segunda-feira, 26 de julho de 2010

E o mercado sempre se adapta

Ao longo dos anos vivi alguns casos onde todo o planejamento da empresa ficava abalado em função de um fato novo que surgia e fugia do controle. Lembro-me de alguns que modificaram totalmente a cultura que se tinha até ali. Quando esses fatos novos surgiam, tiravam o sono dos empresários ligados àquele setor, mas logo em seguida o mercado se adaptava.

Houve também situações bem mais complicadas, onde simplesmente um ramo foi proibido, como aconteceu com os bingos, que realmente não existem mais e os que existem são clandestinos. Este artigo, porem, busca lembrar da criatividade dos empresários para buscarem soluções.

Na década de 90, as prefeituras da maioria das cidades do Estado de São Paulo proibiram buzinaços. Com isso o caminhão de gás que chamava atenção de sua clientela através da buzina do caminhão teve que criar um novo sistema e assim o fez. Hoje os caminhões continuam vendendo seu produto de porta em porta, porém com a musiquinha do Bethoven. Alguns mais ousados já criaram formas de deixar com o cliente o telefone do depósito e entrega o botijão através de um motoqueiro numa motocicleta adaptada. O detalhe é que ainda ninguém proibiu os alto-falantes e nem o carro das "pamonhas de Piracicaba".

Ainda nos anos 90 a França proibiu propaganda de cigarros na mídia de massa. Alguns países seguiram a receita, incluindo o nosso. Aqui, ainda as indústrias foram obrigadas a colocar mensagens de alerta para os consumidores, informando o mal que causaria o consumo do produto. As empresas passaram então a promover mega festas onde colocavam pontos de venda de distribuição de amostras.

Já mais recentemente a cidade de São Paulo passou a controlar a poluição visual, definindo locais onde se permitia ou não placas de publicidade, regulamentando-as. Em seguida ditou regras também para as fachadas dos prédios comerciais. Pouco tempo depois a maioria das prefeituras paulistas já faziam a mesma coisa. Mais prejudicados que os comerciantes que perderam uma forma de anunciar foram as empresas especializadas em expor out-doors, que perderam muito de seu produto. Depois disso surgiram diversas e divcersas novas mídias, como propagandas em caixas de pizza, bolachas de choop, taxis, ônibus e até em peruas escolares.

Os donos de bares paulistas devem ter sido os mais atingidos pela sequência das chamadas "Lei Seca" (que proíbe de dirigir quem consumiu qualquer quantia de bebida alcoólica), "Lei anti-fumo" que acaba com os espaços destinados a fumantes nos bares de São Paulo e proíbe que qualquer pessoa acenda um cigarro em locais de uso público e, por fim, em alguns municípios, pela lei "fecha bares", que impõe horário limite para funcionamento de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas. Se você fosse dono de bar, teria perdido o sono, mas os bares já se arranjaram, cada um do seu jeito. Hoje em São Paulo, existem serviços de "leva e traz", taxis conveniados com restaurantes e até estacionamentos gratuitos que permitem ao cliente buscar o carro no dia seguinte.

Enfim, só não busca soluções quem prefere chorar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A diferença entre Religião e Solidariedade


Faz algum tempo que eu deletei deste blog todos os artigos que não eram de minha autoria. Manter apenas textos escritos por mim talvez fosse a melhor maneira de externar aos leitores aquilo que de fato aprendi. Mas na última semana eu recebi um e-mail de um amigo que, em seu conteúdo, trazia exatamente a idéia que eu defendo, por isso resolvi publicá-lo.


Para complementar ainda, eu gostaria de dizer que a religião tem gerado problemas dentro das empresas quando um dos envolvidos (empresário, funcionário, cliente ou fornecedor) não entende a idéia abaixo.
Observação: Eu já havia encaminhado esse texto aos meus amigos no final de semana. Recebi algumas respostas e transcrevi seus comentários abaixo, vindos do Danilo, André, Vitória e Julio Cesar.


