sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Financiar um carro pode ser bom negócio


Faz dois anos, Cristiane queria comprar um apartamento. Achou um ótimo, mas não tinha todo o dinheiro disponível. Então, somou suas economias com as do marido, o FGTS acumulado e os dois saíram em busca de um financiamento. Acontece que a soma do FGTS e do dinheiro que tinham na poupança, não dava o mínimo da entrada para que o banco financiasse o restante. Então eles tiveram uma idéia: venderam um dos carros do casal e completaram o dinheiro para a entrada no imóvel. Dias depois compraram outro carro financiado em 60 meses.

Cristiane me passou um email contando sua história e dizendo: “Tenho ouvido o Mauro Halfeld pela CBN e acho que esse financiamento do carro foi um péssimo negócio. Nós financiamos um carro, para financiar um apartamento. Estamos pagando dois carros com os juros. Todo dia 1º do mês eu fico deprimida!!”

A minha opinião, cara Cristiane, é diferente da sua. Arrisco dizer que vocês não financiaram o carro para poder "financiar" um apartamento, mas sim para poder "dar entrada" no apartamento. Se pudessem financiar um valor maior pelo apartamento e dar menos entrada, certamente teriam feito.

A compra de um carro em financiamento nunca é um bom negócio economicamente falando. O comprador sempre pagará juros, é obvio e, pelo que entendi, quando fizeram o negocio sabiam disso. Todo economista diz que o ideal é comprar a vista. Mas acontece que muitas vezes não existem recursos para tal, portanto temos que financiar ou ficar sem o bem. Se vocês não tivessem feito assim, estariam pagando aluguel, o que seria um desperdício de dinheiro ainda maior do que os juros do carro.

Há que se ver a relação entre custo e beneficio, e o negócio que fizeram, parece-me que foi bom. Para entender melhor, some o valor do crédito imobiliário com o que paga do carro. Enxergue esse total como se fosse o que você paga pelo apartamento durante os primeiros 5 anos. Depois disso, é como se o valor caísse.

Claro que vocês teriam outra opção, que seria ter ficado com um carro só, mas nem sempre isso é possível, conforme as profissões que se exerce. Se o carro é para você ou para o seu marido, uma ferramenta de trabalho, entendo que vocês não poderiam ficar sem ele. Se vocês tivessem esperado dois anos para comprar o apartamento, talvez não comprassem mais, pois os preços de imóveis aumentaram bastante no Estado de São Paulo.

O Mauro Halfeld fala genericamente sobre economia. Ele não leva em conta o uso do bem ao longo do período de pagamento. Ele dá informações a respeito do que compensa ou deixa de compensar no raciocínio puro. Mas imagine uma pessoa desempregada, com dificuldade de encontrar emprego e dinheiro suficiente para mais 3 meses de subsistência. Por outro lado tem talento e preparo para empreender. Se não arrisca, dali há 3 meses o dinheiro acaba. Se arrisca, de desempregado pode virar patrão.

Concluo perguntando a Cristiane se ela fica deprimida também nos outros 29 dias do mês, quando anda de carro e não de ônibus, quando entra em casa, dorme bem, recebe os amigos, toma um banho gostoso. Fica deprimida quando está calor e então liga o ar condicionado do seu carro? Fica deprimida quando desfruta do carro e do apartamento?


Acho que não!

Um comentário:

  1. Olá, gostei muito do seu blog e de sua abordagem.

    Parabéns!

    Um abraço

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