmungão.

O caso mais típico é aquele onde um funcionário mais antigo, daqueles que vive reclamando, passava a desenvolver influencia sobre ele e, quase todos os dias, contava uma razão a mais para que todos (inclusive o Marcelo) sentissem-se revoltados. Como sempre acontece, aquele que põe fogo na fogueira tira o time de campo quando o incêndio está armado e, o Marcelo, valendo-se de sua enorme coragem, pedia demissão em sinal de protesto.

Acontece que o principal prejudicado era ele mesmo, pois o colega que o influenciara permanecia trabalhando, o patrão permanecia trabalhando, simplesmente contratava outro em seu lugar e o Marcelo ficava desempregado. Por mais simples que parecesse, demorou para o Marcelo perceber o que era simples.

E porque isso acontecia? Porque ele sempre agia de cabeça quente. Na hora da raiva soltava os cachorros. E quando alguém pedia para ele manter a calma ou dizia para que não se enervasse, sua resposta era típica: “eu sou assim mesmo! fazer o que?”

Depois de nossa conversa, o Marcelo mudou sua postura. Ele conseguiu um trabalho novo, como ajudante geral e em um ano estava como auxiliar de expedição. Nesse meio tempo fez alguns cursos e participou de um processo seletivo em uma empresa maior, na qual foi selecionado e começou a trabalhar. Ele está nessa nova empresa há 4 meses, já com expectativas de crescer. Continua fazendo cursos e não dá mais atenção aos “revoltados de plantão”.

O que o Marcelo aprendeu é que sempre tem gente para criticar seu emprego, mas raramente há quem te ofereça uma oportunidade melhor. Portanto, sugiro que sempre se valorize o prato onde come, pois na falta dele, a gente volta aficar com fome.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.


A história que vou contra aqui é baseada no Ademir. Ele é um ex-colega, que durante dois anos dividiu um apartamento comigo em Campinas. Na época nós trabalhávamos juntos e, por conveniência financeira, dividíamos o valor do aluguel. O Ademir tinha, entre várias de suas características boas e ruins, uma que o marcou: ele era muito egoísta.

E porque vou contar essa história? Porque hoje eu li alguma coisa sobre o Henry Ford. Então quer dizer que o Henry Ford era egoísta? Claro que não, muito pelo contrário. Henry Ford é até hoje lembrado pelo seu espírito empreendedor e por ter colaborado para a evolução de sua sociedade.

Aliás, quando se pensa em empreendedores de sucesso e em “business”, logo se imagina, equivocadamente, que isso significa “lucro a qualquer custo” ou “apenas benefício próprio”. Mas Ford pensava diferente disso. Ele entendia que não seria possível ser próspero numa sociedade medíocre.

Henry Ford desenvolveu a primeira linha de montagem, com automóveis sendo produzidos em série. Bom... isso todo mundo sabe. O que a maioria das pessoas não sabe que ele aumentou consideravelmente a média salarial de sua empresa, pois entendia que de nada adiantava produzir mais se a sociedade não tivesse dinheiro para comprar seus produtos. Sua empresa também investiu na abertura de estradas públicas (isso mesmo, públicas), pois quem iria fazer questão de ter automóvel sem ter onde pô-lo para andar? Ford também investiu na construção de postos de gasolina, dos quais nunca recebeu um dólar sequer, mas sabia que a existência desses seria fundamental para o sucesso de seu negócio.

Henry Ford, já naquela época, tinha visão de futuro. Ele conseguia planejar. Tinha a capacidade de abrir mão de alguma coisa hoje para se beneficiar no futuro. Com essa sua visão, ele conseguiu fazer com que sua comunidade crescesse e com isso muitas pessoas se beneficiaram. Muitas pessoas aproveitaram-se da existência de estradas para fazer seus empreendimentos darem certo e, provavelmente Ford não recebera nenhum royalty. Mas ele se beneficiou indiretamente, porque além de criar seus produtos, criou também seus clientes.

E o que o Ademir tem a ver com isso? O Ademir seria justamente o contrário. Ele já pensaria que se fosse para outras pessoas se aproveitarem de um feito dele, ele preferia não fazer. O Ademir é um cara que jamais permitiria que alguém levasse vantagem em uma atitude sua. Ele tem a sensação de que se o outro levou alguma vantagem, de certo é porque ele próprio levou alguma desvantagem. E é por isso que pessoas como o Ademir não conseguem prosperar, pois não conseguem fazer outros rosperarem.

