sexta-feira, 23 de maio de 2008

Respeitar o espaço dos outros é importante.

O Sandoval é colega de trabalho de uma amiga minha. Eu não o conheço pessoalmente, por isso tomei o cuidado de trocar seu nome. Também não sei se o relato que ouvi é exatamente como entendi, por isso quero deixar claro que a partir desse momento, ele se torna simplesmente uma personagem desta crônica, onde qualquer semelhança com o mundo real é apenas coincidência. Mas o fato é que existem alguns Sandovais por aí.

Segundo minha amiga, ele é exageradamente mal organizado e, devido a isso, atrapalha também outras pessoas. Tem uma quantidade enorme de trabalho para fazer justamente porque não consegue terminar nenhum. O acumulo é tão grande que as pastas ficam num canto, em cima da mesa, em pilha, com anotações em “post-its” que ninguém mais entende. Em poucos dias forma-se outra pilha de pastas no outro canto da mesa.

O grande problema é que, segundo ela, o seu vizinho invade a mesa dos colegas, com papéis desnecessários ou materiais que já deveriam ter ido para os arquivos, sem ao menos pedir licença. Isso, atualmente é mais comum do que se imagina, mas é um problema novo. Não acontecia antigamente, pois as salas eram bem divididas e as mesas individuais. Porém, com a arquitetura moderna de ambientes, muitas empresas se dispõem em Estações de Trabalho, onde as mesas se emendam nas outras e a divisão de espaço não é exatamente bem definida. Nesse caso, o que fazer para delimitar o seu espaço? Como impedir que os Sandovais invadam o seu território e espalhem a sua bagunça por todos os cantos?

A única solução é delimitar fisicamente. Usar seus instrumentos de trabalho ou enfeites para marcar a fronteira é a única solução que vejo. Conversar com o colega invasor (até em tom de brincadeira, dependendo do caso) e explicar que aquele espaço é seu pode ser bem válido. Em casos mais difíceis, use a criatividade, como o Heitor, amigo meu que levou seus soldadinhos de brinquedo para a empresa e ganhou a simpatia do invasor quando disse que eles vigiariam o limite e que qualquer coisa que passasse por ali estaria sujeito a fiscalização alfandegária. Segundo ele, daquele dia pra frente, ninguém nunca mais teve coragem de invadir sua mesa com bagunças.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Como faço para conviver com um colega Grossenildo?

Pergunta do Leitor: As opiniões anteriores que você deu, ajudaram muito. O caso agora é que na empresa que trabalho e sou gerente, está atuando um escritório do mesmo grupo, mas serviço totalmente independente do meu. Eles deverão mudar de endereço dentro de um mês. O gerente desse escritório é muito "estourado", grita por qualquer coisa com as pessoas e por um engano dele, que pensou que uma funcionaria minha não havia entregado uma carta importante, ele gritou com ela na minha frente, chamando-a de burra. Acontece que ela é excelente funcionária, inteligente e simpática.
Na hora, eu não disse nada, mas estou sentindo como se devesse alguma coisa para funcionária.Pensei em falar com ele, pensei em falar com a matriz ou pedir aos superiores que falem com ele, pensei em deixar pra lá já que daqui um mês ele não estará mais lá. Isso aconteceu final tarde de ontem.... Qual a sua opinião?

Resposta: Situações como estas fazem parte da rotina de pessoas mal resolvidas. O verdadeiro líder não toma atitudes como essa, pois tem sempre a intenção de ensinar. Ele também vai se irritar com algumas coisas, também dará broncas em seus liderados, mas o fará sempre com respeito e dentro de sua razão.

Lembro-me que quando assumi o cargo de gerente pela primeira vez, em 1994, meu comportamento era um tanto instável e algumas vezes eu percebia que alguns funcionários de outros setores não me respeitavam como eu gostaria. E como eu fazia para superar isso? Gritava! E resolvia? Claro que não! O máximo que eu conseguia era ganhar a antipatia das pessoas.

