segunda-feira, 15 de março de 2010

O Segredo de Luiza

Estou lendo o livro "O Segredo de Luiza", de Fernando Dolabela (editora Sextante). Trata-se da história de uma jovem, estudante de odontologia em Belo Horizonte que, em seu último ano de faculdade se desilude com a carreira e sonha em abrir uma indústria de goiabada cascão. O livro de desenvolve nas idéias, angústias, soluções e nos conflitos de um futuro empresário e desenvolve com boa didática, tanto orientações técnicas que um candidato a empresário precisa quanto pensamentos e decepções que acontecem no período pré-empresarial.

Além de recomendar a todos essa leitura, eu gostaria de publicar novamente um artigo meu de 2007, que fala sobre esse tema. Quero realmente incentiva-los a lerem o livro.

Abraços a todos,

Aguinaldo


Vale a pena ter um negócio próprio?10.08.2007
Postado às 11:55:33

Depende!
Essa é uma pergunta, cujo a resposta depende de uma série de coisas, inclusive de quem pergunta. Significa que para algumas pessoas vale a pena sim, para outras não vale a pena, pois são pessoas que precisam de um patrão, por mais incrível que pareça.

Vou explicar: Algumas pessoas têm o espírito empreendedor, são motivadas por si só, tem objetivos definidos e brigam determinadamente para atingi-los. Essas pessoas têm a tendência de crescerem dentro de alguma instituição e depois de algum tempo migrarem para um negócio próprio, o que na maioria das vezes dá certo.

Outras pessoas são mais relaxadas, fazem a obrigação, cumprem todas as ordens, mas são menos acostumadas a ter que tomar decisões, principalmente decisões mais polêmicas. Geralmente reclamam do chefe, que pega muito no pé. Essas pessoas também têm a tendência de partirem para um negócio próprio, mas que normalmente não dá certo.

A razão é que no primeiro exemplo, o cidadão trabalhava como "dono" antes de ser dono. Ele trabalhava bem na empresa do outro, então quando foi trabalhar na sua própria empresa, já tinha experiência de ser "dono". Já o segundo, que na empresa do outro trabalhava somente o suficiente para não perder o emprego, agora se vê numa situação complicada, onde se tiver o comportamento que está acostumado a ter vai falir e é inexperiente num comportamento empreendedor, já que nunca o teve.

A verdade é que algumas pessoas precisam de um chefe dizendo a todo o momento o que ele tem que fazer, assim como as crianças precisam dos pais dizendo para escovarem os dentes ou irem dormir. Essas pessoas, o que de melhor tem a fazer é permanecerem como empregados. Elas tem totais condições de serem bem sucedidas sendo funcionárias.

Para as outras, com espírito mais empreendedor, ser empresário seria a melhor coisa do mundo, pois além de gerar seu sustento, gerará outros empregos (vale ressaltar que não adianta somente ter experiência no ramo que deseja empreender para dar certo, embora eu julgue que isso seja muitíssimo importante). Porém é necessário ter consciência que quando era funcionário, embora fosse o principal responsável pelo desenvolvimento do trabalho, havia outros setores e departamentos que o apoiavam.

É muito comum um bom "marceneiro" achar que está preparado para ter a sua própria marcenaria e pedir demissão do emprego. Com o dinheiro que guardou em todos esses anos, aluga um galpão, compra matéria prima e um maquinário de boa qualidade. Agora é só trabalhar, certo? Errado! Agora ele precisa armar uma boa estratégia comercial para atrair clientes e ter seus primeiros pedidos (mas ele não pensou nisso). Em seguida, quando os pedidos começarem a acontecer, terá que se preocupar em como administrar tudo isso, seja financeiramente ou mesmo com o lado organizacional.

Que logística usar? Como vender? Como cobrar? Como entregar? Cadê o plano de negócios? Também vale se informar antes de tudo com quem já empreende e uma indicação de um bom contador pode interferir positivamente no resultado.

Para que eu não desmotive os candidatos a novos empreendedores, sugiro duas ações: Encontre um sócio de sua confiança, que tenha habilidades diferentes das suas, onde um complete o outro. Se você é um bom marceneiro e vai cuidar da parte operacional, seu sócio deve ser bom em vendas ou em administração financeira e, mais importante que isso, procure o SEBRAE, que seguramente vai te ajudar.