Já dizia o grande publicitário brasileiro, Nizan Guanaes: “Pensar no coletivo tem sido a melhor maneira de pensar em si”. Eu concordo com ele.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Há quanto tempo, muito prazer em revê-los!


Caros amigos, que bom estar novamente aqui. Já faz quase dois meses que eu não escrevia nada, mas dessa vez não foi preguiça, apenas concentração em outras coisas. Parece que não, mas escrever esses posts exigem mais do que os minutos que levam para digitar as palavras, exigem concentração.

Desde o final de junho que estive (e ainda estou) empenhado em um trabalho direto na área comercial da empresa, o que constantemente requer uma atenção integral. Além disso foram dias dedicados a leitura de algumas literaturas históricas, que há muito eu queria descobrir. Nesse tempo confesso que escrevi sim alguns artigos, um deles inclusive foi publicado em nosso site interno, mas sempre muito específicos ao meu trabalho, citando nomes, portanto inviáveis para publicar aqui.

Agora, de volta, estou feliz por retomar o blog, que tenho como um prazeroso canal de comunicação com pessoas que eu não conheço. Na verdade não sei se meus antigos leitores ainda estão por aí, mas se estiverem, espero que gostem do que virá agora pela frente.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Solidariedade sem fins lucrativos

Em tempos onde todos estão preocupados em fazer ações sociais e divulgar seus atos de Responsabilidade com os pobres ou com o meio ambiente, apenas visando o marketing que isso pode trazer, algumas pessoas anônimas tem atos de solidariedade sem se preocupar se aparecerão amanhã no Jornal Nacional.
A história a seguir deve ter acontecido recentemente em Santos, litoral do estado de São Paulo. Provavelmente no dia 17 de junho ou alguns dias antes. E somente veio a público porque alguém fotografou e espalhou pela internet, mas sem identificar as personagens.

Dois garotos passam ao lado de um córrego e avistam um cãozinho tentando sair da água. Eles, que também não conseguiriam descer a parede de concreto, tiveram uma boa ideia.


Uma sacola térmica nas mãos...


Um pouquinho mais de esforço...

...consegui, agora me puxa!


E pelo jeito, o cachorro o cachorro nem era deles, a deduzir pela forma que continuam andando sem terem a menor expectativa de que as imagens desse ato heróico viessem a correr o mundo.


Eles fizeram algo arriscado? Sim! Um adulto o faria? Não! Se tivesse um adulto sensato junto, deixaria que as crianças fizessem isso? Provavelmente não! Mas, nos últimos anos, quando temos visto muitos "vira-latas" virarem heróis ao salvarem crianças de ataques de pit-bulls, creio que seja válido vermos dois garotos virarem heróis ao salvarem um "vira-latas".

E esse mesmo adulto sensato que não arrisca a sua vida para resgatar um animalzinho do córrego, arrisca de muitas outras maneiras muito mais banais.

Por isso resolvi publicar essas fotos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Brasileiro, profissão: re-pagador de Impostos.

Ouvimos todos os dias, através dos noticiários, que o Brasil é o campeão do pagamento de Impostos, no mundo. Mas na verdade, nós não somos os campeões; somos quase. Recentemente o IBPT comparou a carga tributária de 25 países. Dentre eles, a carga tributária do Brasil (37,82% do PIB) só fica atrás daquela registrada pela Suécia (50,7%), Noruega (44,9%), França (43,7%) e Itália (42,2%). Nossa carga tributária também é superior à dos EUA (25,4%) e da média dos países da OCED (36,1%). Na comparação com os latino-americanos também estamos na dianteira, já que na Argentina (21,9%), no Chile (19,2%) e no México (18,5%) o peso dos impostos no PIB é bem menor.

Mas, como se isso não bastasse, o dinheiro do imposto é mal gasto. O estado cobra os impostos com o mesmo objetivo que o seu prédio cobra o condomínio. É isso aí, o Brasil é um grande condominiozão. Nós moramos aqui e precisamos pagar uma determinada quantia por mês para pagarmos tudo aquilo que se gasta para o bem comum dos moradores, como saúde, segurança, educação, limpeza pública, etc. Até aí, tudo bem.

Porém eu pergunto ao leitor: como ele se sentiria se pagasse o boleto do condomínio, certinho, no dia do vencimento, mas ao avaliar o local onde mora, percebesse que a água da piscina estivesse sem tratamento, o elevador quebrado, a campainha queimada e o porteiro, que saiu de férias, não tivesse sido substituído por ninguém? Se tivesse que contratar particularmente um limpador de piscinas ou um porteiro? É assim que eu vejo o Brasil.