Se seu colega gerente fez o que você relatou e, claro, se a situação foi exatamente essa, ele cometeu sim um grave engano. O motivo que o leva a ser assim é não ter ainda desenvolvido a essência da liderança. Ele é chefe, mas não é líder. Tem o poder, mas não tem a autoridade. Gritar é uma forma de compensar a falta dessa autoridade. Com isso as pessoas têm medo dele, por isso não o desafiam, mas também não o respeitam.

E quanto a sua pergunta, é muito importante sim você fazer alguma coisa. Se o Grossenildo chamou a menina de burra, tenha ele razão ou não, cometeu “Assédio Moral” e ela pode abrir uma ação trabalhista contra a empresa. Se foi sem razão, mesmo que a funcionária não entre na justiça, é ainda pior, pois ficará chateada e isso interferirá na sua conduta profissional.

O verdadeiro líder age como pai. Ele chama atenção do filho quando necessário, mas também o protege. Se essa menina gosta da sua liderança, pode ter certeza que ela está esperando uma atitude de sua parte, assim como um filho espera que o pai o proteja quando ele briga na rua e apanha de um vizinho maior. Mas cuidado, também não arme nenhum “barraco”.

Eu sugiro que você converse com esse outro gerente, explique que não gostou da atitude dele por diversas razões, como injustiça, desrespeito e grosseria. Faça isso em alto nível, sem escândalo. Depois de conversar com ele, informe que você levará o caso ao conhecimento da matriz, pois não concorda com este tipo de atitude.

Por último, mas breve, dirija-se a sua funcionária e informe que você conversou com o outro gerente, que não aceita que aquilo aconteça e que não acontecerá mais. Se ela disser que nem se importou e que não precisava ter falado nada, entenda que ela diz isso por educação e por não querer conflito. Diga então, que você fez o que faria em qualquer situação de injustiça ou grosseria. Mas peça que ela o respeite sempre e que não tente dar nenhum troco. Assim, você não se omitirá e quando precisar de sua funcionária para alguma coisa a mais, ela se lembrará disso e não se omitirá também.

Caso, ao falar com o Grossenildo, ele começar a gritar também com você, mantenha a calma. Se for preciso, levante-se, saia da sala e vá para o plano B, que é conversar direto com a Matriz e exigir uma atitude. Mas, acho que não chegará nesse nível.

domingo, 18 de maio de 2008

Minha opinião sobre a “demissão voluntária”.


No último artigo que eu escrevi, no dia 14 de maio, relatei a opinião de dois amigos advogados, a respeito da Convenção 158 da OIT. Esta Convenção trata das “demissões voluntárias”, ou seja, daquelas demissões sem motivo aparente.

Mas eu pergunto: qual o objetivo dessa lei? Pois se não há motivo, não deveria haver mesmo a demissão. A resposta é que a possível lei é sugerida pela Organização Mundial do Trabalho visando a manutenção da quantidade de empregos no mercado. Tenta, com isso, inibir aquela demissão por “redução de custos”, onde o empregador demite um funcionário e sobrecarrega outro com o trabalho do que saiu.

Entendo a preocupação do legislador, mas discordo que esse seja o melhor caminho. A minha justificativa é toda baseada na “Lei da Oferta e da Procura”. Entendo que o que mais beneficia o trabalhador é a grande oferta de empregos, pois assim, com o mercado aberto e com grande oferta, o empregador precisa oferecer mais qualidade para manter o seu bom funcionário.

Quanto mais se tenta manipular o mercado de trabalho, mais se incentiva a troca do Regime de CLT por outras categorias, ainda que se correndo o risco de interpretações de ilegalidade. A legislação muito rigorosa diminui a Oferta de Emprego, fazendo que o empregador ofereça menos vagas entendendo que o funcionário é muito custoso.

Do ponto de vista motivacional, há também o funcionário talentoso para o trabalho, mas que não é bom de relacionamento. Esse indivíduo geralmente cria um clima ruim, o que contagia negativamente todo o restante do grupo. Se houver algum dispositivo que impeça a empresa de demiti-lo, o problema passa a não ter mais solução.

Nessa hipótese, um empregador responsável demitiria mesmo assim o seu funcionário mal quisto, alegando mau desempenho, porém o demitido poderia questionar o assunto na Justiça. Esse é o outro ponto de vista que quero lançar: os Tribunais do Trabalho, já tão repletos de processos intermináveis, ficariam ainda mais lotados.

