sábado, 6 de setembro de 2008

O problema é o salário.



A Danila, uma colega aqui de Jundiaí me contou que gosta do seu trabalho. O ambiente é bom, o serviço é gostoso, tem uma razoável estabilidade, pois é funcionária antiga, tem liberdade para pedir algumas concessões ao chefe e, o que é melhor, fica há dez minutos de sua casa.

Porém agora ela se desmotivou e resolveu que quer sair. O problema é o salário. Não que seja uma miséria, pois não é o caso. Mas ontem ela ficou sabendo que uma ex-colega de trabalho, bem mais jovem e menos experiente, está trabalhando numa grande empresa em São Paulo. A amiga tem um salário maior que o dela e ainda goza do status de trabalhar numa empresa de maior porte.

Eu senti que a Danila está com um pouco de inveja da amiga, por isso se revoltou. Senti que se não tivesse ficado sabendo do salário da outra, nesse momento estaria tudo bem. Mas saber que alguém conseguiu conquistar algo melhor que ela o fazia mal. Então mudei de assunto e fiz uma questão a ela: se fosse uma vendedora de automóveis, qual seria a primeira pergunta que faria aos seus clientes? Ela respondeu meio sem ter certeza que seria quanto ao modelo que estava procurando ou quanto quer gastar.

Então eu contei a minha colega o que eu aprendi com o Sêo Walter (tem um tópico sobre ele aqui no blog): a primeira pergunta a se fazer é “o que é mais importante num carro para você?” E várias podem ser as respostas, como potência, conforto, economia, preço, qualidade, status, etc. Dependendo da resposta do cliente, então o vendedor pode oferecer alternativas que o satisfaçam. Se a prioridade é a potência, seguramente não será um carro econômico ou se a prioridade é o preço baixo, então não poderá ser um modelo de alta grife.

“Ta! Mas o que isso tem a ver”, perguntou a Danila. Tem a ver, respondi eu, que o emprego é a mesma coisa. A gente vê o que é nossa prioridade, se é o salário, o status, a segurança, a estabilidade, o conforto, etc. Se escolhermos pela estabilidade, teremos que abrir mão de um plano de carreira. Se escolhermos pelos ganhos altos, teremos que abrir mão de alguma tranqüilidade.

A amiga da Danila, pelo que se sabe, faz dois anos que acorda às 5 horas da manhã, sai de casa às 6 horas, pega um ônibus fretado até São Paulo para chegar às 8 horas e nunca viu o seu diretor pessoalmente. Chega em casa por volta das sete e meia da noite e constantemente está preocupada com o risco de ser substituída por outra pessoa.

Se a Danila estiver disposta a fazer o mesmo, eu acho que deve, mas sem ilusão de que vai encontrar o trabalho perfeito. Precisa estar preparada para ganhar mais dinheiro e abrir mão de alguns confortos. O que não pode é ter inveja, pois se a outra tem hoje um emprego mais rentável é porque abriu mão de seu conforto antes, o que a Danila também poderia ter feito e não fez. A única coisa que não adiante é se revoltar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para comentar este artigo, escreva seu comentário, assinale a opção "NOME/URL" e clique em "publicar comentário".

SUA OPINIÃO, FAVORÁVEL OU CONTRÁRIA, É FUNDAMENTAL PARA MOTIVAR O BLOGUEIRO. NÃO DEIXE DE ESCREVER!