Nós pagamos para que o governo construa e mantenha as escolas públicas, mas se queremos uma boa escola temos que matricular nossos filhos nas particulares. Pagamos para que a polícia nos proteja, mas precisamos contratar o Guarda Noturno para as nossas casas e os seguranças para as nossas empresas. Pagamos para ter hospitais, mas precisamos contratar nossos planos de saúde particulares, pois se dependermos do sistema público poderemos morrer na fila de espera.

Enquanto isso, o Governo joga a responsabilidade para o cidadão. E o cidadão, sem outra opção, aceita. Ontem ouvi uma reportagem pelo rádio, onde um secretário de saúde de um município do interior de São Paulo reclamava que gastava muito dinheiro com remédios para a população. Que mesmo aqueles que tinham planos de saúde particulares recorrem à rede pública para retirar gratuitamente os remédios. Segundo este senhor, tal município pretende entrar com ação para obrigar os planos de saúde particulares a fornecerem também os remédios para os seus segurados e com isso aliviar o Governo. Ou seja, temos que nos conformar que nós pagamos os impostos e depois “re-pagamos” os mesmos Impostos?

Aí eu pergunto: Este senhor tem consciência da besteira que ele falou? Afinal, o governo deveria atender a 100% da população com remédios e também com os médicos, exames e tratamento, afinal quem tem plano de saúde também contribui com a Previdência. Os planos de saúde nem deveriam precisar existir, mas ao invés de entender que estes aliviam o custo do Estado, o tal Secretário acha que eles deveriam fazer mais. Se as operadoras de planos de saúde fossem obrigadas a fornecer remédios para os segurados, os valores das mensalidades seriam bem maiores, o que inviabilizaria o cidadão de pagá-las. Neste caso ele voltaria a, não só buscar o remédio na rede pública, como também se tratar lá.

O que você acha disso?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

As Nóias e os Siameses do Caos.


Ontem recebi um e-mail da Coordenadora de um dos Departamentos da minha empresa. Nesse e-mail ela informava que Fulano de Tal passava a ter direito a usar um endereço eletrônico profissional. Segundo a colega, ele havia desenvolvido com sucesso algumas tarefas que ela pedira e por isso mereceu esse “agrado”. Nessa hora respondi dizendo que eu havia ficado muito feliz pela informação e que o Fulano foi um cara que sempre fez questão de estar presente.

Na minha resposta, continuei escrevendo e contei que anteontem eu estava pensando sobre o caso de algumas outras pessoas que temos na empresa, que são complicadas, que não trabalham com a mesma motivação do amigo Fulano e vivem dando desculpas com seus problemas pessoais. Minha conclusão dizia que o mundo é composto por pessoas normais, pessoas que sofrem e pessoas que fazem os outros sofrerem.

Os normais são aqueles que saem de casa todos os dias em direção ao trabalho pensando exclusivamente em trabalhar. Os que sofrem são os que saem de casa reclamando da vida, dos problemas e de tudo mais. E os que fazem os outros sofrerem são os que saem de casa já revoltados com tudo e com todos. O resultado disso é que os que fazem sofrer não se contentam em apenas infernizar a vida dos que já sofrem, mas parece que têm metas de encontrar novos sofredores, portanto infernizam a vida dos normais também, tentando rebanhá-los entre os sofredores.

Com isso, entendi que o maior desafio em liderar equipes não é fazê-los executar seus trabalhos ou tarefas. O verdadeiro desafio que temos está no fato de a maioria das pessoas viverem em constante conflito interno. Essas pessoas não descansam, devem deitar na cama e continuarem sofrendo. Vivem procurando problemas para sofrer. Adoram problemas... E como elas têm muitos conflitos internos, acabam por gerar conflitos externos sem motivos reais. Transformam-se todas em "Patos Donalds", que façam o que for, sempre se darão mal. E assim como o personagem de Walt Disney, nunca percebe que seu sofrimento é fruto de sua expressão negativa ou de suas atitudes.

Se as pessoas se concentrassem em fazer os seus trabalhos, motivados, sem se preocupar com nóias, com divergências familiares ou com os colegas negativos, elas evoluiriam. A maioria dos problemas que uma pessoa tem poderia ser resolvida com o realizar de um bom trabalho. E se o cara não faz um bom trabalho, além de permanecer com aquele monte de problemas que ele já tem, ainda terá um novo problema que será a cobrança do chefe e, em alguns casos, até a perda do trabalho. Resumindo: O MUNDO GOSTA DE SOFRER!

