domingo, 24 de abril de 2011

Preste atenção nos detalhes

No futebol, é muito comum que um campeonato seja definido nos detalhes. Muitas vezes esses detalhes não acontecem exatamente nas finais, entre o primeiro e o segundo colocado, mas sim em um jogo classificatório ou mesmo num jogo de meio de torneio, onde a equipe que está vencendo por 3 X 0 se distrai e toma aquele golzinho que não faz diferença, mas que conta no saldo final. Em função deste saldo de gols, classifica-se em uma posição abaixo, o que aparentemente nenhuma importância tem. Mas lá na frente, esse diferença de um gol pode redundar na perda do campeonato.

Na vida corporativa isso acontece também. Em função de outras preocupações maiores, temos o hábito de deixar de fazer os pequenos processos e só nos damos conta disso quando recebemos condecorações por 2º ou 3º lugar. E a sensação de receber o segundo lugar é uma mistura de felicidade e frustração, afinal não deixa de ser um mérito chegar as finais, mas fica também aquele pensamento de que poderia ter feito melhor e aí... quem sabe???

Na última quinta-feira, estivemos em Buenos Aires, na Argentina, para o Congresso de Franqueados do Grupo UPTIME. O evento foi realizado no hotel Sheraton Buenos Aires e contou com a presença de pessoas de todas as regiões do Brasil. Foram premiadas as melhores franquias nas categorias Junior e Senior. Nós, da unidade Campinas, que concorremos na Senior e competimos com feras como as unidades de Americana, Campos dos Goitacazes, Uberlândia, Brasilia e Goiânia, ficamos entre os 3 melhores do ano para receber o prêmio "Very Important Franchisee". Pela 4ª vez seguida subimos ao palco entre os 3 melhores, este ano juntamente com a nossa vizinha Americana e com a mineira Lavras, mas ao contrário de 2008 quando fomos os campeões, agora não levamos o prêmio, que foi para Minhas Gerais.

O prêmio V.I.F. é um reconhecimento da melhor franquia da rede naquele ano. Trata-se de uma pontuação acumulada ao longo de 12 meses, onde todas as ações são computadas, desde o cumprimento das metas até a entrega em dia de relatórios que podem fazer a diferença no final. E o mais interessante é que quando estamos em cima do palco aplaudindo os outros que, por mérito foram melhores do que a gente, não nos lembramos das metas batidas, mas sim dos pequenos atrasos na hora de enviar um relatório ou na matéria enviada para o jornal sem uma foto interessante e que por isso não foi publicada e não valeu pontuação.

Ao mesmo tempo que estamos felizes pela unidade Lavras ter sido reconhecida, assim como pela evolução do seu gestor e nosso amigo Adenicio Teodoro, não podemos deixar de admitir um sentimento de que poderíamos ter feito melhor. É obvio que temos certeza que tanto Lavras quanto Americana também tiveram algumas falhas e poderiam terem sido melhores, o que significa que o vencedor é aquele que comete menos falhas. Com isso, a lição que fica é que precisamos abandonar as displicências e termos muito mais atenção nos detalhes se quisermos voltar a erguer a taça.

O lado positivo é que um resultado apertado como parece ter sido nos renova a motivação e a vontade de vencer novamente. Aos leitores fica a lição: prestem atenção nos detalhes!

sábado, 16 de abril de 2011

Instinto de comando e domínio de poder


Num dia desses eu estava a caminho do trabalho, dirigindo o meu carro pela Via Anhanguera e, como acontece todos os dias, um lerdonildo andava a minha frente na faixa da esquerda e sem que houvesse nenhum outro veículo na faixa da direita. Ao me aproximar dei um sinal de farol, o que em nada resultou. Segundos depois, sinalizei, ultrapassei pela direita e segui viagem. Engraçado é que ao fazê-lo, olhei pelo retrovisor e percebi o motorista do outro carro esbravejando-se e acendendo incessantemente os faróis demonstrando seu descontentamento por ter sido ultrapassado.

No restante do caminho, vim tentando comparar a atitude daquele motorista com algumas atitudes que notamos no mundo corporativo. É muito comum que pessoas acomodadas na empresa, que há muito tempo lá permanecem sem ambição de crescimento, com algum domínio ou liderança, se incomodem no momento que alguém chega com sangue novo e desejando evoluir. Quando alguém vem chegando e acendendo os faróis, este simplesmente tenta fechar o caminho, mesmo sabendo que a ultrapassagem é iminente. Então resta-lhe apenas reclamar e esbravejar.

