sábado, 10 de maio de 2008

É impossível se dar bem num país que está mal.

Ontem eu participei do Comitê de Gestão de Pessoas da AMCHAM, em São Paulo. O evento, mediado pela Malena Martelli, contou com a presença da Pricewaterhouse Coopers, da IBM, do ABN AMBRO Bank e da Help Express.

Como as 3 primeiras empresas dispensam apresentação, vou me empenhar em falar um pouco da última, que é uma agencia de motoboys, prestadora de serviços do Banco Real, que conta hoje com 1100 motoqueiros que fazem o serviço de couriers na cidade de São Paulo. E é justamente dessa parceria entre a Help Express e o Branco Real que eu desejo extrair o sentido desse artigo: a responsabilidade social.

O Banco Real, já há bastante tempo, vem fazendo sua propaganda baseada nesse tema, apresentando-se como empresa verde. Eu já tinha notado que todas as correspondências deles vêem em papel reciclado, o que faz muito sentido, mas um banco geralmente se comporta de uma maneira muito mais ligada ao lucro.

Mas, uma das frases ditas pela Mônica Cardoso, Diretora de Desenvolvimento Humano do ABN, me lembrou um debate que já havíamos tido 2 anos antes. Segundo ela, “é impossível se dar bem num país que não está bem”. Portanto, para que possam contratar uma prestadora de serviços, eles fazem questão que também sejam empresas que respeitem a legislação, que não poluam irresponsavelmente o meio ambiente e que tenham atitudes inerentes a sua postura.

E nessa linha trabalha a Help Express. Como todos sabem, os motoboys, em São Paulo, são considerados um grande problema para o trânsito. Trafegam entre os carros, em alta velocidade, arrumam brigas sempre que o motorista tenta mudar de faixa e, comumente, quebram alguns retrovisores. Quando algum deles bate a moto e cai, o motorista envolvido passa por apuros, pois imediatamente outros tantos param para intimidá-lo, na maioria das vezes até com pequenas agressões.

Mas, numa cidade onde se estima morrer um motoqueiro por dia, a Help trabalha há 12 anos sem nunca ter perdido um funcionário por este motivo. Sua proprietária criou um código de ética entre os seus profissionais, traduzido como “os 10 mandamentos dos motoboys”. Entre esses mandamentos, estão “não quebrar o retrovisor do próximo”, “não ficar no fliperama”, “fazer a barba todos os dias” e “jamais carregar materiais ilegais”. Se dá certo, alguns podem até duvidar. Mas o fato é que a Help cresceu 400% em 5 anos.

Voltando ao caso do Banco, o que adiantaria levantar uma bandeira para a questão ecológica se a instituição, preocupada apenas com o lucro, não verificasse o resultado social de suas ações? Mas, pelo que parece o Real não está só falando, pois antes de financiar um projeto, verifica se o mesmo não vai contra os seus princípios, como extração ilegal de madeiras ou construções em mananciais ou áreas de risco.

Espero que a moda pegue.

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