domingo, 7 de setembro de 2008

J.J. Jackson em Vinhedo, mas cadê o garçom?



Na semana passada, dia 29 de agosto, estive com alguns amigos no restaurante do clube Banespa, dentro do Condomínio Marambaia, em Vinhedo. Fomos atraídos pela apresentação de J.J. Jackson e sua banda, que começaria a tocar naquele dia às 22 horas. Chegamos exatamente às 21:50h, pois estamos acostumados aos tradicionais atrasos, mas surpreendentemente em menos de dez minutos de nossa presença ali, o músico septuagenário subia ao palco.

Nascido no Arkansas – EUA, aos 76 anos de vida, grande parte dela morando no Brasil, J.J. Jackson é um dos grandes intérpretes da música americana. Canta com a alma e um sorriso no rosto. Quando sobe no palco, incendeia a platéia com sua voz e carisma. É um negro magro, alto e iluminado. Com visual elegante, estilo Ray Charles, porta-se de forma muito marcante: dá a mão para alguns presentes, faz pose, piada, brinca com os músicos e provoca a platéia. Quando o show termina, ele faz questão de conversar com os presentes e atende com atenção a todos que o procuram. Desde os 15 anos, Jackson vive da música; na sua longa estrada dividiu palco com grandes artistas consagrados como BB King e Lightinin Hopkin. Seu primeiro grupo chamava-se Rocking Teens e tinha entre seus integrantes Jimi Hendrix.

Infelizmente, nem tudo funcionou como esperávamos. Não pelo músico, que é fantástico, mas sim pelo tal restaurante. Quando compramos o convite para o show, imaginamos um outro ambiente. Era numa sexta-feira, portanto fomos para ver o show e também para jantar. Mas ao chegar percebemos que alguma coisa iria complicar. Não havia ninguém jantando, apenas algumas pessoas comendo petiscos.

Sentamos em 6 pessoas numa mesa de plástico próxima ao palco e ficamos esperando algum garçom. Havia um pequeno panfleto amarelo informando o preço da meia dúzia de porções fritas disponíveis e de uns 10 tipos diferentes de bebida. “Que chato!”, pensamos. Afinal fomos lá para jantar e teríamos que nos confortar com as “batatinhas”.

Mas como dizia Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior. Acreditem que depois de muito tempo, nenhum dos dois únicos garçons da casa havia nos atendido. O próprio J.J. Jackson, entre uma música e outra, perguntou usando o seu português típico de um americano, o motivo que levava seis pessoas estarem sem nenhum copo na mesa. “Vocês non eston bebendo nada?” E nem assim o garçom vinha. Meu irmão não pensou duas vezes e foi até o outro lado de um salão com cerca de 50 mesas chamar o homem meio gordinho com uma bandeja vazia na mão.

Notamos que o tal restaurante, na verdade, era apenas um salão de clube equipado com cozinha e o proprietário (ou arrendatário?) deve contratar mão de obra avulsa. Nesse dia, certamente, economizou nos garçons, o que foi uma pena. Pois como também dizia o mesmo Randy Pausch, tudo que está ruim pode ficar ainda pior, mas também pode ser consertado. E J.J. Jackson, com seu talento nato, tratou de consertar tudo, com um show contagiante. E imaginem que se tivesse mais garçons no local, o consumo provavelmente compensaria a maior despesa com mão de obra.

Economizar demais, às vezes custa caro. Muitos empresários pensam que o cliente pode nem notar que o atendimento está ruim e, pode até ser que eles tenham razão. Mas não há como negar que mais gente trabalhando faria o consumo aumentar. Muitas pessoas pensam que o garçom existe para servir as mesas, mas eu aprendi com o “Professor”, ex-proprietário da fantástica Galeteria Serrana, em Serra Negra, que o verdadeiro papel do garçom é vender comida, por isso o bom garçom é o que conversa com o cliente e oferece mais alguma coisinha. Isso significa que, se há demanda, quanto mais garçons a casa tem, maior será sua receita. E se os convites foram vendidos e esgotados antecipadamente, nada justifica a existência de apenas dois profissionais no local, a não ser o fato do dono do restaurante não pensar assim. Prejuízo para ele, infelizmente. E pra 'nós, que saímos de lá com fome.

Um comentário:

  1. Aguinaldo sinto muito por ti pelo acontecido apesar de não ter ciencia do acontecido a não ser agora lendo sua crônica.
    Mas garanto pra você que se retornar ao restaurante será muito bem recepcionado porque agora está sob nova direção e te garanto que não sairá de lá com *fome* rsrsrs.
    Palavra da Família GODOY PORTELLA!!

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