quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Trafegando pelo Acostamento



Dia desses eu estava na Marginal Pinheiros, em São Paulo, trafegando pela última faixa do lado direito, próximo ao “cebolão”. O trânsito não estava completamente parado, mas lento. O fato é que o velocímetro devia estar marcando uns 30 Km por hora, no máximo. Até aí, nada de novo, todos muito pacientes.

Eis que lá de trás aparece um Honda Fit em maior velocidade vindo pelo acostamento e ultrapassando todo mundo. Logo que isso aconteceu, o motorista do Vectra que estava atrás de mim fez o mesmo e o seguiu. A partir daí, em poucos segundos, muitos eram os carros andando pelo acostamento, o que fez com que o mesmo se tornasse uma nova pista de rodagem, a não mais que 30 Km por hora.

Este simples ocorrido, coisa que deve acontecer todos os dias em diversos pontos de muitas grandes cidades, nos faz aprender uma série de coisas:

A primeira é que aquele primeiro motorista de cortou o trânsito valendo-se de uma arbitrariedade deve se achar mais importante do que todos os outros 19.999.999 habitantes da Grande São Paulo. Ele provavelmente se acha mais esperto, mais inteligente, mais tudo. Afinal, ele acredita que o mundo é dos espertos e vê como algo elogiável a sua grande habilidade de fazer o que ninguém havia feito até aquele momento. Provavelmente esse motorista seja um daqueles sonegadores de impostos, que faz com que o Brasil se torne um país caro.

Quando um motorista corta os outros por um atalho ou pelo acostamento ele está utilizando-se de um recurso desonesto para levar vantagem. Com isso ele complicará o transito lá na frente, quando inevitavelmente terá que voltar para a pista, fazendo com que o honesto tenha que esperar ainda mais. O mesmo acontece quando alguém sonega imposto. Quem não sonega fica tão prejudicado que não consegue se colocar no mercado de maneira competitiva.

A segunda análise é que o motorista do Vectra, que estava tranqüilo atrás de mim, fez o que muito brasileiro faz: foi no embalo do outro. Provavelmente ele teve um segundo de indignação ao ver que foi ultrapassado desonestamente pelo outro, sendo assim, usou da mesma malandragem para “equilibrar o jogo”. É o caso de muitas pessoas, que quando são flagradas em algum ato incorreto, justificam-se dizendo que “embora proibido, todo mundo faz isso!”

E finalmente percebemos também que aquilo que todo mundo faz, embora errado, passa a ser normal. O que há de mais normal em um congestionamento é o fato dos motoristas usarem o acostamento para trafegar, ainda que seja para ganhar alguns poucos metros. Poucos imaginam que quanto mais as pessoas pensem em levar vantagem em cima das outras, menos elas vão dormir tranqüilas.

Quanto mais um homem for desonesto, mais outros homens também serão e mais ainda outros precisarão ser para se destacarem. Acontece que um dia o universo se defende e o desonesto então paga o preço. Um dos muitos congestionamentos que eu peguei em minha vida de motorista, ficou marcado pelo fato de a ambulância de resgate não conseguir passar com rapidez pelo trânsito devido ao fato de o acostamento estar totalmente ocupado por motoristas espertos que se achavam mais importantes que os outros e resolveram trafegar por lá, além de mais alguns motoristas indignados que resolveram fazer o mesmo ao se sentirem lesados ao ver que estavam sendo ultrapassados pelos outros.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Emburrecer para buscar o sucesso



Faz alguns dias que eu estava conversando com um amigo. Vamos chamá-lo de Ney. O Ney é meu amigo de adolescência. Morávamos no mesmo bairro e durante alguns anos jogávamos bola juntos, íamos para as festas e ouvíamos o mesmo tipo de música. Depois eu comecei a trabalhar em outras cidades e pouco o via. Recentemente passamos a ter uma relação profissional e hoje conversamos quase todos os dias.

