segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A simplicidade ganha terreno


O mundo moderno, a concorrência e a intensa procura por novos nichos de mercado vêm dando origem a uma série de produtos e serviços que trocam o glamour do século passado pela eficácia e simplicidade dos anos 2000. Aos poucos, avião voltou a ser para transportar, hotel para dormir e cursos para aprender.

Classe Econômica:

Cada dia que passa o brasileiro vem ganhando gosto por coisas boas e com preços baixos. Foi-se a época em que as companhias aéreas serviam refeições nos vôos regionais, pois cada vez mais as barras de cereais e saquinhos de biscoito têm substituído os risotos e carnes cozidas. As passagens aéreas têm ficado mais baratas a cada dia, o brasileiro tem viajado mais de avião e, segundo ouvi alguém da área comentar, o que gera a economia nem é tanto a troca dos produtos alimentícios, mas sim a facilidade de seu armazenamento, já que para servir snacs não há necessidade de haver um forno a bordo, gerando assim economia de espaço, peso e conseqüentemente, combustível. E afinal, a gente compra uma passagem aérea procurando transporte ou gastronomia?

Hotéis em sistema Self Service:

Na semana passada eu estive em Belo Horizonte e fiquei num “hotel econômico”. Esse é o nome que se dá a um conceito de hotéis com baixo custo, porém com alto conforto e qualidade. Eles têm dezenas de apartamentos por andar, quase nenhuma decoração, não há frigobar nos quartos e nem gente para carregar suas malas, por outro lado tem uma boa cama, um bom chuveiro e silêncio. O valor da diária é, em alguns casos, 50% menor do que os hotéis convencionais. Os críticos dizem “mas o café da manhã é menos sortido e ainda tem que pagar a parte". Mas em minha opinião ainda assim vale a pena, pois o nosso desjejum normalmente não consome tudo aquilo que está disponível no buffet. E afinal, a gente se hospeda num hotel para passar a noite ou para tomar o café da manhã?

Conhecimento ou competência:

A minha própria área de atuação, que é de idiomas, tem um exemplo pra dar: muitas vezes as pessoas fazer cursos de inglês por vários anos e chegam ao final tendo adquirido um enorme conhecimento teórico, mas sem nenhuma capacidade prática de se comunicar. Não me lembro exatamente, mas acho que era Tolstoy quem dizia que conhecimento é uma coisa e competência é outra e isso explica tanta gente com diploma, que seria capaz de tirar nota dez num teste escrito, mas sem a menor condição de manter um diálogo com alguém em inglês. Atualmente têm feito mais sucesso os cursos de curto prazo e que desenvolvem diretamente a competência da comunicação. Afinal, fazemos um curso para ter diplomas ou para aprendermos a nos comunicar?

Cursos tecnológicos e de educação à distância:

Em meados da década de 1990, as empresas multi nacionais começaram a invadir o Brasil e com isso, o mercado de trabalho passou a exigir uma formação superior de profissionais de meia idade que pensavam estarem tranquilos em suas posições. Mas com o formato educacional da época, quem quisesse fazer uma faculdade, teria que prestar um vestibular bastante desafiador e encarar no mínimo quatro anos de aulas, com cinco dias por semana em curso presencial. Fazer uma faculdade tinha muito mais o objetivo de fundamentar aquilo que o cidadão já fazia do que ensiná-lo a fazer. Foi aí que surgiram as EADs, faculdades ou cursos tecnológicos de ensino à distância e muitas vezes com duração reduzida, onde o profissional aprende o nome de quem inventou aquela teoria que ele usou na empresa durante toda a vida. Como a intenção da faculdade é formar profissionais práticos e não apenas teóricos, dependendo do seu objetivo os cursos nesse formato podem ser um grande negócio, pois o glamour de entrar em primeiro lugar na USP pode continuar sendo uma tara dos mais jovens, mas geralmente passa longe da vaidade dos mais experientes. E pelo que tenho visto, quem faz faculdade à distância não tem tido motivos para reclamar dos resultados.

Um comentário:

  1. Caro Aguinaldo,
    a cultura do simples,tão comum nos antigos tempos, felizmente está voltando à contemporaneidade.
    Sinceramente, até gosto disso, principalmente numa sociedade que prima todos os seus valores no consumismo e não no necessário. Afinal, por quantas vezes não nos flagramos fazendo o que achamos precisar, quando na verdade, nos desgostamos daquilo que adquirimos - muitas vezes pagando caro, como bem citado as estadias em hotéis que oferecem um café nababesco que nem sempre aproveitamos, cursos que nem sempre surtem o resultado, mas que, por terem grife, são os mais procurados e, o que não dizer de aparelhos eletrônicos que tem tantas funções que só nos fazem utilizar apenas uma?
    Fazendo um leve contexto com a musica, me recordo que certa vez, meu professor de bateria, ao me passar as instruções disse:
    - Não inventa. Porque menos é mais.
    Este mesmo raciocínio era seguido pelo baterista do INXS, Jon Farris.
    Muitas vezes queremos complicar quando é mais fácil facilitar.
    É isso.
    (em tempo: um tema bem parecido com este estava no meu caderno de ideias para postar no meu blog,rs!)

    Como é inteligente esse Aguinaldo!!!

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