segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O importante é ser competitivo.

O lema do atletismo "mais rápido, mais alto e mais forte" ("citius, altius e fortius"), representado pela trilogia correr, pular e arremessar, foi criado por Dére Didon em 1896, mas surgiu bem anteriormente, por volta de 776 a C. entre os soldados gregos, para desenvolver as habilidades físicas e criar competições. Apesar de falarem a mesma língua e de terem unidade cultural, os gregos antigos não tinham unidade política, encontrando-se divididos em 160 cidades com governos soberanos, que há cada quatro anos se reuniam num festival esportivo em Olímpia, deixando de lado suas divergências. Mesmo que inicialmente possuíssem um caráter apenas local, depois de algum tempo as competições passaram a contar com participantes de todas as partes da região. Por volta do Século V d.C., os Jogos Olímpicos acabaram juntamente com a antiga cultura grega.

Em 1896, na cidade de Atenas, por iniciativa do educador francês Pierre de Frédy, o barão de Coubertin, as Olimpíadas foram reeditadas. Fascinado pelo comportamento dos gregos no passado, De Frédy convocou em 1894, uma reunião com delegados de 9 países, expondo seu plano de reviver os torneios que tinham sido interrompidos há 15 séculos. Foi justamente ele que, em 1908, implantou o lema "O IMPORTANTE NÃO É VENCER, MAS COMPETIR". (wikipedia)

Desde o início dos Jogos da Era Moderna, essa frase é rechaçada pelas pessoas que, na verdade, não tiveram a sabedoria de entendê-la. Nunca se valorizou, contudo, o verdadeiro sentido da mensagem que o Barão de Coubertin quis transmitir aos atletas. Se buscarmos analisar a fundo, perceberemos que faz todo sentido interpretar o verbo “competir” como “ser competitivo” e, não apenas, como “participar”. Afinal, sabemos que, por melhor que seja um competidor, ele não vai ganhar sempre, mas é importante que ele sempre esteja entre os melhores, ou seja, que seja “competitivo”.

E verdadeiramente competitivo é aquele que busca a vitória com honestidade, querendo sempre fazer o melhor. Competitivo é aquele que, no início de uma disputa, é tido como possível vencedor e, mesmo nos momentos de derrota, se levanta preparado para a próxima, com a certeza que brigará pelo troféu. Mais importante do que saber quem vai vencer é saber quem será realmente competitivo. Pois ser vencedor dependerá dos detalhes, mas ser competitivo dependerá da disciplina de cada um em fazer realmente aquilo que tem que ser feito.

Quem sempre é competitivo, sempre terá chance de vencer, enquanto que aquele que somente se preocupa em ganhar, perde a grande oportunidade de aprender.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Evite falar daquilo que você não conhece

Ontem eu conversava com uma pessoa sobre assuntos banais. Não vem ao caso aqui divulgar seu nome, ainda que, na maioria das vezes eu troque os nomes das pessoas a fim de não identificá-las. Mas ontem o assunto foi rodando e, em determinado momento, estávamos falando do livro “Código Da Vince”, do autor Dan Brown. Eu e meu interlocutor concordávamos com quase tudo, até que ele citou negativamente o livro, chamando-o de herege e afirmando que as tais sociedades secretas são coisas do diabo. Então eu perguntei a ele se conhecia de fato alguma dessas sociedades. E ele admitiu que não conhece... e, segundo ele, nem quer.

Pois bem, uma das lembranças mais negativas que eu guardo, é de algo que aconteceu no final dos anos 80. Naquela época, eu tinha cerca de 16 anos e meu ciclo de amizade estava entre o pessoal do Heavy Metal de Jundiaí. Eu era muito conhecido entre eles e também conhecia a quase todos.

Quase todos! E o problema aconteceu por isso. Havia um rapaz chamado Thomaz, que era vocalista de uma banda de “Power Metal” da cidade. Embora ninguém negasse seu talento com a voz, a verdade é que o cara não era uma unaminidade. Ele era muito querido por uns e odiado por outros, justamente por ser polêmico. Os meus amigos mais próximos eram os que o odiavam e falavam mal. E eu, pra variar, também falava, mesmo sem nunca ter visto o cidadão.