Nessa conversa falávamos a respeito do trabalho do Ney. Ele, que mudou de profissão faz alguns meses e veio trabalhar conosco, estava me dizendo que ainda faltava descobrir alguma coisa para poder "detonar". Dizia que já dominava tecnicamente o trabalho, mas que lhe faltava ainda "cair alguma ficha". Que precisava usar melhor o seu talento.

É certo que existem outros Neys pelo mundo e é possível que algum deles leia esse artigo. Então gostaria de transcrever aqui o que eu sugeri a ele. Uma pessoa de 35 anos que muda de profissão é no mínimo corajosa. E foi partindo daí que eu comecei a lembrar de algumas aventuras que nós vivíamos no final dos anos 80.

Nós, como a maioria dos jovens da época éramos corajosos, saíamos para as baladas, brigávamos, paquerávamos e tudo mais que convém ao jovem. Atravessávamos a pé quase que a cidade inteira em função de alguma garota. Lembro-me que quando tínhamos dinheiro aproveitávamos as festas, mas na falta dele, alguns poucos "cruzeiros novos" eram suficientes para comprarmos uma ou duas garrafas de Coca-Cola e isso bastava. Um dominó, dois litros de refrigerante e um local estratégico: a escadaria da Igreja do Mentenegro, de onde se via todo o bairro. Foi lá que nossos sonhos começaram a surgir. Um local de inspiração. Depois os padres cercaram a escadaria, mas não tinha mais importância, pois já éramos adultos e a rapaziada mais nova descobriu os shoppings.

Quero dizer que o jovem, pela sua própria ignorância, tem mais coragem que o adulto. O adulto já está "recalcado" pelos tropeços que teve e por isso perde a capacidade de sonhar. Minha conversa com o Ney chegou a seguinte conclusão: Às vezes é necessário emburrecermos um pouco para podermos ter sucesso, pois aquele que já chega achando que sabe não tem a sensibilidade necessária para dar atenção aos detalhes e aprender. Mais que isso, quem quer manter a pose perde o principal trunfo de um profissional de área comercial: a coragem.

Então é isso. Finalizo lembrando um slogan da campanha de lançamento do Celta, em 2001. Na época aparecia um engenheiro automobilístico dizendo "a gente teve que desaprender muita coisa pra fazer esse carro". Ele quis dizer que precisou sair do paradigma, emburrecer um pouco para alcançar novos limites.

Vamos lá Ney! Paradigma? Vamos quebrar mais esse. Lembre-se das nossas celebres frases dos nossos tempos de adolescentes, onde dizíamos que "pouco importa pra que lado o mundo gira, eu vou pras cabeças..."

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Mineirinho criativo sô...



Publicado originalmente em 24.02.2006 em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br

Era ano de 2003 e um amigo da empresa, mineiro, motivado com o triunfo do Cruzeiro, começou a me mandar e-mails todos os dias. Seu objetivo era brincar com os torcedores dos outros times, principalmente do Atlético. Mas justamente naquele ano o único time capaz de fazer frente ao então poderoso Cruzeiro era o meu Santástico de Vila Belmiro.

Numa das estilingadas dele eu respondi com uma matéria que copiei de um site na Internet. O texto falava da troca de treinadores entre os dois times. Wanderley Luxemburgo havia ido do Cruzeiro para o Santos enquanto Emerson Leão fazia o caminho inverso.

Essa matéria falava também da zaga reserva do time de Minas, Bruno e Irineu, que devido às contusões dos titulares iria entrar em campo pela primeira vez desde o início de um jogo. Na minha brincadeira ironizei: “quem é esse Irineu???”

Segue na íntegra a fabulosa resposta que meu amigo, mineirinho típico, quieto, tranqüilo, enviou e me calou (temporariamente) diante de tanta criatividade.

