sexta-feira, 27 de maio de 2011

Enxergue os degraus e suba passo a passo


Nem sempre um estímulo é recebido como um estímulo. A afirmação parece até um paradoxo, mas a situação é mais comum do que se imagina. São inúmeros os casos onde o líder tenta motivar o liderado utilizando-se de argumentos ou estímulos que, se mal colocados, tomam efeitos contrários. Percebemos isso observando o trabalho de diversas equipes, inclusive a nossa.

Uma estratégia muito usada em área comercial é divulgar aos vendedores os resultados das equipes de outras filiais da empresa como referência. Na maioria das vezes, divulgam-se os campeões de vendas, os primeiros lugares. Isso pode ser ótimo se a equipe enxergar aquele resultado como possível e alcançável por ela também. Mas caso contrário, causará um sentimento de fraqueza e posteriormente de raiva e até inveja. Por outro lado, como líder, não dá pra ver a filial da cidade vizinha vendendo o dobro da sua no mês e não expor isso na lousa da sala de reunião. Então o que fazer?

Aprendemos que a referência do resultado do primeiro lugar causa impacto nos demais e é muito útil para quem está abaixo quando estes foram preparados para absorver esse impacto. Então se temos uma equipe que vende 10 peças por mês e simplesmente comunicamos que a filial do Sul está vendendo 45 no mesmo período, corremos o risco de quebrar de vez a equipe que já está ruim. Por outro lado, se pudermos prepará-la para receber esta informação, podemos tê-la vendendo 50, menos de dois meses depois.

E o que significa a expressão "preparar a equipe"? Significa fazer com que ela enxergue os degraus que precisa subir para alcançar quem está na parte de cima do ranking. A desmotivação normalmente existe porque as pessoas não vêem degraus, mas apenas as posições. Lembro-me de uma vez que a nossa equipe estava se remoendo no meio da tabela de classificação, fazendo aquilo que a gente chama de "sem sal e sem açúcar" e, em contrapartida, havia dois meses que a unidade de Brasília batia o primeiro lugar. A diretoria da empresa nos pressionava exigindo que o ranking fosse colocado bem grande no quadro de avisos e isso estava nos prejudicando.

Numa segunda-feira entramos em uma reunião falando do resultado da Capital Federal e de cara já notei que a maioria das pessoas da nossa equipe abaixara a cabeça esboçando certo sentimento de inferioridade. Só que a seqüência da reunião já estava planejada e foi aí que apresentamos um gráfico que mostrava as posições dos brasilienses nos últimos 6 meses e então pudemos perceber que nesse período eles haviam ficado em 34º, em 18º, em 13º, 5º, 2º e duas vezes em 1º lugar. Mostramos que 180 dias antes eles eram uma equipe inferior a nossa e que cresceram porque começaram a construir seu sucesso passo a passo.

Com o livro do Napoleon Hill nas mãos, lemos o trecho onde ele conta da pesquisa que fez com 500 milionários que enriqueceram trabalhando e contamos que foi baseado nessa pesquisa que o autor escreveu seu best seller “A Lei do Triunfo”, descrevendo as principais características de uma pessoa bem sucedida. A partir daí resolvemos fazer um contato com a unidade de Brasília e perguntar quais eram as suas características. Adaptamos o que estava faltando em nosso trabalho e no mês seguinte nós já havíamos passado de 27º no ranking para o 9º lugar e dois meses depois começamos uma seqüência de 4 meses no topo.

