quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Deixe o tempo passar


Hoje é dia 30 de dezembro e amanhã acaba o ano. É uma excelente época para fazermos uma reflexão simples: COMO O SER HUMANO CONSEGUE SER CONTRADITÓRIO!!!

Vejo pessoas passarem o ano inteiro torcendo para chegar logo o final de semana, já na segunda-feira perguntando quanto tempo falta para a sexta-feira, dizendo que a única coisa boa de uma segunda-feira é que está longe da outra segunda... Essas mesmas pessoas escondem a idade, não gostam de declarar data de nascimento nem no cadastro do dentista, vivem repetindo a frase “isso não é do meu tempo” fingindo não se lembrarem de um passado mais distante, mas continuam torcendo para que a semana passe depressa.

Talvez isso aconteça pelo que Evandro Mesquita cantou em “O romance da universitária otária”, uma música que fez sucesso nos anos de 1980. Num dos trechos, a canção dizia “todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer”. E eu ficava pensando se em nossas vidas não comentemos a mesma contradição. Afinal, queremos aproveitar a vida ou que ela passe logo?

Irracionalmente o ser humano acelera reus relógios durante quase todo o ano e tenta retardá-los agora nessa época. Acredito que, em vez de chegar aos dezembros lamentando-se pelo ano que já acabou as pessoas poderiam chorar menos por terem que trabalhar e aproveitarem mais os momentos de solução.  Se num dia de vento pudéssemos levar as crianças para soltarem pipa, se num dia de chuva mostrássemos a elas o esverdear da grama da praça, quem sabe estas crianças não cresceriam já com outra concepção da vida?

As rugas que ganhamos pela lamentação do passar do tempo certamente são mais profundas do que as rugas próprias do tempo. Porque desejar felicidades somente para o ano novo? Porque não curtir também o ano velho? Então, neste dezembro não se lamente. Termine 2010 com alegria e inicie 2011 com alegria também, pois assim, quando chegar o próximo dezembro, você poderá ter menos rugas com mais histórias para contar. Enfim, deixe o tempo passar...

FELIZ 2010 (hoje e amanhã) E FELIZ 2011 A TODOS OS LEITORES.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Celular, uma praga do mundo moderno


A tecnologia nos ajudou a resolver inúmeros problemas, como a falta de espaço físico para armazenamento de documentos e que hoje são guardados em CDs ou o tempo que se perdia em consultas às bibliotecas e que atualmente são facilmente feitas pelos mecanismos de buscas na internet. Por outro lado, trouxe também diversas doenças corporativas, ou seja, as dependências e vícios dos quais o ser humano é vítima.

Enquanto as crianças deixaram de jogar botão para disputar partidas eletrizantes no Winning Eleven, os profissionais abandonaram os arquivos e livros de ata para operar através dos computadores. O telefone fixo raramente é usado e o rádio ou celular chega quase a substituir o ramal. Mais simples, mais prático e mais rápido, este tem a vantagem de encontrar a pessoa diretamente, sem ter a perda de tempo de passar por uma telefonista que transferiria a ligação, correndo ainda o risco do sujeito não estar na sala.

Acontece que o telefone celular gera alguns efeitos colaterais, como a falta de concentração e privacidade. Atualmente as salas de aula de todos os níveis de instrução mais parecem um Call Center do que um local de estudos. Celulares tocam indiscriminadamente e infeliz do professor que tenta tomar uma atitude contra eles. Outro problema é a inconveniência das câmeras embutidas que fotografam as pessoas em qualquer lugar, inclusive indiscretos. Além disso, a conta do telefone celular para muitos é um grande problema financeiro. As pessoas têm problemas, ficam deprimidas e usam o celular para contarem suas dores aos amigos mais próximos e confidentes, com isso a conta vai crescendo e a depressão também.