“Aguinaldo, procure se informar melhor, lendo melhores notícias em melhores jornais. O Irineu é titular da Seleção Brasileira sub 20 (ele ainda é Juvenil). Será titular da Principal, quando chegar à idade, assim como TODOS os demais jogadores do Super Campeão, que, quando não são titulares, tem pelo menos passagens brilhantes pela Seleção. Quanto ao novo treinador, não muda nada: é igual, melhor, ou pior (não tem a menor importância). É babaca e prepotente igual ao que saiu e que seguiu para o caminho das derrotas. Assim como o babaca daí, o babaca daqui chegou dizendo: “Agora estou no melhor Time do Brasil, e com a melhor Equipe do Brasil". Já vi esse filme antes. Pelo menos, o babaca daqui acertou.”

PS: Acontece que o Leão, no Cruzeiro não durou muito, enquanto o Santos de Luxemburgo foi campeão brasileiro. Uma boa resposta.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Alguém me explica???


Definitivamente, o Brasil não é um país sério. E assim como qualquer coisa que não é séria, não vai para frente. Uma empresa mal administrada vai falir. Um clube mal administrado vai para a segunda divisão. Um país mal administrado coleciona seus miseráveis.

Não sou desses que adoram falar mal do Brasil. Muito pelo contrário, eu até reclamo com quem o faz. Mas hoje quero manifestar minha opinião comparando um país com aquilo que eu tenho experiência, que é uma empresa.

Uma empresa não pode gastar mais do que arrecada, tem que produzir, tem que inovar, tem que dar condições de trabalho aos seus funcionários e ter boa relação com as outras empresas, pois elas podem tornar-se parceiras comerciais. O país também precisa dar boas condições de vida ao seu povo e este, por sua vez, deve produzir para sustentar o país.

Acontece que o brasileiro vive em meio a muitas contradições. A mesma pessoa que reclama da cidade suja é a que joga uma lata de refrigerante pela janela do ônibus. O mesmo cidadão que reclamou da falta de liberdade nos anos 70, hoje reclama de ter que ir votar. A mesma senhora que se lamenta por não ter emprego, quando consegue um, reclama por ter que acordar cedo.

Ao andar pelas ruas, antes que você mude de calçada, encontrará um ônibus ou caminhão soltando fumaça preta. A contradição está no fato de fazermos anualmente o licenciamento dos nossos veículos sem que estes passem por uma inspeção. Ou seja, o licenciamento é apenas mais um imposto.

Outra contradição está ligada às drogas. Eu creio que usuário de droga deveria ser preso, assim como o traficante. Se não houvesse usuários, não haveria traficante. Isso acontece em relação ao receptador de materiais roubados, que é criminoso tanto quanto o ladrão. Então por que o “receptador” de drogas é considerado vítima?

O brasileiro, infelizmente, está habituado a se atrasar. Marca uma reunião às 9 horas e, quando tudo dá certo chega às 9 horas. Deveria chegar antes, se acomodar na sala, enfim para que às 9 horas em ponto a reunião pudesse começar. Mas não é isso que acontece. Ele usa toda a margem de erro que puder, como se uma vantagem isso fosse.

Mudar os hábitos é algo difícil, mas na minha opinião é o único caminho possível em direção a modernidade e eficiência.

Caçadores da Arca Perdida

Publicado originalmente em 04.05.2007 em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br



VENDE-SE ESTE IMÓVEL, PREFERENCIALMENTE PARA IGREJA.

Em Jundiaí tem uma loja de antiguidades que exibe uma faixa com a frase acima, em sua fachada. Na mesma loja ainda tem outras duas placas, uma vendendo uma chácara, anunciando preço e tudo e outra oferecendo todo o estoque a preço bom, sugerindo que o dono da loja resolveu mudar de ramo.

E o mais legal é que esse local já foi tudo, loja de móveis, de carros, de decorações e outras coisas mais. Sempre com o mesmo nome, que se sabe ser o sobrenome do dono. O que percebemos é que o tal dono do lugar deve ter cansado de ser antiquário e quer mudar de ramo. Decidiu vender tudo, inclusive o prédio e tem preferência por vender para igreja, pois acredita que conseguiria um preço melhor assim.