Concluímos que, nem sempre as referências positivas são positivas se aquele que as recebe não sentir-se apto a alcançá-las. Nesses casos, vale mais a pena apontar o próximo passo, permitindo ao profissional ter a sensação de sucesso mesmo antes de chegar ao objetivo final.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

As lutas do Ben 10 e o cigarro do Tom



Recentemente eu li uma reportagem que falava do suposto envolvimento do escritor brasileiro José Bento Monteiro Lobato com a Ku-Klux-Klan (sociedade secreta norte-americana que defende a supremacia branca), inclusive acusando o autor de ser racista, citando o livro "Caçadas de Pedrinho" como absurdo por conter falas da persanágem Emilia se referindo a Tia Anastácia como "negra beiçuda" ou "negra de estimação". Com isso abre-se a discussão se seria ou não este um motivo para se excluir esta literatura das escolas infantis. Interessante também, que há alguns anos o governo britâncio censurou alguns trechos de episódios de "Tom & Jerry" alegando que o cigarro que o gato exibia e tragava poderia ser um estímulo à criança que o assinte na TV também criar simpatia pelo hábito de fumar.

Levantamos com isso duas discussões: Os filmes e desenhos animados antigos, principalmente os de Hanna & Barbera, são um estímulo ao mau comportamento por apresentarem seus personágens fumando ou caçadores exibindo cabeças de animais? Atitudes e posições assumidas no passado e que hoje são consideradas "politicamente incorretas" denigririam a imagem de persanalidades historicas? Se Monteiro Lobato foi realmente racista, isso desmerece o valor de suas obras e o quanto seu trabalho significou para a cultura brasileira?

Sabemos que grandes homens do passado, donos de uma vida cheia de realizações, podem ter sido escravistas no final do século XIX. Outras figuras incriveis e que até hoje citamos como exemplos de cidadania eram, nas horas vagas, caçadores e matavam capivaras. Na novela "Os imigrantes", um clássico da década de 80, o italiano Antonio Di Salvio não suportava os alemães e muitos de nós tivemos avós que diziam a mesma coisa de raças distintas. Isso desvaloriza o carater dessas pessoas?

Se Pedrinho e Emilia mataram a onça pintada num livro infantil de 1933, eles o fizeram porque eram personagens da época, quando isso era normal... mas hoje seria um crime ambiental (frase de Vladimir Sacchetta, biografo de Lobato). Também eram normais nos anos 30 as frases racistas, o que hoje seria um crime de racismo. Há 10 anos atras era comum a intolerância com homossexuais, o que hoje é considerado homofobia e as proximas gerações entenderão como desumano. Então não podemos condenar pessoas por se comportarem com base em costumes comuns de sua época.

Ao assistir o filme "Jeca e seu filho preto" de (Mazzaroppi 1978), pode-se observar inumeras falas extremamente racistas, mas que eram a realidade há 30 anos. Portanto se o não as trouxesse, não seria um filme com o cenário no Brasil dos anos 70. Quanto ao gato que fuma, será que ele seria mais mal exemplo às crianças do que os atuais Ben 10 ou Mutante Rex com suas lutas violentas para "salvarem o planeta"?

A impressão que tenho é que se as novas montagens devem ter cuidado com o cigarro, deveriam ter também com a violência, que me parece um problema bem maior. E digo isso sem ser fumante, nem violento, nem homofóbico e nunca tive arma nem de chumbinho... só estilingue.

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Em Roma faça como os romanos e na Bahia, como os bahianos


A primeira vez que contratei uma pessoa, pelo que me lembro, foi em 1994. Na época, eu havia assumido o cargo de gerente comercial em Jundiaí, numa empresa de origem gaúcha. Depois disso, fui alocado em um projeto em Santa Catarina e, de lá pra cá, tenho trabalhado em diversas cidades, sempre treinando gente e contratando. Contratar deve ser um dos maiores desafios do mundo corporativo, pois significa lidar com gente, com sentimentos, motivação e ânimos... mas há um desafio tão grande quanto este, que está justamente do outro lado da mesa, que é o de SER CONTRATADO.

E mesmo hoje, num momento em que vivemos o desafio do "pleno emprego", que é justamente quando o mercado oferece mais vagas do que mão de obra, percebemos que algumas pessoas ainda sentem dificuldade de aproveitarem o seu pedaço de bolo que a estabilidade econômica proporciona. Na maioria das vezes, a dificuldade vem de características que o próprio trabalhador cria para ele. Para expor melhor minha linha de raciocínio, preciso antes entrar em outro assunto: Conceito e Pré-conceito.