Num domingo à noite eu estava no ponto de ônibus, voltando para a minha casa, quando vi o Edson, um colega que, por acaso, estava acompanhado de um outro rapaz “cabeludo” e no “visual metal”. Começamos a conversar, mas não fomos apresentados pelos nomes, apenas estávamos conversando. Foi então que surgiu o assunto do tal Thomaz e, eu muito arrogante e besta, comecei a falar mal dele, o que não seria novidade entre a nossa galera. Alguns poucos minutos mais tarde estava eu, com a cara no chão, sem saber o que dizer ao descobrir que o “cabeludo” em minha frente era o próprio Thomaz, me indagando agora. Afinal, com qual autoridade eu estava falando de alguém que eu nem conhecia?

Com isso eu aprendi que não se fala daquilo que não se conhece. Essa mensagem vale para pessoas como eu, que naquele momento cometi um grave erro. Vale para o meu interlocutor de ontem, que falava de algo desconhecido para ele. E também para os ambientes profissionais. É conveniente que não falemos de pessoas que não conhecemos, assim como é importante não denegrirmos nem mesmo as empresas concorrentes simplesmente porque alguém nos disse que o produto deles é ruim. Pode ser que um dia, se precise trabalhar lá.

sábado, 13 de setembro de 2008

Herói de verdade é o goleiro



Se, em algum momento, você estiver pensando que seu trabalho está difícil, que es coisas não estão dando certo, que as vendas caíram ou qualquer outra coisa nesse sentido, experimente se inspirar no trabalho do goleiro.

Ser goleiro é ser herói e vilão, ao mesmo tempo. Pois se um atacante perde dez gols e faz dois, sai de campo como herói, mas um goleiro defende dez ataques e sofre dois gols, sai como frangueiro. Portanto, perceba que suas características são um misto de determinação, automotivação, consciência e humildade.
Ser goleiro é querer evitar o inevitável sempre achando, lá no fundo, que dava pra defender o mais indefensável dos chutes. É jogar um jogo coletivo de forma quase individual e depois de um gol a favor, ainda assistir de longe os outros jogadores do seu time comemorando lá na frente sem nem se lembrarem dele. Então trata-se de uma pessoa com muito auto-estima, pois só assim permanece motivado e entende que é assim mesmo.

Depois de uma grande defesa, ainda que ninguém agradeça, que ninguém grite um “Boa, Goleiro!!!”, ele vai saber que é tão importante quanto todo o restante do time junto, afinal, um time joga sem um atacante, sem um volante, sem um zagueiro, mas jamais haverá um time sem goleiro. Isso faz do goleiro um confiante convicto.
Um goleiro sabe que as falhas fazem parte, pois só quem joga lá sob as traves, sabe o quanto as defesas que parecem fáceis, podem ser bem mais difíceis do que se espera. Mas a verdade é que um goleiro de verdade torce para que o outro time venha. Goleiro que é goleiro não gosta de ter zagueiro bom no time, ele quer mesmo é que a bola chegue, pois só assim poderá aparecer e fazer o seu trabalho. Goleiro não tem medo de cara feia.
Enfim, ser goleiro é ser o coração do time, mesmo num jogo onde o principal objetivo deve ser por ele evitado, ele festeja cada defesa, cada saída. E, lá no seu íntimo sabe, que se o atacante chutou pra fora, foi porque o goleiro fechou o ângulo.

Ah! Um goleiro nunca corta as unhas antes de um jogo. Quer saber por que? Chute uma bola bem no canto oposto e, quando ele tocar bem de leve e desviá-la pra escanteio, você imaginará que ele não cortou as unhas.

A principal mensagem que vejo nisso tudo é a ausência do medo. Um profissional que torce para ter dificuldades no jogo, pois se não for assim, ele passará despercebido. E quando tem dificuldades, se motiva e aproveita a oportunidade de mostrar que é bom.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

No trânsito, não existe bom senso

No passado eu já escrevi que o lugar onde as pessoas mais revelam a falta de bom senso é no trânsito. Lá, o certo e o errado são julgados não pelo que diz a inteligência, mas sim pelo argumento de cada um. Se eu tenho uma determinada atitude, ela é correta, mas se outro tem uma atitude parecida que venha a me prejudicar, então ela é um absurdo. E quando questionado, digo que “é diferente”. Vão alguns exemplos:

SE EU DOU SETA, O OUTRO É OBRIGADO A ME DEIXAR ENTRAR.
SE O OUTRO DÁ SETA, ELE QUE ESPERE UM POUCO.

SE EU ESTOU ATRÁS, O DA FRENTE É LERDO.
SE EU ESTOU NA FRENTE, O DE TRÁS É APRESSADINHO.