É importante salientar que se ele prefere vender para igreja é porque acredita que igreja seja uma fábrica de dinheiro ou algo assim. Ainda que ele tivesse razão, certamente anunciar isto não seria a melhor forma de vender, pois passa a impressão de ser ele um espertinho querendo se aproveitar da situação e, pior ainda, de estar desesperado para vender.

A impressão que temos desse caso é que é um “caçador da arca perdida”. Esse título é uma alusão aos filmes de piratas em busca do tesouro, como assistíamos quando crianças. Muitos empresários acham que ser empresário é apostar na sorte. Eles acreditam que o sucesso de um empreendimento está na escolha do ramo a ser seguido e não na sua capacidade. Esse é o pior erro que uma pessoa pode cometer.

Temos ainda a impressão que o nosso amigo dono da loja está, de tempos em tempos, mudando de ramo e é por isso que ele não se acerta, pois erra bastante no começo e quando poderia acumular um pouquinho de experiência se desilude com o ramo e resolve apostar em outra coisa nova, para errar tudo outra vez.

O sucesso de um empreendimento está no quanto o empreendedor trabalha para obter o sucesso e não no ramo que ele escolheu. Por inúmeras vezes ouvimos perguntas como: “isso aí dá dinheiro?” ou “aquele negócio é bom?” Na verdade essas pessoas são infelizes apostadores e a possibilidade de obterem sucesso é igual à de ganhar um prêmio em um sorteio qualquer. Afinal se o negócio dá dinheiro ou não é algo muito relativo e que depende muito de quem o opera.

Eu já conheci vendedores de cachorro quente que ficaram ricos e outros que faliram, assim como donos de grandes magazines que ficaram ricos e que faliram. O ponto determinante não está no negócio em si, mas sim no espírito do empreendedor, que tem que deixar de achar que o negócio vai torná-lo rico e passar a entender que ele (empreendedor) vai tornar o negócio bom. Outro erro grave que muita gente comete é eleger um negócio qualquer como “mina de ouro” e abri-lo sem se preparar para tal.

Na maioria desses casos o cidadão contrata dois ou três funcionários e acha que eles vão resolver o problema e remar, enquanto o próprio empresário, simplesmente controla o leme. Se o seu negócio é um grande barco e você quer controlar o leme, você precisa ter experiência como piloto, o que a grande maioria dos novos empreendedores não tem. Agora se o seu negócio começou pequeno, como a maioria começa, o melhor que tem a fazer é remar com suas próprias forças. Com isso você criará experiência em remar e conseguirá ensinar aos outros esta arte. Se fizer assim, no futuro outras pessoas irão entender como uma grande oportunidade profissional remar o seu grande barco enquanto você os comanda.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Entre Chimangos e Maragatos

Publicado originalmente em 10 de dezembro de 2007 em
http://aguinaldocps.blog.terra.com.br

Eu creio que seja de mau gosto tudo aquilo que pretende separar os povos, criando uma divisão entre fulanos e cicranos e beltranos. Isso inclui todas as esferas, sejam étnicas, religiosas, sociais, raciais ou quaisquer outras. Alguns políticos incentivam as pessoas a fazerem uma distinção entre ricos e pobres, alguns pregadores também fazem questão de separar crentes e céticos e assim por diante.

Em qualquer dos casos, o resultado é sempre o mesmo. Inicialmente parece ser positivo, quando se gera uma onda de transformação religiosa, pregando que há apenas um caminho e elege-se, até com alguma prepotência, o seu caminho como o certo. Tempos depois, aqueles pregadores e seguidores geram contra si uma determinada antipatia diante de outras pessoas, o que leva, em um momento posterior, as brigas. Justifica-se isso com passagens bíblicas, não obstante a violência.

O nosso Brasil é composto por povos diferentes e saber lidar com as diferenças pode ser o grande ponto positivo que faz de alguém um cidadão pronto para crescer e liderar. Convivemos, dentro de nossos próprios ambientes de trabalho, com pobres, ricos, negros, brancos, católicos, protestantes, budistas, espiritualistas, homens, mulheres, altos, baixos, gordos, magros, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, etc. Em função disso, aceitar as diferenças é cada vez mais importante.

