segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mas afinal, não era isso que ela queria?

publicado originalmente em http://aguinaldocps.blog.terra.com.br/ em 05/03/08 às 21:50h


Fabia era funcionária de uma empresa fazia 3 anos. Ela cumpria muito bem suas metas, sendo inclusive, nesse quesito, a melhor de todos no seu departamento. Mas Fabia foi demitida ontem.

A justificativa foi seu temperamento. Ela fazia todas as suas tarefas, mas passava o dia reclamando da vida, enumerando os defeitos da empresa e criando um clima ostil no departamento. Ela era arrogante e prepotente. Ah, também era mandona.

Ontem foi por causa do mouse que quebrou. Ela ficou indignada ao saber que a empresa não tinha lá, guardado, um mouse reserva. Fez um escândalo por causa disso. Para apaziguar a situação, o gerente de TI ofereceu o seu mouse, mas ela não quis. Ela dizia ser um absurdo ter que usar o mouse do outro. "Será que eu vou ter que trazer de casa???"

Ela passou o dia inteiro resmungando, dizendo que estava muito nervosa e não queria nem saber. Se quizessem mandá-la embora, que mandassem. Pois no final da tarde alguém quis. Demitiram-na. Afinal, era isso que ela queria…

E quando todos pensaram que ia ficar tudo bem, eis que entra na sala a Fabia, vindo direto do departamento pessoal. Chegou chorando, aos berros. Se dizia injustiçada. "Como pode? Me demitiram!!! Ninguém quis saber se eu tenho contas para pagar… ninguém lembrou das coisas boas que eu fiz aqui… estou me sentindo humilhada…" Como pode-se perceber, ela estressou.

Mas afinal, não era isso que ela queria? Não, não era! Ela dizia que era isso que queria porque se sentia segura demais em seu cargo, em seu emprego. Ela sempre achou que ninguém iria demiti-la por problemas de relacionamento, pois o seu trabalho estava em dia. Por isso ela desafiava.

O que muita gente não entende é que as tarefas diárias são somente parte do seu trabalho. Mas também há outras coisas que precisam ser analisadas num profissional. No futebol, por exemplo, tem muito craque de bola que nenhum time quer, porque ele joga bem, mas cria um clima tão negativo com suas vaidades que lá ninguém mais joga. Nasses casos, o melhor que o treinador tem a fazer é tirar o craque mal humorado, arrogante e mandão e, no lugar dele, colocar um principiante.

É bem possível que o novato não faça tantos gols quanto o antecessor, mas fará alguns, enquanto que o clima no time melhorará e os outros que não faziam nada, passarão a fazer também. É preferível ter vários profissionais medianos do que ter somente um bom e os outros todos coitados. Na verdade, ninguém é bom o suficiente para ser campeão sozinho. Ninguém consegue levar um time nas costas por muito tempo.

As empresas estão repletas de Fabias. Mas aos poucos os chefes vão percebendo que sem elas, as empresas funcionam melhor. Já as Fábias sempre acham que facilmente encontrarão um emprego melhor, o que pode ser verdade. Mas só por pouco tempo, já que em poucos meses estará insatisfeita novamente.

As Fábias sempre reclamam que suas vidas não vão para a frente. Elas dizem que sempre quando acham que tudo está indo bem, alguma coisa acontece de ruim para estragar. O que elas não sabem é que a explicação disso está na "lei da ação e reação", que diz que tudo que vai, volta… e na mesma intensidade.

Se o problema está em você, não adianta mudar de empresa, pois você leva você junto contigo para lá. Isso me faz lembrar de uma frase do russo Leon Tolstoy que dizia que "o homem passa a vida inteira tentando mudar o mundo e se negando a mudar a si próprio".

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