Finalizo com uma frase do Professor José Pastori, pesquisador da USP sobre o tema. Em 1.999, quando foi entrevistado pelo também professor Mario Sérgio Cortela, Pastori justificou suas opiniões perguntando: “de que adianta termos uma infinidade de direitos se o trabalhador não tem trabalho?”

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Convenção 158 da OIT: Avanço ou retrocesso?


Há alguns dias atrás eu ouvi sobre a Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho. Esta Convenção trata das demissões injustificadas, ou seja, quando uma empresa resolve demitir um funcionário sem motivo aparente. Se for aprovada, a lei impedirá que alguém seja demitido simplesmente porque não se dá bem com companheiros de trabalho.

Uma empresa poderá até demitir alguém em alguns casos, como os de justa causa. Também poderá demitir caso alegue a necessidade de diminuir seus custos ou algo do gênero, desde que consiga comprovar. Mas dará condição do então demitido discutir tal questão na Justiça do Trabalho.

Para entendermos melhor, segundo meu amigo advogado explicou, antes da Constituição de 1988, os trabalhadores que completavam 10 anos de serviço à mesma empresa eram considerados estáveis no emprego, e não poderiam mais ser demitidos, salvo por justa-causa. Sobretudo com a Constituição, os trabalhadores passaram a se vincular ao regime do FGTS, que é justamente um fundo que garante o seu tempo de serviço, porque aquela estabilidade (chamada decenal) deixou de existir. Assim, todo trabalhador tem um fundo de garantia pelo tempo trabalhado; ao deixar o emprego, dependendo do motivo, recebe aquela "indenização" em troca da falta de trabalho.

Acontece que a Constituição, no seu art. 7º, inciso I, Art. 7º, prevê que: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos...

Este dispositivo - que desde 1988 impede a despedida sem justa causa - não tem aplicabilidade imediata porque depende de uma lei complementar (nunca editada) para valer. Enquanto a lei não vem, vale a regra de que o empregado demitido sem justo motivo tem direito a uma indenização correspende, via de regra, a 40% dos depósitos de FGTS.
A Convenção 158 da OIT não tem força no direito brasileiro enquanto não ratificada pelo Congresso Nacional e pelo Presidente da República. Caso seja ratificada, passa a ter força de norma constitucional - o que dispensaria a lei complementar do art. 7º, I, CF.

Eu, curioso, perguntei a 3 amigos advogados para saber suas opiniões a respeito do assunto. O primeiro preferiu não responder, pois alegou não estar interado sobre o assunto, portanto correria o risco de não ser intenso em sua resposta. O segundo se mostrou claramente a favor da lei e o terceiro, contrário a ela. Quero agradecer aos meus 2 amigos advogados que opinaram, Dr. Nivaldo Doro Junior e Dr. Carlos E. Farah, pelo tempo que dedicaram a me responder, pela ajuda que me proporcionaram e pela rica colaboração com os leitores. Abaixo, segue a opinião de cada um:

Dr. Nivaldo Doro Junior: Seria aconselhável essa regra (que impede, de forma absoluta, a dispensa imotivada de qualquer trabalhador)? Não tenho dúvida que sim. Do ponto de vista sociológico, a relação de trabalho é uma das mais importantes relações humanas. É pelo trabalho que o indivíduo consegue manter seu sustento e o da sua família. Sem trabalho, aumentam-se as chances de criminalidade urbana (embora essa relação não seja matemática). Ter estabilidade no emprego é algo importante para a manutenção da paz social. O trabalhador, tranqüilo no seu posto de trabalho, pode planejar a vida, programar o futuro e organizar-se com sua família. Nada é pior, do ponto de vista sociológico, do que a insegurança do futuro. Ela tende a desestabilizar relacionamentos humanos, causando desordem.
A regra que impede a despedida sem justa causa não trará nenhum prejuízo ao empregador, nem servirá de estímulo para o empregado acomodar-se no emprego. Ao contrário. Com a sensação de estabilidade, o empregado passará a ser um elemento agregado ao empreendimento empresarial (e não uma "peça descartável", ao simples gosto do empregador). E ainda assim poderá o empregado ser demitido, a qualquer momento, se houver justo motivo para isso (inclusive descumprimento de ordens ou metas, desleixo no exercício das suas funções contratuais, mau comportamento na empresa ou fora dela...).
Além disso, não se pode esquecer que, pela lei, todo empregado pode ser contratado por um período de experiência. Se, durante esse período, o empregador não gostar do perfil do empregado, poderá dispensá-lo, pois ele somente será "estável" após esse momento.


