terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Envelhecer é uma vitória, muitos não conseguem


Publicado originalmente em 08.09.06no site http://aguinaldocps.blog.terra.com.br
Há algum tempo as novelas da Rede Globo vem assumindo um cunho social, como de incentivar doação de órgãos ou combate às drogas. Numa das novelas, o assunto foi o respeito ao idoso. Acho isso muito importante, mas creio que o tema foi ainda pouco explorado. Existe muito, por parte dos mais jovens, um hábito de brincar com a idade dos mais velhos, como se ficar velho fosse um ponto negativo. O idoso, por sua vez, vai perdendo auto-estima, se lamentando por ter completado mais um ano.

É muito comum vermos senhoras escondendo suas idades, como se ficar velho fosse uma deficiência. Quero dizer que a idade é apenas um número e mais nada. E que se fossemos avaliar uma pessoa pela sua idade, os jovens deveriam admirar os mais velhos. Afinal, fazer aniversário é uma coisa maravilhosa. Prova disso é que quando uma pessoa faz aniversário, habitua-se fazer uma festa para comemorar.

Aí eu pergunto: comemorar o que? Comemorar mais um ano vivido, superado, vencido. Por isso, damos os parabéns. Quanto mais uma pessoa viveu, mais coisas ela viu e teve oportunidade de aprender. Então, porque existe essa coisa de se lamentar a idade? Existe porque muita gente fica velha e pouco aprende. Ou seja, o cara fica velho e pára no tempo, se excluindo da evolução.

Conheço pessoas que fogem da informática, não gostam de carros modernos (ah, esse eu não sei dirigir), telefones celulares. Conheço gente que se nega a ligar um DVD, dizendo “eu não sei mexer nisso”. Tudo que é novo só se aprende fazendo. Não devemos ter vergonha de aprender com os mais jovens assim como não devemos ter vergonha de ensinar os mais velhos.

Lamento muito quando ouço dos mais velhos o famoso “no meu tempo...” Sabe aquela expressão? “No meu tempo as coisas eram diferentes...” A minha vontade é perguntar quando ele morreu? Sim, pois se o tempo dele já acabou significa que ele morreu! Então, não existe o seu tempo ou o meu tempo. O que existe é o tempo em que vivemos. O meu tempo é desde que eu nasci até quando eu for vivo.

Então se atualize. Quando alguém brincar com a sua idade, ignore. Diga pra essa pessoa que você está com vantagem, afinal na sua infância você conheceu coisas bem legais que o mais jovem não viu. No presente você está tão atualizado quanto ele e o futuro ninguém sabe. Ninguém sabe até quando vai viver. Dizer que cada ano que passa é um ano a menos na sua vida é bobagem, pois o velho pode viver mais 30 anos e o jovem pode morrer amanhã.

Ficar velho é uma vitória. Muitos não conseguem chegar lá.

Efeito Ressonância


Postado originalmente em 29.08.07 no site http://aguinaldocps.blog.terra.com.br

Ressonância: qualidade de um corpo ou sistema, com capacidade de oscilação, de vibrar como resposta a impulsos recebidos de um outro sistema vibratório.
Hoje deixei meu carro na concessionária por conta de um barulho que ele tem. Percebo esse barulho quando passo em lombadas, quando faço pequenas freadas ou mesmo quando subo a rampa do estacionamento da empresa. Até ontem, me parecia algo vindo do porta-malas, um som abafado, quase como um "surdo" ou um bumbo de bateria.

Em princípio, a primeira coisa que fiz foi verificar alguma possível ferramenta solta, macaco, chave de rodas, triângulo, mas estava tudo bem preso. Retirei tudo que havia no carro (porta CDs, controles remotos, pastas, blusas, etc) e coloquei numa mochila, mas lembrando o poema do Veríssimo, "os barulhos continuavam".

Ontem me irritei e fui até a autorizada Honda, rodei por uns 15 minutos com o piloto de teste e não conseguimos encontrar a origem do barulho. O rapaz me disse que poderia ser alguma ressonância, ou seja, o barulho poderia estar em um lugar, mas a gente ter a sensação de que viria de outro, devido ao som "quicar" em algum ponto do carro. Eis que chego em casa a noite e ao me apoiar no banco traseiro encontro o barulho "perseguido".

