terça-feira, 20 de abril de 2010

Permita que te desafiem se quiserem.

Publicado originalmente em 25/11/2007 às 11:51h em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br


Uma colega conta seu caso de conflito, que se passa diante de ser líder de equipe comercial dentro da empresa do irmão, situação que a deixa insegura ou constrangida, possivelmente por alguém poder pensar que seu cargo é apadrinhado. Pelo que entendi a colega está determinada a resolver isso.

Na idade média, principalmente em reinos localizados na Europa, Oriente Médio e norte da África, era muito comum que o irmão do rei se tornasse chefe do exército. Isso invariavelmente gerava conflitos com os tios, que muitas vezes eram substituídos por sobrinhos no momento que o novo rei assumia o trono. Para terem obediência dos comandados os novos líderes se punham a frente da tropa, no campo de guerra, para provar sua bravura, permitindo a quem quisesse, desafiá-lo.

É mais ou menos isso que a colega precisa fazer, permitir que outras pessoas mostrem seu potencial, deixar que cada um receba os méritos pelas suas atitudes ou resultados e transmitir a sua equipe confiança. Se alguém acha que pode ser melhor que você nessa função, que prove ser. Se este não puder provar, que te respeite.

É importante que eles confiem em você, independente de ser irmã do patrão, você é uma profissional que está no time. O verdadeiro líder é aquele que não tem medo de ser superado por um membro de sua equipe. Um líder precisa ser justo, correto e fiel. Não pode fazer jogo duplo, não pode ser amigo da equipe enquanto está no páteo e ser carrasco quando está no escritório. Ele não é do povo ou do patrão, ele é o que deve ser, dando razão a quem tem e trabalhando por quem merece.

É fundamental que o líder seja sempre a mesma pessoa. Assim, terá a confiança de sua equipe e do seu superior. Quando vir uma injustiça, deve manter-se do lado que julgar correto, colocando-se a influenciar o outro lado a ceder. Fazendo dessa forma, sua equipe se sentirá segura e produzirá. Seu patrão se sentirá bem representado e poderá partir para outras tarefas.

Sugestões de leitura:
1 -Separar o Joio do Trigo, texto de Max Gehringer, que você pode encontrar no google.
2 - O Monge e o Executivo, livro de James C. Hunter, a venda em qualquer livraria.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mas afinal, não era isso que ela queria?

publicado originalmente em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/ em 05/03/08 às 21:50h


Fabia era funcionária de uma empresa fazia 3 anos. Ela cumpria muito bem suas metas, sendo inclusive, nesse quesito, a melhor de todos no seu departamento. Mas Fabia foi demitida ontem.

A justificativa foi seu temperamento. Ela fazia todas as suas tarefas, mas passava o dia reclamando da vida, enumerando os defeitos da empresa e criando um clima ostil no departamento. Ela era arrogante e prepotente. Ah, também era mandona.

Ontem foi por causa do mouse que quebrou. Ela ficou indignada ao saber que a empresa não tinha lá, guardado, um mouse reserva. Fez um escândalo por causa disso. Para apaziguar a situação, o gerente de TI ofereceu o seu mouse, mas ela não quis. Ela dizia ser um absurdo ter que usar o mouse do outro. "Será que eu vou ter que trazer de casa???"

Ela passou o dia inteiro resmungando, dizendo que estava muito nervosa e não queria nem saber. Se quizessem mandá-la embora, que mandassem. Pois no final da tarde alguém quis. Demitiram-na. Afinal, era isso que ela queria…

E quando todos pensaram que ia ficar tudo bem, eis que entra na sala a Fabia, vindo direto do departamento pessoal. Chegou chorando, aos berros. Se dizia injustiçada. "Como pode? Me demitiram!!! Ninguém quis saber se eu tenho contas para pagar… ninguém lembrou das coisas boas que eu fiz aqui… estou me sentindo humilhada…" Como pode-se perceber, ela estressou.