Dr. Carlos E. Farah: Ao meu ver, impedir o empregador de efetivar uma demissão sem justa causa é um claro retrocesso. Qual pequeno empresário, nestas condições, vai se motivar em contratar funcionários (além do mínimo necessário)? Nenhum, ao meu ver. É um evidente desestimulo a criação de empregos formais (ditos "de carteira assinada") e um verdadeiro estímulo a fraudes (o contrato de trabalho ser substituído pelo de representação comercial ou a exigência que empregados criem empresas para "prestarem serviço" ou montarem cooperativas). Em resumo, se alguns sindicalistas defendem esta idéia, creio que seja um tanto inconseqüente, pois geraria mais direitos para menos empregos.

Percebemos que, sem nenhuma dúvida, trata-se de um assunto polêmico. Portanto creio que este post pode ser de grande valia para que os freqüentadores do blog possam estabelecer também a sua opinião.

Amanhã, publicarei a minha visão em relação a este assunto.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Dicas para a entrevista de emprego.

Diploma, graduação, pós-graduação e experiência ainda são requisitos pedidos pelo mercado. Mas para algumas empresas, contratar o candidato que tem o PERFIL é muito mais importante. E o que é o tal perfil? É algo pessoal de cada um. E se o leitor estiver se perguntando se esse tal perfil nasce com o candidato, a resposta é que não, não nasce com ele. Mas sim ele aprende e passa a agir assim. Nesse artigo, vou passar algumas regras que são certeiras para que um candidato seja brevemente absorvido pelo mercado de trabalho. Claro que só isso não basta, mas será um primeiro passo muito interessante. Traje-se de acordo com o nível da empresa. É importante que você cause uma primeira boa impressão no avaliador. Procurar emprego de boné, bermudas ou trajes muito “modernos” pode trazer pontos negativos. Não use camisetas com mensagens polêmicas, como as de um movimento sindical, time de futebol ou partido político. Se você estiver buscando um estágio na área de direito, vá de gravata. Se for atrás de uma vaga de mecânico, vá bem vestido, mas não exagere na formalidade.

Empregadores e avaliadores costumam não ter nenhum preconceito religioso, mas a falta de vaidade pregada por algumas crenças pode eliminar o candidato. Se este é o seu caso, procure manter sua tradição sem fugir as regras de boa apresentação. Dependendo do cargo pretendido, a barba bem feita para os homens ou cabelo bem arrumado para as mulheres pode fazer a diferença. Nunca use uma caneta prendendo o cabelo e jamais escreva na palma da mão. Piercings suaves já são bem tolerados, mas na boca, na língua e alargadores podem ser motivos claros de dispensa.

É fundamental que o candidato esteja sempre com um sorriso no rosto. A maneira de se sentar, de entrar na sala e de cumprimentar são muito levadas em conta. O aperto de mão deve ser forte, para passar segurança, mas nunca muito forte, pois seria agressivo. Ao fazê-lo, não a segure a mão do outro por mais tempo do que o cumprimento exige, pois isso mostra arrogância. Ao ouvir uma saudação, responda em voz alta e firme. O tom de voz baixo também transmite insegurança. Olhar no olho é uma coisa boa e simpática, pois seus olhos emitem sinais que são captados pelo "sexto sentido" do seu interlocutor.

Procure não falar muito de sua vida pessoal. Se for indagado sobre isso, procure trazer o assunto para o campo profissional. Se você tem filhos e te perguntarem sobre isso, responda que tem, mas que também você já tem tudo planejado para que a educação deles não fique comprometida enquanto você trabalha.