Aprendi mais um termo (Ressonância). Isso acontece no meu trabalho. Muitas vezes tenho um problema para resolver e não encontro a origem dele onde aparentemente está. Ao vasculhar o assunto, descubro que o problema é outro completamente diferente.

Uma situação comum de acontecer, um conflito entre funcionários dentro da empresa devido a uma simples chave perdida ou a preferência na vaga do estacionamento é um caso onde pode se perceber a ressonância. Quando você investiga, percebe que o problema não está na vaga do estacionamento, isso seria irrelevante, mas sim numa antipatia causada lá no passado entre essas duas pessoas devido a qualquer outra coisa.

A ressonância também é notada em atividades comerciais. Numa venda, é muito comum o cliente manifestar um problema financeiro como desculpa para não comprar o produto. Em boa parte dos casos, o problema não é financeiro, mas alguma insegurança que sentiu na apresentação do produto ou mesmo na idoneidade do vendedor. Como geralmente não quer dizer claramente sua dúvida, manifesta um inexistente problema financeiro. O vendedor, por sua vez, passa horas tentando solucionar o problema, baixando o preço ou mesmo expondo formas de pagamento mais divididas, o que invariavelmente nada resolve, porque o problema não está ali.

A solução é, assim como o mecânico faz no caso do automóvel, desenvolver uma sensibilidade maior, que só vem com o tempo, de perceber se há ressonância nesse caso. É como no corpo humano, uma dor no braço pode ser de origem muscular, devido ao sujeito ter feito muitos exercícios ou de origem cardíaca, justamente por nunca ter feito exercícios. Pior do que sentir a dor seria diagnosticar com engano a situação.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Entrevista sobre empreendedorismo



Na semana passada, fui entrevistado por um grupo de alunos da Faculdade Politécnica de Jundiaí. O assunto, empreendedorismo, já foi tema de outras entrevistas anteriores, mas essa vez especialmente, teve uma sequência de perguntas muito interessantes. Eu creio que seja útil transcrever aqui.

Também quero aproveitar a oportunidade e agradecer aos alunos do grupo que me confiaram a tarefa de responder essas perguntas.

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1) Há Quanto tempo possui seu próprio negócio?
Iniciei minha primeira escola em setembro de 2001, como franqueada do Grupo Uptime. Atualmente atuamos com 3 unidades franqueadas, das 70 que este grupo possui.

2) Houve algum evento de “disparo” para iniciar seu negócio?
Sim, houve tal evento. Eu trabalhava em uma outra empresa do ramo como diretor e esta empresa foi vendida. Por não me ver seduzido pelo novo projeto, busquei um outro caminho que me motivasse. Isso somente foi possível criando a minha própria empresa.

3) Como surgiu a idéia de abrir um negócio nesse ramo de atividade?
Como eu já tinha experiência no ramo, entendi que seria mais seguro trabalhar com ele. Dessa forma, quando saí em busca de uma franquia, foquei no ramo cujos desafios eram razoavelmente conhecidos.

4) Que experiência anterior possuía? Serviu de base para a criação do negócio?
Sem dúvida, serviu. Eu já trabalhava em área comercial de uma outra escola de inglês, havia 8 anos. Ao procurar um franqueador, o fiz baseado em conceitos que eu já havia adquirido com minha experiência nesses 8 anos. Mesmo assim, houve uma grande diferença entre tocar um negócio como executivo e fazer esse mesmo trabalho como proprietário. Precisei reaprender muitas coisas.

5) Possuía uma rede de relacionamentos que favorecia o empreendimento? Em que momento?
Eu possuía uma rede de relacionamentos bem interessante, que me serviu quando procurei um franqueador, já que este era meu conhecido havia anos. Também foi mais fácil encontrar fornecedores de serviços básicos, como contador de confiança, banco, advogado, etc.