Aguinaldo Oliveira
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Parece mentira, mas foi verdade. No dia 1°/Abr/2010, o elenco do Santos Futebol Clube, atual campeão paulista de futebol foi a uma instituição que abriga trinta e quatro pessoas. O objetivo era distribuir ovos de Páscoa para crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral. Ocorreu que boa parte dos atletas não saiu do ônibus que os levou. Entre estes, Robinho (26a), Neymar (18a), Ganso (21a), Fábio Costa (32a), Durval (29a), Léo (24a), Marquinhos (28a) e André (19a), todos ídolos super-aguardados.


O motivo teria sido religioso, a instituição era o Lar Espírita Mensageiros da Luz, de Santos-SP, cujo lema é Assistência à Paralisia Cerebral. Visivelmente constrangido, o técnico Dorival Junior tentou convencer o grupo a participar da ação de caridade, mas sem sucesso. Posteriormente, o Santos informou que os jogadores não entraram no local simplesmente pormotivos religiosos.
Dentro da instituição, os outros jogadores participaram da doação dos 600 ovos, entre eles, Felipe (22a), Edu Dracena (29a), Arouca (23a), Pará (24a) e Wesley (22a), que conversaram e brincaram com as crianças.



Eis que o escritor, conferencista e Pastor (com P maiúsculo) ED RENÉ KIVITZ, da Igreja Batista de Água Branca (São Paulo), fez uma análise profunda sobre o ocorrido e escreveu o texto abaixo que eu gostaria de compartilhar com todos.
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No Brasil, futebol é religião (por Ed Rene Kivitz)


Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.


A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé. Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.


O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.


Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero e inclusive religião.


Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.


Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Política do vale tudo


Imagine que você está procurando emprego já há bastante tempo. E observando os classificados, depara-se com uma vaga que te interessa, porém você disconfia que seu Curriculum tem um ponto fraco e que pode te eliminar. Pior que isso, esse teu ponto fraco é algo que você não consegue omitir. O que você faria?

Muitas pessoas simplesmente contam uma mentira. Vou citar algumas que são comuns de encontrarmos.
Endereço:

Por diversas vezes selecionei candidatos que mentiram endereço para poderem ser contratados. Em alguns casos moram em outras cidades e colocam o endereço de um parente para facilitar a contratação. Ao serem contatados pelos telefones com seus DDDs diferentes, dizem que estão de mudança para o endereço informado. Em casos mais extremos, o candidato dá um endereço no curriculum, mas ao ser contratado informa que mora na região metropolitana e pede o VT para o endereço real. As empresas, ao se depararem com casos assim, costumam dispensar o candidato, pois perdem a confiança no mesmo.

Idade:
O ideal é que as empresas não tenham restrições quanto a idade dos candidatos. Eu mesmo não tenho, pois acredito que os mais velhos são inclusive mais fiéis a empresa. Mas percebo que o mercado não pensa assim. Então muitos candidatos simplesmente não colocam idade ou data de nascimento no curriculum. Um dia contatei uma pessoa e me empolguei com a mesma pelo telefone. Como faltavam alguns dados eu perguntei sua idade, que me respondeu 35 anos. Ao receber o candidato pessoalmente, percebi que parecia mais velho. Perguntei então novamente sua idade e a resposta foi 53 anos. Perguntei então o motivo de ter dito outra coisa ao telefone e a resposta foi por acreditar que assim teria chance de ser entrevistada. No final das contas, não me senti a vontade para contratar uma pessoa que teria começado a relação mentindo.

Estudando:
Também é muito comum que os candidatos informem no Curriculum que estão estudando, seja faculdade, idiomas ou cursos profissionalizantes. Mas ao serem selecionados, explicam que 'estão para começar um curso'. Algo do tipo 'estou esperando arrumar um emprego para começar o curso que eu coloquei no curriculum'. Outra coisa comum é que muitos dizem que estão estudando inglês com professor particular, mas aí... depois de meia duzia de perguntas a informação muda, dizendo 'é que eu ainda vou iniciar a semana que vem'.

Enfim, mentir pode até fazer o candidato ser selecionado, mas para poder confirmar a mentira ele terá que inventar mais uma, até ser descoberto. No fim das contas, fica sem o emprego e ainda passa vergonha. O melhor mesmo é contar sempre a verdade. Então, se seu Curricvulum tem um ponto que pode pesar contra a vaga, escreva uma carta ao selecionador e explique como você poderia superar isso. Se vai dar certo eu não posso afirmar, mas seguramente será melhor do que contar uma mentira.