Numa entrevista de emprego na área de comunicação, é importante você ser comunicativo.O Currículo passa para o segundo plano, afinal, se você está lá é porque ele gerou curiosidade. O que o entrevistador quer é te conhecer. Quanto menos você falar, quanto menos você se expor, menores serão suas chances. Se você falar bastante, corre o risco de falar besteira e perder a oportunidade. Mas se não falar perderá com certeza por omissão. Portanto fale, no mínimo o suficiente para passar as informações e mostrar simpatia.

Como última dica, quero dizer que uma empresa não contrata alguém por solidariedade. A empresa te contratará se sentir que você é uma ferramenta para ajudá-la a crescer. Portanto, ao ser perguntado do motivo pelo qual você quer aquele emprego, jamais diga que é porque você precisa muito trabalhar. Diga que quer esse emprego porque tem ambição de crescer ou que sua natureza exige que você esteja sempre produzindo. Dizer ao entrevistador que você tem família e contas para pagar não dará resultados. Uma outra boa dica é dizer quais foram suas atividades diárias enquanto esteve desempregado, como a ajuda voluntária que você dá na Comunidade da Igreja ou do bairro.

domingo, 11 de maio de 2008

As duas faces do coitadismo.


No meu artigo do dia 9 de maio, falei sobre o coitadismo. E com isso fresco em minha mente, hoje observei o comportamento de duas pessoas diferentes que tem um ponto em comum. Essas duas pessoas que eu conheço e, que eu não pretendo identificar quem elas são, tem em comum o fato de serem infestadas de problemas de saúde.

A maioria desses tais problemas são mais emocionais ou psicológicos do que físicos, mas depois de tantos anos sofrendo com eles, a cura pode não depender de uma simples mudança de postura. Mas, a parte mais curiosa dessa situação é que, embora tenham tal ponto em comum, elas têm modelos de coitadismos diferentes.

A primeira é coitada mesmo. Sempre pensa negativo e em todas as circunstâncias sempre prevê o pior cenário. Parece pensar que a vida é assim mesmo e que esse é seu karma. Chamo esse estilo de coitadismo reativo, pois tem uma reação impotente. A segunda é revoltada. Apresenta uma raiva muito grande por carregar essa carga de doenças e conhece tudo sobre remédios, seus efeitos colaterais etc. A esse estilo, dou o nome de coitadismo proativo, pois tem energia para manifestar sua guerra sem fim.

Hoje, dia das mães, visitei as duas e fiz a cada uma delas a mesma pergunta: Como está? A primeira respondeu com um lento e melancólico “mais ou menos”. Olhos fundos e com a testa franzida, reclamava de dores no estômago, além dos outros problemas que eu já sabia. Ao ouvir sua resposta, pedi que pensasse positivo. Ela levantou as sobrancelhas sinalizando concordar, mas continuou com a mesma expressão.

Fui para a segunda visita e ao cumprimentá-la, perguntei o mesmo “Como está?” A resposta veio imediatamente, dizendo em palavras duras e agressivas que estava com uma “baita falta de ar”. Respondi a mesma coisa e ouvi atravessadamente que, quando eu sentisse o que ela sente, eu entenderia que é impossível pensar positivo.

Assim posso exemplificar os dois tipos de coitadismos existentes. O primeiro se acha coitado e se entrega, entendendo que nada pode fazer. Atrai as coisas negativas com suas previsões catastróficas. O segundo tipo é agressivo e parece buscar as doenças para provar que é guerreiro e não desiste, pois está sempre lutando contra os males. O detalhe é que este segundo, embora seja guerreiro, não afasta os problemas, mas sim os atrai ainda mais, pois tem a necessidade de atrair os problemas para reclamar.

Qual é o pior? Os dois são iguais. Eles matam antes que as doenças alegadas. Nem o coitadismo reativo e nem o proativo é menos pior. Só há diferença na forma de demonstrar isso para a sociedade.

Para finalizar, quero deixar uma mensagem aos meus leitores: “QUEM ACOSTUMA-SE A RECLAMAR DA VIDA, CRIA INCONSCIENTEMENTE UMA NECESSIDADE DE TER PROBLEMAS PARA PODER RECLAMAR. E ESSA PESSOA, QUANDO NÃO TEM PROBLEMA, PASSA A ATRAÍ-LOS SEM PERCEBER”.

sábado, 10 de maio de 2008

É impossível se dar bem num país que está mal.