Não tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca enquanto um grande grupo de profissionais construiu o Titanic. Isso, porém, não significa que você não precisa de ajuda ou que não seja importante planejar e ouvir pessoas que já deram certo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Bernardinho representa uma imagem completa.


Uma nova pergunta da Ercilia que veio por email me questionava sobre Identidade Corporativa. Pra quem não sabe, esse termo é usado para representar a cara da empresa perante o público interno ou externo. Porém a Ercilia me pede que eu o faça através de uma simples foto, que represente negocio, missão, visão e valores da empresa.

Sinceramente eu demorei um pouco para responder porque é algo muito sutil. Perguntei ao meu amigo Carlos Cunha  e ele me deu também a sua visão do assunto. Além disso, procurei me lembrar de algumas mudanças de IC que acompanhei.

Uma delas foi da antiga rede de Escolas de Idiomas “Centro Cultural Americano”, que atualmente trabalha com a marca Yeski. Antes eles tinham um nome conservador, um logo conservador e cores sóbrias. Não tenho certeza se foi antes ou durante a compra dessa rede pelo Grupo Wizard que houve uma mudança geral na imagem. A nova marca era muito mais sugestiva ao público jovem, com cores quentes, imagens fortes que buscavam empolgar crianças e adolescentes para os seus cursos, além de um outro foco também para seus funcionários.

Entre tudo isso e ao contrário do que se ensina em alguns lugares, acredito em estabelecer os valores antes da missão para somente depois falar sobre IC. Acho básico definir a missão baseado nos meus valores. E além dos valores básicos como honestidade, lealdade, etc, creio que o entusiasmo é fundamental. É dele que parte todo o resto e é dele que surgem as forças para que a missão seja cumprida. Como disse o grande Professor Marco Aurélio Bernardes, da Faculdade Metodista, “quem não cumpre a missão adia a visão”. E somente consegue cumprir a missão quem tem entusiasmo para vencer os obstáculos.

Se eu fosse apresentar a IC ideal, em apenas uma foto e que me motivaria se eu fosse cliente, profissional ou fornecedor de uma empresa, eu apresentaria a foto do Bernardo Resende, técnico da seleção Brasileira de Volei masculino. Ele mostra em sua carreira tudo aquilo que eu acho importante numa empresa: Entusiasmo, espírito empreendedor, lealdade, cumplicidade, disciplina, comprometimento, força, determinação, garra, busca pela superação e, principalmente, uma imagem limpa e honesta.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Os siameses do Caos.

Ontem recebi um e-mail da Coordenadora de um dos Departamentos da minha empresa. Nesse e-mail ela informava que Fulano de Tal passava a ter direito a usar um endereço eletrônico profissional. Segundo a colega, ele havia desenvolvido com sucesso algumas tarefas que ela pedira e por isso mereceu esse “agrado”. Nessa hora respondi dizendo que eu havia ficado muito feliz pela informação e que o Fulano foi um cara que sempre fez questão de estar presente.

Na minha resposta, continuei escrevendo e contei que anteontem eu estava pensando sobre o caso de algumas outras pessoas que temos na empresa, que são complicadas, que não trabalham com a mesma motivação do amigo Fulano e vivem dando desculpas com seus problemas pessoais. Minha conclusão dizia que o mundo é composto por pessoas normais, pessoas que sofrem e pessoas que fazem os outros sofrerem.

Os normais são aqueles que saem de casa todos os dias em direção ao trabalho pensando exclusivamente em trabalhar. Os que sofrem são os que saem de casa reclamando da vida, dos problemas e de tudo mais. E os que fazem os outros sofrerem são os que saem de casa já revoltados com tudo e com todos. O resultado disso é que os que fazem sofrer não se contentam em apenas infernizar a vida dos que já sofrem, mas parece que têm metas de encontrar novos sofredores, portanto infernizam a vida dos normais também, tentando rebanhá-los entre os sofredores.

Com isso, entendi que o maior desafio em liderar equipes não é fazê-los executar seus trabalhos ou tarefas. O verdadeiro desafio que temos está no fato de a maioria das pessoas viverem em constante conflito interno. Essas pessoas não descansam, devem deitar na cama e continuarem sofrendo. Vivem procurando problemas para sofrer. Adoram problemas… E como elas têm muitos conflitos internos, acabam por gerar conflitos externos sem motivos reais. Transformam-se todas em "Patos Donalds", que façam o que for, sempre se darão mal. E assim como o personagem de Walt Disney, nunca percebe que seu sofrimento é fruto de sua expressão negativa ou de suas atitudes.