Há alguns dias, conversando com um colega de trabalha viciado em celular, fizemos as contas de quanto seria sua economia durante os 5 anos em que trabalhamos juntos se, em vez de gastar cerca de R$ 350,00 de telefone móvel, gastasse apenas os R$ 50,00 normais de um cidadão comum. Chegamos à conclusão que tal economia daria para comprar um Corsa ano 2008. Sabemos que atualmente é impossível para a maioria dos profissionais de ponta não carregarem um telefone a tiracolo, mas a tecno-dependência nos causa mais transtornos do que vantagens.

Sendo assim, precisamos assumir o papel de DONOS dos nossos equipamentos e não o de DOMINADOS por eles. Devemos usar a tecnologia para nos ajudar sem termos que pagar o preço da dependência obsessiva. Caso contrário, em mais alguns anos, faremos vir à realidade a previsão do antigo escritor tcheco, Karel Capek, que escreveu na década de 20 a peça "Rossum´s Universal Robots", onde cientistas criavam robôs escravos que no final da estória se voltavam contra seus criadores e dominavam o mundo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Amigo Oculto


- O meu amigo secreto… tem dois olhos… uma boca… é um cara muito legal… etc… Geralmente é assim a entrega do presente do amigo secreto. E isso acaba se tornando meio chato, né? Mas se é chato, então porque nunca falta o amigo secreto nas festas de final de ano das empresas?

O Amigo Secreto surgiu no final dos anos 60 como uma alternativa ao presente de Natal. Naquela época era comum pessoas trabalharem numa mesma empresa durante 30 anos e consequentemente comum terem no trabalho amigos tão bons quanto um irmão. Isso os fazia sentir vontade de presenteá-los no Natal, porém se presenteasse um, ficaria muito chato não presentear o outro.

Assim alguém inventou o Amigo Secreto, Amigo Oculto ou Amigo Invisível. Daí pra frente o mundo mudou, as pessoas passaram a serem mais competitivas em busca de ascensão e isso criou muitas rivalidades a ponto de existirem muitos "inimigos secretos" trabalhando juntos. Aí alguém inventou a "cara de pau"... Também surgiram outros problemas, como o fato de gostar ou não do presente que ganhou, de achar que deu um presente mais caro do que o que recebeu, etc. Então surgiram as brincadeiras combinadas, onde estipula-se o valor mínimo e máximo dos presentes, se é CD, chocolate ou afins.

Vou sugerir algumas coisas:
  • Amigo Secreto em empresa pequena fica bom se todos participam pois todos se conhecem, mas em empresas grandes, com mais de uma sede, faz com que os presentes sejam menos significativos, pois as pessoas não se conhecem. Nesse caso é melhor fazer entre os departamentos.
  • Uma inovação é o amigo secreto indefinido. Todos os homens compram presentes para homens. Todas as mulheres trazem um presente para mulheres. No sorteio, alguém fica responsável por escrever o nome dos homens num papel azul e das mulheres num papel rosa. Coloca-se dentro do mesmo saco. Quando os convidados chegam (eles ainda não sabem quem será o seu amigo sorteado) eles colocam os presentes em lugares separados (à esquerda os masculinos e à direita os femininos). No sorteio (que é feito no mesmo momento da entrega) quem pegar um azul, antes de abrir e saber quem será o seu amigo, pega aleatoriamente um presente masculino (que não pode ser o seu) e só então abre o papel para poder anunciar. Quem pegar um rosa já sabe que o presente será para mulher, então vai no monte feminino buscar o presente. Dessa forma o presente que você deu, será um presente seu para a equipe e o presente que você recebeu também será da equipe para você. E mesmo que alguém reclame do que ganhou, não saberá quem deu.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Confraternização de final de Ano


Normalmente no final do ano as empresas premiam os seus funcionários e colaboradores com um evento de confraternização. As vezes um churrasco, outras um jantar, uma festa. Sempre também está incluso o amigo secreto. E eu acho ótimo que isso aconteça, afinal pessoas trabalham juntas o ano todo cumprindo suas obrigações e é natural que no final do ano se reúnam para umas boas gargalhadas.