Outra situação comum é quando as pessoas vivem numa rotina de trabalho tensa, pesada, séria, até com algum excesso de formalidades e, depois de algum tempo chega alguém mais alegre e que transforma o ambiente em algo mais leve, mais divertido. A primeira reação dos antigos é reclamar. Até aí a gente entende facilmente, que algumas pessoas são conservadoras e não gostam de mudanças. Porém outras vão mais longe e, além de andarem devagar, querem que você ande mais devagar ainda e atrás delas.

Há uns 2 anos atrás, na cidade de São Paulo, acompanhei o trabalho de uma empresa com cerca de 8 funcionários, todos acima dos 35 anos. Com a chegada de um novo cliente, um outro departamento teve que ser formado e novas pessoas foram contratadas, a maioria jovens estudantes ou recem formados. Porém, como todos trabalhavam no mesmo local, começou a haver reclamações dos mais antigos quanto ao pique dos novatos, devido as suas conversas paralelas, assuntos pessoais e musica nos computadores. Segundo eles isso quebrava a harmonia da empresa, que sempre foi muito calma.

O chefe da nova turma sugeriu que, para resolver tal situação, eles fossem alocados no 2º andar do imóvel, que até então servia como depósito de tranqueiras. De tal maneira, o ritmo dos mais jovens não incomodaria os mais conservadores e o conservadorismo dos veteranos também não incomodaria os festeiros. O que parecia ser a situação ideal encontrou muita resistência entre os antigos funcionários, pois estes colocaram vários empecilhos, como a perda desnecessária de um espaço útil como o depósito, a necessidade de luzes acesas no andar de cima, o risco de algum funcionário cair da escada, já que terá que subir e descer várias vezes ao dia, etc.

Mas no final das contas, o motivo real que fazia os antigos resistirem era a dificuldade que teriam em controlar a diversão dos outros. Parece que isso, mesmo longe os incomodava. O conceito de “trabalho” que tinham os mais velhos era de algo muito sério e, que onde havia seriedade não tinha espaço para brincadeiras, enquanto os mais jovens acreditavam que fazer o trabalho sério com alegria poderia gerar resultados positivos. O modernista, às vezes peca por não respeitar o conforto dos outros... e o conservador, não só por conservar o seu mundo do mesmo jeito, mas por querer que assim seja o mundo dos outros.

Muitas pessoas desejam viver num determinado ambiente e, por algum egoísmo, fazem questão de que outros também vivam ali. Na maioria das vezes isso acontece por estas não controlarem sua displicência ou seu instinto de comando e domínio do poder.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Já se incorporou à paisagem...

Recentemente eu enchi um estojo de CDs e os coloquei no porta-objetos da porta direita do meu carro. Como o estojo é preto e o acabamento interno do carro também, acreditei que lá seria um bom lugar para guardá-lo e assim mantê-lo sem chamar atenção, mas sempre a mão. Acontece que atualmente a gente pouco usa CDs, os substituindo por um pequeno pen-drive plugado no console do carro que invariavelmente cabe muito mais músicas do que caberia em todo o estojo e em função disso lá ele ficou esquecido.

No final de semana passado eu procurava uma música do Fred Martins, pois queria usar a letra numa reunião e me lembrei que este CD estaria naquele estojo preto. Acontece que... “cadê o estojo???”. Procurei em todos os lugares: escritório, gavetas, casa, quarto, carro da esposa, meu carro (inclusive), casa da minha mãe... todos os lugares. Juro que quando fui procurar em meu carro, olhei no porta-luvas, debaixo do banco, no porta-malas e arrisco dizer que inclusive bati o olho nas portas, mas não o encontrei. Hoje olhei de novo e o vi... lá... feliz e quietinho... Se fosse uma cobra, certamente me morderia.

A explicação, segundo meu professor de publicidade lá dos anos 90, é que quando uma coisa permanece no mesmo lugar por muito tempo, ela se incorpora à paisagem. Isso significa que fica tão comum a gente passar por ali que nem percebe mais a sua presença. É por esta razão que as agências de propaganda orientam seu clientes a permanecerem com um outdoor no mesmo ponto no máaaaaximo por duas bi-semanas. Depois disso o seu poder de impacto diminui e o investimento passa a ter menos retorno.