Lá nos anos 90, me lembro que gays assumidos tinham dificuldade de encontrar empregos no comércio, pois havia um paradigma de que seus eventuais trejeitos poderiam ferir a imagem da empresa perante seus clientes conservadores e, conseqüência disso é que vemos ainda muitos homossexuais masculinos trabalhando em profissões típicas, como enfermagem, estética, moda e decoração. Vinte anos depois, a situação se estabilizou, o que era diferente passou a ser aceito e as empresas já mais evoluídas contratam pessoas sem ter a menor preocupação com o assunto. Pelo mesmo desafio passaram os roqueiros com seus cabelos longos, tatuagens, piercings, etc.

Embora boa parte desses preconceitos já tenham sido superados, temos que admitir que alguns deles ainda permanecem. Baseado nisso, precisamos então ajudar o jovem a adequar sua apresentação. É mais ou menos como montar um Curriculum... precisa escrever as características que contam a seu favor para aquele emprego ou procurar um emprego adequado as suas características. Daqui há alguns anos, quem sabe, o trabalhador poderá tatuar o rosto que ainda assim concorrerá em igualdade de condições com qualquer outro candidato, mesmo numa vaga de professor de escola infantil. Mas hoje, enquanto esta realidade não chega, é importante entender uma simples regrinha: Para uma vaga de mecânico de autos apresente-se com trajes casuais, mas para um estágio em direito, vá social.

Para empregos em empresas de criação e arte ou que lidam muito com jovens, moda, esportes radicais e afins, a aparência revolucionária é encarada com muita naturalidade. Numa agência de propaganda, o arte-finalista tem cabelo rastafari e o vendedor usa gravata... são dois personagens importantes de um mesmo time. Assim, para trabalhar em uma Skate Shop, você pode se apresentar de bermuda, cabelos coloridos e alargadores de 30mm nas orelhas, podendo até te caracterizar positivamente e fazer com que o público frequentador se identifique ainda mais com você. Mas se quer um emprego no banco em contato direto com clientes conservadores, vale a pena cumprir o protocolo e esconder alguns adereços. Como dizia meu antigo professor, “encare tudo como um uniforme... se quer jogar basquete, não se apresente de chuteiras e nem de kimono”.

Resumindo, você precisa saber onde está. Se estiver em Roma, faça como os Romanos... se estiver na Bahia, faça como os Bahianos.

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Não seja o João Blindado


O ser humano é um bicho INFLUENCIÁVEL e INFLUENCIADOR. Independentemente de ser ele uma pessoa tímida, extrovertida, falante, sábia, motivada, distraída ou com qualquer outra característica que haja. O que varia de uma pessoa para outra é quanto desta influência exerce ou recebe em relação aos outros.

Alguns de nós temos características que nos tornam líderes claros, outros de nós somos mais passivos e temos a tendência de concordarmos com os outros facilmente. O homem, na verdade, é a mistura desses dois extremos, uns mais pra cá, outros mais pra lá... mas sempre uma mistura. E é interessante dizer que mesmo quando somos muito próximos dos extremos, ainda assim somos influenciados e influenciadores. Um empresário mandão e bem sucedido pode se influenciar por um personagem de um filme de sucesso e tomar uma atitude baseada nisso, um desempregado frustrado pode influenciar outras pessoas a também caírem no desânimo. Um caipira extremamente tímido e deprimido pode influenciar seus filhos a desenvolverem a mesma personalidade.

Partindo deste princípio, que somos influenciáveis, devemos apenas nos atentar a escolher quem nos exerce influência. Se nos deixarmos levar por alguém, que seja este próximo do modelo que queremos ser. Pois se nos influenciarmos por pessoas negativas, vamos nos tornar negativos também. Ter personalidade para escolher a quem devemos seguir é uma característica comum entre as pessoas bem sucedidas.