Somos um país de Pica-Paus, Chimangos e Maragatos, todos com direito a serem respeitados como cidadãos. Nossa cultura permite que possamos dividir a mesma cidade, a mesma rua, portanto é fundamental que saibamos dividir também o mesmo ambiente de trabalho.

Quando você tenta juntar a si somente iguais, você gera os diferentes, que é uma forma de preconceito e causa os inimigo. Ter sucesso ou fracasso nesse ambiente de trabalho está muito mais ligado ao que você faz do que aos motivos que você tem para não fazer.

Muitos justificam o insucesso pelo passado, herança cultural ou racial. Mas não devemos nos ater a isso. Todos temos motivos para fracassar. Aceitar esses motivos é o que nos faz fracassar. Quem não aceita, trabalha e vence, ainda que seja necessário se passarem algumas gerações para que isso possa se tornar mais nítido para a sociedade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Procure aproveitar as oportunidades


Neste dezembro tive a oportunidade de fazer um Cruzeiro. Viajei no Grand Mistral, um navio de bandeira italiana, com bares espanhóis e uma tripulação que mais parece uma torre de babel. Lá dentro há pessoas de quase todos os cantos do mundo.

A maioria dos garçons era hispânica. Vindos de Honduras, Colômbia e Peru, principalmente. Mas havia também alguns asiáticos e europeus do leste. Eram todos muito atenciosos e entendiam perfeitamente o português, embora respondessem em espanhol.

Mas uma situação me chamou a atenção: Num final de tarde eu estava sentado no Cafe Gijon, conversando com a Paula e, na mesa ao lado, um outro passageiro conversava com um dos garçons. Eu pude ouvir perfeitamente o trecho da conversa, onde o homem perguntava sobre a seqüência de temporada do navio depois de servir a costa brasileira. Ao saber que esta mesma tripulação trabalharia dali há alguns meses pelo Mediterrâneo, ele previu que aquele garçom teria dificuldades para se comunicar lá na Europa. Eis que a resposta do funcionário foi curta e grossa: “Além de minha língua, falo italiano, inglês e estou fazendo aulas de português”.

A cara de bobo que o hóspede (que provavelmente não fala nenhum outro idioma) exibiu não vem ao caso narrar aqui, pormenorizadamente. O fato que desejo frisar é que uma pessoa culta, como aquele garçom, vê como um grande negócio trabalhar por alguns meses servindo cafés, visando evoluir profissionalmente.

Aqui no Brasil, em terra, podemos ver muitas pessoas formadas, que preferem ficar desempregadas a aceitarem um trabalho cujo currículo pedido é inferior ao que este apresenta. Se o currículo de uma pessoa é bom, ela tem duas opções: buscar um emprego numa vaga concorrida, onde terá que disputar espaço com outros iguais ou aproveitar as oportunidades que tem de se destacar, preparado que é, num trabalho que o exige menos.

Ao desempregado, o que deve realmente interessar é entrar no mercado de trabalho. Na maioria das vezes, as oportunidades vêm disfarçadas de vagas menos chamativas. Já dizia meu avô: "Enquanto todos procuravam ouro com as próprias unhas, o célebre procurava as ferramentas para poder extraí-lo".

Explique sempre o porquê das coisas


Publicado originalmente em 10 de dezembro de 2007 em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br

Pergunta do Leitor: Eu ainda estou insegura na função de chefe, mas ontem venci um desafio: tirei a Internet da funcionária mais antiga do escritório, que conhece todo o serviço, toda rotina, desempenha bem seu papel, mas poderia ser melhor. Ela ficava com Internet ligada o dia todo, msn pra lá e pra cá. Acredita que ela veio tirar satisfações? Ela estuda administração de empresa, já não deveria saber que o que estava fazendo era um abuso?