6) Quais são suas forças e fraquezas? Como as utilizou para progredir?
Acredito que tenho mais força do que talento. Creio que meu ponto positivo é ser uma pessoa de bastante atitude, com pouco medo de errar. Acredito que uma das fraquezas é ser muito pouco romântico e querer resolver tudo na base da motivação. Ciente dessas duas vertentes, procurei usar meu ponto forte em forma de trabalho e compensar meu ponto fraco me unindo a um sócio talentoso.

7) Possui sócios? Quais os pontos positivos e negativos de uma sociedade?
Meu sócio é uma pessoa fantástica, que contratei como funcionário ainda na antiga empresa. Quando resolvi empreender, ele se convidou a vir também. Meu sócio se especializou em tarefas que eu não fazia. Esse é o ponto positivo de ter sociedade, enquanto que o ponto negativo é não poder “mandar” sozinho. Mas esse ponto negativo se transforma em ponto positivo quando a divergência faz com que tenhamos mais prudência.

8) Em que seu sócio pode complementar suas habilidades?
Somos pessoas diferentes. Eu sou mais criativo e dinâmico. Ele é mais racional e detalhista. Eu sou mais força, ele é mais organização. Eu sou mais sonhador, ele mais precavido. Sendo assim, eu trabalho na área comercial e ele na área administrativa e financeira.

9) Qual foi o momento mais crítico vivenciado? Como foi superado?
Foram vários os momentos difíceis, mas os primeiros dois anos foram de “corda no pescoço”, pois tínhamos pouco dinheiro e nos pesava o ceticismo de alguns. Tínhamos dificuldade de contratar gente boa por não conseguir que acreditassem no nosso projeto. A superação aconteceu quando começamos a aprender, tanto na prática quanto em cursos, que deveríamos nos concentrar em transferir conhecimento e formar pessoas tão capazes de executar tarefas quanto nós. Perdemos as vaidades.

10) Como conquistou seu primeiro cliente?
Por ser uma escola de inglês, temos que buscar clientes todos os dias no varejo. Mas se ficássemos esperando eles virem nos procurar, já teríamos falido. O primeiro aluno foi fruto de uma conversa informal com uma pessoa que se interessou pelo nosso serviço. Além disso, implantamos um marketing direto que propiciou bastante retorno, sendo usado até hoje.

11) Qual foi o momento de maior satisfação?
Um deles foi recentemente, quando referente ao ano 2006/2007 as nossas 3 unidades receberam prêmio de “franquia modelo” por parte do franqueador. Aliado a isso, passamos a contar com gerentes e coordenadores que já são a nossa segunda geração de comandantes nas áreas comerciais, administrativa e operacional. Aumentar a quantidade de pessoas na equipe e vê-las crescer, desenvolvendo habilidades por nós ensinadas nos causa muito orgulho.

12) Quando iniciou o processo de criação do negócio, já possuía um plano de negócios? Se não, que tipo de planejamento foi feito?
Sim, eu tinha um plano de negócios, mas era ainda muito falho. Para compensar isso, busquei uma empresa franqueadora que trabalhasse na linha que eu desejava. Tive que mudar algumas coisas do meu projeto inicial, mas valeu a pena porque pude trabalhar com mais planejamento estratégico.

13) Quais são seus principais fornecedores?
Desde os básicos comuns a qualquer empresa, como a imobiliária que nos aluga os imóveis, contador, banco, material de escritório, até os fornecedores específicos, como o franqueador que fornece o método e o material didático usado nas aulas. Além disso, a empresa franqueadora ainda nos fornece gráfica e agência de propaganda (house).

14) Quantos empregados possui?
Atualmente empregamos cerca de 50 pessoas entre as 3 unidades. São recepcionistas, professores, auxiliares administrativos, comerciais, auxiliares de limpeza, seguranças, além das pessoas que compõem o quadro de liderança. Eles são mais 3 gerentes comerciais (um em cada unidade), 3 coordenadores pedagógicos, 3 coordenadores administrativos, uma pedagoga, além de mim e meu sócio que, hoje, atuamos numa espécie de direção regional.

15) Em números, quanto cresceu nos últimos anos?
Saímos do zero para cerca de 1300 alunos num prazo de 6 anos. O ano de maior crescimento foi 2007, quando conseguimos dobrar o numero de matriculas feitas em relação ao ano anterior.

