terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Entrevista sobre empreendedorismo



Na semana passada, fui entrevistado por um grupo de alunos da Faculdade Politécnica de Jundiaí. O assunto, empreendedorismo, já foi tema de outras entrevistas anteriores, mas essa vez especialmente, teve uma sequência de perguntas muito interessantes. Eu creio que seja útil transcrever aqui.

Também quero aproveitar a oportunidade e agradecer aos alunos do grupo que me confiaram a tarefa de responder essas perguntas.

---

1) Há Quanto tempo possui seu próprio negócio?
Iniciei minha primeira escola em setembro de 2001, como franqueada do Grupo Uptime. Atualmente atuamos com 3 unidades franqueadas, das 70 que este grupo possui.

2) Houve algum evento de “disparo” para iniciar seu negócio?
Sim, houve tal evento. Eu trabalhava em uma outra empresa do ramo como diretor e esta empresa foi vendida. Por não me ver seduzido pelo novo projeto, busquei um outro caminho que me motivasse. Isso somente foi possível criando a minha própria empresa.

3) Como surgiu a idéia de abrir um negócio nesse ramo de atividade?
Como eu já tinha experiência no ramo, entendi que seria mais seguro trabalhar com ele. Dessa forma, quando saí em busca de uma franquia, foquei no ramo cujos desafios eram razoavelmente conhecidos.

4) Que experiência anterior possuía? Serviu de base para a criação do negócio?
Sem dúvida, serviu. Eu já trabalhava em área comercial de uma outra escola de inglês, havia 8 anos. Ao procurar um franqueador, o fiz baseado em conceitos que eu já havia adquirido com minha experiência nesses 8 anos. Mesmo assim, houve uma grande diferença entre tocar um negócio como executivo e fazer esse mesmo trabalho como proprietário. Precisei reaprender muitas coisas.

5) Possuía uma rede de relacionamentos que favorecia o empreendimento? Em que momento?
Eu possuía uma rede de relacionamentos bem interessante, que me serviu quando procurei um franqueador, já que este era meu conhecido havia anos. Também foi mais fácil encontrar fornecedores de serviços básicos, como contador de confiança, banco, advogado, etc.

6) Quais são suas forças e fraquezas? Como as utilizou para progredir?
Acredito que tenho mais força do que talento. Creio que meu ponto positivo é ser uma pessoa de bastante atitude, com pouco medo de errar. Acredito que uma das fraquezas é ser muito pouco romântico e querer resolver tudo na base da motivação. Ciente dessas duas vertentes, procurei usar meu ponto forte em forma de trabalho e compensar meu ponto fraco me unindo a um sócio talentoso.

7) Possui sócios? Quais os pontos positivos e negativos de uma sociedade?
Meu sócio é uma pessoa fantástica, que contratei como funcionário ainda na antiga empresa. Quando resolvi empreender, ele se convidou a vir também. Meu sócio se especializou em tarefas que eu não fazia. Esse é o ponto positivo de ter sociedade, enquanto que o ponto negativo é não poder “mandar” sozinho. Mas esse ponto negativo se transforma em ponto positivo quando a divergência faz com que tenhamos mais prudência.

8) Em que seu sócio pode complementar suas habilidades?
Somos pessoas diferentes. Eu sou mais criativo e dinâmico. Ele é mais racional e detalhista. Eu sou mais força, ele é mais organização. Eu sou mais sonhador, ele mais precavido. Sendo assim, eu trabalho na área comercial e ele na área administrativa e financeira.

9) Qual foi o momento mais crítico vivenciado? Como foi superado?
Foram vários os momentos difíceis, mas os primeiros dois anos foram de “corda no pescoço”, pois tínhamos pouco dinheiro e nos pesava o ceticismo de alguns. Tínhamos dificuldade de contratar gente boa por não conseguir que acreditassem no nosso projeto. A superação aconteceu quando começamos a aprender, tanto na prática quanto em cursos, que deveríamos nos concentrar em transferir conhecimento e formar pessoas tão capazes de executar tarefas quanto nós. Perdemos as vaidades.