Resposta do Blogueiro: Depende da situação. O conceito de abuso depende de cada empresa. Alguns patrões não se preocupam com isso, enquanto outros abominam. Há também diversos tipos de escritórios e a Internet pode ou não fazer parte do trabalho de uma pessoa. Em 90% dos casos, os programas de bate papo são usados para fins pessoais, como “bater papo” com amigos, da própria empresa ou de outras, sobre assuntos diversos. Isso, quase sempre, significa que nada acrescenta ao trabalho e até pode atrapalhar.

Normalmente, essa é uma ferramenta excelente para o nascimento de fofocas dentro do escritório, sem contar o tempo que ocupa. É uma forma das pessoas fofocarem sem terem que formar rodinhas no café. Pensando dessa forma, o melhor mesmo é que não se instale esse programa nos computadores da empresa.

O computador da empresa é uma ferramenta de trabalho e pode obedecer a regras estipuladas pela mesma. Ideal seria não haver nada extra instalado, como rádios, programas de download, fotos pessoais, slides, planilhas que não sejam de uso profissional. Também deveriam ter unicamente uma imagem padrão na área de trabalho, como a logomarca da empresa. Dessa forma o computador ficaria limpo e até com menos risco de ser infectado por algum vírus eletrônico.

A modernidade nos causa problemas corporativos, mas também os sana. Antigamente os escritórios tinham um rádio ou tocador de CD que alguém tomava a iniciativa de levar. De um tempo pra cá, tem se ouvido as rádios pela internet, mas isso sobrecarrega o servidor e deixa a rede lenta. Além disso, faz com que todos na sala tenham que ouvir a mesma música, seja ou não de seu gosto. Hoje, com MP3, MP4, MP5 e iPods, cada um pode ouvir em silêncio a música que quiser, com a vantagem de não depender do computador da empresa. Conforme o tipo de trabalho, sugere-se que use o fone num ouvido só, deixando o outro disponível para a comunicação com os colegas.

Mas há um alerta a se fazer: Uma mudança brusca de comportamento da chefia no escritório, que antes permitia MSN e agora passa a não permitir mais, pode gerar resistência dos mais conservadores e, como a própria leitora já disse, questionamentos. É importante fazer como com nossos filhos, que ao educá-los, explicamos os porquês. Ao retirar o programa de uma máquina, tire-o de todas. Explique os motivos e, se possível, tenha outras atitudes políticas com a sua equipe que compensem o desgaste causado por esta, como promover um café da manhã mensalmente no escritório ou presenteá-los cada um com um porta retrato, onde possam trazer uma foto da família para decorar a mesa.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Não fui eu quem comeu a maçã...

Faz alguns dias, nos reunimos entre os amigos para comemorar o final do ano. Fazemos isso em todos os meses de dezembro, sempre por volta do dia 20. Chamamos ironicamente de “encerramento do calendário”. Nesse último, escolhemos um bar em Jundiaí.

A parte do encontro que vale a pena contar aqui aconteceu quando pedimos a conta. Um dos meus amigos detectou um erro grosseiro no valor e reclamou. Porém, como já era tarde, o garçom que havia nos atendido por boa parte do período já havia ido embora, deixando nossa mesa a cargo do colega.

Ao argumentar, o segundo garçom alegava que nada poderia fazer, pois nossa mesa havia sido atendida por outra pessoa e o erro não era de responsabilidade dele. Ao mesmo tempo, meu pessoal dizia que não havia consumido aquele prato de nome esquisito e preço alto.

Foi então que o profissional sugeriu uma solução: “Paguem o valor da conta completa e amanhã um de vocês volta aqui e reclama com o colega que te atendeu!”

O que ele quis dizer é que não havia sido dele a confusão, portanto não era ele quem deveria solucionar. Obviamente, a reação da nossa mesa foi negativa e não aceitou a proposta, afinal o garçom que nos atendeu representava o restaurante e não a pessoa dele. Esse garçom que completou o atendimento também representa o mesmo restaurante. Portanto, quando eu peço uma porção de batatas fritas, quem me vende isso é o restaurante e não o garçom.