16) Que conselho daria a quem pretende abrir seu próprio negócio?
Meu conselho é que se prepare para ser empreendedor. Não adianta achar que ter experiência num determinado negócio como funcionário basta para empreender. Ter empresa consiste em desenvolver muitas outras tarefas além de fornecer um produto ou serviço. Sugiro que faça cursos de empreendedorismo e que não eleja um determinado negócio como mina de ouro. O ponto determinante não está no negócio em si, mas sim no espírito do empreendedor, que tem que deixar de achar que o negócio vai torná-lo rico e passar a entender que ele (empreendedor) vai tornar o negócio bom.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Nível profissional e nível de escolaridade

A Cleide, que tem 53 anos, comentou um dia desses que pensava em entrar numa faculdade. Mas segundo ela, seu objetivo nem é aprender mais, já que ela atua como gerente financeiro de uma empresa média e tem ainda o conforto de ser formalmente aposentada. O que Cleide realmente objetiva é calar a boca de uma colega de trabalho, formada, que de tempos em tempos, solta uma indireta sobre o assunto, alegando que tem gente que tem salário alto e não tem nem nível superior.

Essa é uma situação muito comum em empresas médias, já que, com o passar do tempo, as grandes multinacionais tem seus programas de ascensão baseados também no nível de escolaridade do indivíduo. Mas, nas empresas médias, onde o proprietário está regularmente participando do dia a dia do escritório, vale mais a cumplicidade e a confiança que a empresa tem nas pessoas.

A Cleide poderia ter respondido tranqüilamente a sua colega, que tanto se orgulha de ter cursado o terceiro grau, informando que ela está um tanto enganada quanto a forma correta de se calcular o valor de um profissional. Não se quantifica o salário de alguém por quanto ele estudou ou por quantos idiomas ele fala, mas sim por uma outra regrinha que se aprende ainda no segundo grau, quando se estuda economia, que se chama “Lei da Oferta e da Procura”.

Segundo essa lei, se há mais profissionais no mercado capazes de exercer aquela missão do que vagas disponíveis, o salário de tal profissional abaixa, considerando que, se um não quer a vaga, outro quer. Porém, quando há uma vaga com escassez de mão de obra qualificada, o profissional contratado tende a receber salário melhor, pois a empresa não desejará perdê-lo.

O que talvez a colega da Cleide também não compreenda, é que “nível profissional” é diferente de “nível de escolaridade”. Quando um cidadão estuda por completo uma faculdade de direito, ele se torna um cidadão com nível de escolaridade superior. Mas isso não o torna um profissional de nível superior, pois ele precisa, antes de tudo, aprender a fazer alguma coisa com diferencial, ou seja, fazer alguma coisa como poucos podem fazer. Uma pessoa formada em faculdade é facilmente encontrada no mercado, enquanto que uma pessoa que faça bem uma tarefa difícil, com dedicação e confiança é cada vez mais rara.

No início dos anos 90 eu trabalhava no Departamento Fotográfico de um grande jornal. Naquela época, recentemente havia sido regulamentada a profissão de “Repórter fotográfico” e, justamente por isso, muitos antigos profissionais trabalhavam legalmente sem terem cursado jornalismo. Um deles era o Neldo, um senhor de cerca de 60 anos, que chefiava uma equipe de mais 8 fotógrafos formados ou em formação universitária. Naquela época já surgiam esses papos, de que profissionais como ele eram coisas do passado. Foi num desses momentos que Neldo, já com seus cabelos brancos e dificuldade para andar, desafiou sua equipe a fotografar no domingo, a bola exatamente em cima da linha do gol, no jogo entre Guarani e Ponte.

No domingo lá estava ele no campo, com mais 4 outros profissionais mais graduados. O jogo foi zero a zero e todos voltaram para o jornal com belas fotos do jogo, mas sem o desafio cumprido. Todos, menos Neldo. Ele havia clicado o momento em que o goleiro da Ponte Preta salvou uma bola bem em cima da linha. Eu acho que isso explicou porque o Neldo era chefe e ganhava mais. Ele cumpria sempre o seu objetivo.

