quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Deixe o tempo passar


Hoje é dia 30 de dezembro e amanhã acaba o ano. É uma excelente época para fazermos uma reflexão simples: COMO O SER HUMANO CONSEGUE SER CONTRADITÓRIO!!!

Vejo pessoas passarem o ano inteiro torcendo para chegar logo o final de semana, já na segunda-feira perguntando quanto tempo falta para a sexta-feira, dizendo que a única coisa boa de uma segunda-feira é que está longe da outra segunda... Essas mesmas pessoas escondem a idade, não gostam de declarar data de nascimento nem no cadastro do dentista, vivem repetindo a frase “isso não é do meu tempo” fingindo não se lembrarem de um passado mais distante, mas continuam torcendo para que a semana passe depressa.

Talvez isso aconteça pelo que Evandro Mesquita cantou em “O romance da universitária otária”, uma música que fez sucesso nos anos de 1980. Num dos trechos, a canção dizia “todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer”. E eu ficava pensando se em nossas vidas não comentemos a mesma contradição. Afinal, queremos aproveitar a vida ou que ela passe logo?

Irracionalmente o ser humano acelera reus relógios durante quase todo o ano e tenta retardá-los agora nessa época. Acredito que, em vez de chegar aos dezembros lamentando-se pelo ano que já acabou as pessoas poderiam chorar menos por terem que trabalhar e aproveitarem mais os momentos de solução.  Se num dia de vento pudéssemos levar as crianças para soltarem pipa, se num dia de chuva mostrássemos a elas o esverdear da grama da praça, quem sabe estas crianças não cresceriam já com outra concepção da vida?

As rugas que ganhamos pela lamentação do passar do tempo certamente são mais profundas do que as rugas próprias do tempo. Porque desejar felicidades somente para o ano novo? Porque não curtir também o ano velho? Então, neste dezembro não se lamente. Termine 2010 com alegria e inicie 2011 com alegria também, pois assim, quando chegar o próximo dezembro, você poderá ter menos rugas com mais histórias para contar. Enfim, deixe o tempo passar...

FELIZ 2010 (hoje e amanhã) E FELIZ 2011 A TODOS OS LEITORES.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Celular, uma praga do mundo moderno


A tecnologia nos ajudou a resolver inúmeros problemas, como a falta de espaço físico para armazenamento de documentos e que hoje são guardados em CDs ou o tempo que se perdia em consultas às bibliotecas e que atualmente são facilmente feitas pelos mecanismos de buscas na internet. Por outro lado, trouxe também diversas doenças corporativas, ou seja, as dependências e vícios dos quais o ser humano é vítima.

Enquanto as crianças deixaram de jogar botão para disputar partidas eletrizantes no Winning Eleven, os profissionais abandonaram os arquivos e livros de ata para operar através dos computadores. O telefone fixo raramente é usado e o rádio ou celular chega quase a substituir o ramal. Mais simples, mais prático e mais rápido, este tem a vantagem de encontrar a pessoa diretamente, sem ter a perda de tempo de passar por uma telefonista que transferiria a ligação, correndo ainda o risco do sujeito não estar na sala.

Acontece que o telefone celular gera alguns efeitos colaterais, como a falta de concentração e privacidade. Atualmente as salas de aula de todos os níveis de instrução mais parecem um Call Center do que um local de estudos. Celulares tocam indiscriminadamente e infeliz do professor que tenta tomar uma atitude contra eles. Outro problema é a inconveniência das câmeras embutidas que fotografam as pessoas em qualquer lugar, inclusive indiscretos. Além disso, a conta do telefone celular para muitos é um grande problema financeiro. As pessoas têm problemas, ficam deprimidas e usam o celular para contarem suas dores aos amigos mais próximos e confidentes, com isso a conta vai crescendo e a depressão também.

Há alguns dias, conversando com um colega de trabalha viciado em celular, fizemos as contas de quanto seria sua economia durante os 5 anos em que trabalhamos juntos se, em vez de gastar cerca de R$ 350,00 de telefone móvel, gastasse apenas os R$ 50,00 normais de um cidadão comum. Chegamos à conclusão que tal economia daria para comprar um Corsa ano 2008. Sabemos que atualmente é impossível para a maioria dos profissionais de ponta não carregarem um telefone a tiracolo, mas a tecno-dependência nos causa mais transtornos do que vantagens.

Sendo assim, precisamos assumir o papel de DONOS dos nossos equipamentos e não o de DOMINADOS por eles. Devemos usar a tecnologia para nos ajudar sem termos que pagar o preço da dependência obsessiva. Caso contrário, em mais alguns anos, faremos vir à realidade a previsão do antigo escritor tcheco, Karel Capek, que escreveu na década de 20 a peça "Rossum´s Universal Robots", onde cientistas criavam robôs escravos que no final da estória se voltavam contra seus criadores e dominavam o mundo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Amigo Oculto


- O meu amigo secreto… tem dois olhos… uma boca… é um cara muito legal… etc… Geralmente é assim a entrega do presente do amigo secreto. E isso acaba se tornando meio chato, né? Mas se é chato, então porque nunca falta o amigo secreto nas festas de final de ano das empresas?

O Amigo Secreto surgiu no final dos anos 60 como uma alternativa ao presente de Natal. Naquela época era comum pessoas trabalharem numa mesma empresa durante 30 anos e consequentemente comum terem no trabalho amigos tão bons quanto um irmão. Isso os fazia sentir vontade de presenteá-los no Natal, porém se presenteasse um, ficaria muito chato não presentear o outro.

Assim alguém inventou o Amigo Secreto, Amigo Oculto ou Amigo Invisível. Daí pra frente o mundo mudou, as pessoas passaram a serem mais competitivas em busca de ascensão e isso criou muitas rivalidades a ponto de existirem muitos "inimigos secretos" trabalhando juntos. Aí alguém inventou a "cara de pau"... Também surgiram outros problemas, como o fato de gostar ou não do presente que ganhou, de achar que deu um presente mais caro do que o que recebeu, etc. Então surgiram as brincadeiras combinadas, onde estipula-se o valor mínimo e máximo dos presentes, se é CD, chocolate ou afins.

Vou sugerir algumas coisas:
  • Amigo Secreto em empresa pequena fica bom se todos participam pois todos se conhecem, mas em empresas grandes, com mais de uma sede, faz com que os presentes sejam menos significativos, pois as pessoas não se conhecem. Nesse caso é melhor fazer entre os departamentos.
  • Uma inovação é o amigo secreto indefinido. Todos os homens compram presentes para homens. Todas as mulheres trazem um presente para mulheres. No sorteio, alguém fica responsável por escrever o nome dos homens num papel azul e das mulheres num papel rosa. Coloca-se dentro do mesmo saco. Quando os convidados chegam (eles ainda não sabem quem será o seu amigo sorteado) eles colocam os presentes em lugares separados (à esquerda os masculinos e à direita os femininos). No sorteio (que é feito no mesmo momento da entrega) quem pegar um azul, antes de abrir e saber quem será o seu amigo, pega aleatoriamente um presente masculino (que não pode ser o seu) e só então abre o papel para poder anunciar. Quem pegar um rosa já sabe que o presente será para mulher, então vai no monte feminino buscar o presente. Dessa forma o presente que você deu, será um presente seu para a equipe e o presente que você recebeu também será da equipe para você. E mesmo que alguém reclame do que ganhou, não saberá quem deu.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Confraternização de final de Ano


Normalmente no final do ano as empresas premiam os seus funcionários e colaboradores com um evento de confraternização. As vezes um churrasco, outras um jantar, uma festa. Sempre também está incluso o amigo secreto. E eu acho ótimo que isso aconteça, afinal pessoas trabalham juntas o ano todo cumprindo suas obrigações e é natural que no final do ano se reúnam para umas boas gargalhadas.

Claro que é muito importante que elas entendam que continuam sendo profissionais naquele momento e que devem se comportar com mais alegria, porém com muito juízo durante as comemorações, pois eu já vi gente ser demitida no dia seguinte a festa devido ao comportamento durante o evento. Acontece que nesses lugares sempre há bebida alcoólica, o que é bem razoável considerando nossa cultura. E onde há bebida alcoólica há também o exagerado. E aí você já sabe… A maioria das empresas reserva um sábado ou domingo do mês de Dezembro e reúne o pessoal numa chácara com um belo churrasco. Lá encontraremos alguns personagens típicos:

1 - Os atletas. Eles passam o domingo todo correndo e a segunda-feira toda reclamando de dores.
2 - Os gulosos ao lado da mesa de comida e os beberrões ao lado do barril de choop.
3 - Os isolados, num canto sozinhos e os que dão só uma "passadinha".
4 - Os amantes da natureza que ficarão passeando e olhando as árvores.
5 - Os comunicativos, que batem papo com todo mundo.

Seja qual for o seu perfil, a sugestão é que os profissionais aproveitem o dia e se divirtam, mas que tenham moderação. Evitem exageros principalmente com as bebidas e aos que levam acompanhantes, que os oriente a também se comportarem. É importante dizer que tanto a simpatia quanto os exageros de seu acompanhante serão creditados para o profissional que o levou.

Para o empresário, sugiro que não espere nenhum retorno com tais eventos, pois poucos se lembrarão disso. Provavelmente no dia seguinte a festa haverá alguns comentários negativos que te farão prometer nunca mais fazer uma dessas. Alguém dirá que a carne estava ruim ou que a chácara não era boa. Mesmo assim, no ano que vem você, munido do seu espírito natalino pensará: esses que aí estão não tem nada a ver com os que estavam no ano passado e fará uma nova festa.

Ah, mais duas dicas:
1 - Empresário, estimule o amigo secreto.
2 - Empregado, nunca falte a uma festa dessas. Entenda que muitas empresas se esforçam para fazer o melhor, inclusive pagando caro por alugueis (em um mês inflacionado, que é Dezembro) de espaços para isso. Além do mais preparam comida e bebida suficiente para todos que prometeram ir. Se você não vai, sobra comida. Certamente em algum momento do ano você irá reclamar que a empresa não se preocupa com o bem estar dos funcionários.

Boas Festas!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O que você faria se...?