Ontem eu participei do Comitê de Gestão de Pessoas da AMCHAM, em São Paulo. O evento, mediado pela Malena Martelli, contou com a presença da Pricewaterhouse Coopers, da IBM, do ABN AMBRO Bank e da Help Express.

Como as 3 primeiras empresas dispensam apresentação, vou me empenhar em falar um pouco da última, que é uma agencia de motoboys, prestadora de serviços do Banco Real, que conta hoje com 1100 motoqueiros que fazem o serviço de couriers na cidade de São Paulo. E é justamente dessa parceria entre a Help Express e o Branco Real que eu desejo extrair o sentido desse artigo: a responsabilidade social.

O Banco Real, já há bastante tempo, vem fazendo sua propaganda baseada nesse tema, apresentando-se como empresa verde. Eu já tinha notado que todas as correspondências deles vêem em papel reciclado, o que faz muito sentido, mas um banco geralmente se comporta de uma maneira muito mais ligada ao lucro.

Mas, uma das frases ditas pela Mônica Cardoso, Diretora de Desenvolvimento Humano do ABN, me lembrou um debate que já havíamos tido 2 anos antes. Segundo ela, “é impossível se dar bem num país que não está bem”. Portanto, para que possam contratar uma prestadora de serviços, eles fazem questão que também sejam empresas que respeitem a legislação, que não poluam irresponsavelmente o meio ambiente e que tenham atitudes inerentes a sua postura.

E nessa linha trabalha a Help Express. Como todos sabem, os motoboys, em São Paulo, são considerados um grande problema para o trânsito. Trafegam entre os carros, em alta velocidade, arrumam brigas sempre que o motorista tenta mudar de faixa e, comumente, quebram alguns retrovisores. Quando algum deles bate a moto e cai, o motorista envolvido passa por apuros, pois imediatamente outros tantos param para intimidá-lo, na maioria das vezes até com pequenas agressões.

Mas, numa cidade onde se estima morrer um motoqueiro por dia, a Help trabalha há 12 anos sem nunca ter perdido um funcionário por este motivo. Sua proprietária criou um código de ética entre os seus profissionais, traduzido como “os 10 mandamentos dos motoboys”. Entre esses mandamentos, estão “não quebrar o retrovisor do próximo”, “não ficar no fliperama”, “fazer a barba todos os dias” e “jamais carregar materiais ilegais”. Se dá certo, alguns podem até duvidar. Mas o fato é que a Help cresceu 400% em 5 anos.

Voltando ao caso do Banco, o que adiantaria levantar uma bandeira para a questão ecológica se a instituição, preocupada apenas com o lucro, não verificasse o resultado social de suas ações? Mas, pelo que parece o Real não está só falando, pois antes de financiar um projeto, verifica se o mesmo não vai contra os seus princípios, como extração ilegal de madeiras ou construções em mananciais ou áreas de risco.

Espero que a moda pegue.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

O coitadismo mata!


Existem pessoas que tentam parecer mais do que são na realidade, mas também existem outros que tentam parecer mais coitados do que são na realidade. E tanto o primeiro perfil quanto o segundo, leva uma pessoa ao fracasso.

Muitos escritores de livros de auto-ajuda dizem que uma pessoa que busca o sucesso precisa ser motivado, sonhar alto, mirar as estrelas. Mas aí o cidadão leva ao pé da letra e começa a viver uma vida de ilusões. Se transforma naquilo que minha mãe dizia ser "o papudo".

O papudo é aquele cara que é o melhor em tudo. Tudo que ele tem é o melhor. O carro velho dele é o melhor que tem e, inclusive, ele não trocou ainda porque jamais largaria algo tão bom. A casa dele tam algo que nenhuma outra tem. Os filhos fazem algo na escola que é característica única.

E na verdade, o papudo vive de um sonho que nunca vai se tornar realidade. Porque ele sabe onde quer chegar, mas não sabe onde está. Para se chegar a algum lugar, além de saber o destino, é fundamental ter consciência do ponto de partida. Portanto se você se acha mais do que de fato é, terá dificuldade de sair do lugar.