SE EU ESTOU COM PRESSA, OS OUTROS ESTÃO ENROLANDO.
SE EU ESTOU CALMO, OS OUTROS SÃO TODOS AFOBADOS.

SE BUZINO, É PORQUE O OUTRO MERECEU.
SE BUZINAM PARA MIM, PERGUNTO SE QUER VENDER?

SE EU ESTOU NA PISTA E PEÇO PASSAGEM, RECLAMO SE O OUTRO NÃO SAI.
SE EU ESTOU NA PISTA E ALGUÉM PEDE PASSAGEM, NÃO SAIO PORQUE ESSE CARA É MUITO FOLGADO COM ESSE FAROL NO MEU RETROVISOR.

SE ESTOU NA FRENTE E ALGUÉM PEDE PASSAGEM, NÃO SAIO PORQUE JÁ ESTOU NO LIMITE PERMITIDO E NÃO HÁ PORQUE ESSE ALGUÉM ME PASSAR.
SE ESTOU ATRÁS PEDINDO PASSAGEM E O DA FRENTE NÃO SAI, RECLAMO, POIS NÃO É ELE QUEM TEM QUE CONTROLAR MINHA VELOCIDADE.

SE SOU PEGO PELO RADAR, RECLAMO DO ABSURDO DA INDÚSTRIA DE MULTAS.
SE VEJO ALGUÉM ANDANDO EM ALTA VELOCIDADE, PERGUNTO: CADÊ OS RADARES DESSA CIDADE???

SE OS MOTOCICLISTAS ANDAM PELO CORREDOR, OS CHAMO DE LOUCOS E RETARDADOS.
SE ELES ANDAM NA PISTA ATRÁS DOS CARROS, QUESTIONO PORQUE ELES TÊM MOTOS SE É PRA FICAREM PARADOS.

SE PRECISO PARAR EM FILA DUPLA, DIGO QUE É BEM RAPIDINHO.
SE VEJO ALGUÉM PARADO EM FILA DUPLA, ACHO UM ABSURDO.

SE ESTACIONO MUITO PRÓXIMO A UMA ENTRADA DE GARAGEM, DIGO QUE DÁ PRA ENTRAR ATÉ UM ÔNIBUS ALÍ.
SE ALGUÉM PARA PERTO DA MINHA GARAGEM, AMEAÇO CHAMAR O GUINCHO.

SE PASSO NO SINAL AMARELO, É PRA EVITAR QUE ALGUÉM BATA EM MINHA TRASEIRA.
SE VEJO ALGUÉM PASSANDO NO AMARELO, RECLAMO DA IMPRUDÊNCIA.

SE POSSO IR DE ÔNIBUS, DIGO QUE NÃO TEM SENTIDO TER CARRO SÓ PARA FICAR NA GARAGEM.
SE PEGO CONGESTIONAMENTO, RECLAMO QUE ESSE POVO NÃO ANDA DE ÔNIBUS.

SE SOU MULHER, ENTENDO QUE AS MULHERES DIRIGEM MELHOR PORQUE PROVOCAM MENOS ACIDENTES.
SE SOU HOMEM, DIGO QUE ELAS PROVOCAM MENOS ACIDENTES PORQUE PEDEM PARA O MARIDO DIRIGIR.

SE BATO O CARRO, NÃO FUI EU... BATERAM EM MIM.
E SE FOI NUM POSTE, RECLAMO QUE AÍ NÃO É LUGAR DE TER UM POSTE, SACO!!!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A capacidade de planejar


Eu li algo interessante, acho que foi no livro do Golleman - Inteligência Emocional, sobre uma experiência que foi feita em uma Universidade nos Estados Unidos. Nessa experiência, os pesquisadores colocaram para uma determinada quantidade de crianças, um doce a disposição de cada um. As crianças tinham duas opções: a primeira seria comer o doce naquele mesmo momento e a outra opção seria deixar para trinta minutos depois. Antes disso, porém, foram avisados que se optassem por deixar para depois, ganhariam outro doce igualzinho no final da tarde.