O que você faria se voltasse no tempo? O que você faria se novamente pudesse escolher que curso vai fazer na faculdade? O que você faria se hoje fosse o seu primeiro dia de trabalho? O que você, que está casado, faria de estivesse no início do namoro? Você faria algo diferente ou manteria as mesmas escolhas?

A personagem Carolina, do filme “A Dona da História”, de Daniel Filho, vive essa oportunidade. Carolina (Marieta Severo), aos 55 anos de idade, começa a questionar seu casamento e todos os sonhos que tinha na juventude. Como num passe de mágica, ela (agora vivido por Débora Falabella) volta aos 18 anos e tem a possibilidade de tomar decisões que foram cruciais em sua vida, como ter se casado com aquele marido, ter aproveitado certas oportunidades e aberto mão de tantas outras.

O fato é que o arrependimento faz parte de nossa vida. Até mesmo quem nunca escolhe nenhum caminho, um dia poderá se arrepender de não ter escolhido. Arrepender-se significa ter aprendido alguma coisa, mas não necessariamente quer dizer que a melhor opção seria outra. Há casos, como no filme, que tendo vivido diversas possibilidades, Carolina conclui que escolheu o que deveria ter escolhido e que era sim uma pessoa feliz.

Muitos falam diariamente que não deveria ter escolhido a carreira de “X”, mas sim a “Y”; não deveria ter optado por se casar com o jovem charmoso e pobre, mas sim com o nerd de família rica; não deveria ter permanecido morando com a família, mas sim ter ido embora para Londres quando os amigos foram tentar a vida no exterior. Porém, se estas pessoas tivessem feito tudo isso, hoje poderiam estar a reclamar também: “eu deveria ter escolhido algo mais rentável para trabalhar, eu deveria ter casado com a pessoa que eu amava, eu deveria ter ficado em meu país”.

Enfim, meu artigo não sugere nenhum conformismo, mas sim a reflexão de que a vida é feita de decisões e que todas as escolhas que fazemos tem preços e recompensas. Nós é que temos o hábito de somente darmos conta dos preços que pagamos, como se as recompensas já fossem mesmo fazer parte de nossos destinos. Procure viver o melhor da vida com as decisões que você tomou. Se acreditar que pode fazer algo diferente, faça... afinal nunca é tarde para começar uma carreira, um casamento, um sonho.

Melhor que começar algo novo, é RE-começar. Isso significa que também é possível renovar-se na mesma profissão, no mesmo casamento ou nos antigos sonhos. Isso porque o erro pode não ter sido na escolha e sim na condução das coisas escolhidas. Se a conclusão for esta, comece outra vez, fazendo agora da maneira certa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ponto de Vista


Uma vez ouvi alguém dizer que uma folha de papel, por mais fina que seja, ela sempre tem dois lados. Isso foi dito para mostrar que sempre há mais de mais versão para os fatos ou mesmo mais de um ponto de vista para o que é certo e o que é errado.
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Lembro-me de uma vez quando ouvi um profissional experiente de minha empresa aconselhando outro mais jovem a se afastar de determinada pessoa, dizendo:

- Aquela pessoa não é honesta, não se misture com ela...

A resposta do novato veio imediatamente e sem titubear:

- Ela pode não ser honesta para você, mas nunca tratou mal... sempre me respeitou.

O mais velho pensou, olhou e perguntou:

- Para você, o que é respeito?

Encabulado, o jovem respondeu sem muita certeza:

- Ah, sei lá, é quando a pessoa te trata bem, é educada... não sei dizer ao certo.

Já prevendo que a resposta seria essa, o experiente expôs o seu ponto de vista:

- A minha concepção de respeito não é o tratamento com simpatia, mas sim com justiça. Uma pessoa que te respeita não mente para você, não te engana, não te passa pra trás. Ao meu ver, me respeita muito mais alguém que se esquece de pedir por favor mas faz o que prometeu fazer, do que aquele outro muito amável, mas que eu não posso contar com sua palavra.
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As pessoas têm concepções diferentes do que é RESPEITO, EDUCAÇÃO, ALEGRIA, FELICIDADE, SORTE, AMOR, SUCESSO, etc. O que pretendo expor com esse breve artigo é que a definição do “bom ou ruim” se dá a partir do ponto de vista de cada um.

OLHAR NO OLHO: Meu pai sempre pedia que eu olhasse em seus olhos enquanto ele falava, mas na escola eu tinha um colega japonês que quando tomava bronca do pai tinha que olhar para o chão. Isso acontece porque na cultura japonesa, olhar para os olhos de uma pessoa mais velha significa que se está desmerecendo sua autoridade.

DIRIGIR BEM: Para alguns, bom motorista é o que nunca bateu, nunca foi multado, anda dentro do limite de volocidade permitido na via. Para outros, dirigir bem é saber fazer o transito fluir, utilizar a sua própria faixa de rodagem e ter visão defensiva. Tive uma vizinha que se orgulhava dizendo que possuia habilitação há 30 anos e nunca havia se envolvido em acidente. Ao ouvir isso, seu marido cochichava que nesses 30 anos de habilitação ela deveria ter saído com o carro, no máximo umas 30 vezes, por isso nunca havia tido chance de bater.

Enfim, tudo é uma questão de ponto de vista e para que não haja conflitos é preciso que cada um, embora tenha o seu, respeite o do outro.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O poder da PNL


Programação Neuro Lingüística (ou PNL) é um estudo que se baseia nas mensagens que o ser humano passa a si mesmo, programando o seu próprio cérebro para que este trabalhe inconscientemente em busca de resultados que se objetiva conscientemente. Perece complicado, mas não é tanto. Nas próximas linhas eu tentarei expor o que conheço disso.

Imaginemos que nosso cérebro é um computador que comanda todo o nosso corpo. Ele é responsável por nos fazer andar, respirar, comer, rir, chorar, etc. Ele também é responsável pelos nossos sentimentos, que geram todo o nosso comportamento e, conseqüentemente nossos resultados. Como todo computador, é um hardwere e sai da fábrica com sua capacidade de executar comandos, mas não funciona se não tiver um softwere que dê os tais comandos. Nosso cérebro nasce sem nenhuma crença, verdade ou paradigma previamente instalado.

Ao longo do tempo, principalmente em nossa infância, o cérebro vai sendo programado linguisticamente, através de tudo aquilo que a gente escuta, vê, sente ou testemunha. Então quando somos criança, presenciamos coisas que nos geram sentimentos, alguns positivos e outros negativos. Esses sentimentos nos causam uma programação (trauma), que pode ser um estímulo a diversos comportamentos diferentes que levaremos por toda a nossa vida, ou ao menos por parte dela. Esses comportamentos são seguidos por nosso cérebro simplesmente porque ele entende que todas as vezes que se deparar com situações parecidas com aquela deve agir daquela forma (sistema 0 e 1).

Sair desse paradigma é importante para poder traçar os rumos que verdadeiramente quer na sua vida. Se quando você era criança, a sua mãe dizia que não era pra você conversar com estranhos, isso pode ter sido a causa de sua timidez, porque o comportamento de criança ordenado pela mãe permanece como verdade até hoje na idade adulta. Mas a boa notícia é que se o cérebro foi programado linguisticamente, ele pode ser RE-programado linguisticamente. Então ao invés de enviar a ti mesmo mensagens negativas e desanimadores, você pode escolher enviar mensagens positivas e animadoras.

A comunicação de você pra você mesmo, programa teu cérebro. Tudo que você ordenar ao cérebro ele vai transmitir ao resto do seu corpo. Então se você disser que vai tentar passar no vestibular, o cérebro (obediente que é) vai realmente TENTAR e mesmo que você não passar no vestibular, terá a sensação de missão cumprida, pois tentou. Por outro lado, se você disser que vai fazer alguma coisa, terá muito mais chances de fazer, pois trabalhará internamente pelo seu objetivo. Se acorda de manhã e já solta um palavrão por ter que ir trabalhar, o seu dia de trabalho será parecido com aquele palavrão. Se acorda e pensa que hoje vai fazer tudo dar certo, provavelmente conseguirá produzir bastante e isso te deixará feliz.

Não precisa acordar cantando e nem recitando um poema de Cora Coralina, apenas precisa mandar uma mensagem verdadeira dizendo que o seu dia será bom. Afinal, resolver suas pendências e conquistar seus objetivos farão com que você se sinta bem, não é? Então se reprograme, neurolinguisticamente.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Será que a Bruxa está à solta?


Não sei se é coincidência, mas de uns meses pra cá, alguns amigos meus têm vivido situações complicadas e com um ponto em comum: de uma hora para outra perderam renda. Um deles, hoje, me perguntou o que fazer depois de viver um terremoto em sua vida. Sinceramente, não acredito que haja de verdade um terremoto na vida de nenhum deles e mesmo que houvesse, também não sei se eu saberia a resposta, embora eu considere que muitos terremotos já me aconteceram, mas lembrei de uma situação que me foi contada num destes momentos difíceis.

Corre uma história que em 1775 a cidade de Lisboa sofreu com um grande terremoto. O rei, Dom José perguntou ao General Pedro D’Almeida, Marquês de Alorna, o que se havia de fazer. Ele respondeu ao rei: “Enterrar os mortos, Cuidar dos vivos e Fechar os portos”. Baseado nesta narrativa, eu acredito que possa dar alguma luz aos “lisboetas daqui”. Creio que devem começar por “Enterrar os mortos, Cuidar dos vivos e Fechar os portos”.

Imaginem que “os mortos” sejam as perdas acontecidas, que cuidar dos vivos seja manter a mesma motivação para fazer as outras e fechar os portos, as suas atitudes posteriores visando não gerar os mesmos problemas. Uma crise profissional trás preocupação e pode ser um efeito a desencadear uma série de outras conseqüências. Se juntarmos a isso um pouquinho de ansiedade e a mania que a maioria das pessoas têm de prever tudo na pior das possibilidades, aí poderemos contar várias noites em claro, alguns problemas de saúde e, em decorrência disso, atitudes defensivas, a perda da pegada e o abatimento.

