sexta-feira, 25 de março de 2011

Quem é você para os outros?

No Brasil nós não temos muito o tom formal de tratamento. Não é comum que os filhos dos vizinhos nos chamem pelo sobrenome antecedido pelo tratamento de Senhor ou Senhora, pelo menos eu não me lembro de ser chamado por algum pirralho de Sr Oliveira. Da mesma forma, no ambiente corporativo, mais da metade das pessoas são chamadas pelo primeiro nome. “Olá Aguinaldo, como vai? Eu vou bem, e você Márcia?” Percebam que nem é “Dona” Márcia.

Mas em minha carreira eu conheci ao menos duas situações peculiares: Uma delas foi em Santa Catarina, uma empresa de auditoria mantinha uma cartilha própria para o tratamento. Os funcionários eram orientados a se tratarem por Senhor, Senhora, Senhorita. E mais, na lista de ramais constava o sobrenome (Contabilidade, ramal 125, Senhorita Ana Paula Breitner). A outra, uma indústria eletrônica na região de Campinas, todos eram oficialmente tratados pelo apelido.

Quando comecei a prestar serviços na indústria eletrônica em Hortolândia, em 1.999, me assustei com os crachás. Lembro-me que o encarregado do turno da manhã me cumprimentou e disse: “Muito prazer, eu sou o Pé!”. Fiquei confuso, pensando que este fosse seu sobrenome, mas logo depois li seu crachá e com duas letras enormes aparecia o apelido em primeiro plano, ao lado da foto e em seguida, já com letrinhas menores, seu nome completo, sem ao menos conter a consoante P. Com um pouco mais de atenção notei que havia o Jamanta, o Celsinho, o Trator, o Bola e a Sininho, entre outros. Só não havia ninguém tratado pelo nome normal.

Depois de uns dias eu perguntei ao gerente de RH por qual motivo isso era assim e a resposta foi que a empresa acreditava que as pessoas trabalhavam melhor desta maneira, sentindo-se mais a vontade. “Se eles se chamam desse jeito, porque não podemos oficializar?” perguntava. O fato é que o funcionário, já quando era contratado, escolhia como queria ser chamado e o RH já o apresentava no setor pelo apelido, que vinha estampado no crachá. Isso evitava brincadeiras desagradáveis, como apelidos ofensivos criados por novos colegas de trabalho dotados de mau gosto.

Em Blumenau, na auditora, a formalidade era bem-vinda considerando a cultura alemã da região, mas pronunciar os nomes das pessoas não era tão fácil. O meu contato na empresa era a Senhorita Rosete Fucks, mas o Sr Kleber Breitkopf já me gerava um pouco mais de cuidado na pronúncia. Eles alegavam que tratar as pessoas com tais formalidades inibiam inclusive os flertes entre os funcionários, pois criava uma distância proposital.

Eu continuo acreditando que o melhor que se tem a fazer é não estabelecer regras. Acredito que as pessoas devem chegar a empresa e se apresentarem pelo nome próprio, mas da forma que se sentem bem. O crachá pode levar o nome completo com o nome principal em negrito. Sou contrário ao excesso de formalidades, mas também sou contra a formalização dos apelidos, salvo em empresas cujo ramo justifique a característica.

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