sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Como você é visto pelos outros?



Quando eu tinha 26 anos, alguns amigos me diziam que eu estava perdendo cabelo, mas eu nunca acreditei nisso. Somente fui perceber que era verdade quando aos 32 anos, me vi no monitor de segurança de uma loja de conveniência, através de uma câmera que me filmava por cima. Ainda pensei: quem é aquele careca ali? Era eu! Na verdade eu nunca perdi o sono por causa disso, acredito que uma derrota do meu time no futebol me causaria mais insônia do que a simples queda de cabelo. Mas estou contando essa história para ilustrar que a auto-imagem é invariavelmente diferente da imagem vista pelos outros.

Um médico amigo meu sempre diz que não adianta a gente se achar o melhor cara do mundo se os outros não acham isso da gente. No livro o Monge e o Executivo, James C. Hunter também diz que “se você precisa sempre falar que você é alguma coisa, então você não é”. E achar que é o que não é faz parte da vida de quase todas as pessoas. Alguns pensam que são os caras mais bem resolvidos do mundo, mas vivem em eterno dilema. Outros são pessoas comuns e normais, mas se acham infelizes e mal sucedidas, acreditando carregarem todos os karmas do mundo.

Como dizia Leon Tolstoy, “bom senso é algo que, embora seja escasso entre os seres humanos, todo mundo acha que já tem o suficiente”. As pessoas não gostam de serem contrariadas e acreditam que suas opiniões são sempre certas simplesmente porque aqueles são os seus pontos de vista. Vimos isso no trabalho, em casa, na faculdade, no clube e até na igreja, que é um local onde deveria somente haver paz, mas as pessoas entram em conflito por diferenças de interpretação.

Uma boa ferramenta para sabermos nossa real imagem é a janela de Johari. É relativamente simples, quase como se fosse um quadro dividido em quatro partes iguais, onde podemos considerar os dois da esquerda “territórios conhecidos por nós mesmos” e os dois da direita como “territórios desconhecidos por nós mesmos”. Em contrapartida podemos dizer que os dois quadrados de cima são “conhecidos pelos outros”, enquanto os dois de baixo são desconhecidos pelos outros. Em cada quadrado desses podemos encontrar um cara diferente, mas que somos nós mesmos, mudando apenas o ponto de vista de quem nos enxerga.

Enquanto o quadrado “C” estão as características que conhecemos, no quadrado “B” ficam aquelas que somente os outros vêem. O “C” é importante para a nossa auto-estima, mas o “B” é fundamental para desenvolvermos relações sadias. Acontece que parte das pessoas não se preocupa com o quadrado “B” e por isso age apenas orientada pela sua auto-imagem, causando conflitos com todo mundo. Outra parte da população vai pela cabeça dos outros, olhando somente para o quadrado “B” e acaba sem personalidade.

Conforme qual quadrado então, nós devemos agir? A resposta é: colocando os pés em todos os territórios e criando um poder de se situar de modo que consiga encontrar o equilíbrio e o bom senso. Ver o ponto de vista alheio é importante, assim como se colocar no lugar do outro, mas também é importante termos personalidade e determinação. A partir disso, podemos avaliar como as pessoas reagem em relação a nós. Se você se acha um cara agradável, mas a maioria das pessoas te evita, então você não é tão agradável assim. Mas as pessoas também te enxergam sempre em comparação com outras pessoas, então é possível que um amigo muito baixo te veja como alto e outro amigo muito alto te veja como baixo. Em outras palavras significa que você pode ser “um idiota” na opinião do Fulano e “um cara fenomenal” na opinião do beltrano. O cara que você verdadeiramente é depende muito do meio em que você convive.

4 comentários:

  1. Parabéns pela colocações sempre pertinentes. Com certeza uma pessoa interessada no crescimento pessoal e profissional pode aproveitar muito bem seu blog.

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  2. Sou um dos responsáveis pela ascendência de seus page views,com certeza.
    Vi esta imagem do Super Homem e do Pateta há um tempo e fiquei pensando na forma como nos vemos e, talvez mais importante, na forma como somos percebidos pelos outros. Sem nos aprofundarmos mais em explicações, é importante que sejamos percebidos pelos outros da mesma forma que nos vemos - daí vem o grande esforço das empresas que se esmeram em estratégias de branding. Tal estratégia deve e pode ser adotada por cada um de nós, que, além de pessoas, somos uma marca, que precisa ser percebida como tal.
    Blogs são formas de provocações até mesmo de assuntos que estão patentes mas que nem por isso são debatidos. O Crônicas faz isso e muito bem.
    E mais um ponto para a sua (ou seria 'nossa'?) page view!
    É isso.

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  3. Excelente reflexão, útil em todas as áreas. Fiquei pensando em como isso é verdade no nosso caso, os professores...somos vistos da mesma maneira por alunos, pais e...nós mesmos? Creio que não...

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  4. ótimo texto! parabens!!

    abs

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