Com o tempo o cidadão abaixa a guarda e passa a ter resultados piores a cada dia. A maioria das pessoas com problemas perdem mais tempo lamentando-se pelas perdas do que cuidando de fortalecerem-se para poderem recuperar o prejuízo. Frases como “a bruxa está à solta” são comuns. Precisamos então, enterrar o passado ruim, cuidar do presente para dar conta do recado e fechar os portos para não permitir que pensamentos negativos atraquem novamente.

Se tiver aliados com quem contar, valorizar a parceria é muito importante, pois ser orgulhoso nesta hora de nada resolve. Ser decididamente honesto, preservar sua honra, abrir a cabeça e saber aproveitar as oportunidades também é fundamental. Em momentos de crise, agir como sempre agimos tem menores chances de dar resultado do que agir de forma surpreendente. Como ouvi uma vez, "em momentos de crise, quando todos estão chorando, alguém sempre resolve vender lenços".

E você, vai continuar dando ibope para a bruxa?

domingo, 21 de novembro de 2010

Como aprender inglês

Publicado inicialmente em 04/04/2006 em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/2006/04/04/como-aprender-ingles/

Como todos sabem a cada dia mais pessoas se conscientizam da necessidade de aprender um segundo idioma. Evidentemente o idioma inglês é o mais procurado, considerando ser uma linguagem universal. Em qualquer lugar do mundo podemos encontrar alguém que se comunica em inglês, por isso este passa a ser o idioma mais importante. No Brasil, percebemos que de alguns anos pra cá essa procura aumentou. Talvez seja por uma necessidade mais evidente, já que hoje há mais empresas multinacionais no país do que há 20 anos. Além disso, na década de 80 e também no início da década de 90, havia poucas pessoas trabalhando com o uso do inglês.

Naquela época o alvo das poucas escolas (comparando com o número de escolas que temos hoje no mercado) eram os adolescentes, de classe média alta, que se tornavam alunos de um curso por influência dos pais. Muitas vezes o faziam buscando status, já que estudar inglês era algo que poucos praticavam. Havia também aqueles que buscavam um curso para os filhos com a finalidade de ajudá-los na escola, viajar futuramente para o exterior ou ainda dar atividades ao mesmo. Com a globalização da economia, cada vez mais o trabalhador brasileiro precisa se comunicar com as suas matrizes ou com seus parceiros no exterior.

Além disso, com a abertura das importações no início dos anos 90 o idioma inglês foi se tornando fundamental na bagagem de qualquer pessoa mais ambiciosa profissionalmente. Tivemos a invasão dos eletrônicos, da informática, que foram mais alguns fatores a incentivar o uso da língua e com isso o perfil do interessado em aprender inglês foi mudando. Hoje, dominar o idioma inglês é muito mais urgente para alguém que já está no mercado de trabalho do que para a garotada que ainda tem tempo pela frente. Este, se não aprender corre o risco de ficar estagnado na profissão, quando não de perder seu emprego. Então além do adolescente, o adulto também se tornou um estudante.

Acontece que a maioria dos cursos de inglês existentes no mercado mantém as mesmas metodologias de antigamente. Longas, cansativas e voltadas para o interesse dos adolescentes, que tem tempo disponível para isso. Por mais que se anuncie cursos para adultos, isso no máximo significa que são turmas só de adultos. Mas na realidade, o método, o livro, o assunto continuam os mesmos. As poucas instituições que perceberam isso estão à frente do mercado.

Hoje o que um profissional realmente precisa é algo além da matéria. Ele precisa ganhar tempo. Quanto mais rápido desenvolver uma língua, mais rápido vai poder usá-la e fazer seu investimento no curso ter retorno. Precisa de assuntos interessantes, já que se um adulto faz um curso que foi desenhado para as crianças, as histórias do material usado não vão atrair sua atenção. Esses e outros fatores geram a desistência e consequentemente a frustração que é um dos principais fatores que inibem uma pessoa de procurar uma instituição de ensino de inglês.

Então, algumas pessoas que falam que não gostam do inglês, na verdade não é do inglês que elas não gostam. Acontece que toda vez que se pensa em "estudar inglês", nem sempre entende "aprender inglês". Essas pessoas já estão frustradas com as tentativas em métodos não adequados. Elas passam a desenvolver então varias teorias, como aquela de que “não se aprende inglês no Brasil”, que “o inglês daqui é diferente do inglês de lá”, ou de que um cidadão tem “dificuldade em aprender um idioma”. Nada disso procede. Essas pessoas desenvolveram bloqueios, mas que podem ser vencidos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Qual o momento de pedir demissão?


Recebi de um amigo, por e-mail, essa indagação. E certamente ela é comum a muitas pessoas, que vivem pensando qual seria o melhor momento para pedirem demissão. Os motivos são os mais variados, desde estar com o saco cheio e não agüentar mais o chefe até ter encontrado outro trabalho melhor, com melhores salários, oportunidades, etc.

Diferentemente do que acontecia na geração passada, mudar de emprego hoje é algo comum. As pessoas passam dois ou três anos apenas na mesma empresa e criaram uma capacidade maior de adaptarem-se as diferenças culturais de cada ambiente. Com isso, muitos passaram a pedir as contas no primeiro indício de indisposição. Uma briga com a secretária do terceiro andar já é motivo para mandar curriculuns para todos os amigos. Cadastro no CATHO, no “Emprega Campinas”, inscrição em tudo quanto é concurso público e “vamos mudar de ares”... é o que pensamos.

Então, motivos para ir embora nós sempre teremos. O momento de fazê-lo, aí depende de cada um... eu digo: quando brigou feio com o chefe, quando está cansado da mesmice, quando acha que é mal remunerado, quando está deprimido ou magoado com algum acontecimento... Também é hora de pedir demissão quando percebe que não é tão bem quisto no grupo.

Mas... se a pergunta for “qual é o MELHOR momento de pedir demissão?” aí eu digo que é quando encontrar um outro trabalho melhor do que o atual. Se ainda não tem um trabalho MELHOR, precisa ter ao menos um igual. Se não tem nada, então talvez devesse manter-se empregado e já começar a “costurar um novo planejamento” para o futuro.

Enfim, pelas estatísticas, sempre que as pessoas pedem demissão, elas sentem-se imediatamente mais felizes e aliviadas. Mas quando elas fazem isso tendo outra oportunidade de trabalho encaminhada, a felicidade geralmente é mais duradoura.

Link similar, neste blog: http://cronicascorporativas.blogspot.com/2010/08/que-talento-eu-tenho.html

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quer trabalhar para mim?



Ao longo de "todos esses anos nessa indústria vital"... (perdoem-me meus leitores, mas não resisti a chance de escrever uma célebre frase de um dos episódios mais conhecidos do Pica-Pau) ...tive a chance de ouvir muitos jargões que se perpetuaram anos após anos pela boca de milhares de profissionais. Nesse artigo, eu gostaria de citar um deles que, na minha modesta visão, não faz o menor sentido. Pior do que não fazer sentido, é que baseado na ciência da neurolingüística, ele desmotiva o profissional.

Muitas ofertas de emprego são feitas com essa frase. Lembro-me de uma vez, quando eu era gerente comercial de uma unidade da empresa no bairro do Brooklin, em São Paulo, que recebi uma ligação telefônica de um concorrente ao qual eu havia conhecido em uma feira algumas semanas antes. A conversa fluía nas tradicionais cordialidades quando surgiu o já esperado flerte, porém com a seguinte expressão: - Aguinaldo, quer trabalhar pra mim???

Aquilo que poderia ser um estímulo ou uma oportunidade, pelas palavras do meu interlocutor soou como uma ofensa. Afinal, profissionalmente eu só trabalho para mim... Eu acordo de manhã e o que me motiva a trabalhar são os meus objetivos e não os do meu patrão. O que me faz buscar um resultado a mais é o meu bem estar e não o do dono da empresa. É claro que meu instinto de equipe me faz trabalhar por todos, mas racionalmente o que me fez sair de casa num determinado dia para procurar emprego foi o meu futuro profissional e não o de mais ninguém.

É importante dizer que quem trabalha pelo coletivo está mais próximo do sucesso do que aquele que é interesseiro ou individualista. Mas trabalhar para os outros é diferente de trabalhar pelos outros. Um escravo trabalha para o outro, um voluntário trabalha pelo outro. Portanto, se quer motivar seu funcionário, dê a ele motivos que possam ser dele também, como a boa evolução da empresa e a oportunidade ou estabilidade que isso vai gerar.

Quando há 9 anos eu resolvi empreender e virei dono do meu próprio negócio, vim com essa mesma certeza: “Ninguém vai trabalhar para mim”. Ou seja, as pessoas podem trabalhar na minha empresa, mas jamais para mim. As pessoas fazem as tarefas que eu oriento, se envolvem pelas minhas emoções, seguem minhas coordenadas por diversos motivos (interesses de ascensão, carreira, remuneração, estabilidade, reconhecimento, etc.), desde que esses motivos sejam de interesse comum. A mim cabe conscientizá-los, cobrá-los e motivá-los.

Em outras palavras, cada profissional trabalha para si mesmo, ainda que na empresa do outro. Nunca vi ninguém (a não ser o personagem Waylon Smithers, de Os Simpsons) acordar de manhã e pensar: - hoje eu vou fazer o meu patrão feliz!!! É mais razoável que alguém pense: - Vou fazer meu patrão ficar feliz com meu trabalho para que eu possa ser, de alguma maneira, reconhecido.

Enfim, faça sempre de uma maneira que a sua equipe sempre tenha vantagens nos processos. Assim eles se sentirão donos e trabalharão como donos. E essa é a maior motivação.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Evite dar o silêncio como resposta


Certamente escrever neste blog só é possível por eu estar diariamente dentro de um ambiente corporativo. Nenhum livro nos faria aprender mais do que a empresa, o que não diminui a importância dos livros. Mas o fato é que não adianta sabermos as teorias da administração e de pessoal se nunca tivermos vivido situações onde possamos aplicá-las.

