quarta-feira, 25 de maio de 2011

As lutas do Ben 10 e o cigarro do Tom



Recentemente eu li uma reportagem que falava do suposto envolvimento do escritor brasileiro José Bento Monteiro Lobato com a Ku-Klux-Klan (sociedade secreta norte-americana que defende a supremacia branca), inclusive acusando o autor de ser racista, citando o livro "Caçadas de Pedrinho" como absurdo por conter falas da persanágem Emilia se referindo a Tia Anastácia como "negra beiçuda" ou "negra de estimação". Com isso abre-se a discussão se seria ou não este um motivo para se excluir esta literatura das escolas infantis. Interessante também, que há alguns anos o governo britâncio censurou alguns trechos de episódios de "Tom & Jerry" alegando que o cigarro que o gato exibia e tragava poderia ser um estímulo à criança que o assinte na TV também criar simpatia pelo hábito de fumar.

Levantamos com isso duas discussões: Os filmes e desenhos animados antigos, principalmente os de Hanna & Barbera, são um estímulo ao mau comportamento por apresentarem seus personágens fumando ou caçadores exibindo cabeças de animais? Atitudes e posições assumidas no passado e que hoje são consideradas "politicamente incorretas" denigririam a imagem de persanalidades historicas? Se Monteiro Lobato foi realmente racista, isso desmerece o valor de suas obras e o quanto seu trabalho significou para a cultura brasileira?

Sabemos que grandes homens do passado, donos de uma vida cheia de realizações, podem ter sido escravistas no final do século XIX. Outras figuras incriveis e que até hoje citamos como exemplos de cidadania eram, nas horas vagas, caçadores e matavam capivaras. Na novela "Os imigrantes", um clássico da década de 80, o italiano Antonio Di Salvio não suportava os alemães e muitos de nós tivemos avós que diziam a mesma coisa de raças distintas. Isso desvaloriza o carater dessas pessoas?

Se Pedrinho e Emilia mataram a onça pintada num livro infantil de 1933, eles o fizeram porque eram personagens da época, quando isso era normal... mas hoje seria um crime ambiental (frase de Vladimir Sacchetta, biografo de Lobato). Também eram normais nos anos 30 as frases racistas, o que hoje seria um crime de racismo. Há 10 anos atras era comum a intolerância com homossexuais, o que hoje é considerado homofobia e as proximas gerações entenderão como desumano. Então não podemos condenar pessoas por se comportarem com base em costumes comuns de sua época.

Ao assistir o filme "Jeca e seu filho preto" de (Mazzaroppi 1978), pode-se observar inumeras falas extremamente racistas, mas que eram a realidade há 30 anos. Portanto se o não as trouxesse, não seria um filme com o cenário no Brasil dos anos 70. Quanto ao gato que fuma, será que ele seria mais mal exemplo às crianças do que os atuais Ben 10 ou Mutante Rex com suas lutas violentas para "salvarem o planeta"?

A impressão que tenho é que se as novas montagens devem ter cuidado com o cigarro, deveriam ter também com a violência, que me parece um problema bem maior. E digo isso sem ser fumante, nem violento, nem homofóbico e nunca tive arma nem de chumbinho... só estilingue.

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3 comentários:

  1. Eu adorava o sitio do picapau amarelo e a Emilia. Acho quie o monteiro Lobato continua sendo um clássico. Andreia Paula

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  2. Cresci á base de livros de Monteiro Lobato, Nunca percebi racismo por lá. Acho que era uma linguagem natural, coloquial, da epoca. lendo mil vezes os livros de Monteiro LObato, não cresci racista: Namorei negro e casaria com ele, ele que não quis rsrs

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  3. Fui um aficionado em desenhos na minha infância e olha que tinha aquele cigarrinho de chocolade, igualzinha ao cigarro que meu Pai e quse todos os outros homens adultos fumava! Penso que cada geração com seus fantasmas e mistérios da psiquê!Fico assuatado hj com o que meu filho de dois anos entende quando ve algo na Tv. Valeu de novo Agnaldo, otima postagem pra fazer a gente pensar.

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