segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Cão que muito late é porque tem medo de morder

Por diversas vezes tive a oportunidade de presenciar aquelas conversas descompromissadas ou, como diria Nizan Guanaes, papos dos "empresários de mesa de bar". Quero dizer que são aquelas conversas onde se prega ética e moral, mas ao sair dali o cidadão pouco faz para agir da forma com que acabou de defender uma posição.

Faz uns quinze dias, fui almoçar com um amigo em Campinas. Este, por sinal, estava acompanhado de seu colega de trabalho e aproveitou para me apresentar o cidadão. Tratava-se de um garoto de 22 anos, estudante de Direito, muito bem apresentado e igualmente comunicativo.

Durante o almoço, surgiu o assunto da eleição Americana e, por isso, o garoto mostrou seu espírito revolucionário. Falou a respeito da podridão do Capitalismo, da herança imperialista, da justiça e revelou-se ser, embora jovem, um experiente defensor da ética e da revolução.

Alguns dos assuntos citados foram o absurdo de uma cidade como Campinas não ter cestos de lixo nas esquinas de um bairro como aquele em que estávamos (Guanabara), a falta de faculdades públicas ou ainda a necessidade de os teatros públicos ou privados serem adaptados aos portadores de deficiência.

A verdade é que tudo aquilo que o garoto falava (e falava sem parar) era totalmente pertinente e razoável. Mas, eu sempre tive a sensação de que aquelas pessoas que falam demais, normalmente esquecem-se de executar suas pregações. Geralmente, o cara que se diz muito sincero é o que mente. Como dizia o meu avô, "Cão que muito late, tá querendo é assustar o ladrão porque tem medo de morder".

E vejam só o que descobri quando estávamos de saída: o carro do garoto revolucionário e indignado com a falta de ética da sociedade, estacionado bem em frente a um acesso de deficientes. É óbvio que eu o convidei a sair na foto, mas ele não quis. E eu não o fotografaria sem sua autorização. Mas o carro sim, mesmo sem mostrar a placa.

Enfim, percebemos que a sociedade passa o tempo todo cobrando ética dos governantes, mas não faz também a sua parte. O cidadão que reclama que a sua cidade está suja, normalmente é o mesmo que joga uma embalagem de bolacha pela janela do ônibus. O mesmo que se mostra indignado diante da notícia de corrupção é o que pede um desconto na loja para comprar sem nota.

Um comentário:

  1. Quando era mais novo fiz um trainee da Vale do Rio Doce e achei que tinha "arrasado" nas dinâmicas de grupo por ter sido o mais falante.

    Ledo engano, hoje em dia fazer é muito mais do que falar certo?

    Parabéns pelo blog, muito motivador.

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