O que eles queriam saber era quantas daquelas crianças tinham, já naquela idade, capacidade de planejar o futuro e se possuíam visão de planejamento. Mais interessante do que o resultado percentual de quantos comeram o doce imediatamente ou quantos deixaram para depois, foi saber que depois de 25 anos, a Universidade se interessou por saber o que faziam aquelas crianças que haviam sido pesquisadas. E perceberam que a maioria das crianças que haviam comido o doce na hora, depois de adultos, tiveram dificuldade de ascender em suas carreiras profissionais enquanto, a maioria dos que souberam esperar para ter direito ao outro doce, já se desenvolviam como pessoas bem sucedidas.

Ficou nítido que há uma relação entre a capacidade de escolher por fazer alguma coisa imediatamente ou por esperar para fazer mais tarde, com a probabilidade de uma carreira de sucesso. Num outro livro, encontrei a afirmação de que as únicas duas coisas que não podemos nos livrar é morrer e fazer escolhas. São duas coisas inevitáveis, afinal todos morreremos um dia e fazer escolhas, até quando nos negamos a fazê-las, estamos escolhendo não escolher.

Acontece que, na vida profissional, as pessoas que conseguem abrir mão de um conforto momentâneo em prol de um benefício maior no futuro, têm a tendência de atingir maior grau de satisfação. Essas pessoas têm mais capacidade de poupar, portanto maior possibilidade de estrategiar. Os mais ansiosos são mais propensos a tomarem decisões impulsivas e irracionais.

Enfim, para concluir, basta lembrar a fábula da Cigarra e da Formiga. É o caso do adolescente que quer trabalhar cedo e daquele outro que protela ao máximo assumir essa tarefa, preocupado apenas com o conforto momentâneo e querendo evitar uma mudança, pensando apenas no que lhe custaria a tarefa e nunca no quanto poderia lhe custar fugir dela.

Às vezes achamos que nossa vida está boa, mas na verdade nosso aparente conforto não passa de comodismo.

domingo, 7 de setembro de 2008

J.J. Jackson em Vinhedo, mas cadê o garçom?



Na semana passada, dia 29 de agosto, estive com alguns amigos no restaurante do clube Banespa, dentro do Condomínio Marambaia, em Vinhedo. Fomos atraídos pela apresentação de J.J. Jackson e sua banda, que começaria a tocar naquele dia às 22 horas. Chegamos exatamente às 21:50h, pois estamos acostumados aos tradicionais atrasos, mas surpreendentemente em menos de dez minutos de nossa presença ali, o músico septuagenário subia ao palco.

Nascido no Arkansas – EUA, aos 76 anos de vida, grande parte dela morando no Brasil, J.J. Jackson é um dos grandes intérpretes da música americana. Canta com a alma e um sorriso no rosto. Quando sobe no palco, incendeia a platéia com sua voz e carisma. É um negro magro, alto e iluminado. Com visual elegante, estilo Ray Charles, porta-se de forma muito marcante: dá a mão para alguns presentes, faz pose, piada, brinca com os músicos e provoca a platéia. Quando o show termina, ele faz questão de conversar com os presentes e atende com atenção a todos que o procuram. Desde os 15 anos, Jackson vive da música; na sua longa estrada dividiu palco com grandes artistas consagrados como BB King e Lightinin Hopkin. Seu primeiro grupo chamava-se Rocking Teens e tinha entre seus integrantes Jimi Hendrix.

Infelizmente, nem tudo funcionou como esperávamos. Não pelo músico, que é fantástico, mas sim pelo tal restaurante. Quando compramos o convite para o show, imaginamos um outro ambiente. Era numa sexta-feira, portanto fomos para ver o show e também para jantar. Mas ao chegar percebemos que alguma coisa iria complicar. Não havia ninguém jantando, apenas algumas pessoas comendo petiscos.

Sentamos em 6 pessoas numa mesa de plástico próxima ao palco e ficamos esperando algum garçom. Havia um pequeno panfleto amarelo informando o preço da meia dúzia de porções fritas disponíveis e de uns 10 tipos diferentes de bebida. “Que chato!”, pensamos. Afinal fomos lá para jantar e teríamos que nos confortar com as “batatinhas”.

Mas como dizia Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior. Acreditem que depois de muito tempo, nenhum dos dois únicos garçons da casa havia nos atendido. O próprio J.J. Jackson, entre uma música e outra, perguntou usando o seu português típico de um americano, o motivo que levava seis pessoas estarem sem nenhum copo na mesa. “Vocês non eston bebendo nada?” E nem assim o garçom vinha. Meu irmão não pensou duas vezes e foi até o outro lado de um salão com cerca de 50 mesas chamar o homem meio gordinho com uma bandeja vazia na mão.

