sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Zebra ronda a Copa

Uma Copa do Mundo realizada na África do Sul não poderia deixar de ter presente os bichos locais. Considerando que o sul do continente é habitat natural das Zebras, elas tinham que aparecer. O que ninguém esperava é que a Zebrinha fosse européia, galopando de Paris à Roma, atrapalhando a sorte de franceses e italianos, justamente os finalistas da Copa passada.

O motivo exato que levou essas duas seleções a terminarem em último lugar em suas chaves, nós não estamos em condições de saber. Mas podemos concluir que um trabalho em equipe depende muito mais de harmonia e clima favorável do que simplesmente uma reunião de vários talentos. Provavelmente, em suas concentrações, as seleções azuis não viviam os melhores dias.

Que o time da França estava dividido, ficou claro. Eram insultos de um lado, arrogância de outro e, para terminar com mais estilo parisiense, aquela típica falta de educação. Aliás, nos três últimos mundiais, os franceses saíram com uma péssima última imagem: a desclassificação precoce de 2002, a cabeçada de Zidane em 2006 e a grosseria do técnico Raymond Domenech na última terça-feira.

Já da Itália, coitadinha, nós brasileiros sentimos até um pouco de dó (embora pudéssemos ter torcido contra). Afinal o povo italiano é tão simpático e tão presente, fazendo parte de nossa cultura. Mas eles, diferentemente da arrogância francesa, me parece que sofreram de outro mal, que foi a falta de autoconfiança. Senti a Azurra entrando em campo com medo, sentindo demais a responsabilidade de favorita.

Enfim, uns por terem excesso de confiança, outros por falta dela, a verdade é que as duas equipes voltam para a casa. Com suas economias beirando uma crise financeira, mas sem perderem o status de refinados, eles não terão ao menos essa alegria. Me lembro então de uma frase constantemente repetida pelo meu primeiro gerente no final dos anos de 1980, que caberia bem para esses dois times. Ele dizia sempre "não sei o que é pior, se a falta de confiança em si próprio ou se a confiança exagerada". Eu também não sei!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quem foi melhor?


Acompanhamos recentemente a polêmica provocada pelo técnico do time argentino, sobre quem seria o melhor jogador de futebol de todos os tempos. E pode parecer meio esquisito um brasileiro defender Maradona, mas me colocarei a isso a partir desse momento:

Não acho justo de nossa parte compararmos Maradona com Pelé. Maradona foi fantástico dentro de campo e merece todo o prestígio do povo argentino. Além disso ele jogou no Napoli da Italia, onde fez dupla com o brasileiro Antonio Oliveira (o Careca) protagonizando um brilho inesquecível. Por outro lado, Pelé foi considerado simplesmente "o atleta do século", o que o coloca em um patamar diferenciado e sem comparação.


O justo, portanto, seria comparar Maradona com atletas de primeiro nível, como Zico e Rivellino, que atingiram números parecidos com os do Argentino. Podemos fazer então uma breve avaliação:

Títulos mundiais:
Pelé 5 (3 Copas + 2 Interclubes)
Zico 1 (1 interclube)
Ricellino 1 (1 interclube)
Maradona (1 Copa)

Quantidade de gols:
Pelé 1282
Zico 850
Rivellino 260
Maradona 360

Imagens que mais marcaram:
Pelé - Gols que não fez.
Zico - Pênalti perdido na Copa de 86.
Rivellino - Lançamentos e cobranças de falta.
Maradona - O gol de mão.

Um jogador como Pelé, que fazia tantas jogadas geniais, tinha mesmo que ficar marcado pelo que era incomum, ou seja, os gols que não fez. Porque ele fez tantos que, o não fazer era incomum.

E, segundo Marco Luke do CQC, o Luis Fabiano (atual camisa 9 do Brasil) é uma mistura dos dois, pois fez o gol de mão como Maradona numa jogada genial, igual as de Pelé.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Morumbi, você está demitido!!!


Muitas vezes o chefe avisa, avisa... mas o profissional não acredita. Continua fazendo as coisas do seu próprio jeito. Depois de um tempo ouve a frase que ficou famosa pela boca de Roberto Justus: - Você está demitido!!!

Independente dos e-mails que eu possa receber me dizendo que “foi politicagem”, que “tudo faz parte de um esquema da FIFA, da CBF”, que "envolve dinheiro" ou outras mais (e eu não desacredito), certamente o São Paulo Futebol Clube foi surpreendido com uma cartinha de demissão para o seu projeto para 2014. Foi isso que aconteceu ontem, quando durante o jogo entre África do Sul e Uruguai pela abertura da segunda rodada da primeira fase da Copa do Mundo, a CBF lançou uma nota dizendo que o Morumbi estava definitivamente descartado como sede para a Brazilian Cup.