Voltando a Cleide, vai o meu conselho de fazer sim uma faculdade, mas não para contentar ou calar sua amiga, mas para ganhar conhecimento, experiência e fazer novas amizades. Para a colega da Cleide eu dou um outro conselho: comece a se preocupar menos com o salário dos outros e se preocupar mais em sempre cumprir o seu objetivo. Fazendo assim, um dia você será reconhecida, assim como hoje é a Cleide.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Nó de gravata

Postado inicialmente em 24.05.07 às 09:08:37 em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br
Há algum tempo conversei com um estagiário numa empresa que visitei. Ele chegou com a gravata na mão e desesperado pediu que alguém fizesse o nó, já que ele, não havia meios de aprender. Eu fiz essa gentileza.

No dia seguinte lá estava eu novamente um pouco antes das 8h. Chega o mesmo garoto com uma outra gravata na mão, já em minha direção, certo que eu o ajudaria novamente. Só que eu me neguei.

Perguntei quais eram seus objetivos profissionais e ele respondeu que estudava administração e estava no segundo ano. Repeti a pergunta alegando que eu questionei uma coisa e ele respondeu outra. Então ele me disse que pretendia trabalhar em alguma multinacional, mas que não estava descartada a hipótese de partir para o mercado financeiro.

O assunto rendeu e chegamos a conclusão que uma pessoa como ele, que estuda administração, inglês, está tirando habilitação para poder dirigir e que quer crescer tem que estar preparada para as coisas mais simples, pois não seria nada engraçado ele ser aprovado para uma vaga concorrida numa grande empresa e no primeiro dia chegar com a gravata na mão pedindo para algum novo colega fazer o nó.

Lembrando do estagiário, que sinceramente não sei por onde anda, resolvi colocar nesse artigo dois modelos de "nó de gravata". Acreditem, esse pode ser um diferencial na sua vida. Num processo seletivo com vários candidatos, em caso de empate, a decisão pode sair nos detalhes.

Para escolher o modelo melhor para você, leve em conta também o tamanho da sua gravata e a sua altura. Uma gravata deve necessariamente ficar na altura do cinto. Se a gravata ficar curta, no meio da barriga ou, ainda se a mesma ficar cumprida, abaixo do cinto, pode "ridicularizar".

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ser Chefe



Estou escrevendo este artigo porque acredito que ser chefe é uma questão de aprendizado. Para você ser chefe precisa ter conhecimento técnico no assunto para que os subordinados não fiquem falando que sabem mais do que você ou mesmo que fiquem questionando suas estratégias, assim como também precisa ter bom relacionamento com a sua equipe e com os outros departamentos, pois assim influenciará os outros para que façam o que você orienta sem enfrentar resistências.

Mas tem um terceiro ingrediente, e é isso que precisamos expressar. Há que se ter vontade política, ou mentalidade de chefe, ou ainda um outro nome para essa mesma coisa, tem que ter postura de chefe. Um caso interessante de se contar é o de um coordenador da nossa empresa, que queria ser executivo, mas não queria exercer algumas tarefas normais de um executivo como, por exemplo, demitir alguém. A primeira vez que ele teve que demitir uma pessoa, tremia mais que esquimó. Por fim entendeu que fazia parte de um “Bem Estar” maior. E o que quer dizer isso? É o bem estar de todos e não somente de uma pessoa.

É comum que ao começarmos a carreira, tenhamos pensamentos revolucionários, do tipo "quando eu for chefe, serei a mesma pessoa que sou hoje". Porém posso dizer baseado nos meus 21 anos de "carteira" que isso é utopia. Não duvido que um chefe possa ser "gente boa", pois acho que não só pode como deve ser. Mas seguramente não pode ser um palerma, sentimental e com medo de chatear alguém.

Assim como um chefe existe para motivar seus comandados, ele também existe para manter a ordem e fazer com que a empresa avance. Se o departamento funcionar bem, o dono da empresa fica feliz, a diretoria também, assim como o chefe e todos os funcionários, pois estes mantêm seus empregos. Mas se o chefe tiver dó dos funcionários, estes vão fazer cada vez menos resultados, a diretoria ficará descontente, o chefe será reclamado e os funcionários correrão o risco de serem substituídos.