Outro personagem negativo é aquele que tem um excesso de coitadismo. O "Coitadista" é o coitado sem motivos. Ele sempre diz que sua dor é maior que a do outro, que sua casa é mais velha, que sua família é mais problemática e faz com que você acredite que a quantidade de azar que ele tem na vida é maior do que qualquer outro da vizinhança.

É como se ele quisesse uma carícia, então se faz de coitado para que os outros tenham dó. O que o cara não percebe é que, quando alguém mente negativamente para si mesmo, a mentira toma características de verdade. E o Coitadista que age como coitado, torna-se coitado de verdade e as coisas passam a sempre darem erradas.

Segundo o escritor Augusto Cury, "todas as doenças emocionais amam o coitadismo e florescem na alma de pessoas passivas". Portanto nunca se sinta coitado diante de seus problemas, caso contrário eles se tornarão um monstro.

E, por fim, há o guerreiro decepcionado. Esse não se acha coitado, mas é. Mas ele acha que está lutando incansavelmente contra as coisas negativas que existe na vida dele, mas que não se entrega. O que ele não percebe é quem cultiva as coisas negativas é ele próprio com o seu pensamento de coitado.
E tenho só mais uma informação a dar. Seja o coitadismo nu e cru, seja ele disfarçado de guerreiro, esse é um sentimento que mata.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Mandarim é o futuro idioma mundial?

Por várias vezes eu tive a oportunidade de conversar com pessoas que me fizeram esta pergunta. Talvez pelo fato de ser eu um empreendedor da área de idiomas, esta é uma pergunta que não falta, sempre que conheço uma nova pessoa.

E percebo que muitos empresários já têm como convicção, diante do claro crescimento da China na economia mundial, como também pelo fato do Mandarim ser hoje o idioma mais falado, em numero de pessoas, no mundo, que futuramente o mercado se comunicará em Chinês. Segundo o governo de Pequin, hoje 30 milhões de pessoas estão aprendendo Mandarin ao redor do mundo.

Mas eu, com todas essas informações e nenhuma autoridade, diga-se de passagem, tenho outra opinião. E não me julgo fora do ar, pois trabalho numa rede de escolas de idiomas, sou casado com uma profissional do Comércio Exterior e circulo regularmente por empresas multinacionais, entre seus profissionais, gerentes e diretores.

Creio que seja provável sim que haja ainda, mais um crescimento quanto a procura do curso de Mandarin em todo o mundo, afinal, cada vez mais pessoas vão querer negociar com a China. Mas dizer que este idioma se tornará a linguagem universal, eu não acredito. Afinal, alguém já parou para avaliar a complexidade que é a escrita deles?

O mandarim, na China chamado de Putonghua, possui 80.000 (oitenta mil) caracteres, chamados de hanzis, dos quais 7.000 são mais usados. O idioma inglês possui cerca de 56.000 vocábulos e normalmente uma pessoa que estudou o high school nos EUA, trabalha, e vive naquele país utiliza 800 a 1000 palavras distintas por dia. Porque a gente fala muito, mas também repete muitas palavras para se comunicar em inglês.

E o que é um ideograma? São aqueles símbolos, que quando nós éramos crianças, costumávamos chamar de “casinhas”, pelas quais os chineses representam uma palavra ou conceito abstrato. Vale lembrar, ainda, que bem ou mal, o povo asiático fala inglês, o que já nos permite a comunicação com eles. O interesse da China em fazer comércio com o mundo é tão grande quanto o interesse do mundo em fazer comércio com a China.

Ainda creio que seja muito mais fácil a China e uma parte dos seus mais de 1 bilhão de habitantes arranharem o inglês, do que o resto do mundo, com mais de 7 bilhões de pessoas, aprender a falar Putonghua.

Portanto, se alguém me perguntar hoje, se deve aprender Chinês, eu vou dizer que sim, desde que antes, já domine o Inglês e, ao menos, comunique-se em espanhol.

Não deixe de ler a continuidade deste artigo em: http://cronicascorporativas.blogspot.com/2010/02/o-mandarin-do-mundo.html