Um caso interessante que vivi na prática foi quando fiz parte de um comitê deliberativo que cuidava de uma determinada competição entre os funcionários da empresa. Esta competição acontecia semestralmente e dava prêmios valiosos, inclusive chegou a dar mais de uma vez um automóvel para o primeiro lugar. Desta maneira, ininterruptamente recebíamos e-mails onde participantes reclamavam da pontuação, outros questionavam as regras, mais alguns pediam que fossem abertas considerações para seus casos que eram diferentes e por aí vai.

Muitos questionamentos faziam sentido e o comitê deliberava. Porém, de vez em quando aparecia alguma pergunta boba, uma reivindicação sem sentido ou mesmo aquelas perguntinhas capiciosas que tinham como única intenção desbancar quem tem que responder. Para essas casos, não era incomum alguém do comitê levantar a hipótese de simplesmente não responder. Num desses casos me lembrei da seguinte fábula, que sinceramente não sei mais onde lí.

“Conta-se que certa feita um jovem maldoso e inconseqüente resolveu pregar uma peça em um idoso e experiente mestre, famoso por sua sabedoria.
- Quero ver se esse velho é realmente sábio, como dizem - pensou - Vou esconder um passarinho em minhas mãos. Depois, em presença de seus discípulos, vou perguntar-lhe se está vivo ou morto. Se ele disser que está vivo, eu o esmagarei e o apresentarei morto. Se ele falar que está morto eu abrirei a mão e o pássaro voará.
Realmente, uma armadilha infalível, como só a maldade pode conceber. Aos olhos de quem presenciasse o encontro, qualquer que fosse a sua resposta, o sábio estaria incorrendo em erro. E lá se foi o jovem mal-intencionado com sua armadilha perfeita. Diante do ancião acompanhado dos aprendizes, fez a pergunta fatal:
-Mestre, este passarinho que tenho preso em minhas mãos, está vivo ou morto?
O sábio olhou bem fundo em seus olhos, como se examinasse os recônditos de sua alma, e respondeu:
-Meu filho, o destino desse pássaro está em suas mãos."

Essa situação é um bom exemplo de união entre prática e teoria. A partir daí nenhuma pergunta ficou sem resposta, por mais boba que fosse. Quando recebíamos como consultas as "pegadinhas" ou colocações mal intencionadas, as respostas eram feitas conforme bula de remédio, ou seja, explicando tim tim por tim tim cada situação. Depois de um tempo, somente recebíamos questionamentos plausíveis.

Enfim, o silêncio nunca é uma boa resposta, porque permite ao outro lado interpretar da forma com que quiser, o que sempre gera polêmicas.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ninguém fica rico sem correr risco.


Não é a toa que as palavras são parecidas. Mas também não estou dizendo que todo mundo que corre risco terá o sucesso garantido. Para explicar melhor, quero falar sobre os dois fatores que nos fazem agir: São eles a vontade de ganhar e o medo de perder.

Para entenderem melhor, comparem uma corrida de cães com uma corrida de cavalos. Quais os motivos que fazem esses animais correrem? Certamente nenhum deles aposta corrida por vontade própria, por competitividade. Muito pelo contrário, eu diria que eles nem tem consciência de que estão competindo. Na verdade o cavalo corre estimulado pelo chicote e o cachorro corre estimulado pelo coelho mecânico.

Numa corrida de cães, o artifício é usar um coelho mecânico que dispara preso a um mecanismo móvel na grade interior e os cães correm buscando simplesmente pegar o coelho. Isso significa que o cachorro corre pela farra, buscando o prazer. Já numa corrida de cavalos, o jóquei dá algumas chicotadas no traseiro do cavalo, que simplesmente corre para fugir da dor que está sentindo, já que nem imagina que o autor das chicotadas é o ser que o monta.

Os seres humanos, às vezes são como os cavalos, outras vezes são como os cães. Há casos onde age na defensiva, sempre para preservar o que já tem, não arrisca, não muda de emprego, tem medo de investir num negócio novo e é altamente conservador (preocupa-se em conservar o que possui). Outros vivem em busca de uma melhor qualidade de vida, querem crescer, ganhar mais, desejam adquirir bens e formarem seus patrimônios.

E não dá pra crescer na vida sem correr riscos? A resposta é NÃO!!! Afinal, quem não arrisca não petisca. O prazer da vida é proporcional ao risco que se corre. Assim como o ratinho, que precisa arriscar a vida para sair da toca e buscar comida, o homem também precisa arriscar alguma coisa para conquistar outra. Para entendermos melhor, vamos comparar os personagens a seguir.

Maria trabalha no caixa de uma loja de móveis, ganha salário fixo e vai ao trabalho de ônibus. Jorge é vendedor desta mesma loja, ganha salário fixo e comissão sobre as vendas e vai ao trabalho com seu carro popular. Lucia é a dona do comércio, recebe pelo lucro que a loja dá e vai ao trabalho diariamente com seu automóvel de luxo. Se perguntarmos a um jovem qual dos três personagens ele quer ser, certamente quer ser o dono da Loja e andar no carro luxuoso. É claro, pois se tudo andar bem e a loja vender muito, Maria receberá no final do mês um salário fixo, José receberá um pequeno fixo e uma comissão bem gorda por conta das vendas e Lucia arcará com seus compromissos de empresária, pagando os salários de Maria, a comissão de José e ainda sobrará bastante dinheiro, o que aumentará seu patrimônio, tendo em vista o crescimento de sua empresa.

Mas se o mês seguinte for ruim, Maria continuará com o seu mesmo salário fixo; José receberá mal e quase não terá comissão; e Lucia terá um leve prejuízo, pois independente do mês ruim ela precisará manter sua estrutura, pagar os fornecedores e os salários de Maria e José. Caso a empresa continue vendendo mal e venha a falir, Maria e José deixam de ganhar, pois ficarão desempregados. Lucia, além de desempregada, precisará arcar com o prejuízo do negócio, incluindo as rescisões dos funcionários Maria e José.

E agora, quem deles você quer ser? Dei os exemplos acima para mostrar que Lucia assume riscos todos os dias para poder ter uma melhor qualidade de vida e quem quer ficar rico precisa assumir riscos. José assume riscos menores, pois seu fixo é pequeno e se não vender pode se complicar um pouco, mas não gravemente. Já Maria pouco se preocupa com isso, exceto com o fato de ficar desempregada.

Se José tivesse a chance de abrir sua própria loja de móveis, ele o faria? Se pensar em procurar prazer, em vencer, ficar rico e melhorar de vida, ele arriscaria suas economias e seu emprego e tentaria a vida de empresário. Se pensar que pode ficar sem o emprego, sem suas economias e ainda com algumas dívidas, certamente fugiria desta possibilidade de dor e se manteria como funcionário com sonhos limitados. Então quanto mais risco corre, maiores são as chances de enriquecer.

No entanto é importante dizer que esses riscos devem ser dentro da sua capacidade. Um jovem de classe média não deve assumir todo o patrimônio de sua família num negócio sem planejamento, pois se der errado não haverá plano B. Assuma riscos calculados, dentro de sua capacidade de arcar com as conseqüências. Trabalhe sempre procurando prazer e nunca fugindo da dor. Não seja inconseqüente, mas não vá viver uma “Vida Maria”. Na escada da vida, o que importa é subir os degraus, pois se trata uma escada sem fim. Mais importante do que chegar é continuar subindo. Se é assim, apenas procure caminhar sempre e em direção ao que pode melhorar a sociedade.

sábado, 23 de outubro de 2010

Gerenciamento de Crises

Quando tudo anda bem, é fácil ser líder. A complicação vem quando por algum motivo sua equipe não deslancha. E aí, como é que se lidera?

A falta de uma resposta lógica para essa pergunta é o grande trauma do mercado de relações humanas, pois há muitos profissionais competentes que, acostumados a lidarem com papeis, máquinas ou dados, tem dificuldades quando passam a tratar com pessoas. Outros profissionais, como por exemplo, os de vendas, que trabalham com gente o dia todo, complicam-se quando passam a se relacionar com pessoas comandadas por ele.

Na maioria das vezes a área financeira quer implantar um sistema de redução de custos, cortando alguns luxos que os funcionários têm, quando então a área de TH (talentos humanos) argumenta que isso poderia abalar o desenvolvimento do grupo e seus resultados. O financeiro é um cara lógico, que usa a razão, enquanto o TH trabalha baseado na emoção. O diretor financeiro, em determinado momento perguntará: “será que o funcionário não pode apenas vir para a empresa e trabalhar, do jeito que foi combinado na contratação? Por qual motivo ele resolve complicar?

Se fizermos um estudo mais completo, vamos concluir que não é que ele resolve complicar as coisas, apenas não tem a habilidade de descomplicar. Um recado mal dado, uma situação mal explicada, uma fofoca qualquer, pode ser responsável por revoltar um grupo inteiro – às vezes sem nenhuma razão.

A melhor maneira de se gerenciar uma crise é com jogo aberto. Bater um papo com todos, frente a frente, fazer sua equipe notar que ali se joga às claras é um remédio normalmente eficaz e pode ser usado quando há um clima diferente. Para prevenir, a política do “jogo aberto” pode ser usada continuamente. Estimular o companheirismo e parceria também tem efeitos positivos desde que não vire corporativismo. Se a crise já está instalada, vale observar se existe um mal intencionado na equipe incendiando o problema.

Áreas industriais, ainda é possível que tenham alguma facilidade de trabalhar baseado nos preceitos de Taylor e Faiol, onde o que importa é a tarefa. Mas quando o produto é o ser humano, fica quase impossível ser assim. O profissional desmotivado é pior do que burro quando empaca, pois ele não anda e (pior ainda) esburaca a estrada para que ninguém ande também. Não se deve dar mole para os preguiçosos armarem suas redes, mas também não se pode ter o hábito de liderar visando apenas o benefício próprio. O crescimento profissional e humano da equipe é um elixir que ressuscita qualquer empresa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Burocratizando uma empresa familiar


Imagine uma loja de materiais para construção nascida de dois irmãos que começaram vendendo parafusos e pequenas ferragens, mas que depois de um tempo passaram a ter em seu estabelecimento também ferramentas, tubulações, pisos, azulejos, tintas e tudo mais que se oferece nesse tipo de comércio. No início, um dos irmãos ficava no balcão da loja atendendo ao público enquanto o outro ficava no pátio comandando as entregas. Suas esposas eram responsáveis pelo caixa, pelo cafezinho e até por ajudar no balcão.

