terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.


A história que vou contra aqui é baseada no Ademir. Ele é um ex-colega, que durante dois anos dividiu um apartamento comigo em Campinas. Na época nós trabalhávamos juntos e, por conveniência financeira, dividíamos o valor do aluguel. O Ademir tinha, entre várias de suas características boas e ruins, uma que o marcou: ele era muito egoísta.

E porque vou contar essa história? Porque hoje eu li alguma coisa sobre o Henry Ford. Então quer dizer que o Henry Ford era egoísta? Claro que não, muito pelo contrário. Henry Ford é até hoje lembrado pelo seu espírito empreendedor e por ter colaborado para a evolução de sua sociedade.

Aliás, quando se pensa em empreendedores de sucesso e em “business”, logo se imagina, equivocadamente, que isso significa “lucro a qualquer custo” ou “apenas benefício próprio”. Mas Ford pensava diferente disso. Ele entendia que não seria possível ser próspero numa sociedade medíocre.

Henry Ford desenvolveu a primeira linha de montagem, com automóveis sendo produzidos em série. Bom... isso todo mundo sabe. O que a maioria das pessoas não sabe que ele aumentou consideravelmente a média salarial de sua empresa, pois entendia que de nada adiantava produzir mais se a sociedade não tivesse dinheiro para comprar seus produtos. Sua empresa também investiu na abertura de estradas públicas (isso mesmo, públicas), pois quem iria fazer questão de ter automóvel sem ter onde pô-lo para andar? Ford também investiu na construção de postos de gasolina, dos quais nunca recebeu um dólar sequer, mas sabia que a existência desses seria fundamental para o sucesso de seu negócio.

Henry Ford, já naquela época, tinha visão de futuro. Ele conseguia planejar. Tinha a capacidade de abrir mão de alguma coisa hoje para se beneficiar no futuro. Com essa sua visão, ele conseguiu fazer com que sua comunidade crescesse e com isso muitas pessoas se beneficiaram. Muitas pessoas aproveitaram-se da existência de estradas para fazer seus empreendimentos darem certo e, provavelmente Ford não recebera nenhum royalty. Mas ele se beneficiou indiretamente, porque além de criar seus produtos, criou também seus clientes.

E o que o Ademir tem a ver com isso? O Ademir seria justamente o contrário. Ele já pensaria que se fosse para outras pessoas se aproveitarem de um feito dele, ele preferia não fazer. O Ademir é um cara que jamais permitiria que alguém levasse vantagem em uma atitude sua. Ele tem a sensação de que se o outro levou alguma vantagem, de certo é porque ele próprio levou alguma desvantagem. E é por isso que pessoas como o Ademir não conseguem prosperar, pois não conseguem fazer outros rosperarem.

Já dizia o grande publicitário brasileiro, Nizan Guanaes: “Pensar no coletivo tem sido a melhor maneira de pensar em si”. Eu concordo com ele.

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