segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Caçadores da Arca Perdida

Publicado originalmente em 04.05.2007 em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br



VENDE-SE ESTE IMÓVEL, PREFERENCIALMENTE PARA IGREJA.

Em Jundiaí tem uma loja de antiguidades que exibe uma faixa com a frase acima, em sua fachada. Na mesma loja ainda tem outras duas placas, uma vendendo uma chácara, anunciando preço e tudo e outra oferecendo todo o estoque a preço bom, sugerindo que o dono da loja resolveu mudar de ramo.

E o mais legal é que esse local já foi tudo, loja de móveis, de carros, de decorações e outras coisas mais. Sempre com o mesmo nome, que se sabe ser o sobrenome do dono. O que percebemos é que o tal dono do lugar deve ter cansado de ser antiquário e quer mudar de ramo. Decidiu vender tudo, inclusive o prédio e tem preferência por vender para igreja, pois acredita que conseguiria um preço melhor assim.

É importante salientar que se ele prefere vender para igreja é porque acredita que igreja seja uma fábrica de dinheiro ou algo assim. Ainda que ele tivesse razão, certamente anunciar isto não seria a melhor forma de vender, pois passa a impressão de ser ele um espertinho querendo se aproveitar da situação e, pior ainda, de estar desesperado para vender.

A impressão que temos desse caso é que é um “caçador da arca perdida”. Esse título é uma alusão aos filmes de piratas em busca do tesouro, como assistíamos quando crianças. Muitos empresários acham que ser empresário é apostar na sorte. Eles acreditam que o sucesso de um empreendimento está na escolha do ramo a ser seguido e não na sua capacidade. Esse é o pior erro que uma pessoa pode cometer.

Temos ainda a impressão que o nosso amigo dono da loja está, de tempos em tempos, mudando de ramo e é por isso que ele não se acerta, pois erra bastante no começo e quando poderia acumular um pouquinho de experiência se desilude com o ramo e resolve apostar em outra coisa nova, para errar tudo outra vez.

O sucesso de um empreendimento está no quanto o empreendedor trabalha para obter o sucesso e não no ramo que ele escolheu. Por inúmeras vezes ouvimos perguntas como: “isso aí dá dinheiro?” ou “aquele negócio é bom?” Na verdade essas pessoas são infelizes apostadores e a possibilidade de obterem sucesso é igual à de ganhar um prêmio em um sorteio qualquer. Afinal se o negócio dá dinheiro ou não é algo muito relativo e que depende muito de quem o opera.

Eu já conheci vendedores de cachorro quente que ficaram ricos e outros que faliram, assim como donos de grandes magazines que ficaram ricos e que faliram. O ponto determinante não está no negócio em si, mas sim no espírito do empreendedor, que tem que deixar de achar que o negócio vai torná-lo rico e passar a entender que ele (empreendedor) vai tornar o negócio bom. Outro erro grave que muita gente comete é eleger um negócio qualquer como “mina de ouro” e abri-lo sem se preparar para tal.

Na maioria desses casos o cidadão contrata dois ou três funcionários e acha que eles vão resolver o problema e remar, enquanto o próprio empresário, simplesmente controla o leme. Se o seu negócio é um grande barco e você quer controlar o leme, você precisa ter experiência como piloto, o que a grande maioria dos novos empreendedores não tem. Agora se o seu negócio começou pequeno, como a maioria começa, o melhor que tem a fazer é remar com suas próprias forças. Com isso você criará experiência em remar e conseguirá ensinar aos outros esta arte. Se fizer assim, no futuro outras pessoas irão entender como uma grande oportunidade profissional remar o seu grande barco enquanto você os comanda.

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