Notamos que o tal restaurante, na verdade, era apenas um salão de clube equipado com cozinha e o proprietário (ou arrendatário?) deve contratar mão de obra avulsa. Nesse dia, certamente, economizou nos garçons, o que foi uma pena. Pois como também dizia o mesmo Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior, mas também pode ser consertado. E J.J. Jackson, com seu talento nato, tratou de consertar tudo, com um show contagiante. E imaginem que se tivesse mais garçons no local, o consumo provavelmente compensaria a maior despesa com mão de obra.

Economizar demais, às vezes custa caro. Muitos empresários pensam que o cliente pode nem notar que o atendimento está ruim e, pode até ser que eles tenham razão. Mas não há como negar que mais gente trabalhando faria o consumo aumentar. Muitas pessoas pensam que o garçom existe para servir as mesas, mas eu aprendi com o “Professor”, ex-proprietário da fantástica Galeteria Serrana, em Serra Negra, que o verdadeiro papel do garçom é vender comida, por isso o bom garçom é o que conversa com o cliente e oferece mais alguma coisinha. Isso significa que, se há demanda, quanto mais garçons a casa tem, maior será sua receita. E se os convites foram vendidos e esgotados antecipadamente, nada justifica a existência de apenas dois profissionais no local, a não ser o fato do dono do restaurante não pensar assim. Prejuízo para ele, infelizmente. E pra 'nós, que saímos de lá com fome.

sábado, 6 de setembro de 2008

O problema é o salário.



A Danila, uma colega aqui de Jundiaí me contou que gosta do seu trabalho. O ambiente é bom, o serviço é gostoso, tem uma razoável estabilidade, pois é funcionária antiga, tem liberdade para pedir algumas concessões ao chefe e, o que é melhor, fica há dez minutos de sua casa.

Porém agora ela se desmotivou e resolveu que quer sair. O problema é o salário. Não que seja uma miséria, pois não é o caso. Mas ontem ela ficou sabendo que uma ex-colega de trabalho, bem mais jovem e menos experiente, está trabalhando numa grande empresa em São Paulo. A amiga tem um salário maior que o dela e ainda goza do status de trabalhar numa empresa de maior porte.

Eu senti que a Danila está com um pouco de inveja da amiga, por isso se revoltou. Senti que se não tivesse ficado sabendo do salário da outra, nesse momento estaria tudo bem. Mas saber que alguém conseguiu conquistar algo melhor que ela o fazia mal. Então mudei de assunto e fiz uma questão a ela: se fosse uma vendedora de automóveis, qual seria a primeira pergunta que faria aos seus clientes? Ela respondeu meio sem ter certeza que seria quanto ao modelo que estava procurando ou quanto quer gastar.

Então eu contei a minha colega o que eu aprendi com o Sêo Walter (tem um tópico sobre ele aqui no blog): a primeira pergunta a se fazer é “o que é mais importante num carro para você?” E várias podem ser as respostas, como potência, conforto, economia, preço, qualidade, status, etc. Dependendo da resposta do cliente, então o vendedor pode oferecer alternativas que o satisfaçam. Se a prioridade é a potência, seguramente não será um carro econômico ou se a prioridade é o preço baixo, então não poderá ser um modelo de alta grife.

“Ta! Mas o que isso tem a ver”, perguntou a Danila. Tem a ver, respondi eu, que o emprego é a mesma coisa. A gente vê o que é nossa prioridade, se é o salário, o status, a segurança, a estabilidade, o conforto, etc. Se escolhermos pela estabilidade, teremos que abrir mão de um plano de carreira. Se escolhermos pelos ganhos altos, teremos que abrir mão de alguma tranqüilidade.

A amiga da Danila, pelo que se sabe, faz dois anos que acorda às 5 horas da manhã, sai de casa às 6 horas, pega um ônibus fretado até São Paulo para chegar às 8 horas e nunca viu o seu diretor pessoalmente. Chega em casa por volta das sete e meia da noite e constantemente está preocupada com o risco de ser substituída por outra pessoa.