A relação do chefe com seus subordinados pode ser comparada a relação entre um pai (ou mãe) e um filho em idade escolar. Se o pai permite ao filho matar aula em dia frio para poder dormir até mais tarde, o filho seguramente vai achar bom, mas este pai não estará fazendo um bem ao filho. No futuro o filho vai se comparar inferiormente com alguém que foi a escola. Não há nada pior do que criança arteira que não respeita ninguém. Um bom pai é aquele que disciplina, que põe regras e que sabe cobrar e recompensar. O chefe também. Um bom chefe não está do lado da empresa em detrimento à vontade dos funcionários e nem do lado dos funcionários contra a empresa. Um bom chefe entende que tanto os funcionários quanto a empresa estão de um lado só, que é o lado da busca pelo sucesso.

Um bom chefe deve influenciar e não ser influenciado. Deve fazer com que sua equipe “entre na sua pilha” e não “entrar na pilha” da equipe. Um bom chefe deve entender que o que o fez chegar aonde chegou foi seu comportamento positivo aliado à sua competência técnica. Se quiser ser útil aos seus liderados, deverá ensiná-los o caminho das pedras, motivando-os a serem como ele próprio foi antes de ser chefe. Um chefe que entra no embalo de sua equipe tem vida curta.

Se você, depois de tudo isso, cisma que pode não querer ser chefe, alerto-o para pensar um pouco no futuro. Querer crescer profissionalmente é mais ou menos como "tomar juízo". Alguma hora você terá de fazer se tiver alguma ambição na vida. Se não for agora, será no futuro, mas quanto mais tempo se passar, menos resultados o seu juízo vai te proporcionar. E aí sempre vem aquele sentimento de "por que não entendi isso antes?".

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A história de Walter Vieira


Na semana passada eu tive a oportunidade de almoçar com um amigo da década de 80. Conversávamos sobre o Walter Vieira. Este anônimo grande homem foi o meu primeiro gerente comercial. Ele tem uma história fantástica e sofrida, mas que merece ser contada.

O Walter tinha 45 anos e era gerente de uma grande empresa na região de Bragança Paulista. Isso, em meados dos anos 80. Pois foi nessa época que a filha dele morreu. Não sei exatamente do que. Sei que ele entrou em depressão e sua esposa também. E para fugirem das lembranças negativas, eles mudaram-se de cidade. Ele deixou a empresa e partiu para Jundiaí.

Sei que foram morar na periferia da cidade, ruas de terra, aonde o ônibus não chegava em dias de chuva. Passou a procurar emprego em grandes empresas. Porém, alguns meses se passaram e nenhum emprego surgiu. Aí a exigência diminuiu, mas mesmo assim permanecia muito difícil.

Até que um dia surgiu um emprego de balconista numa velha loja de materiais de construção. O Walter se candidatou, mas o entrevistador nem quis ouvi-lo. Disse “o Senhor já tem mais de quarenta anos, não vai querer receber o salário que se paga aqui”. O Walter argumentou dizendo que se não fosse contratado ali, no dia seguinte ele e a esposa já começariam a passar fome.

Ele foi contratado como vendedor. Salário mínimo e uma pequena comissão, que por mais quentes que fossem as vendas, não conseguiria dobrar sua renda. Afinal, aquela loja costumava contratar pessoas como eu, que tinha 14 anos, na época. E o Walter conquistou o cargo de gerente da loja e meses depois me contratou.

Foi nessa época que eu o conheci. Até então, tudo isso que eu narrei são histórias que a mim também foram narradas. Daí pra frente eu acompanhei sua história de disciplinador. Chamava-me a atenção todos os dias. Mas também não deixava de enviar um papelzinho com mensagens de motivação no meio do meu talão de pedidos.

O Walter usava a sua experiência adquirida numa grande empresa para motivar pessoas como eu, um garoto de 14 anos que nem sabia exatamente o que queria da vida. Mas, naquela época, ele já me dizia que “eu tinha jeito pra coisa”. Afirmava que, se eu me empenhasse, seria futuramente um executivo de área comercial numa grande empresa. E eu? Eu nem sabia exatamente o que isso queria dizer. Mas ficava feliz com os elogios.