Mas afinal, não era isso que ela queria? Não, não era! Ela dizia que era isso que queria porque se sentia segura demais em seu cargo, em seu emprego. Ela sempre achou que ninguém iria demiti-la por problemas de relacionamento, pois o seu trabalho estava em dia. Por isso ela desafiava.

O que muita gente não entende é que as tarefas diárias são somente parte do seu trabalho. Mas também há outras coisas que precisam ser analisadas num profissional. No futebol, por exemplo, tem muito craque de bola que nenhum time quer, porque ele joga bem, mas cria um clima tão negativo com suas vaidades que lá ninguém mais joga. Nasses casos, o melhor que o treinador tem a fazer é tirar o craque mal humorado, arrogante e mandão e, no lugar dele, colocar um principiante.

É bem possível que o novato não faça tantos gols quanto o antecessor, mas fará alguns, enquanto que o clima no time melhorará e os outros que não faziam nada, passarão a fazer também. É preferível ter vários profissionais medianos do que ter somente um bom e os outros todos coitados. Na verdade, ninguém é bom o suficiente para ser campeão sozinho. Ninguém consegue levar um time nas costas por muito tempo.

As empresas estão repletas de Fabias. Mas aos poucos os chefes vão percebendo que sem elas, as empresas funcionam melhor. Já as Fábias sempre acham que facilmente encontrarão um emprego melhor, o que pode ser verdade. Mas só por pouco tempo, já que em poucos meses estará insatisfeita novamente.

As Fábias sempre reclamam que suas vidas não vão para a frente. Elas dizem que sempre quando acham que tudo está indo bem, alguma coisa acontece de ruim para estragar. O que elas não sabem é que a explicação disso está na "lei da ação e reação", que diz que tudo que vai, volta… e na mesma intensidade.

Se o problema está em você, não adianta mudar de empresa, pois você leva você junto contigo para lá. Isso me faz lembrar de uma frase do russo Leon Tolstoy que dizia que "o homem passa a vida inteira tentando mudar o mundo e se negando a mudar a si próprio".

Precisamos ter Acabativa.

Publicado inicialmente em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/ em 11/04/08 às 13:02h

Acabativa: essa palavra seguramente não está no dicionário. Mas foi exatamente isso que falou o Luciano Pires, diretor de uma multinacional da área de autopeças, ontem, durante um evento que eu participei. Ele disse que as pessoas estão muito focadas em terem iniciativas de sucesso, mas pouco tempo depois não tem mais energia para darem seqüência àquilo que iniciaram. E eu voltei pra casa pensando que essa era uma das coisas mais interessantes que eu já havia ouvido.

E hoje pela manhã, na reunião comercial eu fiz o teste. Olhei para a cara de cada membro da minha equipe e me perguntei: qual é o problema desse cara? Ele é um cara bom? Sim… Ele está aqui por pura opção? Sim… Ele deseja crescer? Sim… Ele tem as iniciativas que eu falo para ter? Sim… Então, porque ele ainda não é um CRM? E a resposta foi exatamente o que o Luciano falou ontem: elas não terminam aquilo que começam. Ou, se terminam, não chegam ao fim com a mesma motivação e fé que tinham no projeto. Ao contrário disso, os que crescem são aqueles que não param o trabalho pela metade, nem mesmo quando surgem os tubarões em seus caminhos.

Prova disso é que durante o treinamento muitas pessoas estão na sala com cara de entusiasmadas e falando que essa é a oportunidade que estavam esperando, mas uma semana depois parte deles já desistiu. Justamente porque sonhar é muito fácil. Tornar o sonho uma realidade já é um pouquinho mais trabalhoso. Então as pessoas se planejam para o sucesso, tomam uma iniciativa de sucesso, mas quando tomam o primeiro WO, o bicho pega e boa parte desiste. Aí vem uma semana ruim e caem mais alguns. Depois vem uma reunião de aperto e vai embora mais gente. Ficam somente os insistentes determinados. Todos eles tiveram a iniciativa de atender ao anuncio, permanecer no treinamento, pegar a pasta e, às vezes até ter alguns resultados positivos. Mas nem todos tiveram a "acabativa" de transformar tudo isso em sucesso.

