terça-feira, 2 de novembro de 2010

Evite dar o silêncio como resposta


Certamente escrever neste blog só é possível por eu estar diariamente dentro de um ambiente corporativo. Nenhum livro nos faria aprender mais do que a empresa, o que não diminui a importância dos livros. Mas o fato é que não adianta sabermos as teorias da administração e de pessoal se nunca tivermos vivido situações onde possamos aplicá-las.

Um caso interessante que vivi na prática foi quando fiz parte de um comitê deliberativo que cuidava de uma determinada competição entre os funcionários da empresa. Esta competição acontecia semestralmente e dava prêmios valiosos, inclusive chegou a dar mais de uma vez um automóvel para o primeiro lugar. Desta maneira, ininterruptamente recebíamos e-mails onde participantes reclamavam da pontuação, outros questionavam as regras, mais alguns pediam que fossem abertas considerações para seus casos que eram diferentes e por aí vai.

Muitos questionamentos faziam sentido e o comitê deliberava. Porém, de vez em quando aparecia alguma pergunta boba, uma reivindicação sem sentido ou mesmo aquelas perguntinhas capiciosas que tinham como única intenção desbancar quem tem que responder. Para essas casos, não era incomum alguém do comitê levantar a hipótese de simplesmente não responder. Num desses casos me lembrei da seguinte fábula, que sinceramente não sei mais onde lí.

“Conta-se que certa feita um jovem maldoso e inconseqüente resolveu pregar uma peça em um idoso e experiente mestre, famoso por sua sabedoria.
- Quero ver se esse velho é realmente sábio, como dizem - pensou - Vou esconder um passarinho em minhas mãos. Depois, em presença de seus discípulos, vou perguntar-lhe se está vivo ou morto. Se ele disser que está vivo, eu o esmagarei e o apresentarei morto. Se ele falar que está morto eu abrirei a mão e o pássaro voará.
Realmente, uma armadilha infalível, como só a maldade pode conceber. Aos olhos de quem presenciasse o encontro, qualquer que fosse a sua resposta, o sábio estaria incorrendo em erro. E lá se foi o jovem mal-intencionado com sua armadilha perfeita. Diante do ancião acompanhado dos aprendizes, fez a pergunta fatal:
-Mestre, este passarinho que tenho preso em minhas mãos, está vivo ou morto?
O sábio olhou bem fundo em seus olhos, como se examinasse os recônditos de sua alma, e respondeu:
-Meu filho, o destino desse pássaro está em suas mãos."

Essa situação é um bom exemplo de união entre prática e teoria. A partir daí nenhuma pergunta ficou sem resposta, por mais boba que fosse. Quando recebíamos como consultas as "pegadinhas" ou colocações mal intencionadas, as respostas eram feitas conforme bula de remédio, ou seja, explicando tim tim por tim tim cada situação. Depois de um tempo, somente recebíamos questionamentos plausíveis.

Enfim, o silêncio nunca é uma boa resposta, porque permite ao outro lado interpretar da forma com que quiser, o que sempre gera polêmicas.

2 comentários:

  1. Gosto muito do seu blog... e sempre que posso estou acessando. Eu acredito que as vezes o melhor a se fazer é ouvir o barulho do silencio.

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  2. boa sacada, as vezes queremos pz, mas o que o texto diz é pra não deixar nada sem resposta.

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