terça-feira, 5 de abril de 2011

Geração “Y”, a pós-desconhecida


Muito se fala nos dias de hoje do “Conflito de Gerações”. Algo tão antigo, que obviamente já aterrorizava os pais e avós dos séculos passados, passou a ficar mais evidente com o desenvolvimento do mercado de trabalho, onde pessoas de diversas idades convivem no mesmo ambiente. Antigamente as pessoas passavam anos na mesma empresa e acabavam se conhecendo e aprendendo a se tolerar, mas atualmente com o troca-troca de emprego que se vive por aí, encontrar gente diferente e com valores opostos é a coisa mais comum do mundo.

Quando, no início do século passado, a geração mais jovem estava preocupada em subsistir, a de hoje quer mesmo é explorar o novo. Os jovens da década de 1920 eram mais românticos e formais, testemunhas das guerras que devastavam a Europa e rebeldes dentro de um determinado limite, eles cresceram e se desenvolveram fazendo exatamente aquilo que precisava ser feito. Eram extremamente disciplinados e não davam um passo maior que a perna. Porém, com a volta dos soldados norte-americanos para a casa e o clima de tranqüilidade que se instalava, o resultado foi muito sexo e muitos bebês, o que deu origem ao que hoje chamamos de explosão de bebês.

Eis a origem da nova geração, a dos "Baby Boomers". Eles vieram para revolucionar, trabalhavam feito uns loucos porque queriam crescer, ganhar dinheiro e subir na vida. No Brasil, um presidente como JK que prometia 50 anos em 5, alem de uma nova capital, o que fez as coisas se agitarem ainda mais. Mas aí chegaram as ditaduras na America Latina, as torturas, o gosto ruim da opressão e a revolta. Seus filhos chegaram nos anos 70 com uma cara diferente da dos pais e, ao som dos Ramones e Sex Pistols eram vistos como “os desconhecidos”. Para denominá-los, alguém se lembrou das equações de matemática, onde o desconhecido era o “X”, o mesmo “X” que servia para denominar tudo que era desconhecido ou novo, como o “Planeta X”, o “Cavaleiro X” e coisas mais. Era a “Geração X”.

Nos anos 80 Renato Russo dizia que depois de 20 anos na escola não seria difícil entender todas as manhas do jogo sujo e prometia as então crianças derrubando Reis e fazendo comédia no cinema com as suas leis. De duas uma: ou ele não tinha idéia do que estava falando ou era um visionário, pois foi exatamente isso que aconteceu com os jovens dos anos 90. Eles eram a “Geração Y”, pós-desconhecida e, seguindo o alfabeto, compreenderam a sujeira da política e ficaram totalmente desencanados daquilo que era a bandeira dos seus antepassados. Preferiram lidar com o mundo virtual, onde tudo é frio e quando não serve mais a gente deleta. Aliás, deletar parecia não maltratar o meio ambiente, pois a lixeirinha na área de trabalho do seu PC não ia para nenhum depósito a céu aberto, mas mal sabiam eles que para aparecer aquele desenhozinho no computador, uma série de peças precisavam ser fabricadas, inclusive algumas com metais pesados que poluiriam o planeta depois de no máximo 3 anos de vida útil daquele equipamento.

Por isso a moda agora é ecologia... não se usa mais sacos plásticos para trazer as compras do supermercado, pois poluem... então temos que comprar saquinhos de lixo pequenos para colocarmos em pequenos cestos ou então fazermos a opção de voltarmos às velhas latas de 18 litros, usadas como latas de lixo por nossos avós e que tinham que ser buscadas todos os dias, sujas, uns 100 metros a frente, onde o lixeiro jogava.

É...! Parece que a “Geração Z”, que é a garotada de hoje, em vez de morrer pela poluição material dos sintéticos, será mesmo vítima de um outro tipo de lixo, que é o mental. E pra piorar, depois do "Z", acaba o alfabeto! Será isso um sinal???

8 comentários:

  1. Alexandre Santos5 de abril de 2011 23:44

    Muito bom!!!

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  2. Jorge Luiz Fermino5 de abril de 2011 23:45

    Só que essa música é da Geração X, ou seja, a nossa... rs

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  3. Jorge, depois que soube da origem das calças arriadas, perdi totalmente a fé na tal geração Y. Vou esperar a geração Z para ter um filho. kkk

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  4. Jorge,
    A musica do Renato Russo diz: "nossas crianças derrubando reis", ou seja as crianças... os filhos da GX... que já pode ser a GY.

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  5. É, vamos esperar pra ver né? Se o mundo não acabar em 2012. Rsrs...

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  6. A cada dia que passa, percebo que sou mais e mais parecido com vc. Li a materia da geração pós-desconhecida e achei muito interessante, porém o que me chamou mais a atenção foi a entrevista que deu sobre empreendedorismo. Foi nesse ponto que tive a certeza que pensamos da mesma forma, me fez entender algumas dificuldade que enfrentei e ainda enfrento, mas o melhor de tudo foi ver que o caminho a frente me parece ser como o que eu planejava.
    Grande abraço.

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  7. frederico machado de resende6 de abril de 2011 14:00

    É verdade, do jeito que a coisa vai, depois da geração z, vem a geração x-y-z=0. Ai, inventaremos a roda de novo... rs

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  8. Atualizando leitura de seu blog, sempre tão atento e inteligente...
    Obrigada pela atenção.
    Tinha uma crise existencial no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma crise existencial.
    Faz parte. De novo, na caminhada.

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