segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Aprenda a andar de bicicleta para viver a vida.


Ultimamente, uma das características mais admiradas em um profissional é a sua capacidade de tomar decisões corretas em momentos de pressão. O poder de decidir, de falar na hora certa, de aproveitar uma oportunidade ou de não agir por impulso, de mostrar calma no momento em que todos estão nervosos ou ser agressivo quando ninguém quer arriscar, tem sido o grande diferencial entre o homem normal e o outro acima da média. Esse poder de decisão é resultado de uma outra característica fundamental na vida de um ser humano bem sucedido: o equilíbrio mental.

Esse tal equilíbrio mental pode ser comparado a um outro que encontramos numa das atividades mais simples e mais loucas de nossa vida, que é andar de bicicleta. A bicicleta, que era o brinquedo mais esperado na minha época de criança, é um negócio muito doido, basta ver que foi feita para cair. Ela, por si só, não para em pé, a não ser que esteja em movimento. E é justamente aí que o ciclista precisa aprender uma das coisas mais importantes na vida: ter equilíbrio.

Nossa vida é cheia de dificuldades, gente complicando aquilo que é simples, outros nos deixando nervosos, às vezes nós mesmos ficando nervosos à toa, brigas, discussões, problemas, etc. Tudo isso só para atrapalhar o nosso caminhar. Assim também é o caminho de um ciclista desde o princípio. Se ele estiver pedalando no meio do mato e cair, vai se estrepar todo. Se estiver no asfalto, vai se ralar. Ou seja, independentemente de qual seja a trilha, a primeira coisa que o cara aprender é a ter equilíbrio.

E para se equilibrar é necessário ter movimento. Para ter movimento é preciso pedalar. Quanto mais se pedala, mais preparado se está para continuar pedalando. Na vida é igual, pois precisamos nos movimentar para manter o equilíbrio. Um ser humano que não consegue vencer suas dificuldades e seus problemas, é como alguém que está com a bicicleta parada. Não pedala porque não agüenta o esforço, não agüenta o esforço porque não treina e não treina porque é mais fácil ficar parado. Mas, se a gente parar com a vida, assim como com a bicicleta, a gente cai.

É importante dizer que não é sadio e nem inteligente pedalarmos além do nosso nível de atleta. Então, começar pedalando pouco é normal, desde que vá aumentando o ritmo conforme a experiência e a força chega. Surgirem pedras e sarjetas no meio do caminho também é normal, pois são elas que dão graça no nosso passeio. Imaginem como seria um destino reto, sem subidas, sem descidas, sem obstáculos, sem desafios: seria muito chato!

Converse com um ciclista e ele te contará que escolhe caminhos com obstáculos, pois são justamente esses obstáculos que o farão sentir-se vitorioso no final do trecho percorrido. Mais uma coisinha: às vezes precisamos empurrar a nossa bicicleta morro acima. Nessa situação, pense que mesmo sendo um peso a mais para carregar, ela o ajudará nos outros trechos planos ou de descida. Assim é a vida, às vezes empurramos alguém para cima e depois esse alguém nos ajuda a andarmos mais rápido.

Pra finalizar, eu gostaria de dizer que quem inventou a bicicleta provavelmente diria que é uma das máquinas mais simples que existem: duas rodas, um guidão, uma corrente, duas engrenagens e dois pedais. Mas a nossa vida super simples também, a gente é que complica, porque temos a mania de pensar demais e agir de menos. Então vamos agir, pedalar, correr e buscar o nosso caminho, porque pensar demais não é sinônimo de inteligência. O verdadeiro inteligente é quem transforma o conhecimento em prosperidade.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Visita ao Lar Galeão Coutinho

As ações de Responsabilidade Social tem sido comuns no meio em que vivo. Tanto na empresa em que eu trabalho, como na minha família ou entre meus amigos, o habito de preparar donativos para entidades beneficentes é algo normal. Mas confesso que quando fica comigo a tarefa de entregá-los aos destinatários, sinto-me ainda mais feliz.

Na última sexta-feira, diante da antecedência do dia das crianças, estivemos no Lar Galeão Coutinho, em Jundiaí, para levar algumas coisinhas para a molecada. O encontro ocorreu por iniciativa da Entidade da qual faço parte, que arrecadou verba suficiente para a doação de brinquedos as 64 crianças que passam o dia na creche. Para complementar, a escola onde eu trabalho arrecadou doces, entre seus alunos (que são adultos), durante os 20 dias que antecediam o dia das crianças.

