quinta-feira, 26 de junho de 2008

Brasileiro, profissão: re-pagador de Impostos.

Ouvimos todos os dias, através dos noticiários, que o Brasil é o campeão do pagamento de Impostos, no mundo. Mas na verdade, nós não somos os campeões; somos quase. Recentemente o IBPT comparou a carga tributária de 25 países. Dentre eles, a carga tributária do Brasil (37,82% do PIB) só fica atrás daquela registrada pela Suécia (50,7%), Noruega (44,9%), França (43,7%) e Itália (42,2%). Nossa carga tributária também é superior à dos EUA (25,4%) e da média dos países da OCED (36,1%). Na comparação com os latino-americanos também estamos na dianteira, já que na Argentina (21,9%), no Chile (19,2%) e no México (18,5%) o peso dos impostos no PIB é bem menor.

Mas, como se isso não bastasse, o dinheiro do imposto é mal gasto. O estado cobra os impostos com o mesmo objetivo que o seu prédio cobra o condomínio. É isso aí, o Brasil é um grande condominiozão. Nós moramos aqui e precisamos pagar uma determinada quantia por mês para pagarmos tudo aquilo que se gasta para o bem comum dos moradores, como saúde, segurança, educação, limpeza pública, etc. Até aí, tudo bem.

Porém eu pergunto ao leitor: como ele se sentiria se pagasse o boleto do condomínio, certinho, no dia do vencimento, mas ao avaliar o local onde mora, percebesse que a água da piscina estivesse sem tratamento, o elevador quebrado, a campainha queimada e o porteiro, que saiu de férias, não tivesse sido substituído por ninguém? Se tivesse que contratar particularmente um limpador de piscinas ou um porteiro? É assim que eu vejo o Brasil.

Nós pagamos para que o governo construa e mantenha as escolas públicas, mas se queremos uma boa escola temos que matricular nossos filhos nas particulares. Pagamos para que a polícia nos proteja, mas precisamos contratar o Guarda Noturno para as nossas casas e os seguranças para as nossas empresas. Pagamos para ter hospitais, mas precisamos contratar nossos planos de saúde particulares, pois se dependermos do sistema público poderemos morrer na fila de espera.

Enquanto isso, o Governo joga a responsabilidade para o cidadão. E o cidadão, sem outra opção, aceita. Ontem ouvi uma reportagem pelo rádio, onde um secretário de saúde de um município do interior de São Paulo reclamava que gastava muito dinheiro com remédios para a população. Que mesmo aqueles que tinham planos de saúde particulares recorrem à rede pública para retirar gratuitamente os remédios. Segundo este senhor, tal município pretende entrar com ação para obrigar os planos de saúde particulares a fornecerem também os remédios para os seus segurados e com isso aliviar o Governo. Ou seja, temos que nos conformar que nós pagamos os impostos e depois “re-pagamos” os mesmos Impostos?

Aí eu pergunto: Este senhor tem consciência da besteira que ele falou? Afinal, o governo deveria atender a 100% da população com remédios e também com os médicos, exames e tratamento, afinal quem tem plano de saúde também contribui com a Previdência. Os planos de saúde nem deveriam precisar existir, mas ao invés de entender que estes aliviam o custo do Estado, o tal Secretário acha que eles deveriam fazer mais. Se as operadoras de planos de saúde fossem obrigadas a fornecer remédios para os segurados, os valores das mensalidades seriam bem maiores, o que inviabilizaria o cidadão de pagá-las. Neste caso ele voltaria a, não só buscar o remédio na rede pública, como também se tratar lá.

O que você acha disso?

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