Um outro colega me contava do programa que ele assistiu onde este assunto estava em pauta, de como o ser humano passa a vida murmurando, se lamentando. Está na bíblia, que desde de que o mundo é mundo o homem murmura e se lamenta... E quando o sofrenildo se afasta, as pessoas normais sentem a diferença.

E problemas... quem não os tem? A questão está em como lidamos com eles. Se os colocarmos no centro de nossas vidas, nossas vidas virarão um problema. Se colocarmos as bênçãos em primeiro lugar, teremos uma vida recheada de coisas boas e os problemas parecendo pequenos. Isso nos faria agradecer a Deus pelos poucos motivos que temos para reclamar... Visite um hospital e verá pessoas com o que realmente podemos chamar de problema... pessoas que não sabem se estarão vivas no dia seguinte. Problema não é ter que trabalhar, mas sim não ter emprego ou saúde para poder trabalhar.

Inicie, na sua vida, a OPERAÇÃO LIMPEZA. Isso consiste em se aproximar de pessoas de bem com a vida e se distanciar daqueles que chamamos de siameses ao caos (que vivem grudadas ao problema). Dê uma oportunidade a você de ser feliz.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Os pioneiros formadores de mão de obra.

Quando Pelé e Jairzinho encantaram o mundo com a conquista do tricampeonato mundial de futebol, em 1970, o Brasil vibrou ao ritmo de um Jingle que até hoje é lembrado pelos "quarentões". A letra cantava os "noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção..." De lá pra cá, a população brasileira dobrou de 94 milhões de habitantes para 186 milhões, segundo o senso do IBGE de 2006. Além disso, quase quarenta anos depois, o mundo não é mais o mesmo. A tecnologia diminuiu as distâncias, transformou a TV em digital, o telefone em celular, a máquina de escrever em museu e o emprego em raridade. Quanto mais o mundo gira, mais temos dificuldades de resolver um dos maiores fantasmas da nossa geração: o desemprego.

Mas, o que, de fato acontece com o mundo? Será que o ser humano é tão perverso a ponto de desenvolver uma máquina que vai eliminá-lo no futuro? Será que a tecnologia é realmente a exterminadora de emprego que todos pensam que é? O computador, de fato, está substituindo o homem? A nossa experiência “day by day” mostra que não é bem assim.

A automatização substitui determinadas funções antes feitas pelo trabalho humano. Mas a mesma tecnologia que substitui, também cria outras fontes de trabalho em outros lugares, pois gera mais produtividade e, quando tem aumento de produtividade, tem crescimento e geração de empregos e serviços. Se antes dez pessoas eram responsáveis por uma linha de produção e hoje a máquina substituiu nove delas, há de se pensar que gerou também trabalho para quem inventou a máquina, para quem a fabrica, para quem a vende, para quem a entrega, para quem a instala e para quem faz sua manutenção.

O setor de serviços é, já há alguns anos, um dos que mais cresce no mundo. Empresas como as de informática, telecomunicações, jornalismo, transportes, turismo, educação e idiomas, lideram a maior parte da nossa receita operacional líquida, conseqüentemente gerando novos postos de trabalho. Não raramente, estas empresas tem vagas em aberto e, contraditoriamente, dificuldade de contratar.

Mas então, o que ainda acontece com o mercado? O grande problema é que o trabalhador que foi demitido ontem pode não se encaixar no novo trabalho que surgiu hoje. Então concluímos que o verdadeiro vilão do emprego não é a tecnologia, mas sim outros dois monstros: o baixo grau de educação, que impede que o desempregado consiga um novo trabalho, e o preconceito, que impede que ele o aceite.

A verdade é que o trabalhador ainda não vê o setor de serviços como uma grande oportunidade profissional. A menina dos olhos, tanto do experiente quanto do recém formado ainda é a indústria multinacional. Porém a quantidade de empregos que existe lá é insuficiente para todo mundo. Em contrapartida, empresas prestadoras de serviços crescem territorialmente, se organizam politicamente com filiais em todas as regiões do país, proporcionando com isso uma linha de oportunidades, ascensão e salários extremamente interessantes para a realidade em que vivemos.