10) Como conquistou seu primeiro cliente?
Por ser uma escola de inglês, temos que buscar clientes todos os dias no varejo. Mas se ficássemos esperando eles virem nos procurar, já teríamos falido. O primeiro aluno foi fruto de uma conversa informal com uma pessoa que se interessou pelo nosso serviço. Além disso, implantamos um marketing direto que propiciou bastante retorno, sendo usado até hoje.

11) Qual foi o momento de maior satisfação?
Um deles foi recentemente, quando referente ao ano 2006/2007 as nossas 3 unidades receberam prêmio de “franquia modelo” por parte do franqueador. Aliado a isso, passamos a contar com gerentes e coordenadores que já são a nossa segunda geração de comandantes nas áreas comerciais, administrativa e operacional. Aumentar a quantidade de pessoas na equipe e vê-las crescer, desenvolvendo habilidades por nós ensinadas nos causa muito orgulho.

12) Quando iniciou o processo de criação do negócio, já possuía um plano de negócios? Se não, que tipo de planejamento foi feito?
Sim, eu tinha um plano de negócios, mas era ainda muito falho. Para compensar isso, busquei uma empresa franqueadora que trabalhasse na linha que eu desejava. Tive que mudar algumas coisas do meu projeto inicial, mas valeu a pena porque pude trabalhar com mais planejamento estratégico.

13) Quais são seus principais fornecedores?
Desde os básicos comuns a qualquer empresa, como a imobiliária que nos aluga os imóveis, contador, banco, material de escritório, até os fornecedores específicos, como o franqueador que fornece o método e o material didático usado nas aulas. Além disso, a empresa franqueadora ainda nos fornece gráfica e agência de propaganda (house).

14) Quantos empregados possui?
Atualmente empregamos cerca de 50 pessoas entre as 3 unidades. São recepcionistas, professores, auxiliares administrativos, comerciais, auxiliares de limpeza, seguranças, além das pessoas que compõem o quadro de liderança. Eles são mais 3 gerentes comerciais (um em cada unidade), 3 coordenadores pedagógicos, 3 coordenadores administrativos, uma pedagoga, além de mim e meu sócio que, hoje, atuamos numa espécie de direção regional.

15) Em números, quanto cresceu nos últimos anos?
Saímos do zero para cerca de 1300 alunos num prazo de 6 anos. O ano de maior crescimento foi 2007, quando conseguimos dobrar o numero de matriculas feitas em relação ao ano anterior.

16) Que conselho daria a quem pretende abrir seu próprio negócio?
Meu conselho é que se prepare para ser empreendedor. Não adianta achar que ter experiência num determinado negócio como funcionário basta para empreender. Ter empresa consiste em desenvolver muitas outras tarefas além de fornecer um produto ou serviço. Sugiro que faça cursos de empreendedorismo e que não eleja um determinado negócio como mina de ouro. O ponto determinante não está no negócio em si, mas sim no espírito do empreendedor, que tem que deixar de achar que o negócio vai torná-lo rico e passar a entender que ele (empreendedor) vai tornar o negócio bom.

3 comentários:

  1. Caro Aguinaldo;

    Como estás? Espero que estejas bem... fiquei muito feliz com seu post e dei uma lida no seu blog e achei muito interessante! Espero que possamos ter mais contato e trocar mais idéias.

    Abraço!

    ResponderExcluir
  2. empreender é só para os fortes

    ResponderExcluir
  3. Todo negócio de sucesso nasce a partir de uma boa ideia, mas, afinal, você sabe realmente o que é uma boa ideia de negócio? Sabe como descobrir se tem chances de ganhar dinheiro? Ou se é apenas uma “fantasia” da sua cabeça que apenas exigirá esforços e investimentos sem qualquer retorno?

    Veja aqui algumas dicas para descobrir se um negócio online tem ou não chances de dar certo.

    Acesse: http://ocp.inf.br/websites/negocios-lucrativos-na-internet/

    ResponderExcluir

Para comentar este artigo, escreva seu comentário, assinale a opção "NOME/URL" e clique em "publicar comentário".

SUA OPINIÃO, FAVORÁVEL OU CONTRÁRIA, É FUNDAMENTAL PARA MOTIVAR O BLOGUEIRO. NÃO DEIXE DE ESCREVER!