Na verdade, o que este cronista desinformado sabe sobre o Morumbi ter sido descartado é o que ouviu na TV ou leu na internet, portanto não é intenção fazer nenhum relato sobre o fato em si, do qual não tenho conhecimento. Desejo apenas comparar a situação com o que acontece no dia a dia, dentro das empresas, quando muitas pessoas são avisadas incansavelmente sobre a negativa de suas condutas, são aconselhadas e orientadas a fazerem diferente e não fazem.

Assim como os dirigentes do São Paulo supostamente apostaram na falta de alternativa viável para a capital Paulista, acreditando ainda que a maior metrópole do país jamais ficaria de fora do evento, muitos profissionais apostam na falta de outra alternativa viável para fazer o que eles fazem. Acontece que às vezes, é melhor não ter nada do que ter algo que não é bom. E por isso, muitos são surpreendidos com cartas de demissão para serem substituídos por pessoas menos experientes ou mesmo por ninguém, mas que de uma forma ou de outra, a mudança fará com que haja resultados maiores ou menos piores.

Nem sempre o pouco é melhor do que o nada. Num ambiente corporativo, ter um colega com mentalidade ruim é pior do que não ter ninguém, porque aquele que faz pela metade vira referência e gera no grupo uma cultura negativa, que impede a mudança e consolida o comodismo. Demiti-lo não é a primeira, mas com o tempo pode ser a única atitude viável quando se quer crescer. Para tanto a palavra de ordem é adaptação e o funcionário meia boca nem sempre quer se adaptar. Ele não quer crescer, quer apenas que os outros não cresçam para não oferecerem concorrência.

À cidade de São Paulo fica apenas a minha torcida que outro estádio seja oferecido ao Comitê Organizador e que seja aceito. Eu, que não sou palmeirense, posso sugerir sem ser suspeito que se observe o projeto de reforma do Parque Antártica, que está sendo transformado numa Arena Multiuso. Quem sabe não serão lá os jogos?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Confusão de pensamento

Não demorou muito e já aconteceu o primeiro frango da Copa. Isso aconteceu no sábado, no jogo entre Inglaterra e Estados Unidos, quando o goleiro Green deixou passar uma inofensiva bola por entre os dedos. Também já aconteceram as espulsões, outro frango, erros de arbitragem e, hoje pela manhã, um gol contra da Dinamarca em favor da sua vizinha Holanda. A imprensa adora isso, pois significa mais assuntos para a pauta do jornal. O torcedor festeja ou chora, dependendo de que lado ele esteja. Mas e o que acontece com quem errou?

O que passa nesse momento pela cabeça dos goleiros Robert Green e Faousi Chaouchi? Qual o comportamento do Uruguaio Nicolas Loudeiro que foi expulso no jogo contra a França? Como se sente então o zagueiro Poulsen, da Dinamarca, em ter feito o gol para o adversário? Sentem-se certamente da mesma maneira que qualquer um de nós se sentiria ao perceber que gerou um prejuízo em sua empresa por uma falha cometida.

Um goleiro que leva um frango fica numa confusão de pensamento. Não sabe se torce para que o jogo acabe logo, que a bola não venha mais pra o seu lado, que a defesa dê conta de combater o adversário ou, se numa atitude até um pouco egoísta, passe a torcer para que venham outras bolas, agora difíceis, para que ele possa mostrar ao time, ao técnico e a torcida que ele dá conta do recado. Na empresa, quando cometemos uma falha, o melhor que temos a fazer é querer acertar e para acertar temos que novamente nos lançar a fazer.

Se todo goleiro que cometeu uma falha pedisse para sair do time, se todo jogador expulso de campo nunca mais voltasse a jogar, se todo funcionário que se engana abandonasse o trabalho, não haveria chances para o acerto. Todo bom profissional, seja na empresa ou no futebol tem várias histórias para contar, tanto de sucesso quanto de fracasso. Eu aprendi isso há pelo menos uns 17 anos, quando numa festa da empresa no Rio de Janeiro eu cometi uma gafe e fui alvo do descrédito da minha equipe por um tempo. Porém tive o apoio de minha gerente da época e em função desse apoio consegui dar a volta por cima e mostrar a todos que poderiam confiar em mim, apesar da falha cometida.