Se as pessoas se concentrassem em fazer os seus trabalhos, motivados, sem se preocupar com nóias, com divergências familiares ou com os colegas negativos, elas evoluiriam. A maioria dos problemas que uma pessoa tem poderia ser resolvida com o realizar de um bom trabalho. E se o cara não faz um bom trabalho, além de permanecer com aquele monte de problemas que ele já tem, ainda terá um novo problema que será a cobrança do chefe e, em alguns casos, até a perda do trabalho. Resumindo: O MUNDO GOSTA DE SOFRER!

Um outro colega me contava do programa que ele assistiu onde este assunto estava em pauta, de como o ser humano passa a vida murmurando, se lamentando. Está na bíblia, que desde de que o mundo é mundo o homem murmura e se lamenta… E quando o Sofrenildo se afasta, as pessoas normais sentem a diferença.

E problemas… quem não os tem? A questão está em como lidamos com eles. Se os colocarmos no centro de nossas vidas, nossas vidas virarão um problema. Se colocarmos as bênçãos em primeiro lugar, teremos uma vida recheada de coisas boas e os problemas parecendo pequenos. Isso nos faria agradecer a Deus pelos poucos motivos que temos para reclamar… Visite um hospital e verá pessoas com o que realmente podemos chamar de problema… pessoas que não sabem se estarão vivas no dia seguinte. Problema não é ter que trabalhar, mas sim não ter emprego ou saúde para poder trabalhar.

Inicie, na sua vida, a OPERAÇÃO LIMPEZA. Isso consiste em se aproximar de pessoas de bem com a vida e se distanciar daqueles que chamamos de siameses ao caos (que vivem grudadas ao problema). Dê uma oportunidade a você de ser feliz.

terça-feira, 2 de março de 2010

Como se fazer presente estando distante


Em 1994 eu trabalhava em uma empresa em Jundiaí. Foi lá meu primeiro cargo de gerente. A empresa tinha outras 16 sedes, muitas delas fora do Estado. Aliás, fora do Estado estavamos nós, já que em São Paulo operavamos em 3 cidades e a matriz era do Rio Grande do Sul, onde moravam os donos. Havia uma moça de Belo Horizonte que era a gerente regional e, além de responder pela sede de sua cidade, ela também assumia Brasília, Goiânia e as unidades paulistas. Um dos donos cuidava dos Estados do Sul e o outro do viajava quase que o tempo todo.

Uma investida comum na empresa era dizer que todo profissional se desenha ao longo da vida e que, a cada dia, plantávamos o que iriamos colher mais tarde. Visto isso, os donos eram pessoas que exerciam tarefas dentro da empresa e mantinham contato com as unidades em horários marcados. Nas reuniões semestrais, sabiam de cabeça dados de cada uma das sedes. Outra coisa que faziam premeditadamente é que sabiam o nome da grande maioria dos funcionários e de alguns, sabiam até nomes dos filhos.

Uma coisa que o dono viajante fazia questão é de enviar, naquela época por fax, semanalmente, a sua agenda de viagens. Todos os profissionais da empresa sabiam onde ele estava trabalhando e que dia. Quando ele vinha para a nossa unidade, era o primeiro a chegar e o último a sair, ficando muitas vezes até bem depois do horário de fechar em reunião com os responsáveis de cada departamento.

Uma vez, quando eu já era gerente, perguntei pra ele se não era mais interessante ele esconder a agenda e chegar de surpresa nas unidades da empresa. Ele disse que se fizesse isso certamente pegaria gente desprevinida e isso geraria stress. Como ele passava ao menos periodicamente em cada uma das empresas, ele sabia que qualquer coisa mal feita seria acertada rápido, antes de sua próxima viagem. Ele também dizia que a melhor maneira de fazer uma equipe trabalhar forte era dando, ele mesmo, o exemplo.

Mais tarde vim a saber que no dia anterior as suas viagens o diretor pedia por fax a relação dos nomes dos funcionários e perguntava se havia tido alguma mudança ou nova contratação. Pois é: melhor prevenir do que remediar, não é mesmo?