sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Emburrecer para buscar o sucesso



Faz alguns dias que eu estava conversando com um amigo. Vamos chamá-lo de Ney. O Ney é meu amigo de adolescência. Morávamos no mesmo bairro e durante alguns anos jogávamos bola juntos, íamos para as festas e ouvíamos o mesmo tipo de música. Depois eu comecei a trabalhar em outras cidades e pouco o via. Recentemente passamos a ter uma relação profissional e hoje conversamos quase todos os dias.

Nessa conversa falávamos a respeito do trabalho do Ney. Ele, que mudou de profissão faz alguns meses e veio trabalhar conosco, estava me dizendo que ainda faltava descobrir alguma coisa para poder "detonar". Dizia que já dominava tecnicamente o trabalho, mas que lhe faltava ainda "cair alguma ficha". Que precisava usar melhor o seu talento.

É certo que existem outros Neys pelo mundo e é possível que algum deles leia esse artigo. Então gostaria de transcrever aqui o que eu sugeri a ele. Uma pessoa de 35 anos que muda de profissão é no mínimo corajosa. E foi partindo daí que eu comecei a lembrar de algumas aventuras que nós vivíamos no final dos anos 80.

Nós, como a maioria dos jovens da época éramos corajosos, saíamos para as baladas, brigávamos, paquerávamos e tudo mais que convém ao jovem. Atravessávamos a pé quase que a cidade inteira em função de alguma garota. Lembro-me que quando tínhamos dinheiro aproveitávamos as festas, mas na falta dele, alguns poucos "cruzeiros novos" eram suficientes para comprarmos uma ou duas garrafas de Coca-Cola e isso bastava. Um dominó, dois litros de refrigerante e um local estratégico: a escadaria da Igreja do Mentenegro, de onde se via todo o bairro. Foi lá que nossos sonhos começaram a surgir. Um local de inspiração. Depois os padres cercaram a escadaria, mas não tinha mais importância, pois já éramos adultos e a rapaziada mais nova descobriu os shoppings.

Quero dizer que o jovem, pela sua própria ignorância, tem mais coragem que o adulto. O adulto já está "recalcado" pelos tropeços que teve e por isso perde a capacidade de sonhar. Minha conversa com o Ney chegou a seguinte conclusão: Às vezes é necessário emburrecermos um pouco para podermos ter sucesso, pois aquele que já chega achando que sabe não tem a sensibilidade necessária para dar atenção aos detalhes e aprender. Mais que isso, quem quer manter a pose perde o principal trunfo de um profissional de área comercial: a coragem.

Então é isso. Finalizo lembrando um slogan da campanha de lançamento do Celta, em 2001. Na época aparecia um engenheiro automobilístico dizendo "a gente teve que desaprender muita coisa pra fazer esse carro". Ele quis dizer que precisou sair do paradigma, emburrecer um pouco para alcançar novos limites.

Vamos lá Ney! Paradigma? Vamos quebrar mais esse. Lembre-se das nossas celebres frases dos nossos tempos de adolescentes, onde dizíamos que "pouco importa pra que lado o mundo gira, eu vou pras cabeças..."

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