Depois de um tempo o movimento aumentou e precisaram comprar mais um caminhão e contratar mais alguns funcionários. Foi justamente nesse momento que perceberam que os negócios não iam tão bem, pois somente o carisma dos donos não mantinha a empresa lucrativa. Passaram a ter muitas reclamações de entregas erradas e notavam que havia materiais danificados no depósito. Além disso, os funcionários reclamavam horas extras que não eram pagas e a conta telefônica começou a crescer descontroladamente. Na situação em que estavam, em pouco tempo e empresa deixaria de ser viável.

Foi então que um dos donos fez um curso rápido de administração de pequenas empresas patrocinado pela prefeitura da cidade e o SEBRAE, que ministrou o curso, falou sobre profissionalização de empresas familiares. Ele voltou com muitas ideias novas, mas o sócio, que era mais comunicativo e prático, não gostou muito, pois acreditava que perderiam a sua principal característica positiva (a empatia). Diante da insistência do outro, concordou e tudo deu tão certo que quanto mais a empresa crescia, mais se estabelecia regras.

Como contrataram mais pessoas, passaram a registrar as tarefas e implantaram “normas e procedimentos”. Tinham controle de tudo, registro de clientes, nota fiscal eletrônica, entrega no pacote diante de ticket carimbado pelo caixa e quando e entrega era à domicílio o motorista deveria trazer de volta um termo assinado pelo cliente. Abastecer o caminhão somente no posto conveniado e diante de requisição. Tudo dava tão certo que em 10 anos abriram mais 5 lojas. Isso também fez donos não mais terem contato com os clientes. Agora eles trabalhavam dos escritórios no andar de cima e qualquer pessoa que quisesse falar com a diretoria deveria passar antes pela secretária e agendar horário. Se um cliente reclamasse de algo o funcionário ouvinte deveria abrir um chamado na ouvidoria e um outro seria responsável por resolver.

Ninguém esperava, mas como dizem, “coçar e complicar é só começar” e parece que burocratizar também. A burocracia passou a gerar alguns problemas, como rotatividade de pessoal, perda de clientes, revoltas por não se conseguir tratar dos assuntos com quem realmente resolve e por aí vai. Mas quanto mais problemas surgiam, mais burocracia era implantada para tentar resolver. Criaram até uma cartilha de vendas e nada poderia ser feito como exceção. Implantaram também um serviço de auditoria e passaram a ouvir reclamações através de um “zero-oitocentos”, o que irritou ainda mais os clientes que se lamentavam por não saberem com quem estavam lidando.

Começaram a perder clientes e dois anos depois algumas lojas eram deficitárias. Então contrataram um consultor externo para descobrir o que estava acontecendo, pois segundo a teoria de Max Webber, empresas burocráticas são eficientes. Mas se Webber estava certo, então por que tanta coisa dava errado?

E o consultor respondeu: “Burocracia é bom e fundamental em qualquer empresa que deseja crescer, mas quando ela vem excessivamente, desumaniza o trabalho e gera também alguns problemas”. Continuou e perguntou: “Se toda burocracia fosse boa, então teria tanta gente reclamando dos serviços públicos e do atendimento engessado das empresas de telefonia? Existem níveis adequados de burocracia e a situação onde ela deve ou não ser usada. Devemos ter sim os controles necessários, mas não podemos deixar de valorizar o lado social e de relacionamento. Em alguns casos, cumprir o protocolo pode custar mais prejuízo do que o ganho gerado pelo controle”.

A opinião deste cronista é que a burocracia boa é aquela que funciona. Quando ela passa a não funcionar, deve ser re-analisada. Além disso, os problemas precisam ser resolvidos com facilidade. O amadorismo gera desconfiança no cliente, mas uma sistematização excessiva gera raiva, o que não interessa para nenhuma empresa.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Foco no problema ou na solução?

Muitas pessoas passam a vida em constante agonia. É como se vivessem um sofrimento contínuo e tem a sensação de que quando um problema é solucionado, imediatamente aparece outro para substituí-lo. E na maioria das vezes isso não é apenas uma sensação, mas sim a pura realidade. E por que acontece? É por azar, karma, destino ou algo parecido? Ou apenas por uma questão comportamental?

Quando uma pessoa está habituada a ter problemas ela se acostuma com isso, passa a fazer parte de seu corpo e de sua vida, assim como suas unhas ou seus cabelos. É mais ou menos igual aquela história do urso que invadiu um acampamento e enfiou a cara numa panela cheia de comida. Ao mesmo tempo em que a panela o queimava, ele sentia o aroma do alimento que o fazia não largar a panela. Assim como o urso morreu segurando a panela que o matou, o homem se mantém firme agarrado às suas chagas.

Essa história sempre fez parte de nossas vidas, embora em algumas vezes nossa inteligência nos traia e passamos a fortalecer o problema pensando nele a toda hora. A gente visualiza o desencadear da situação da pior maneira, pensando que tudo vai dar errado. Outras vezes deixa de fazer o que seria a solução do problema porque permanece desconcentrado. E daí pra frente passa a pensar somente nas dificuldades que tem, esquecendo de trabalhar pela solução. Pessoas com este tipo de comportamento atraem mais problemas, pois se acostumam tanto com uma vida de sofrimentos que quando um dilema termina,  inonscientemente buscam outro para por no lugar.

O "Sofrenildo" é um personagem que o cidadão incorpora sem perceber e passa anos de sua vida alimentando esse figurino. Se tem problemas financeiros e por conta disso deixa de se concentrar no trabalho, em pouco tempo seus resultados cairão, sua empresa reclamará e ele passará a correr o risco de ser demitido. Ou seja, em vez de sua preocupação resolver o problema, criará outro que será o desemprego.

Tem hora que a gente precisa aprender a recomeçar. E isso não se faz sem dor, mas sim com muita coragem. Recomeçar significa ter peito, chutar o pau da barraca, concentrar-se na solução e fazer tudo novamente, desde o começo. Em 100% das vezes essa solução passa por recuperar a auto-estima, assumir sua fé e TRABALHAR. Com esses 3 elementos e um pouquinho mais de tempo, a vida melhorará consistentemente. Como dizia Arthur Graham, "Uma das razões pelas quais temos tantos problemas nesta vida é porque insistimos em nos esquecer de coisas que deveríamos lembrar e porque deliberadamente nos lembramos de coisas que deveríamos esquecer".

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A liderança é situacional


Quem falou isso com muita propriedade foi Paul Hersey. Ele quis dizer que há diferentes maneiras de liderar uma equipe e que não se determina de forma generalizada qual dessas formas é a melhor. O estilo de liderança que um líder utiliza pode variar conforme o momento e a composição de sua equipe.

Imagine um gerente de vendas que precisa fazer diariamente reuniões matutinas com sua equipe, visando com isso interferir diretamente no resultado da mesma. Seu papel de líder será transmitir nessas reuniões o sentimento que está faltando na equipe. Se perceber que seus vendedores estão displicentes, precisa criar estratégias para gerar mais responsabilidade; se perceber que estão descrentes, precisa motivá-los; se perceber que estão com dificuldades, precisa melhorar fatores operacionais e técnicos; se perceber que estão nervosos precisará transmitir calma e assim por diante.

Lembro-me de situações que vivi onde a equipe não melhorava seus resultados por falta de cobrança e ao detectar isso o líder encontrou uma maneira de cobrá-los sem que estes se sentissem explorados pela empresa. Nesta ocasião, uma aposta com a filial da cidade vizinha (valendo um churrasco) fez com que todos trabalhassem por um resultado melhor afim apenas de ganhar de seus adversários, tendo aumentado mais de 50% em faturamento. Em outra situação, ao perceber que os vendedores estavam tensos pela cobrança demasiada, passou simplesmente a ignorar os números e trabalhar habilidades, premiando com brindes os que demonstrassem técnica perfeita. Isso também gerou a recuperação da auto-estima.

Quando uma equipe está “muito isso” ou “muito aquilo”, é sinal de que ela está desequilibrada. Para equilibrar, o líder precisa desenvolver ações (às vezes de forma velada) que reconduzam as pessoas ao eixo. Digo isso, porque até a auto-confiança que é um sentimento fundamental em qualquer profissional pode ser nociva se exagerada. Uma pessoa com excesso de auto-confiança não presta atenção em detalhes e quando percebe o erro já aconteceu. Nesse caso o líder precisa encontrar maneiras de gerar um certo “medo positivo” no liderado para que este faça as coisas da forma correta.

O gerente deve ser orientador, influenciador, amigo ou mandão dependendo do que está acontecendo. Se este tem muitos estagiários inexperientes, provavelmente será orientador; mas se tem técnicos altamente capacitados e responsáveis por suas decisões, então apenas precisa delegar funções a serem exercidas por cada um. Enfim, o próprio Hersey diz: “Não há a maneira mais correta de liderança, há sim aquela que precisa ser exercida em cada momento”. Conheça a sua equipe e dê a ela aquilo que ela precisa... e não aquilo que ela quer.

sábado, 2 de outubro de 2010

Postura ideal de um consultor de Franquias

Uma empresa franqueada deve ser o espelho de sua matriz, não só no que se refere ao produto ou serviço oferecido, mas também na identificação visual, atendimento, conveniência e soluções de problemas. O Consultor Técnico (que também pode ser conhecido como consultor de campo) é alguém fundamental para que este tipo de empresa dê certo, tanto para a parte franqueadora quanto para o empreendedor franqueado.

O conceito “franquia” é uma concessão da marca, onde o franqueador desenvolve uma estrutura, colhe resultados e oferece o know how adquirido para o mercado explorar. Na outra ponta um empreendedor parceiro pode comprar os direitos da marca e desenvolver uma célula daquela empresa em outra praça (como se fosse uma filial), oferecendo em tese a mesma qualidade do primeiro.

Os problemas com este tipo de empresa começam quando a franqueada não consegue seguir exatamente os passos da franqueadora. Isso pode acontecer basicamente por dois motivos: por incompetência de uma das partes ou por diferenças no mercado de atuação. Para prevenir (ou minimizar) tais situações existe o Consultor de Campo, um profissional gabaritado e experimentado que viaja de franquia em franquia para restabelecer conceitos, organizar trabalhos e cuidar para que tudo funcione de forma justa e perfeita.

