terça-feira, 30 de dezembro de 2008

As dificuldades atuais são tão intensas quanto as dificuldades antigas.

Concordo, é claro, que vivemos num mundo excessivamente violento. Concordo também que nossa país ainda tem seu problema agravado pela desigualdade social a que nós todos (tanto o rico quanto o pobre) somos vítimas. Concordo que a TV vende a violência em forma de sensacionalismo nos seus noticiários. Concordo com tudo isso. Só não concordo quando dizem que antigamente era melhor de se viver do que os dias atuais.

Temos sempre a tendência de acreditar que "éramos felizes e não sabíamos". Basta ver que, aqui mesmo no Brasil, o povo lutou pela democracia, lotou o largo do Anhangabaú para exigir eleições diretas para Presidente da República, fez passeatas para demitir Fernando Collor e, agora, é muito comum ouvirmos pessoas reclamando de ter que ir votar uma vez a cada dois anos.

Antigamente, podíamos sair na rua sem medo de sermos assaltados. Podíamos deixar nossos filhos brincarem além dos nossos portões. Podíamos confiar mais na palavra do que no papel assinado. Pode ser que sim... Mas pergunto: e a gripe espanhola, quantas pessoas ela matou? A Hanseníase era considerada uma sentança de morte. Tuberculose, Malária e outras mais. Isso tudo sem contar a escravidão, violência política e latifundiária, o racismo muito mais acentuado do que é hoje.

É claro, prezados leitores, que neste momento alguns de vocês estão listando as doenças do novo milênio, como Dengue, Aids e outras mais, além de dizer que ainda há escravidão no mundo e que a PM carioca mata mais que o tráfico. Porém hoje existe defesa. Hoje podemos por a boca no mundo, existe a imprensa que nos ajuda a denunciar, podemos questionar aquilo que não nos agrada. A Dengue mata muito menos que a Tuberculose matava e as fraudes trabalhistas atuais não se comparam com o que os negros sofreram.

Hoje as mulheres entram em depressão pela violência urbana, antes elas entravam em depressão pela violência doméstica. Hoje os jovens se matam por não conseguirem passar de fase no RPG, antes eles se matavam por serem submetidos aos casamentos arranjados. Que diferença faz?

A única diferença que consigo ver é que a violência atual dói mais porque dói agora, mas se os tempos voltassem, em nada melhorariam. A solução está na forma com que se vive a vida e o que se faz para construir um futuro mais justo. Lamentações não edificam.

Chego a conclusão que viver, seja hoje, seja nos anos de 1920 ou na idade média, é a mesma coisa: fácil para alguns e difícil para outros. As dificuldades existem, porém atendem por outros nomes. São dificuldades modernas em vez das medievais.

No futuro, nossos filhos e netos dirão que, no tempo do Lula e do FHC é que era bom... Com base nisso, confio que teremos um 2009 maravilhoso, que somente será superado por 2010, que será melhor ainda. E assim por diante...

Feliz Ano Novo a todos, inclusive ao Lula e ao FHC.

Um comentário:

  1. Feliz ano novo á um homem muito jovem, que é capaz de fazer pensar.
    E cada vez que qualquer ser humano para pensar, ele aprende algo e se torna melhor. Obrigada por contribuir com esse processo. Felicidades para toda familia, nessa nova reciclagem das esperanças!!!

    ResponderExcluir

Para comentar este artigo, escreva seu comentário, assinale a opção "NOME/URL" e clique em "publicar comentário".

SUA OPINIÃO, FAVORÁVEL OU CONTRÁRIA, É FUNDAMENTAL PARA MOTIVAR O BLOGUEIRO. NÃO DEIXE DE ESCREVER!