O tempo passou, eu arrumei outro emprego, ele se aposentou e, por um tempo, não mais nos vimos. Graças a Deus, o Walter estava certo. Quando tive uma oportunidade de crescer, as lembranças daquelas palavras me foram muito úteis, principalmente nos momentos que eu pensei em desistir. Em 1994 assumi como gerente local e no ano 2000, a mim foi confiado o cargo de Gerente Divisional em minha antiga empresa. Nesse último, recebi uma homenagem e na semana seguinte fui até o bairro onde morava meu antigo gerente, tentar reencontrá-lo.

Lá estava ele, mais velho, se dizendo adoecido, numa casa sem muito luxo. Mas com a mesma voz forte, olhar contundente e um forte aperto de mão. Convidou-me para entrar e eu entreguei a ele uma fita VHS da solenidade que me premiara. Conversamos por umas duas horas e eu fui embora. Alguns meses depois não o encontrei mais. Creio que se mudou.

Talvez ele não saiba quanto significaram para mim aquelas broncas e aqueles elogios. Não sei se ainda o encontrarei. Mas, independente disso acontecer ainda um dia, o Walter fez seu papel, assim como hoje eu desejo fazer o meu. Qual a intensidade de sucesso que terei pela frente? Não sei. Mas sei que ele somente será verdadeiro se ficar para a posteridade e isso a gente só consegue transferindo conhecimentos e incentivando os mais jovens... coisa que o Walter fez.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Hoje eu estou de mau humor

-Hoje eu estou de mau humor. Não fale comigo que é para não sobrar para você também!

Calma, meus amigos. Obviamente não seria de mim que você ouviria isso, mas em contrapartida já deve ter ouvido essa frase de algum colega de trabalho. Certo de que você já ouviu, quero fazer alguns comentários a respeito. Não sei se sou a pessoa ideal para aconselhar, pois não sou de ter mau humor ou o dia "da pá virada". Tenho sim meus momentos de explosão ou coisas do gênero, mas não me lembro de sair atirando para todos os lados.

O que geralmente a gente vê são pessoas que acordam cedo já dizendo para si próprios que hoje é o dia do mau humor. Alguns inclusive contam que já brigaram com a mãe, com o irmão, com a namorada, com a vizinha e se você encher o saco, você será o próximo. É como se estivesse orgulhoso por esse feito. Eles já chegam ao trabalho avisando aos outros que é melhor nem conversarem naquele dia. Como se estivessem pedindo licença para dar patadas, ou ainda dizendo que naquele dia teriam o direito de serem irracionais e mal educados.

Para piorar já se criou a tal licença para isso. Os inocentes colegas de trabalho toleram. "-Olha, não esquenta a cabeça porque hoje fulano está de mau humor, vai ser assim o dia todo...” O problema é que, embora muitos tolerem, a situação causa um desgaste.

Na minha opinião ficar de mau humor não te ajuda em nada e você ainda gerará a fama de mau humorado. Façamos a seguinte pergunta: Ficar de cara fechada reduz seus sentimentos negativos ou alivia a sua dor? Acho que sei a sua resposta.

Segundo a ciência, sorrir ajuda a produzir uma substância de equilíbrio. Inclusive há um médico e escritor bem famoso que fala em seu livro que sorrir move menos músculos da face do que ficar de cara fechada, ou seja, ficar de cara fechada requer mais esforço físico do que sorrir. Segundo ele, devemos sorrir sempre, nem que seja para economizarmos energia.

Outro hábito muito besta é aquele de ficar chateado com o colega de trabalho por alguma coisinha que aconteceu. A amizade é de anos, sempre com situações positivas. Mas agora, por causa daquilo que aconteceu ontem, a amizade ficou comprometida. Há alguns dias ouvi: "não quero mais nada dela, não vou mais ligar, não vou mais pedir ajuda, por que quando eu precisei, ela não me ajudou..." Depois de alguns dias estavam "in love" de novo. O que adiantou fazer tanto escândalo? Então se poupem dos desgastes desnecessários.