E porque as pessoas não têm a tal da "acabativa"? Porque ter sucesso dói! É isso mesmo, o caminho do sucesso é invariavelmente muito dolorido. Para quem quiser tirar a prova, é só ver a cara do Airton Senna ao completar aquele GP do Brasil em 1989, quando ele venceu a prova somente com a sexta marcha funcionando. Observem a expressão do Bernardinho durante cada jogo da seleção brasileira de vôlei. Lembrem-se das partidas dos torneiros de Rolland Garros que o Guga venceu para ser bi-campeão. Mas o sucesso também traz muita alegria. Podem ter certeza que essas mesmas três pessoas que foram citadas, estavam extasiadamente felizes ao receberem seus troféus. Como isso funciona?

A explicação é que todo mundo precisa dar um pouco de sofrimento para valorizar suas conquistas. O sofrimento de um consultor é o que precede ao sucesso, mas quem desiste no sofrimento não chegará a parte mais interessante, que é quando se recebe o troféu. E as pessoas desistem porque acreditam que estão muito longe do objetivo, mas elas acham isso porque só olham para cima e enxergam longe, porém ninguém olha para baixo para ver o quanto já percorreu. Quando olhamos para o nosso caminho percorrido, geralmente percebemos que superamos muita coisa e nos sentimos vencedores, o que nos dá energia para continuar.

Então, para todos essas pessoas fantásticas e corajosas, que tiveram a iniciativa e desistiram de serem profissionais normais, com empregos normais e resultados normais, que decidiram ser diferente, fica aqui o meu recado: a maioria infinita das pessoas que admiramos em nossa vida são pessoas que fizeram alguma coisa diferente e deram certo. E é por isso que as admiramos. Porém, quando essas pessoas tiveram a iniciativa de fazer algo diferente, o mundo criticou e os chamou de loucos, mas quando tiveram a "acabativa" de transformar o sonho em realidade, o mundo pasmou, os chamou de campeões e destacou suas ousadias.

A partir de hoje, vamos até a Acabativa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Efeito Dick Vigarista


Postado inicialmente em 19.10.2006 às 13:52:40 em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/

Vivemos um momento onde se discute muito a questões éticas. Isso é bom, mas ao mesmo tempo é uma pena que já não tenha se tornado um assunto superado. Quero dizer que ninguém mais discute o fim da escravidão, democracia, etc, porque todos concordam quanto a isso. Ética deveria estar nesse nível também.

Vejo, quase todos os dias, a discussões sobre o tema em programas de TV, em revistas e outros veículos e até acredito serem necessárias. Mas o que questiono é o fato de ainda haver espaço para os espertinhos.

Nas empresas há uma prática pouco ética, porém muito comum. O tal “puxar o tapete”. Essa expressão é usada quando um funcionário elabora uma “armadilha” para o outro visando derrubá-lo e conseqüentemente ocupar o seu lugar. Tem muita gente que está mais preocupada em “puxar o tapete” do outro do que em fazer o próprio trabalho melhor. Isso me lembra um personagem de desenho animado que eu assistia quando criança e, claro, assisto até hoje. O Dick Vigarista, na Corrida Maluca.

O roteiro era quase sempre igual: alguns pilotos birutas correndo com carros muito esquisitos por estradas totalmente doidas. Todos largavam juntos, mas Dick Vigarista, o vilão da estória tinha sempre um plano maligno para parar os outros pilotos e com isso conquistar a vitória, sozinho.

Acontece que ele e seu parceiro, o cachorro Mutley, ao começarem as corridas, disparavam na frente e ao invés de visarem somente a linha de chegada, paravam para desenvolver uma armadilha, com o objetivo de tirar todos os adversários do páreo. A armadilha nunca dava certo e os dois eram ultrapassados por todos os outros.

Moral da estória: se Dick Vigarista não ficasse tão preocupado em deter os outros, certamente seria o vencedor de todas as corridas. Isso vale também para as pessoas no mundo corporativo. Quem fica preocupado em passar uma rasteira no colega de trabalho, sempre termina a corrida em último e refem de sua própria armadilha.