Recentemente um amigo profissional deste setor me perguntou qual seria, em minha opinião, o modelo ideal de uma consultoria de campo. Eu respondi com alguns critérios que julgo importantes, mas depois da resposta dada e e-mail enviado, senti que deixei de escrever a característica que, ao meu ver é a mais importante: a capacidade de dar soluções práticas. Esta capacidade é medida quando um franqueado tem um problema diferente e o Consultor se limita e responder com alternativas que estão no manual de franquia.

Se a resposta do manual fosse suficiente, não haveria necessidade de ter um Profissional caro e capacitado para dar consultoria. O manual é um objeto inanimado, que orienta o franqueado a agir nas situações de normalidade ou de problemas previsíveis. Mas um franqueador geralmente desenvolve seu produto em um mercado e depois passa a vendê-lo para outros, o que o faz ter que lidar com imprevistos e diferenças regionais. Para tanto precisa ter no Consultor um profissional capaz de resolver com criatividade e critério situações inesperadas e diferentes.

Definitivamente o consultor não pode ser um “atendente” que simplesmente responde as dúvidas com respostas prontas, como aquelas que encontramos na internet na sessão de “perguntas mais freqüentes”. Ele precisa ser sensível a cada situação. Ele precisa ser um INTRA-EMPREENDEDOR que ensina EMPREENDEDORES a empreender. E se for assim, o sucesso é conseqüência.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Quando o stress começa a atrapalhar sua vida

Chega um momento em que você tem a sensação de que está correndo um risco iminente. Não dorme à noite, está sempre com medo de alguma coisa ruim acontecer, fica por minutos calado pensando na vida e começa a ter sintomas físicos. Uns sentem uma batedeira no peito, gastrites, enxaqueca; outros desenvolvem alergias, espinhas, inflamações na gengiva; há ainda os que se envolvem em crises de pânico, têm medo de morrer e entram em depressão. Tudo isso, na maioria dos casos, está ligado diretamente ao stress.

E de onde isso surge? Segundo Raymond Cattell, o perfeccionismo é um dos vilões do stress. Para entender melhor, considera-se perfeccionista aquela pessoa que procura fazer qualquer atividade de modo exato e sem nenhum defeito. Até aí, não há nada de mal, a menos que vire compulsivo e se torna um distúrbio neurótico. E quando isso acontece, a pessoa nunca acredita que está bom. Aliás há uma grande chance de o perfeccionista se tornar obsessivo, pois ninguém é perfeito e algumas pessoas se preocupam com as críticas antes mesmo delas acontecerem. Frases como “eu me sinto um incompetente” são facilmente ouvidas dentro das organizações.

Outro culpado pode ser o chefe que exagera na cobrança. Também é muito comum, pois se o cidadão se tornou chefe, provavelmente é porque fazia bem uma determinada função. Daí ele tem a tendência de exigir de sua equipe que faça da mesma maneira, comparando-a sempre consigo em tempos anteriores. “No meu tempo jamais aceitaríamos um resultado como esse”. Acontece que nem todos são iguais e as pessoas tem maneiras diferentes de agir, de pensar e de se motivar. O chefe precisa conhecer sua equipe e descobrir como motivá-la para poder extrair o melhor resultado, pois se estressá-la, somente conseguirá uns atestados.

Algumas pessoas sabem lidar bem com isso. Quando acontece algo que lhes tira do sério elas saem da mesa, vão tomar um café, contam uma piada ou entram na internet para ler a página de esportes. Outras coisas que ajudam muito são Ioga, Pilates, academia, natação e esportes em geral. Para quem não tem esta disposição, a culinária, o artesanato e a música também podem auxiliar. Por outro lado, xingar e mandar tudo para aquele lugar nem sempre será a melhor solução, pois pode te custar caro. Então comece cobrando-se menos, pedindo ajuda para que outras pessoas te auxiliem em tarefas mais complicadas e, principalmente, se policiando na reação.

Por fim, uma opinião pessoal minha é que nem sempre diminuir atividades dá resultado. Tem gente que ao sentir-se estressado com o trabalho, interrompe a faculdade, deixa de ir a ginástica, etc; acreditando que assim terá menos peso para carregar. Na verdade o ser humano não precisa carregar menos peso, ele precisa apenas balancear a carga. Tente diminuir as horas de trabalho e ocupá-las com coisas que você gosta de fazer, pois dessa maneira não estará colocando todos os seus ovos numa mesma cesta.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Para onde você envia o seu Curriculum?

Tenho uma amiga psicóloga que atua como selecionadora numa agência de empregos. Seu trabalho é anunciar as vagas, selecionar os currículuns e entrevistar candidatos. Ao final ela define os selecionados e manda para a empresa que solicitou. Nesta semana eu conversei com ela sobre os desafios de encontrar os candidatos ideais e contamos um para o outro historinhas parecidas, que poderia ser fundida em uma só.

Imaginem a situação: Você é um selecionador e coloca um anuncio numa mídia específica (jornal, classificado de empregos, site especializado na internet, etc.) pedindo pessoas para o cargo de VENDEDOR EXTERNO. Tem o cuidado de deixar bem claro no anúncio o cargo, o salário, a empresa e o fato dessa vaga ser para o profissional trabalhar externamente. Chegam cerca de 200 CVs e você calmamente observa pontos importantes, selecionando 40 deles.

Na manhã seguinte é dia de contatar as pessoas pelo telefone. Ao fazer, você se apresenta, cita novamente o anuncio, o cargo e a empresa, perguntando se o candidato se lembra que enviou o CV. Para sua surpresa (ou não) ele não se lembra do anuncio e se põe a te sabatinar sobre a vaga, salário, benefícios e tudo mais. Pacientemente você explica que por enquanto está apenas telefonando para agendar uma entrevista onde tudo será esclarecido. Então o candidato se aquieta e te ouve, anota horário e endereço da entrevista.

Quando já está se despedindo, você nota displicência do candidato e então resolve perguntar se realmente ele quer participar da seleção e a resposta é: “Então... acho que não me interessa por ser vendas. Eu estou procurando mais na minha área”. Aí você, numa forma até de bronquear com o seu interlocutor o questiona do motivo pelo qual ele enviou um CV para a vaga de VENDEDOR EXTERNO se não que trabalhar com vendas. E a resposta é que “estou enviando para tudo o que aparece, mas como estou estudando administração eu prefiro na minha área”. Ao ouvir tal justificativa, você entende que realmente o mundo está de pernas pro ar. Agora ser candidato é mais nobre do que ser selecionador.

O candidato manda seu CV pra tudo sem nem ler o anuncio e não imagina o desfio que é contratar um bom profissional. Então a minha mensagem final é: Somente se candidate a uma vaga quando você realmente tiver interesse por aquela área. Se não tiver não o faça, pois além de tomar inutilmente o tempo do selecionador, você ainda faz concorrência com quem realmente precisa trabalhar. Se agendar uma entrevista, não falte e se pretende faltar, não agende pois do outro lado da linha há um profissional que ganha a vida fazendo seleção. Pense que se você tiver sucesso na sua profissão, muito provavelmente um dia estará do outro lado, precisando contratar. Aí verá o quanto é difícil.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quero um trabalho administrativo

Taylor dizia que “o cidadão não gosta de trabalhar e somente o faz porque precisa”. Talvez ele tenha dito isso baseado na realidade que via em plena época de escravidão quando trabalhar realmente era uma coisa sofrida. Imaginem que a maioria da população (mesmo os não escravos) exercia trabalhos braçais e não havia essa coisa que tem hoje, de carreira e tudo mais. Além disso, existia um conceito dividido entre o que era trabalho e o que era arte. Trabalho era o bruto e arte era tudo aquilo que se fazia com o que hoje chamamos de “dom”. Ainda hoje há resquícios desse pensamento. Certo dia presenciei num happy hour uma pessoa perguntando para a outra: “mas você é só professora ou também trabalha?” Acho que sub-linarmente quis dizer que professor não trabalha (porque é intelectual). Já havia ouvido outras frases do tipo: “meu patrão não trabalha, ele só administra”. Então quer dizer que administrar não é trabalho?

Também no passado se fez muita distinção entre os funcionários administrativos e os operacionais. Eu trabalhei numa empresa familiar (com cerca de 300 pessoas) na década de 80 onde o pessoal do chão de fábrica almoçava em bandejões e mesas em fórmica enquanto os administrativos eram convidados a sentarem-se na mesa grande (com toalhas e pratos) com os donos e gerentes. Sobre essa última citação, acredito que ela pode explicar o motivo de a maioria dos jovens sem profissão definida procurarem empregos administrativos, pois têm a sensação de ser algo mais moderado e menos sacrificante.

Vamos então pensar naquele jovem que procura um emprego administrativo. Se lhe oferecem duas vagas: uma de vendedor por telefone, com salário mínimo fixo e comissão por resultados e outra de auxiliar administrativo apenas com o salário mínimo, provavelmente escolherá a administração, pois acreditará ser um trabalho mais tranqüilo e com menos pressão. Porém, um cargo administrativo pode envolver tarefas tão intensas quanto as do vendedor, como cobrança por exemplo. E aí veremos o mesmo empenho e sacrifício em troca de uma oportunidade menor.

Hoje, cargos operacionais (técnicos) em indústrias tem sido mais rentáveis para o jovem do que os administrativos. Fazer um curso técnico é extremamente útil. "Vendas" aparece como uma das profissões mais bem remuneradas do mercado, simplesmente porque ela move todo o resto. Mas mesmo assim, o jovem se seduz muito fácilmente pela palavra “administração” porque ele tem a sensação de que o administrador é aquele cara que fica controlandoo tudo, como se fosse um operador de marionetes, com aquela cruz e os cordões. Infelizmente isso é um falso glamour. O que realmente vale na hora da escolha da profissão é saber qual o seu principal objetivo (romantismo ou resultados?). Se quer resultados, escolha a profissão que lhe oferecer melhores oportunidades.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Seja um eterno estudante

Ainda hoje, dez anos após o início do novo milênio, ainda é um tanto comum ouvirmos pessoas que, ao serem perguntadas sobre estarem ou não estudando atualmente, responderem o famoso "já terminei". E acredite, quando eu comecei a selecionar candidatos isso era muito menos raro.

