segunda-feira, 24 de maio de 2010

As viúvas de Pelé.



Esse post vai para os que eu sei que gostam de futebol. Após assistirem ao vídeo, reflitam comigo. Não quero gerar nenhum debate sobre torcidas no blog, não é essa a intenção... mas sim apenas curtir e refletir.

O Pelé jogou no Santos até o inicio dos anos 70. E depois disso, nunca mais o Santos foi o mesmo.

Em 1978 surgiram os primeiros meninos da Vila. Pita, Juary, João Paulo, Nilton Batata... mas todos diziam que o Santos ainda vivia das lembranças de Pelé.

Em 1984 Rodolfo Rodriguez, Serginho e companhia jogaram futebol em nível de seleção e ganharam o paulistão... mas todos diziam que o Santos ainda vivia das lembranças de Pelé.

Aí ficou alguns anos sem ter uma boa equipe, até que...

Em 1995 o Messias (nome dado a Giovanni) levou o Santos de jogadores medianos (Macedo, Jamelli, Camanducaia, Robert, Narciso, Edinho) a encantar o Brasil e só não ser campeão brasileiro por um erro de arbitragem até hoje lamentado... mas todos diziam que o Santos ainda vivia das lembranças de Pelé.

Em 1997 voltou a ganhar título, vencendo o Flamengo na final do Rio-São Paulo, mas segundo os críticos, aquele campeonato nao valia, assim como não valia a Conmembol de 1998... e todos diziam que o Santos ainda vivia das lembranças de Pelé.

Em 2002 então chegam Robinho, Diego, Elano, Renato, Fabio Costa e Leo. Vencem o Brasileiro, dão 7 pedaladas no Rogério, vão a Libertadores, encantam a América... mas todos diziam que o Santos ainda vivia das lembranças de Pelé.

Em 2004 a sequência foi ganhar novamente o brasileirão com sequestro da mãe do Robinho e tudo mais... mas todos diziam que o Santos ainda vivia de Pelé.

Em 2006 e 2007 foi o bi-campeonato paulista... mas todos diziam que o Santos ainda vivia das lembranças de Pelé.

E agora, mesmo com a conquista do Paulistão 2010, com a vaga na final da Copa do Brasil, goleadas de 10 a 0 e possível boa campanha no brasileiro, o papo das outras torcidas ainda é o mesmo! As viúvas de Pelé.

E a verdade é que elas estão certas. Porque o santista tem que ser nostálgico mesmo. Pelé era tão gênio que nem Neymar, Ganso, Wesley, Robinho, Diego ou Giovanni podem chegar perto. Aliás nem Zico, nem Rivelino, nem Sócrates, nem Romário, nem Ronaldo, nem Kaká... Nem Maradona, nem Zidane, nem Messi...

Pelé era Pelé. E se nunca mais surgirá outro nesse nível para apagar a sombra dele, nem no Santos e muito menos em outro time.

Agora assistam ao vídeo e dislumbrem-se.

sábado, 22 de maio de 2010

A maioria faz o que todo mundo faz.

É impressionante como o cidadão é condicionado a fazer uma determinada coisa. A gente não percebe, mas faz aquilo que todo mundo faz.

Ontem eu fui tomar a vacina contra a gripe H1N1. Estavamos eu, um amigo e a irmã dele. Chegamos conversando, esperamos pelo amigo que estava estacionando o carro e entramos num posto de saúde do bairro do Taquaral, em Campinas. Da calçada já se via uma grande quantidade de pessoas e, como era o último dia, não pensamos na hipótese de voltar depois. Nos dirigimos ao final da fila e ficamos conversando por cerca de dez minutos até que chegou nossa vez.

Em questão de alguns instantes eu já estava indo embora com um algodãozinho no braço esquerdo. E foi exatamente aí que perguntei a uma das pessoas que estavam comigo se tinha perguntado que vacina era aquela. E óbvio que ela não perguntou e nem eu. Ou seja, ainda bem que entramos na fila certa (só aí eu vi uma plaquinha indicando).

O fato é que o ser humano age exatamente assim: entra num determinado local e faz aquilo que todo mundo faz. Não me lembro onde li um artigo que dizia que 80% da população não pensa, que 15% pensa que pensa mas não pensa e, finalmente, que somente os 5% restantes é que pensam. Se fosse tomar base pelo caso que contei acima eu estaria nos 80%, que não pensa e apenas segue a massa.

As pessoas vão pela maioria, pelo que é visto como normal, independente de ser bom ou ruim. O Silvio Santos, no seu antigo programa de TV chamado Tentação, mostrava isso claramente quando desafiava os participantes a mudarem de resposta e bastava um mudar que muitos vinham na sequência fazendo o mesmo. Ouvindo o Max Gehringer falar na CBN um dia desses sobre a minoria que cria e a maioria que executa, lembrei-me do caso dos 80% e entendo que isso pode ser bom e significar o equilíbrio. Mas ao mesmo tempo é importante incentivar a criatividade no cidadão.

Se temos 5% de pessoas que pensam, precisamos incentivar mais gente a pensar. Se o fizermos pode ser que esse número aumente ou ainda que continue igual. Mas se não nos preocuparmos com isso, certamente em alguns anos esta estatística já trará uma margem menor de pessoas que fazem diferente, cedendo lugar a mesmisse.

E se alguém ainda não tomou a vacina, sugiro que vá pois não dói e nem faz mal. Mas não custa perguntar antes qual vacina está tomando.