E existe uma outra vantagem: é um setor que forma. Como se tratam de trabalhos muito singulares, essas empresas se dedicam a ensinar seus profissionais, dando a eles a chance de crescerem num terreno ainda muito pouco explorado. Seguramente, aí está a solução. Aqueles que enxergaram essa tendência têm sido os pioneiros daquilo que formará muitos grandes executivos do futuro. Ao trabalhador, sobretudo o mais jovem, vale aproveitar com fé esse momento, enquanto as prestadoras ainda estão se propondo a contratar pessoas sem experiência e formá-las. No futuro, pode ser tarde demais.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Respeitar o espaço dos outros é importante.

O Sandoval é colega de trabalho de uma amiga minha. Eu não o conheço pessoalmente, por isso tomei o cuidado de trocar seu nome. Também não sei se o relato que ouvi é exatamente como entendi, por isso quero deixar claro que a partir desse momento, ele se torna simplesmente uma personagem desta crônica, onde qualquer semelhança com o mundo real é apenas coincidência. Mas o fato é que existem alguns Sandovais por aí.

Segundo minha amiga, ele é exageradamente mal organizado e, devido a isso, atrapalha também outras pessoas. Tem uma quantidade enorme de trabalho para fazer justamente porque não consegue terminar nenhum. O acumulo é tão grande que as pastas ficam num canto, em cima da mesa, em pilha, com anotações em “post-its” que ninguém mais entende. Em poucos dias forma-se outra pilha de pastas no outro canto da mesa.

O grande problema é que, segundo ela, o seu vizinho invade a mesa dos colegas, com papéis desnecessários ou materiais que já deveriam ter ido para os arquivos, sem ao menos pedir licença. Isso, atualmente é mais comum do que se imagina, mas é um problema novo. Não acontecia antigamente, pois as salas eram bem divididas e as mesas individuais. Porém, com a arquitetura moderna de ambientes, muitas empresas se dispõem em Estações de Trabalho, onde as mesas se emendam nas outras e a divisão de espaço não é exatamente bem definida. Nesse caso, o que fazer para delimitar o seu espaço? Como impedir que os Sandovais invadam o seu território e espalhem a sua bagunça por todos os cantos?

A única solução é delimitar fisicamente. Usar seus instrumentos de trabalho ou enfeites para marcar a fronteira é a única solução que vejo. Conversar com o colega invasor (até em tom de brincadeira, dependendo do caso) e explicar que aquele espaço é seu pode ser bem válido. Em casos mais difíceis, use a criatividade, como o Heitor, amigo meu que levou seus soldadinhos de brinquedo para a empresa e ganhou a simpatia do invasor quando disse que eles vigiariam o limite e que qualquer coisa que passasse por ali estaria sujeito a fiscalização alfandegária. Segundo ele, daquele dia pra frente, ninguém nunca mais teve coragem de invadir sua mesa com bagunças.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Como faço para conviver com um colega Grossenildo?

Pergunta do Leitor: As opiniões anteriores que você deu, ajudaram muito. O caso agora é que na empresa que trabalho e sou gerente, está atuando um escritório do mesmo grupo, mas serviço totalmente independente do meu. Eles deverão mudar de endereço dentro de um mês. O gerente desse escritório é muito "estourado", grita por qualquer coisa com as pessoas e por um engano dele, que pensou que uma funcionaria minha não havia entregado uma carta importante, ele gritou com ela na minha frente, chamando-a de burra. Acontece que ela é excelente funcionária, inteligente e simpática.
Na hora, eu não disse nada, mas estou sentindo como se devesse alguma coisa para funcionária.Pensei em falar com ele, pensei em falar com a matriz ou pedir aos superiores que falem com ele, pensei em deixar pra lá já que daqui um mês ele não estará mais lá. Isso aconteceu final tarde de ontem.... Qual a sua opinião?

Resposta: Situações como estas fazem parte da rotina de pessoas mal resolvidas. O verdadeiro líder não toma atitudes como essa, pois tem sempre a intenção de ensinar. Ele também vai se irritar com algumas coisas, também dará broncas em seus liderados, mas o fará sempre com respeito e dentro de sua razão.

Lembro-me que quando assumi o cargo de gerente pela primeira vez, em 1994, meu comportamento era um tanto instável e algumas vezes eu percebia que alguns funcionários de outros setores não me respeitavam como eu gostaria. E como eu fazia para superar isso? Gritava! E resolvia? Claro que não! O máximo que eu conseguia era ganhar a antipatia das pessoas.

Se seu colega gerente fez o que você relatou e, claro, se a situação foi exatamente essa, ele cometeu sim um grave engano. O motivo que o leva a ser assim é não ter ainda desenvolvido a essência da liderança. Ele é chefe, mas não é líder. Tem o poder, mas não tem a autoridade. Gritar é uma forma de compensar a falta dessa autoridade. Com isso as pessoas têm medo dele, por isso não o desafiam, mas também não o respeitam.