Claro que é muito importante que elas entendam que continuam sendo profissionais naquele momento e que devem se comportar com mais alegria, porém com muito juízo durante as comemorações, pois eu já vi gente ser demitida no dia seguinte a festa devido ao comportamento durante o evento. Acontece que nesses lugares sempre há bebida alcoólica, o que é bem razoável considerando nossa cultura. E onde há bebida alcoólica há também o exagerado. E aí você já sabe… A maioria das empresas reserva um sábado ou domingo do mês de Dezembro e reúne o pessoal numa chácara com um belo churrasco. Lá encontraremos alguns personagens típicos:

1 - Os atletas. Eles passam o domingo todo correndo e a segunda-feira toda reclamando de dores.
2 - Os gulosos ao lado da mesa de comida e os beberrões ao lado do barril de choop.
3 - Os isolados, num canto sozinhos e os que dão só uma "passadinha".
4 - Os amantes da natureza que ficarão passeando e olhando as árvores.
5 - Os comunicativos, que batem papo com todo mundo.

Seja qual for o seu perfil, a sugestão é que os profissionais aproveitem o dia e se divirtam, mas que tenham moderação. Evitem exageros principalmente com as bebidas e aos que levam acompanhantes, que os oriente a também se comportarem. É importante dizer que tanto a simpatia quanto os exageros de seu acompanhante serão creditados para o profissional que o levou.

Para o empresário, sugiro que não espere nenhum retorno com tais eventos, pois poucos se lembrarão disso. Provavelmente no dia seguinte a festa haverá alguns comentários negativos que te farão prometer nunca mais fazer uma dessas. Alguém dirá que a carne estava ruim ou que a chácara não era boa. Mesmo assim, no ano que vem você, munido do seu espírito natalino pensará: esses que aí estão não tem nada a ver com os que estavam no ano passado e fará uma nova festa.

Ah, mais duas dicas:
1 - Empresário, estimule o amigo secreto.
2 - Empregado, nunca falte a uma festa dessas. Entenda que muitas empresas se esforçam para fazer o melhor, inclusive pagando caro por alugueis (em um mês inflacionado, que é Dezembro) de espaços para isso. Além do mais preparam comida e bebida suficiente para todos que prometeram ir. Se você não vai, sobra comida. Certamente em algum momento do ano você irá reclamar que a empresa não se preocupa com o bem estar dos funcionários.

Boas Festas!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O que você faria se...?


O que você faria se voltasse no tempo? O que você faria se novamente pudesse escolher que curso vai fazer na faculdade? O que você faria se hoje fosse o seu primeiro dia de trabalho? O que você, que está casado, faria de estivesse no início do namoro? Você faria algo diferente ou manteria as mesmas escolhas?

A personagem Carolina, do filme “A Dona da História”, de Daniel Filho, vive essa oportunidade. Carolina (Marieta Severo), aos 55 anos de idade, começa a questionar seu casamento e todos os sonhos que tinha na juventude. Como num passe de mágica, ela (agora vivido por Débora Falabella) volta aos 18 anos e tem a possibilidade de tomar decisões que foram cruciais em sua vida, como ter se casado com aquele marido, ter aproveitado certas oportunidades e aberto mão de tantas outras.

O fato é que o arrependimento faz parte de nossa vida. Até mesmo quem nunca escolhe nenhum caminho, um dia poderá se arrepender de não ter escolhido. Arrepender-se significa ter aprendido alguma coisa, mas não necessariamente quer dizer que a melhor opção seria outra. Há casos, como no filme, que tendo vivido diversas possibilidades, Carolina conclui que escolheu o que deveria ter escolhido e que era sim uma pessoa feliz.