Me lembro que quando eu era criança, alguns tios diziam que tínhamos que estudar bastante, no mínimo até a oitava série. Quando concluí a tal oitava série já me matriculei no ensino médio, num curso profissionalizante, pois muitos diziam que o "segundo grau" era indispensável para quem quisesse se dar bem no mercado de trabalho. E já faz alguns anos que esse pensamento também já está ultrapassado, pois hoje qualquer pessoa tem alternativas para fazer uma faculdade e ainda dar sequência nos cursos posteriores à graduação.

Na década de 80 e 90, para ingressar numa faculdade, o candidato precisava se preparar assiduamente, prestar um vestibular concorridíssimo e, com muito estudo, concentração no dia da prova e um pouquinho de sorte, entrava num curso superior. Com a explosão educacional proporcionada pela abertura de inúmeras universidades particulares que concorrem entre si, concluir um curso de terceiro grau é cada dia mais possível. Além das universidades públicas, existem aquelas particulares tradicionais, existem as novas particulares e, para os que tem dificuldades, existem opções de todos os tipos e tamanhos.

Para os que tem limitação financeira há muitos cursos a baixo custo. Muitos dizem que a qualidade nesses cursos também é falha, mas a grande verdade é que quando o aluno quer aprender e o professor quer ensinar, uma cadeira debaixo de uma árvore é uma boa escola. Se o problema é pressa, tem os cursos de tecnólogos que duram a metade do tempo corrido. E se é falta de tempo para ir até a sala de aula, há os EAD, que além de tudo são mais baratos.

A regra que diz que a educação brasileira está mais acessível, porém de baixo nível, pode ser contestada. Notei que em alguns assuntos, muitos alunos de cursos tecnológicos ou mesmo EAD tem conceito teórico parecido com os das escolas particulares mais tradicionais. Na prática, na hora de atuar, as pequenas diferenças não são notadas. Nesses casos, a principal vantagem que um graduado em escola de renome leva é na hora de se candidatar a uma vaga, mas não na hora de executar. Então quem pode entrar em uma escola renomada, que assim prefira. Mas mais importante do que aonde estudar é estudar em algum lugar. Já em relação a cursos mais científicos, como Medicina, Direito, etc, a tradição da faculdade é muito mais importante e levada em conta.

Além das Escolas de Terceiro Grau e Pós Graduações, ainda é aconselhável o cidadão estudar em cursos livres, como os de idiomas e relacionamento humano. Participar de palestras, conferências e work shops também podem ser boas ideias. Enfim, vale continuar estudando sempre.

Seja um eterno estudante, pois além de abrir a cabeça para coisas novas, estará sempre em contato com pessoas atentas e dinâmicas. Outra vantagem menos importante, mas também motivante, é que terá desconto nos eventos, pois com a carteirinha, estudante paga meia.

domingo, 5 de setembro de 2010

Um caminho para os Baby Boomers


Não sei exatamente porque as coisas acontecem de maneira tão rápida, mas o fato é que elas acontecem. Seja devido aos efeitos estudados pela teoria de Schumann sobre a mudança da freqüência do planeta ou simplesmente pela quantidade de avanços e conseqüentemente o aumento da capacidade do ser humano de mudar e inovar, mas o certo é que quando aprendemos a fazer alguma coisa nova, aquilo já é superado por algo mais novo ainda que acaba de ser inventado.

Quanto mais jovens somos, menos sofremos com isso. Por outro lado, a experiência e a idade fazem com que acumulemos muitos valores, o que nos gera um sentimento de perda quando notamos que aquilo já não é mais importante. Uma frase de indignação que expressa muito bem esse raciocínio é “quando aprendemos quais são as respostas, eles mudam as perguntas”. E essa é a grande diferença entre os “Baby Boomers”, a geração X e a tal geração Y.

Os primeiros (nascidos da explosão populacional depois do término da segunda grande guerra diante da sensação de segurança) brigavam por aprender a fazer bem uma única tarefa e tornavam-se especialistas naquilo. Já os demais têm uma necessidade diferente de conhecer várias coisas e profissões ao longo da carreira, talvez até devido às mudanças tecnológicas naturais da modernidade. E a convivência de tantas gerações trouxe às empresas uma grande e enorme confusão seguida de uma mesma pergunta: “A quem devo contratar?”

Enquanto a geração Y parece muito mais atualizada e capaz de gerar resultados, ela também é ansiosa e tem dificuldade de permanecer por longo tempo em um mesmo projeto. As grandes empresas não sofrem com isso, tendo se adaptado rapidamente com competentes processos de reposição de profissionais, mas as pequenas e médias empresas dependem mais de uma continuidade e não lidam bem com o “turn-over”. E isso vinha trazendo muitos problemas, pois elas tinham dificuldades para contratar enquanto os “cinqüentões” não encontravam emprego.

Todo mundo queria a geração Y e, com tanta oferta de trabalho, eles podiam escolher. Mas me parece que agora as PMEs perceberam que dar valor aos “Baby Boomers” e a uma parte esquecida da geração X pode ser interessante para todos. Perceberam que ao invés de tentarem manter um passarinho arisco na gaiola, deveriam dar abrigo aos renegados, mas cheios de potencial, que por sua vez podem valorizar muito mais a oportunidade.

Considerando que a dificuldade de se modernizar (por acreditar que está com o burro na sombra) e o sentimento de não largar os troféus conquistados no passado foram sempre os vilões para estes profissionais, podemos vacinar e evitar esse erro. Eles tem mania de achar que já viram de tudo em suas longas carreiras e isso não se adéqua as empresas modernas. Quais são então as regras para que os profissionais mais velhos possam manter-se competitivos no mercado? Pelo raciocínio acima, são duas regras: Estudar sempre se atualizando constantemente e apaixonar-se pelos novos projetos, não tendo preconceitos em fazerem coisas novas e de maneiras diferentes daquilo que aprenderam no passado.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Que talento eu tenho?

Que talento eu tenho? É uma pergunta que muita gente faz e poucos conseguem responder. E quanto mais a sociedade avança, mais difícil fica encontrarmos tal resposta. Conversando com algumas pessoas, entre elas profissionais da área de RH, psicólogos, empresários, estudantes, desempregados e funcionários em geral, eu cheguei a algumas conclusões que vou compartilhar com os leitores: no mundo das oportunidades, saber aproveitar tem sido mais importante do que realizar aquele velho sonho de criança.

Imaginem aquele garoto que, quando era criança dizia que quando se tornasse adulto se casaria com uma mulher alta, negra, de cabelos longos e olhos pequenos. Dizia que moraria em uma cidade grande, estudaria medicina e compraria uma moto. Pois o menino cresceu, se casou com uma loirinha de olhos grandes e estatura média, tornou-se adestrador de cavalos em uma fazenda de Aguaí, no interior de São Paulo e anda de jipe pra todos os lados. Será que ele é feliz? Provavelmente sim!

Nosso personagem acima é imaginário, mas seguramente o perfil é comum e em nossos circulo de relacionamento encontraremos pessoas que mudaram completamente o sonho de criança. É bem verdade também que não adianta empurrar a uma pessoa muito introvertida a tarefa de lidar com multidões ou trancar um “tagarela” num mundo totalmente mecânico e totalmente introspectivo. Submeter-se a testes vocacionais é interessante, lutar para realizar seus objetivos também. Mas chegamos a conclusão que além de fazermos o que gostamos é importante gostarmos do que estamos fazendo e isso tem muito mais efeito psicológico que qualquer outra coisa, afinal talentos podem ser desenvolvidos.

Algumas pessoas aprendem a tocar piano de forma mais rápida do que as outras, mas se fizermos uma pesquisa, descobriremos que houve muita dedicação àquele aprendizado, que este cara que é um fenômeno não nasceu sabendo. A dica então é saber aproveitar as oportunidades que surgem. Na última quinta-feira conversei com um profissional da área de RH, empresário bem sucedido e atualmente em nível de ensinar outros profissionais. Descobri que ele era formado em Tecnologia da Informação, mas nunca exerceu. Recentemente outro caso me chamou atenção quando assisti a uma entrevista de um jovem executivo que fora contratado por uma grande multinacional do ramo de seguros para ser Gerente Nacional de Vendas, mas seu diploma era de Engenharia Mecânica.

Então, a melhor maneira de saber o que gosta de fazer é experimentar. Não ter preconceitos em relação as novas oportunidades de emprego, não se limitar a procurar trabalho somente nas áreas em que tem experiência e não desperdiçar as chances. Também é importante ter coragem para mudar, mas com parcimônia e sem loucuras. Se você chegou à conclusão que está na profissão errada, costure com calma o seu “novo uniforme”. Pense, planeje, teste, faça uma análise SWOT e se a conclusão for esta, então execute os planos. Se feita com planejamento e calma, a mudança trará a sensação de uma nova vida, que sempre está em tempo de alcançar.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Você quer mesmo saber?

Quando fizer uma pergunta, esteja disposto a ouvir a resposta. Isso eu aprendi no final dos anos 80, quando eu trabalhava numa Loja de Materiais para Construção lá em Jundiaí. Meu gerente da época, o Sr Walter Vieira sempre dizia isso. Quando perguntávamos se o nosso trabalho estava bom, ele calmamente vinha em nossa direção e dizia: - Você quer mesmo saber? Só depois de acenarmos positivamente é que então ele dizia sua opinião, fosse ela positiva ou negativa.

Ontem eu refletia sobre isso e também sobre as empresas que perguntam se a gente está satisfeito, mas apenas querem a resposta se ela for “sim”. Vamos a um exemplo comum disso: Há empresas que implantam a ouvidoria. Para quem não sabe o que é, trata-se de um departamento que deveria ouvir críticas em relação ao trabalho desenvolvido pela empresa. Muito parecido com o SAC, a ouvidoria difere em relação ao último principalmente por ser o último canal de solução. Então quando o consumidor tem um problema e não encontra solução no SAC, ele vai para a ouvidoria. Como o próprio nome já diz, deve ser o ouvido do presidente, que ao saber das falhas da empresa, toma medidas imediatas para suas correções. Só que o que muito temos visto são empresas que tem ouvidoria, mas não estão dispostas a ouvir.

