quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Trafegando pelo Acostamento



Dia desses eu estava na Marginal Pinheiros, em São Paulo, trafegando pela última faixa do lado direito, próximo ao “cebolão”. O trânsito não estava completamente parado, mas lento. O fato é que o velocímetro devia estar marcando uns 30 Km por hora, no máximo. Até aí, nada de novo, todos muito pacientes.

Eis que lá de trás aparece um Honda Fit em maior velocidade vindo pelo acostamento e ultrapassando todo mundo. Logo que isso aconteceu, o motorista do Vectra que estava atrás de mim fez o mesmo e o seguiu. A partir daí, em poucos segundos, muitos eram os carros andando pelo acostamento, o que fez com que o mesmo se tornasse uma nova pista de rodagem, a não mais que 30 Km por hora.

Este simples ocorrido, coisa que deve acontecer todos os dias em diversos pontos de muitas grandes cidades, nos faz aprender uma série de coisas:

A primeira é que aquele primeiro motorista de cortou o trânsito valendo-se de uma arbitrariedade deve se achar mais importante do que todos os outros 19.999.999 habitantes da Grande São Paulo. Ele provavelmente se acha mais esperto, mais inteligente, mais tudo. Afinal, ele acredita que o mundo é dos espertos e vê como algo elogiável a sua grande habilidade de fazer o que ninguém havia feito até aquele momento. Provavelmente esse motorista seja um daqueles sonegadores de impostos, que faz com que o Brasil se torne um país caro.

Quando um motorista corta os outros por um atalho ou pelo acostamento ele está utilizando-se de um recurso desonesto para levar vantagem. Com isso ele complicará o transito lá na frente, quando inevitavelmente terá que voltar para a pista, fazendo com que o honesto tenha que esperar ainda mais. O mesmo acontece quando alguém sonega imposto. Quem não sonega fica tão prejudicado que não consegue se colocar no mercado de maneira competitiva.

A segunda análise é que o motorista do Vectra, que estava tranqüilo atrás de mim, fez o que muito brasileiro faz: foi no embalo do outro. Provavelmente ele teve um segundo de indignação ao ver que foi ultrapassado desonestamente pelo outro, sendo assim, usou da mesma malandragem para “equilibrar o jogo”. É o caso de muitas pessoas, que quando são flagradas em algum ato incorreto, justificam-se dizendo que “embora proibido, todo mundo faz isso!”

E finalmente percebemos também que aquilo que todo mundo faz, embora errado, passa a ser normal. O que há de mais normal em um congestionamento é o fato dos motoristas usarem o acostamento para trafegar, ainda que seja para ganhar alguns poucos metros. Poucos imaginam que quanto mais as pessoas pensem em levar vantagem em cima das outras, menos elas vão dormir tranqüilas.

Quanto mais um homem for desonesto, mais outros homens também serão e mais ainda outros precisarão ser para se destacarem. Acontece que um dia o universo se defende e o desonesto então paga o preço. Um dos muitos congestionamentos que eu peguei em minha vida de motorista, ficou marcado pelo fato de a ambulância de resgate não conseguir passar com rapidez pelo trânsito devido ao fato de o acostamento estar totalmente ocupado por motoristas espertos que se achavam mais importantes que os outros e resolveram trafegar por lá, além de mais alguns motoristas indignados que resolveram fazer o mesmo ao se sentirem lesados ao ver que estavam sendo ultrapassados pelos outros.

Um comentário:

  1. Nossa, isso me mata de ódio! Acaba com minha manhã quase todos os dias

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