Mas se a sua empresa quiser mesmo manter aquele ponto de publicidade por considerá-lo estratégico, segundo os especialistas, vale a pena fazer algo mais elaborado, como uma placa envelopada (em vez de papel colado na placa, o seu anuncio sai numa lona com impressão a laser), iluminada ou mesmo uma empena de prédio. Aí sim, não há cobra que passe despercebida quando se usa a criatividade.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Geração “Y”, a pós-desconhecida


Muito se fala nos dias de hoje do “Conflito de Gerações”. Algo tão antigo, que obviamente já aterrorizava os pais e avós dos séculos passados, passou a ficar mais evidente com o desenvolvimento do mercado de trabalho, onde pessoas de diversas idades convivem no mesmo ambiente. Antigamente as pessoas passavam anos na mesma empresa e acabavam se conhecendo e aprendendo a se tolerar, mas atualmente com o troca-troca de emprego que se vive por aí, encontrar gente diferente e com valores opostos é a coisa mais comum do mundo.

Quando, no início do século passado, a geração mais jovem estava preocupada em subsistir, a de hoje quer mesmo é explorar o novo. Os jovens da década de 1920 eram mais românticos e formais, testemunhas das guerras que devastavam a Europa e rebeldes dentro de um determinado limite, eles cresceram e se desenvolveram fazendo exatamente aquilo que precisava ser feito. Eram extremamente disciplinados e não davam um passo maior que a perna. Porém, com a volta dos soldados norte-americanos para a casa e o clima de tranqüilidade que se instalava, o resultado foi muito sexo e muitos bebês, o que deu origem ao que hoje chamamos de explosão de bebês.

Eis a origem da nova geração, a dos "Baby Boomers". Eles vieram para revolucionar, trabalhavam feito uns loucos porque queriam crescer, ganhar dinheiro e subir na vida. No Brasil, um presidente como JK que prometia 50 anos em 5, alem de uma nova capital, o que fez as coisas se agitarem ainda mais. Mas aí chegaram as ditaduras na America Latina, as torturas, o gosto ruim da opressão e a revolta. Seus filhos chegaram nos anos 70 com uma cara diferente da dos pais e, ao som dos Ramones e Sex Pistols eram vistos como “os desconhecidos”. Para denominá-los, alguém se lembrou das equações de matemática, onde o desconhecido era o “X”, o mesmo “X” que servia para denominar tudo que era desconhecido ou novo, como o “Planeta X”, o “Cavaleiro X” e coisas mais. Era a “Geração X”.

Nos anos 80 Renato Russo dizia que depois de 20 anos na escola não seria difícil entender todas as manhas do jogo sujo e prometia as então crianças derrubando Reis e fazendo comédia no cinema com as suas leis. De duas uma: ou ele não tinha idéia do que estava falando ou era um visionário, pois foi exatamente isso que aconteceu com os jovens dos anos 90. Eles eram a “Geração Y”, pós-desconhecida e, seguindo o alfabeto, compreenderam a sujeira da política e ficaram totalmente desencanados daquilo que era a bandeira dos seus antepassados. Preferiram lidar com o mundo virtual, onde tudo é frio e quando não serve mais a gente deleta. Aliás, deletar parecia não maltratar o meio ambiente, pois a lixeirinha na área de trabalho do seu PC não ia para nenhum depósito a céu aberto, mas mal sabiam eles que para aparecer aquele desenhozinho no computador, uma série de peças precisavam ser fabricadas, inclusive algumas com metais pesados que poluiriam o planeta depois de no máximo 3 anos de vida útil daquele equipamento.

Por isso a moda agora é ecologia... não se usa mais sacos plásticos para trazer as compras do supermercado, pois poluem... então temos que comprar saquinhos de lixo pequenos para colocarmos em pequenos cestos ou então fazermos a opção de voltarmos às velhas latas de 18 litros, usadas como latas de lixo por nossos avós e que tinham que ser buscadas todos os dias, sujas, uns 100 metros a frente, onde o lixeiro jogava.

É...! Parece que a “Geração Z”, que é a garotada de hoje, em vez de morrer pela poluição material dos sintéticos, será mesmo vítima de um outro tipo de lixo, que é o mental. E pra piorar, depois do "Z", acaba o alfabeto! Será isso um sinal???