Nessa narrativa, vale citar alguns momentos interessantes, como os gritos da molecada, que já esperavam por nós “os sorveteiros”, logo depois do almoço. Também foi fantástico podermos interagir com as crianças, mesmo sendo em coisinhas simples, como organizar filas ou ver quem levanta primeiro a mão.

Aproveito para agradecer aos meus três companheiros, nesse dia, o Reginaldo, o Nadalin e o Galego, assim como a todos os outros membros da Entidade acima citada e a todos os alunos da UPTIME que trouxeram os doces. Vocês podem, mesmo sem saberem ao certo, terem contribuído para dar rumo à vida de algumas pessoas.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

De Office Boy a Diretor



Hoje eu vou contar a história do Carlinhos. Ele é um velho conhecido, do tempo em que eu arrumei um emprego numa loja lá no Centro. O Carlinhos tinha 16 anos e era o boy. Ele fazia todo aquele trabalho que já sabemos qual é, como correios, cartórios, bancos, etc. Era um garoto muito simpático e muito bem quisto por todos. Tanto nós da mesma idade, quanto os funcionários mais velhos nos simpatizavamos com ele, afinal era inteligente e prestativo e tinha muita vontade de trabalhar.

Mais de quinze anos depois, o Dr. Carlos Zamparotto é o Diretor financeiro de uma grande rede de Concessionárias de Veículos e controla algumas lojas em 3 cidades da nossa região. Um dia desses encontrei-me com ele, por acaso, no bar do Pedro, no Mercado Municipal. E ele estava me contando sobre como tudo aconteceu. Afinal, na época em que trabalhávamos juntos, ele chegou até a ter oportunidades de crescer, mas continuava sendo visto como o boy que ia buscar os lanches.

Segundo o que me contou, tudo começou 2 anos depois, de uma forma muito natural, quando um cliente lhe sugeriu que mudasse a forma de vestir-se. Aconselhou-o a trajar-se mais formalmente no trabalho, dispensando aquelas camisetas dos Ramones (estou falando de 1990) e habituando-se ao jeans com sapato social. Ele experimentou, percebeu que, embora os colegas mais antigos ainda o tratassem como o eterno office-boy, os novos funcionários já tinham outra visão. Também notou que os clientes já demonstravam mais confiança em suas explicações.

Outra mudança foi o linguajar. O Carlos deixou de usar gírias, passou a falar mais devagar e, segundo ele, a não mais contar aberta e orgulhosamente as “loucuras” que fazia nas baladas. Resumindo, começou a se comportar de outra maneira. Nessa época, devido a ida para o exército, precisou ficar fora da empresa por um período e, quando voltou, lhe foi confiado o cargo de Supervisor de Contas a Receber.

Incentivado pelo cargo novo, voltou a estudar e fez faculdade de Direito. Ainda antes de se formar, aos 24 anos começou a estagiar em um escritório de advocacia e contabilidade, onde aprendeu a usar gravatas. Nessa época comprou seu primeiro carro, um Gol ano 83. Formou-se na faculdade aos 25 anos, mas não quis seguir como Advogado, pois preferiu trabalhar como gerente numa financeira. Foi lá que conheceu sua esposa, a Debora, com quem se casou aos 28 anos e, tempos depois, a convite de um cliente, passou a exercer o cargo de gerente administrativo em uma loja de veículos.

Aos 32 anos, Carlos se sobressaiu num dos processos seletivos que participou, assumindo o cargo que mantém hoje. Ele me contou, em tom de brincadeira, que em seu departamento, tem alguns “guardinhas” e que sempre que pode conta sua história. Também complementa dizendo que continua usando as camisetas dos Ramones, mas no lugar certo e não no trabalho. Resumindo, o que fez com que o Carlos fosse reconhecido pelas outras pessoas foi sua mudança de comportamento. Não é de um dia para o outro que se poderá sentir o respeito das pessoas, mas sim ao longo de um determinado tempo, conforme o quadro de funcionários de sua empresa for mudando e pessoas novas chegarem. Mas para quem quer resultados rápidos, já poderá sentir a diferença com os clientes novos, que não o vêem todos os dias. Para finalizar a história, o Carlinhos ainda contou que, na época da mudança de comportamento, como estava sempre ocupado fazendo coisas legais, não tinha mais tempo para sair comprar lanches para o pessoal e, com o tempo, eles também pararam de pedir.