quarta-feira, 18 de maio de 2011

Em Roma faça como os romanos e na Bahia, como os bahianos


A primeira vez que contratei uma pessoa, pelo que me lembro, foi em 1994. Na época, eu havia assumido o cargo de gerente comercial em Jundiaí, numa empresa de origem gaúcha. Depois disso, fui alocado em um projeto em Santa Catarina e, de lá pra cá, tenho trabalhado em diversas cidades, sempre treinando gente e contratando. Contratar deve ser um dos maiores desafios do mundo corporativo, pois significa lidar com gente, com sentimentos, motivação e ânimos... mas há um desafio tão grande quanto este, que está justamente do outro lado da mesa, que é o de SER CONTRATADO.

E mesmo hoje, num momento em que vivemos o desafio do "pleno emprego", que é justamente quando o mercado oferece mais vagas do que mão de obra, percebemos que algumas pessoas ainda sentem dificuldade de aproveitarem o seu pedaço de bolo que a estabilidade econômica proporciona. Na maioria das vezes, a dificuldade vem de características que o próprio trabalhador cria para ele. Para expor melhor minha linha de raciocínio, preciso antes entrar em outro assunto: Conceito e Pré-conceito.

Lá nos anos 90, me lembro que gays assumidos tinham dificuldade de encontrar empregos no comércio, pois havia um paradigma de que seus eventuais trejeitos poderiam ferir a imagem da empresa perante seus clientes conservadores e, conseqüência disso é que vemos ainda muitos homossexuais masculinos trabalhando em profissões típicas, como enfermagem, estética, moda e decoração. Vinte anos depois, a situação se estabilizou, o que era diferente passou a ser aceito e as empresas já mais evoluídas contratam pessoas sem ter a menor preocupação com o assunto. Pelo mesmo desafio passaram os roqueiros com seus cabelos longos, tatuagens, piercings, etc.

Embora boa parte desses preconceitos já tenham sido superados, temos que admitir que alguns deles ainda permanecem. Baseado nisso, precisamos então ajudar o jovem a adequar sua apresentação. É mais ou menos como montar um Curriculum... precisa escrever as características que contam a seu favor para aquele emprego ou procurar um emprego adequado as suas características. Daqui há alguns anos, quem sabe, o trabalhador poderá tatuar o rosto que ainda assim concorrerá em igualdade de condições com qualquer outro candidato, mesmo numa vaga de professor de escola infantil. Mas hoje, enquanto esta realidade não chega, é importante entender uma simples regrinha: Para uma vaga de mecânico de autos apresente-se com trajes casuais, mas para um estágio em direito, vá social.

Para empregos em empresas de criação e arte ou que lidam muito com jovens, moda, esportes radicais e afins, a aparência revolucionária é encarada com muita naturalidade. Numa agência de propaganda, o arte-finalista tem cabelo rastafari e o vendedor usa gravata... são dois personagens importantes de um mesmo time. Assim, para trabalhar em uma Skate Shop, você pode se apresentar de bermuda, cabelos coloridos e alargadores de 30mm nas orelhas, podendo até te caracterizar positivamente e fazer com que o público frequentador se identifique ainda mais com você. Mas se quer um emprego no banco em contato direto com clientes conservadores, vale a pena cumprir o protocolo e esconder alguns adereços. Como dizia meu antigo professor, “encare tudo como um uniforme... se quer jogar basquete, não se apresente de chuteiras e nem de kimono”.

Resumindo, você precisa saber onde está. Se estiver em Roma, faça como os Romanos... se estiver na Bahia, faça como os Bahianos.

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2 comentários:

  1. Estou encaminhando para o meu sobrinho.

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  2. Com essa historia de imagem, vivi um problema profissional: Trabalhando na area de moda, vendas e marketing, não conseguia bons trabalhos se estivesse acima do peso, embora meu curriculo fosse dos bons...

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