Uma empresa que eu conheço tem um departamento de ouvidoria para os profissionais. Esta empresa instalou esse serviço tentando diminuir a rotatividade e uma das primeiras ações do Ouvidor foi contratar uma avaliação 360°. A avaliação foi muito bem desenvolvida, houve inúmeros elogios, mas também surgiram algumas críticas. O detalhe é que quanto mais lia as críticas, o presidente da empresa mais se indignava quanto ao “absurdo de ainda ter que ler aquilo”. Frases do tipo “isso aqui eu já até sei quem escreveu” ou “essa pesquisa só pode ter vindo do departamento tal” eram as mais faladas por ele.

Resumindo, a empresa gastou um bom dinheiro para ouvir seus funcionários, mas quando teve essa oportunidade não quis de verdade ouvir. Quem faz um trabalho de ouvidoria ou uma avaliação 360° tem que, no mínimo, estar disposto a ouvir o que for falado e fazer uma reflexão de quais os motivos daquilo. Ainda que a empresa não tenha culpa, que haja exagero nas críticas ou que esteja sendo mal interpretada, ela está falhando na comunicação. Afinal só a interpretam mal se ela se omite ou se comunica mal. Abrir um canal de reclamações e não aceitar críticas é como alimentar a própria forca.

Por fim, na próxima vez que pensar em perguntar para alguém se o seu trabalho está bom (seja você uma fornecedor, empresa, um prestador de serviços ou um funcionário), antes de mais nada, lembre-se do meu antigo gerente e questione-se: Você quer mesmo saber?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Você tem raiva do cliente que não compra?

Algumas vezes, nossa motivação é tanta para fechar um negócio que não conseguimos esconder a ansiedade. E de tanta ansiedade, de tanta certeza do sucesso, deixamos de prestar atenção no trabalho. Em vendas, essa falha é fatal. Deixar de fazer uma abordagem seguindo todos os critérios corretos simplesmente porque acredita que este cliente já está fechado é um dos primeiros passos para ter queda de resultados.

Como eu já escrevi há algumas semanas, o excesso de confiança é tão prejudicial a carreira quanto a falta dela, pois o excesso nos faz abrir mão de ações seguras, acreditando apenas em nossa capacidade e talento. Mas se capacidade e talento bastassem para o sucesso, não haveria tanta história de artistas talentosos que acabam a vida vivendo de doações, não é verdade?

A ansiedade de um homem comercial é transmitida em seu olhar, em suas expressões corporais através de sinais involuntários. No momento da venda, esses "sinais" são captados (também involuntariamente) pelos clientes, que sentem uma determinada insegurança. Se perguntar ao cliente o motivo de ele estar inseguro, o mesmo não saberá responder. Responderá apenas que está e isso o fará não comprar. Pior que isso, é que na maioria dos casos o cliente não vai te dizer que está inseguro, mas sim ele arrumará outra desculpa qualquer, dizendo que não tem verba ou que "o seu cahorro está doente e por isso não poderá comprar".

Por outro lado, não comprar é um direito do cliente. Eu nunca vi um vendedor que só atende clientes que se comprometeram anteciadamente com a compra. A menos que alguém me apresente uma abordagem nova, eu creio que a compra é uma opção, portanto não adianta você ficar com raiva do seu cliente porque ele não comprou. Vale mais a pena procurar detectar aonde você está falhando ou deixando brechas, que terminam na perda da venda.

Também é importante comentar que, por melhor que você seja como profissional, não é todo cliente que compra. Toda empresa ou profissional precisa trabalhar com uma coisa chamada "média de aproveitamento" e a nossa meta tem que considerar sempre isso. Se a meta é X e sua média de aproveitamento segue em torno de 25%, você precisa abordar (ou agendar - dependendo do ramo) quatro vezes o que precisa fechar. Quando não fecha, em vez de sofrer e ficar com raiva do cliente, apenas entenda que esse entra na estatística dos 75% que não fechou.

O que não pode é ter pouco volume de trabalho e colocar a culpa do seu fracasso no cliente, que não quis fechar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quando a simpatia demais atrapalha.

Estamos habituados a ouvir que a simpatia é sempre positiva. “Tratem bem as pessoas” ou “o cliente sempre tem razão”, nos dizem. Mas em determinados momentos, a simpatia chega a atrapalhar. E quando isso acontece? Quando ela é exagerada.

Para exemplificar eu gostaria de contar sobre as opções de restaurante que eu tenho para almoçar: Num raio próximo de onde eu trabalho, encontram-se vários restaurantes, dos quais eu já experimentei cinco deles. Entre esses cinco, temos variações de preços, qualidade da comida, opções de pratos, distância, etc. Geralmente a gente faz uma soma de todos esses fatores e acaba elegendo o favorito, no qual passa a almoçar todos os dias.

Quando vim para este endereço, minha primeira opção foi almoçar há 300 metros do escritório, onde encontro um restaurante com comida boa e atendimento razoável, mas falta alguma coisa. O aspecto da casa me parece velho e mal cuidado, não há muita opção de pratos e às vezes as mesas demoram a serem liberadas pelos funcionários para que outros clientes as ocupem. Em pouco tempo decidi que eu deveria procurar outro lugar.

Fiz um teste em outro local, um pequenininho e bom, que me agradou no primeiro dia, mas logo nas próximas oportunidades eu cheguei e estava cheio. Também não fiquei freguês. Principalmente porque descobri uma churrascaria maravilhosa, com um buffet fantástico e muitas mesas. O atendimento é bom, educado e gentil. O problema é na hora de pagar, uma fila enorme que se desenvolve por entre as mesas, o que me parece desagradável tanto para quem está sentado quanto para quem está na fila.

Descobri então um local muito bonito e limpo, ambiente climatizado, muuuuita opção tanto para pratos quentes como saladas, som ambiente, cadeiras bem confortáveis e apenas um pouquinho mais longe, mas nada que inviabilize a ida. O ponto que notei negativo é que as pessoas que trabalham naquele local são altamente indiferentes no tratamento com o cliente. Não há nem “bom dia” e nem “obrigado”. É apenas o serviço... chega, serve, pesa, senta, pede a bebida, come, paga e vai embora. Na maioria das vezes não se olha na cara. Comecei a sentir-me mal e abandonei.

Foi quando surgiu a que me parecia ideal: comida boa, churrasqueira, mais próximo do meu escritório e um tratamento simpático logo no primeiro dia. Paguei com cartão uma vez e nas próximas a dona do restaurante me tratou pelo nome. Mas aí a simpatia dela começou a me irritar, pois todos os dias ela me bajulava demasiadamente a ponto de eu não me sentir mais tão a vontade. Deixei de ir.

Hoje estou almoçando em um local mais longe, porém com boa comida, lugares vagos mesmo no horário de pico, filas raras para pagar e onde os funcionários da casa me tratam bem. Eles me tratam de maneira simpática, mas sem exagero. Eles sorriem, mas não são melosos. Eles me dizem bom dia, mas não me chamam de “querido”. Enfim, não é o mais próximo, não é o mais bonito, não tem o melhor buffet, não é o melhor preço. Mas é o que melhor equilibra tudo isso, inclusive o atendimento.

Às vezes, conforme minha veneta, dou uma experimentada nos outros restaurantes que abandonei, até como uma oportunidade de eu ver se eles mudaram alguma coisa. E o único onde eu nunca mais almocei é o da dona que puxava meu saco. Moral da história é que pior do que a indiferença é a "puxa-saquisse".

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quando o profissional perde a fé

Eu já passei por muitas situações difíceis. E creio que se estou aqui escrevendo tudo isso é porque saí delas em condições de caminhar. A questão é que falar de uma dificuldade que tivemos no passado é muito menos complicado do que falar da dificuldade atual, simplesmente porque a atual dói agora. Mas a maioria dos casos que eu vejo de uma pessoa travada e sem rumo é sintoma de quem perdeu a fé. Quando eu digo "fé", não estou me referindo àquela fé religiosa, em sua igreja, seu padre ou pastor, em suas escrituras. Estou falando da fé em si próprio, fé nas coisas positivas, no desembaraçar da situação.

Hoje o mundo é composto de muita energia negativa. Quanto mais os meios de comunicação evoluem, mais o cidadão enxerga as coisas ruins que acontecem e mais abatido fica com tudo isso. No passado não havia tanta divulgação, mas as coisas aconteciam também, a diferença é que nem todos ficavam sabendo. Hoje porém, os jornais procuram a notícia para divulgar e geralmente divulgam o que está fora de ordem, pois o que está correndo bem não é notícia. No passado a violência era tão grande ou pior que a de hoje, as injustiças existiam e não havia onde se reclamar, mas a maioria das pessoas nem ficava sabendo.

Vivemos em constante exposição às energias negativas, mensagens de medo e influências ruins. As pessoas não conseguem vencer e dizem que você não vai conseguir também. Na verdade os fracassados sempre torcem para os que estão ao seu redor fracassarem também.

Imagine a seguinte situação: você sai de casa motivado, acreditando que o seu dia de hoje será diferente, melhor e que tudo vai acontecer de positivo. Você realmente está acreditando nisso até que recebe a notícia que seu melhor cliente cancelou a venda. E aí, como você se sente? Sente que continua com "azar", que nada mudou, que desaprendeu a fazer aquilo que sempre fez muito bem, não é?

E porque isso acontece? Porque é muito mais fácil dar uma desculpa do que fazer. A vida vai batendo e a gente vai ficando abatido, negativo e sofrido. Às vezes um resultado ruim era pra ser passageiro, mas daí o cara se abate e o que era pra ser passageiro se torna permanente, mas por culpa do próprio chorão. E isso só se supera com muita fé.

Então tenha fé!!! Acredite que tudo vai ser cada dia mais próspero. E se a sua vida está boa... acredite que ainda tem espaço para melhorar.