segunda-feira, 6 de outubro de 2008

De Office Boy a Diretor



Hoje eu vou contar a história do Carlinhos. Ele é um velho conhecido, do tempo em que eu arrumei um emprego numa loja lá no Centro. O Carlinhos tinha 16 anos e era o boy. Ele fazia todo aquele trabalho que já sabemos qual é, como correios, cartórios, bancos, etc. Era um garoto muito simpático e muito bem quisto por todos. Tanto nós da mesma idade, quanto os funcionários mais velhos nos simpatizavamos com ele, afinal era inteligente e prestativo e tinha muita vontade de trabalhar.

Mais de quinze anos depois, o Dr. Carlos Zamparotto é o Diretor financeiro de uma grande rede de Concessionárias de Veículos e controla algumas lojas em 3 cidades da nossa região. Um dia desses encontrei-me com ele, por acaso, no bar do Pedro, no Mercado Municipal. E ele estava me contando sobre como tudo aconteceu. Afinal, na época em que trabalhávamos juntos, ele chegou até a ter oportunidades de crescer, mas continuava sendo visto como o boy que ia buscar os lanches.

Segundo o que me contou, tudo começou 2 anos depois, de uma forma muito natural, quando um cliente lhe sugeriu que mudasse a forma de vestir-se. Aconselhou-o a trajar-se mais formalmente no trabalho, dispensando aquelas camisetas dos Ramones (estou falando de 1990) e habituando-se ao jeans com sapato social. Ele experimentou, percebeu que, embora os colegas mais antigos ainda o tratassem como o eterno office-boy, os novos funcionários já tinham outra visão. Também notou que os clientes já demonstravam mais confiança em suas explicações.

Outra mudança foi o linguajar. O Carlos deixou de usar gírias, passou a falar mais devagar e, segundo ele, a não mais contar aberta e orgulhosamente as “loucuras” que fazia nas baladas. Resumindo, começou a se comportar de outra maneira. Nessa época, devido a ida para o exército, precisou ficar fora da empresa por um período e, quando voltou, lhe foi confiado o cargo de Supervisor de Contas a Receber.

Incentivado pelo cargo novo, voltou a estudar e fez faculdade de Direito. Ainda antes de se formar, aos 24 anos começou a estagiar em um escritório de advocacia e contabilidade, onde aprendeu a usar gravatas. Nessa época comprou seu primeiro carro, um Gol ano 83. Formou-se na faculdade aos 25 anos, mas não quis seguir como Advogado, pois preferiu trabalhar como gerente numa financeira. Foi lá que conheceu sua esposa, a Debora, com quem se casou aos 28 anos e, tempos depois, a convite de um cliente, passou a exercer o cargo de gerente administrativo em uma loja de veículos.

Aos 32 anos, Carlos se sobressaiu num dos processos seletivos que participou, assumindo o cargo que mantém hoje. Ele me contou, em tom de brincadeira, que em seu departamento, tem alguns “guardinhas” e que sempre que pode conta sua história. Também complementa dizendo que continua usando as camisetas dos Ramones, mas no lugar certo e não no trabalho. Resumindo, o que fez com que o Carlos fosse reconhecido pelas outras pessoas foi sua mudança de comportamento. Não é de um dia para o outro que se poderá sentir o respeito das pessoas, mas sim ao longo de um determinado tempo, conforme o quadro de funcionários de sua empresa for mudando e pessoas novas chegarem. Mas para quem quer resultados rápidos, já poderá sentir a diferença com os clientes novos, que não o vêem todos os dias. Para finalizar a história, o Carlinhos ainda contou que, na época da mudança de comportamento, como estava sempre ocupado fazendo coisas legais, não tinha mais tempo para sair comprar lanches para o pessoal e, com o tempo, eles também pararam de pedir.

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