Quanto ao argumento de que não era culpa dele, uma das amigas tratou de responder de maneira fantástica e com base bíblica. Ela soltou sonoramente a frase “também não fui eu quem comeu a maçã, mas pago pelos pecados de Adão e Eva até hoje”.

Enfim, quando estiver atendendo um cliente, lembre-se: Tudo aquilo que ele combinar com você, estará na verdade combinando com a empresa e tudo aquilo que ele combinou com a empresa, estará combinado com você também.

Como nos tempos do MMDCA

Publicado originalmente no dia 13 de dezembro de 2007 no site http://aguinaldocps.blog.terra.com.br

Hoje faz um ano que nos reencontramos. Lembrar disso me faz sentir a mesma emoção. Há um ano atrás estávamos reunidos comemorando o vigésimo aniversário da formatura da oitava série. E seguramente não haveria data mais propícia para comentar o vínculo que se cria com essas pessoas.

Já me dizia uma professora de história do Segundo Grau, que é de dentro de uma sala de aula que se muda um país. Por muito tempo eu fiquei pensando no que aquela velha senhora por tantas vezes afirmava. E contestando, até. Afinal, a mim que sempre fui muito prático, parecia um tanto difícil alguém mudar alguma coisa somente estudando. Na minha pobre visão estudávamos para poder mudar algo um dia, mas não lá.

E há quem diga que coincidências não acontecem, mas justamente quando eu estava parado no cruzamento das ruas Alvarenga e Martins, no bairro do Butantã em São Paulo, foi que me atentei que há 75 anos, cinco jovens deram suas vidas por uma Constituição. Esses cinco jovens estudantes, Martins, Miragaia, Drausio, Cardoso e Alvarenga, que mais tarde viriam ser lembrados simplesmente pelas iniciais MMDCA, deram os motivos que faltavam, em 23 de maio de 1932, para que o Brasil exigisse de Getulio Vargas uma Carta Constituinte.

Hoje, fiz questão de lembrar uma das passagens mais importantes da história do Brasil, não para convocar alguém à luta armada, mas para ilustrar as palavras da minha antiga professora. A sala de aula, seja ela do jardim da infância ou do mestrado, é um lugar inesquecível. Desafio a falar quem não tenha uma boa lembrança daqueles bancos.

Há quarenta dias, devido ao falecimento de meu pai, enviei uma mensagem pelo correio eletrônico que destinava avisar parentes e amigos mais próximos. Por engano, inclui entre os destinatários um dos colegas de formatura da oitava série, que há muito não via. Alguns parentes próximos não se lembraram de me telefonar, mas meu amigo de duas décadas foi me dar um abraço e me disse, “amigo é para sempre”.

criado por aguinaldocps 09:49:37

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Viagens, viagens, viagens.



Caros amigos:

A partir de hoje começa o ano de 2008 para mim. Isso porque a partir de hoje eu volto ao trabalho intensivo, aqui no escritório. Aproveito também para inaugurar oficialmente a página no blogspot, com mais fotos, mais recursos e esperando que a galera migre comigo.

De 22 de dezembro até ontem eu estava continuamente com o pé na estrada (ou no barco), quando com a minha esposa e um casal de amigos uma viagem de navio saindo de Santos. Passamos pelo Rio de Janeiro, Ilhéus (onde passamos o Natal), Salvador, Búzios e voltamos a Santos no dia 29.

Na segunda-feira seguinte, dia 31, estávamos eu e a Paula rumo a São Carlos, interior paulista, para a virada do ano ao lado da família dela. Voltamos no primeiro dia de 2008, no final da tarde.

Dia 2 de manhãzinha, pego novamente a estrada com duas colegas da empresa rumo a Sete Lagoas, MG. O evento de abertura do ano da Uptime aconteceu no magnífico Hotel Resort Águas do Treme, onde fiquei até a sexta-feira dia 4.


Hoje aqui estou, pronto para mais um ano que vou viver e, se Deus permitir, vencer.

Ao longo dessa semana conto alguns casos da viagem que possam ser interessantes aos leitores.