Se a Danila estiver disposta a fazer o mesmo, eu acho que deve, mas sem ilusão de que vai encontrar o trabalho perfeito. Precisa estar preparada para ganhar mais dinheiro e abrir mão de alguns confortos. O que não pode é ter inveja, pois se a outra tem hoje um emprego mais rentável é porque abriu mão de seu conforto antes, o que a Danila também poderia ter feito e não fez. A única coisa que não adiante é se revoltar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Financiar um carro pode ser bom negócio


Faz dois anos, Cristiane queria comprar um apartamento. Achou um ótimo, mas não tinha todo o dinheiro disponível. Então, somou suas economias com as do marido, o FGTS acumulado e os dois saíram em busca de um financiamento. Acontece que a soma do FGTS e do dinheiro que tinham na poupança, não dava o mínimo da entrada para que o banco financiasse o restante. Então eles tiveram uma idéia: venderam um dos carros do casal e completaram o dinheiro para a entrada no imóvel. Dias depois compraram outro carro financiado em 60 meses.

Cristiane me passou um email contando sua história e dizendo: “Tenho ouvido o Mauro Halfeld pela CBN e acho que esse financiamento do carro foi um péssimo negócio. Nós financiamos um carro, para financiar um apartamento. Estamos pagando dois carros com os juros. Todo dia 1º do mês eu fico deprimida!!”

A minha opinião, cara Cristiane, é diferente da sua. Arrisco dizer que vocês não financiaram o carro para poder "financiar" um apartamento, mas sim para poder "dar entrada" no apartamento. Se pudessem financiar um valor maior pelo apartamento e dar menos entrada, certamente teriam feito.

A compra de um carro em financiamento nunca é um bom negócio economicamente falando. O comprador sempre pagará juros, é obvio e, pelo que entendi, quando fizeram o negocio sabiam disso. Todo economista diz que o ideal é comprar a vista. Mas acontece que muitas vezes não existem recursos para tal, portanto temos que financiar ou ficar sem o bem. Se vocês não tivessem feito assim, estariam pagando aluguel, o que seria um desperdício de dinheiro ainda maior do que os juros do carro.

Há que se ver a relação entre custo e beneficio, e o negócio que fizeram, parece-me que foi bom. Para entender melhor, some o valor do crédito imobiliário com o que paga do carro. Enxergue esse total como se fosse o que você paga pelo apartamento durante os primeiros 5 anos. Depois disso, é como se o valor caísse.

Claro que vocês teriam outra opção, que seria ter ficado com um carro só, mas nem sempre isso é possível, conforme as profissões que se exerce. Se o carro é para você ou para o seu marido, uma ferramenta de trabalho, entendo que vocês não poderiam ficar sem ele. Se vocês tivessem esperado dois anos para comprar o apartamento, talvez não comprassem mais, pois os preços de imóveis aumentaram bastante no Estado de São Paulo.

O Mauro Halfeld fala genericamente sobre economia. Ele não leva em conta o uso do bem ao longo do período de pagamento. Ele dá informações a respeito do que compensa ou deixa de compensar no raciocínio puro. Mas imagine uma pessoa desempregada, com dificuldade de encontrar emprego e dinheiro suficiente para mais 3 meses de subsistência. Por outro lado tem talento e preparo para empreender. Se não arrisca, dali há 3 meses o dinheiro acaba. Se arrisca, de desempregado pode virar patrão.

Concluo perguntando a Cristiane se ela fica deprimida também nos outros 29 dias do mês, quando anda de carro e não de ônibus, quando entra em casa, dorme bem, recebe os amigos, toma um banho gostoso. Fica deprimida quando está calor e então liga o ar condicionado do seu carro? Fica deprimida quando desfruta do carro e do apartamento?


Acho que não!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Em sinal de protesto, ele pedia demissão!


Faz uns dois anos o Marcelo me contava a sua história. Ele tinha 28 anos e ainda não havia se firmado em nenhum emprego. Infelizmente, há dez anos ele tomou impulsivamente uma decisão errada, de parar a faculdade de administração no primeiro ano. Daí pra frente trabalhou em diversas empresas, sempre como ajudante e, nunca por mais de 9 meses seguidos. Mas eu suspeitava que a falta de curso superior era o menor problema dele.

Eu pedi que ele me contasse o motivo que o levou a sair de todos esses trabalhos que ele teve. E pude perceber que os motivos foram sempre os mesmos ou quase os mesmos. Na maioria das vezes ele saiu por revolta. Aqui porque não tinha vale refeição, ali porque não pagava adicional noturno, lá porque o chefe era resmungão.

