terça-feira, 3 de novembro de 2009

De vinte em vinte anos



A frase a seguir é do Edgard Scandurra, da banda Ira. Ele disse uma vez que "não se sabe por que, mas de vinte em vinte anos as pessoas descobrem que há vinte anos atrás se fazia uma coisa super legal e tem saudades". Pois então vamos a análise.

Um dia desses, uma fantástica leitora desse blog me enviou um email perguntando o que, na minha opinião, ficaria para a posteridade? O que, no mundo atual se tornaria tradicional e o que se tornaria um clássico? E eu tive alguma dificuldade para responder imediatamente, fiquei pensando uns dias. Acho que hoje conseguirei dar a minha opinião.

Clássico pra mim é o que fica. E como diz o Scandurra, clássico hoje é o que se fazia de legal há vinte anos atrás. Eu, na época, ouvia Ira! Eu curtia o Djalma Jorge Show na rádio Joven Pam, assistia a novela "Que Rei Sou Eu?", ia nos shows de heavy metal no Projeto SP e no Preojeto Leste 1, em São Paulo e, principalmente, tinha o sonho de comprar um Escort conversível equipado com um Rod Star.

E se o Scandurra estiver certo, também serão clássicas algumas coisas de hoje, como o time do Santos de Elano, Diego e Robinho; a sequência de livros do Paulo Coelho, o Honda Civic (um dos carros mais adorados dos brasileiros), o Dan Brown, os Simpsons, os filmes Nacionais (Tropa de Elite, Carandiru, Cidade de Deus); o MSN e Orkut (que praga!); o governo do PT com os 40 ladrões, a febre Evangélica (que converte cada dia mais pessoas usando uma estratégia 100% comercial); etc.

Um outro exemplo de algo clássico nos dias de hoje é a história dos "3 porquinhos", que minha mãe sempre contava. Eu creio que daqui há vinte anos estaremos falando da "Gripe do Porco" e que o Lobo Mau dos anos 2000 tinha medo dos espirros.

Quando o primeiro Ford fizer 100 anos, em 2029, lembraremos desses assuntos ao contarmos histórias aos nossos filhos e netos. Se a banda Ira vai voltar a existir, não sabemos. Mas o certo é que ela continuará um clássico mesmo depois de quase 50 anos, pois marcou uma geração. É só lembrar do que acontecia há 50 anos atrás: Elvis, Creedence, Rolling Stones faziam o tradicional que depois virou clássico. Roberto Carlos era tradicional, hoje é clássico.

E porque as coisas somente viram Clássicas depois de 20 anos, como pergunta o Edgard? Porque clássico é tudo aquilo que resiste ao tempo, no mínimo 20 anos.

2 comentários:

  1. Gostei demais! Vou postar, e te aviso. Obrigadissimo!

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  2. Postei e comentei. Quando puder dê uma olhadinha

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