E quanto a sua pergunta, é muito importante sim você fazer alguma coisa. Se o Grossenildo chamou a menina de burra, tenha ele razão ou não, cometeu “Assédio Moral” e ela pode abrir uma ação trabalhista contra a empresa. Se foi sem razão, mesmo que a funcionária não entre na justiça, é ainda pior, pois ficará chateada e isso interferirá na sua conduta profissional.

O verdadeiro líder age como pai. Ele chama atenção do filho quando necessário, mas também o protege. Se essa menina gosta da sua liderança, pode ter certeza que ela está esperando uma atitude de sua parte, assim como um filho espera que o pai o proteja quando ele briga na rua e apanha de um vizinho maior. Mas cuidado, também não arme nenhum “barraco”.

Eu sugiro que você converse com esse outro gerente, explique que não gostou da atitude dele por diversas razões, como injustiça, desrespeito e grosseria. Faça isso em alto nível, sem escândalo. Depois de conversar com ele, informe que você levará o caso ao conhecimento da matriz, pois não concorda com este tipo de atitude.

Por último, mas breve, dirija-se a sua funcionária e informe que você conversou com o outro gerente, que não aceita que aquilo aconteça e que não acontecerá mais. Se ela disser que nem se importou e que não precisava ter falado nada, entenda que ela diz isso por educação e por não querer conflito. Diga então, que você fez o que faria em qualquer situação de injustiça ou grosseria. Mas peça que ela o respeite sempre e que não tente dar nenhum troco. Assim, você não se omitirá e quando precisar de sua funcionária para alguma coisa a mais, ela se lembrará disso e não se omitirá também.

Caso, ao falar com o Grossenildo, ele começar a gritar também com você, mantenha a calma. Se for preciso, levante-se, saia da sala e vá para o plano B, que é conversar direto com a Matriz e exigir uma atitude. Mas, acho que não chegará nesse nível.

domingo, 18 de maio de 2008

Minha opinião sobre a “demissão voluntária”.


No último artigo que eu escrevi, no dia 14 de maio, relatei a opinião de dois amigos advogados, a respeito da Convenção 158 da OIT. Esta Convenção trata das “demissões voluntárias”, ou seja, daquelas demissões sem motivo aparente.

Mas eu pergunto: qual o objetivo dessa lei? Pois se não há motivo, não deveria haver mesmo a demissão. A resposta é que a possível lei é sugerida pela Organização Mundial do Trabalho visando a manutenção da quantidade de empregos no mercado. Tenta, com isso, inibir aquela demissão por “redução de custos”, onde o empregador demite um funcionário e sobrecarrega outro com o trabalho do que saiu.

Entendo a preocupação do legislador, mas discordo que esse seja o melhor caminho. A minha justificativa é toda baseada na “Lei da Oferta e da Procura”. Entendo que o que mais beneficia o trabalhador é a grande oferta de empregos, pois assim, com o mercado aberto e com grande oferta, o empregador precisa oferecer mais qualidade para manter o seu bom funcionário.

Quanto mais se tenta manipular o mercado de trabalho, mais se incentiva a troca do Regime de CLT por outras categorias, ainda que se correndo o risco de interpretações de ilegalidade. A legislação muito rigorosa diminui a Oferta de Emprego, fazendo que o empregador ofereça menos vagas entendendo que o funcionário é muito custoso.

Do ponto de vista motivacional, há também o funcionário talentoso para o trabalho, mas que não é bom de relacionamento. Esse indivíduo geralmente cria um clima ruim, o que contagia negativamente todo o restante do grupo. Se houver algum dispositivo que impeça a empresa de demiti-lo, o problema passa a não ter mais solução.

Nessa hipótese, um empregador responsável demitiria mesmo assim o seu funcionário mal quisto, alegando mau desempenho, porém o demitido poderia questionar o assunto na Justiça. Esse é o outro ponto de vista que quero lançar: os Tribunais do Trabalho, já tão repletos de processos intermináveis, ficariam ainda mais lotados.

Finalizo com uma frase do Professor José Pastori, pesquisador da USP sobre o tema. Em 1.999, quando foi entrevistado pelo também professor Mario Sérgio Cortela, Pastori justificou suas opiniões perguntando: “de que adianta termos uma infinidade de direitos se o trabalhador não tem trabalho?”