O caso mais típico é aquele onde um funcionário mais antigo, daqueles que vive reclamando, passava a desenvolver influencia sobre ele e, quase todos os dias, contava uma razão a mais para que todos (inclusive o Marcelo) sentissem-se revoltados. Como sempre acontece, aquele que põe fogo na fogueira tira o time de campo quando o incêndio está armado e, o Marcelo, valendo-se de sua enorme coragem, pedia demissão em sinal de protesto.

Acontece que o principal prejudicado era ele mesmo, pois o colega que o influenciara permanecia trabalhando, o patrão permanecia trabalhando, simplesmente contratava outro em seu lugar e o Marcelo ficava desempregado. Por mais simples que parecesse, demorou para o Marcelo perceber o que era simples.

E porque isso acontecia? Porque ele sempre agia de cabeça quente. Na hora da raiva soltava os cachorros. E quando alguém pedia para ele manter a calma ou dizia para que não se enervasse, sua resposta era típica: “eu sou assim mesmo! fazer o que?”

Depois de nossa conversa, o Marcelo mudou sua postura. Ele conseguiu um trabalho novo, como ajudante geral e em um ano estava como auxiliar de expedição. Nesse meio tempo fez alguns cursos e participou de um processo seletivo em uma empresa maior, na qual foi selecionado e começou a trabalhar. Ele está nessa nova empresa há 4 meses, já com expectativas de crescer. Continua fazendo cursos e não dá mais atenção aos “revoltados de plantão”.

O que o Marcelo aprendeu é que sempre tem gente para criticar seu emprego, mas raramente há quem te ofereça uma oportunidade melhor. Portanto, sugiro que sempre se valorize o prato onde come, pois na falta dele, a gente volta aficar com fome.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.


A história que vou contra aqui é baseada no Ademir. Ele é um ex-colega, que durante dois anos dividiu um apartamento comigo em Campinas. Na época nós trabalhávamos juntos e, por conveniência financeira, dividíamos o valor do aluguel. O Ademir tinha, entre várias de suas características boas e ruins, uma que o marcou: ele era muito egoísta.

E porque vou contar essa história? Porque hoje eu li alguma coisa sobre o Henry Ford. Então quer dizer que o Henry Ford era egoísta? Claro que não, muito pelo contrário. Henry Ford é até hoje lembrado pelo seu espírito empreendedor e por ter colaborado para a evolução de sua sociedade.

Aliás, quando se pensa em empreendedores de sucesso e em “business”, logo se imagina, equivocadamente, que isso significa “lucro a qualquer custo” ou “apenas benefício próprio”. Mas Ford pensava diferente disso. Ele entendia que não seria possível ser próspero numa sociedade medíocre.

Henry Ford desenvolveu a primeira linha de montagem, com automóveis sendo produzidos em série. Bom... isso todo mundo sabe. O que a maioria das pessoas não sabe que ele aumentou consideravelmente a média salarial de sua empresa, pois entendia que de nada adiantava produzir mais se a sociedade não tivesse dinheiro para comprar seus produtos. Sua empresa também investiu na abertura de estradas públicas (isso mesmo, públicas), pois quem iria fazer questão de ter automóvel sem ter onde pô-lo para andar? Ford também investiu na construção de postos de gasolina, dos quais nunca recebeu um dólar sequer, mas sabia que a existência desses seria fundamental para o sucesso de seu negócio.

Henry Ford, já naquela época, tinha visão de futuro. Ele conseguia planejar. Tinha a capacidade de abrir mão de alguma coisa hoje para se beneficiar no futuro. Com essa sua visão, ele conseguiu fazer com que sua comunidade crescesse e com isso muitas pessoas se beneficiaram. Muitas pessoas aproveitaram-se da existência de estradas para fazer seus empreendimentos darem certo e, provavelmente Ford não recebera nenhum royalty. Mas ele se beneficiou indiretamente, porque além de criar seus produtos, criou também seus clientes.

E o que o Ademir tem a ver com isso? O Ademir seria justamente o contrário. Ele já pensaria que se fosse para outras pessoas se aproveitarem de um feito dele, ele preferia não fazer. O Ademir é um cara que jamais permitiria que alguém levasse vantagem em uma atitude sua. Ele tem a sensação de que se o outro levou alguma vantagem, de certo é porque ele próprio levou alguma desvantagem. E é por isso que pessoas como o Ademir não conseguem prosperar, pois não conseguem fazer outros rosperarem.

Já dizia o grande publicitário brasileiro, Nizan Guanaes: “Pensar no coletivo tem sido a melhor maneira de pensar em si”. Eu concordo com ele.