O que eu acredito que farão os profissionais Green, Chaouchi, Loudeiro, Poulsen e os outros avermelhados da Copa 2010 é pedirem apenas mais um pouquinho de crédito e se lançarem a fazer, daqui pra frente, os melhores jogos de suas vidas, independente de qual seja o desenrolar de resultados que suas equipes terão. E nós, profissionais do mundo corporativo, devemos fazer o mesmo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vida Maria

Quem tiver oportunidade, assista. VIDA MARIA é o título desse maravilhoso curta metragem do diretor Marcio Ramos, com duração de 9 minutos. Trata-se da história de Maria José, uma menina que viveu sempre na mesma situação, com a mesma "vidinha" e que, sem perceber, impõe tal destino para a filha Lourdes. Quem sabe Maria José também não tenha sido a Lourdes de antigamente e sua filha não seja a Maria da próxima geração? O fato é que a vida de muitas pessoas é exatamente assim: serem iguais aos seus pais, sem mudança, sem perceber o circulo vicioso, sem sair daquele mesmo mundinho.

A definição de sucesso e fracasso é uma discussão ainda muito aberta, onde algumas pessoas questionam se sucesso é determinado pelo acúmulo de patrimônio e outras afirmam que isso é algo totalmente subjetivo. A definição de sucesso para esse blogueiro é "fazer diferença na vida". E o que seria essa idéia de fazer diferença? Há muitas pessoas que não ganham tanto dinheiro, não tem o nome reconhecido no país, região ou cidade onde moram, não ganharam prêmios em suas empresas e não foram referência em nenhuma profissão, mas fizeram diferença para alguém que futuramente vai poder viver todas essas conquistas.

É o caso da mãe analfabeta que vive toda a sua vida de forma miserável, sem sair daquele pequeno mundo de "vida maria", mas consegue chegar ao seu leito de morte tendo propiciado ao filho a condição da mudança. Ou seja, a sua vida medíocre foi uma "vida maria", mas a do filho tem tudo pra não ser por conta de seus sacrifícios. Essa mãe pode ser considerada uma pessoa de sucesso? Na minha opinião, sim! Pois dentro de sua realidade, de seu alcance e de seus objetivos, conseguiu fazer a diferença. Essa pessoa teve mais sucesso do que aquele milionário de berço, que vive bem financeiramente tendo herdado a fortuna dos pais, mas que nunca ousou, nunca arriscou, nunca empreendeu e nunca conquistou.

Sucesso, então, pode ser definido como "a conquista de um grande objetivo". Para uns, proporcionar boas condições de estudo, educação e cultura para os filhos pode ser simplesmente obrigação. Para outros, isso pode ser uma enorme batalha de vida.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Imaturidade Social

Conversei hoje com uma amiga pedagoga, pela manhã na padaria. Ela me falou um pouco sobre o comportamento totalmente imediatista das crianças. Segundo minha amiga, as crianças pensam exclusivamente no presente. Passado pra elas são somente os traumas e futuro é, no máximo, "aonde eu vou brincar amanhã". Ela quis dizer que as crianças tem um único estimulo para agir: o que é mais confortável agora.

Tanto que, quando uma criança não quer ir a escola, de nada adianta dizer a ela que se não for vai ficar "burra" ou que não vai conseguir emprego. Crianças não pensam nisso, pensam exclusivamente em fazer agora o que lhes dá prazer. Por outro lado consegue-se algum resultado quando diz-se que se não tirar nota terá que ficar ainda mais tempo na escola devido a recuperação, pois essa ameaça é para um futuro muito próximo, que a criança já consegue enxergar.

Os termos "maduro" e "imaturo", antonimos que são, partem desta característica, a de pensar ou não como criança. De acordo com a idade da pessoa, presume-se que ela tenha uma determinada condição de decidir por ações que facilitem seu futuro. Quando são maduras elas agem de maneira que suas ações não prejudiquem a continuidade de seu bem estar, abrindo mão de determinados prazeres imediatos para poder melhorar suas vidas após alguns anos. Quando são imaturas elas nem ligam pra isso.

Imaturidade então é quando um ser age aquem do que se espera para a sua idade cronológica. Mutiridade é a capacidade de escolher pensando no todo. A imaturidade explica um vendedor que mente para vender, mesmo sabendo que perderá o cliente enganado quando esse descobrir a mentira. Explica o funcionário que rouba a empresa mesmo sabendo que em algum momento será pego. Explica o cidadão que estraga o meio ambiente mesmo sabendo que terá dificuldade de viver em um mundo degradado. A maioria dos problemas sociais que vivemos está ligado ao fato de haver pessoas adultas que pensam e agem como crianças, incluindo letrados e estudiosos.

Numa entrevista que li com o escritor Fernando Dolabela, ele dizia que em alguns lugares já se ensina o empreendedorismo na escola desde o fundamental. Na opinião deste cronista, este é o caminho: desenvolver na criança a capacidade de planejar. Respeitar as faixas etárias (o que é muito comum nos dias atuais) mas também preparar o aluno para que ele possa voar. Quanto mais empreendedorismo responsável e maduro tivermos em nosso dia a dia, mais preservaremos nosso planeta, nosso mundo e nossa sociedade.