Muitos falam diariamente que não deveria ter escolhido a carreira de “X”, mas sim a “Y”; não deveria ter optado por se casar com o jovem charmoso e pobre, mas sim com o nerd de família rica; não deveria ter permanecido morando com a família, mas sim ter ido embora para Londres quando os amigos foram tentar a vida no exterior. Porém, se estas pessoas tivessem feito tudo isso, hoje poderiam estar a reclamar também: “eu deveria ter escolhido algo mais rentável para trabalhar, eu deveria ter casado com a pessoa que eu amava, eu deveria ter ficado em meu país”.

Enfim, meu artigo não sugere nenhum conformismo, mas sim a reflexão de que a vida é feita de decisões e que todas as escolhas que fazemos tem preços e recompensas. Nós é que temos o hábito de somente darmos conta dos preços que pagamos, como se as recompensas já fossem mesmo fazer parte de nossos destinos. Procure viver o melhor da vida com as decisões que você tomou. Se acreditar que pode fazer algo diferente, faça... afinal nunca é tarde para começar uma carreira, um casamento, um sonho.

Melhor que começar algo novo, é RE-começar. Isso significa que também é possível renovar-se na mesma profissão, no mesmo casamento ou nos antigos sonhos. Isso porque o erro pode não ter sido na escolha e sim na condução das coisas escolhidas. Se a conclusão for esta, comece outra vez, fazendo agora da maneira certa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ponto de Vista


Uma vez ouvi alguém dizer que uma folha de papel, por mais fina que seja, ela sempre tem dois lados. Isso foi dito para mostrar que sempre há mais de mais versão para os fatos ou mesmo mais de um ponto de vista para o que é certo e o que é errado.
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Lembro-me de uma vez quando ouvi um profissional experiente de minha empresa aconselhando outro mais jovem a se afastar de determinada pessoa, dizendo:

- Aquela pessoa não é honesta, não se misture com ela...

A resposta do novato veio imediatamente e sem titubear:

- Ela pode não ser honesta para você, mas nunca tratou mal... sempre me respeitou.

O mais velho pensou, olhou e perguntou:

- Para você, o que é respeito?

Encabulado, o jovem respondeu sem muita certeza:

- Ah, sei lá, é quando a pessoa te trata bem, é educada... não sei dizer ao certo.

Já prevendo que a resposta seria essa, o experiente expôs o seu ponto de vista:

- A minha concepção de respeito não é o tratamento com simpatia, mas sim com justiça. Uma pessoa que te respeita não mente para você, não te engana, não te passa pra trás. Ao meu ver, me respeita muito mais alguém que se esquece de pedir por favor mas faz o que prometeu fazer, do que aquele outro muito amável, mas que eu não posso contar com sua palavra.
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As pessoas têm concepções diferentes do que é RESPEITO, EDUCAÇÃO, ALEGRIA, FELICIDADE, SORTE, AMOR, SUCESSO, etc. O que pretendo expor com esse breve artigo é que a definição do “bom ou ruim” se dá a partir do ponto de vista de cada um.

OLHAR NO OLHO: Meu pai sempre pedia que eu olhasse em seus olhos enquanto ele falava, mas na escola eu tinha um colega japonês que quando tomava bronca do pai tinha que olhar para o chão. Isso acontece porque na cultura japonesa, olhar para os olhos de uma pessoa mais velha significa que se está desmerecendo sua autoridade.

DIRIGIR BEM: Para alguns, bom motorista é o que nunca bateu, nunca foi multado, anda dentro do limite de volocidade permitido na via. Para outros, dirigir bem é saber fazer o transito fluir, utilizar a sua própria faixa de rodagem e ter visão defensiva. Tive uma vizinha que se orgulhava dizendo que possuia habilitação há 30 anos e nunca havia se envolvido em acidente. Ao ouvir isso, seu marido cochichava que nesses 30 anos de habilitação ela deveria ter saído com o carro, no máximo umas 30 vezes, por isso nunca havia tido chance de bater.

Enfim, tudo é uma questão de ponto de vista e para que não haja conflitos é preciso que cada um, embora tenha o seu, respeite o do outro.