Por outro lado, muita gente chega a um momento da vida onde já quebrou tanto a cara que não confia mais em ninguém. Desenvolve como mecanismo de defesa um filtro muito cético, que descarta qualquer tipo de orientação vindo dos mais experientes. Com isso, blinda-se de uma tal maneira que nada que se diga a atinge. Pessoas assim adquirem o estigma do “João Blindado”, um personagem fictício que criamos para descrever aquele que já não aceita orientações do seu líder. São pessoas que "se acham conhecedoras" e deixam de aproveitar oportunidades que aparecem por não acreditarem mais que podem ser verdadeiras. Costumam dizer que "já viram de tudo nessa vida". Chegam ao extremo de usarem toda a sua inteligência para fundamentarem suas "teorias da conspiração".

Então, como conselho aos meus leitores, quero deixar 3 frases curtas:

• Não deixe uma pessoa negativa influenciar você.

• Não perca a oportunidade de ouvir uma pessoa de sucesso.

• Acredite que tanto um quanto o outro podem ser o seu futuro de você se permitir. É você que escolhe qual deles o será.

Enfim, não seja besta de cair em qualquer lorota, mas também não se torne um “João Blindado”.

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domingo, 1 de maio de 2011

Chega na hora, não causa problemas e faz o que tem que ser feito


Hoje é o dia do trabalho. E embora seja para a maioria das pessoas um dia de folga, o feriado do trabalho comemora “a vitória do trabalhador conquistando o direito ao descanso”. A data (1º de Maio) é comemorada no Brasil há mais de cem anos, tendo ao longo da história alguns eventos que a marcaram, como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (a CLT) em 01 de maio de 1943 e também o hábito dos governos de anunciarem o aumento anual do salário mínimo. Mas a palavra trabalho tem sido objeto de discussão, principalmente em relação ao seu real significado. Em parte porque no passado se distinguia o que era trabalho e o que era arte.

Enquanto os artistas aproveitavam seus talentos para transformar e criar, os trabalhadores viviam uma conotação de peso e dificuldade, onde pessoas exerciam tarefas, na maioria das vezes contra suas vontades. Para medi-lo, definiu-se na sua grande maioria e unidade de tempo, ou seja, à idéia de cumprir horário. As pessoas associavam trabalho ao fato de estarem num ambiente de trabalho e não necessariamente ao cumprimento de um objetivo. E como ainda há por parte de algumas pessoas a idéia de que trabalhar é um “castigo”, muitas pessoas confundem seus problemas pessoais como se eles fossem causados pelo trabalho, o que geralmente gera conflitos e situações de desvio de foco.

A mudança de conceitos pode levar 3 ou 4 gerações, mas hoje já podemos perceber que o jovem se preocupa com sua carreira e de alguma maneira questiona qual é então o perfil contemporâneo, seja para se moldar como tal ou para poder contratar melhor. E a melhor definição que eu ouvi foi numa palestra do empresário mineiro Sérgio de Souza Monteiro. Quando perguntado sobre “quem era o bom profissional, Monteiro citou as 3 características que devem ser valorizadas:

• É pontual

• Não cria problemas

• Faz o que precisa ser feito

Ainda o mesmo empresário adverte que não é tão simples encontrar alguém completo, com todas as qualidades desenvolvidas. Segundo ele, vale a pena encontrar pessoas de boa vontade e ter alguma paciência de desenvolver nelas a consciência e as habilidades necessárias. Então no dia do trabalho vale fazer a pergunta para os meus leitores: Diante da definição de bom profissional acima, você está em que nível? Afinal, hoje é dia de quem chega na hora, não causa problemas e faz o que tem que ser feito.

Para as próximas postagens, escreveremos qual é o perfil do "bom patrão". Afinal, patrão também é um trabalhador e não existe patrão sem empregado e nem empregado sem patrão. No fim, um depende do outro.