domingo, 26 de junho de 2011

Mudaram a cor do capim e o burro morreu de fome


Existem duas coisas opostas, mas que acontecem com a mesma intensidade nas empresas em geral. Uma delas é o funcionário veterano que não se preocupa em evoluir, em aprender fazer as coisas com métodos novos, usando ferramentas modernas. Outra coisa tão comum quanto, é o jovem que somente sabe fazer as coisas com a ajuda de um sistema.

Isso acontece pelo velho e famoso conflito de gerações. As pessoas mais velhas deram "um duro danado" para aprenderem fazer as coisas, na maioria das vezes, manualmente. A máquina de escrever, a calculadora, o giz, a lousa... tudo isso era utilizado para desenvolver trabalhos que, posteriormente, passaram a contar com a ajuda dos computadores, apresentadores de slides, etc. Como os veteranos aprenderam a fazer tais tarefas da maneira antiga, eles tornaram-se resistentes a aceitar que agora qualquer um faz a mesma coisa, em menos tempo e com menos trabalho. É por isso que alguns mais conservadores ainda permanecem agarrados a métodos antigos, as vezes até desdenhando dos modernos.

Por outro lado, há jovens que aprenderam somente a utilizar softweres que executam tarefas. O usuário, na maioria das vezes, somente alimenta o softwere com informações referidas de um determinado caso. O problema é que este usuário mais jovem, que veio para um mercado de trabalho já informatizado, tem muitas dificuldades quando precisa trabalhar manualmente, seja por falta de energia ou coisas parecidas. A falta do sistema vira motivo para não executar uma tarefa necessária para a empresa.

O funcionário sabe fazer as coisas muito bem, uns de maneira manual, outros de maneira sistematizada. O problema é quando a coisa muda. Além disso, há outro problema: as pessoas sabem que aquele documento vai para a pasta vermelha, mas não sabem o motivo. Se mudam a cor da pasta, já não se sabe mais o que fazer com ela. Um dia desses eu conversava com uma amiga que há 5 anos trabalha em DP. Ela narrava que 90% dos jovens profissionais que gerenciam departamentos de grandes empresas não sabem calcular manualmente as recisões. Eles, na verdade, sabem preencher os dados num programa que dá os resultados finais, mas se o sistema ficar inoperante, seguramente a folha atrasará.

Por outro lado também testemunhei uma cozinheira explicando para a sua aluna o motivo de usar fogo baixo para cozer o pudim. Não bastava dizer simplesmente para usar o fogo baixo, mas ela sentia a necessidade de explicar que com um calor moderado o leite ganha uma tal consistência que é desejada na hora de tirar da forma. Transferir conhecimento é algo fundamental na vida de uma pessoa que quer crescer. Muitas vezes um cidadão pergunta porque ele não cresce. A resposta é porque ele não forma ninguém para substituí-lo onde ele hoje está.

Quando o profissional sabe o que faz e porque aquilo é feito de tal maneira, a tecnologia somente vem ajudar o trabalho e na falta dela, põe o cérebro para funcionar e cumpre a tarefa. Meu conselho para você, leitor, é que quando for ensinar alguém, que procure ensinar não somente o que fazer e como fazer, mas principalmente porque fazer daquela forma. Assim você estará formando um futuro líder.

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sábado, 18 de junho de 2011

Um outro idioma chamado português


Um dia desses, estava eu no balcão de uma loja de fotocópias (também conhecidas como gráficas rápidas) aguardando a minha vez de ser atendido e observei uma cena muito típica do conflito de gerações. Imaginem que Kauê, o arte-finalista de 18 anos, atendia o Sêo Tuta, um senhor de 75 anos que precisava imprimir 50 convites para a festa de aniversário de sua filha. Tuta levou o texto manuscrito e Kauê, com toda a sua atenção, tentava ajudá-lo a encontrar a formatação perfeita. O diálogo foi mais ou menos o seguinte:

- Dá pra deixar essa letra mais forte?
- Como forte???
- É, eu queria mais grossa?
- O Senhor quer em negrito?
- Não, pode ser vermelho mesmo, mas tem que ser mais grossa... assim como ela está nem aparece.
- Então, o que o senhor quer é negrito... fica assim.
- Mas daí fica em duas folhas. Tem que espremer.
- É que essa fonte aumenta com negrito.
- Que fonte?
- Nessa fonte aqui, aumenta quando tem negrito.
- Mas não precisa ser negro não, pode fazer de outra cor. Eu só quero mais espremido... não dá pra espremer?
- Nessa fonte mesmo?
- Não... no convite!
- Sim, mas em qual fonte?
- Não tem fonte, filho. É só texto.
- Tá, o senhor quer que diminua?!? Veja se fica bom... assim.
- Mas aí fica muito pequeno, não dá pra ler. Faz daquele tamanho que estava, porém mais espremidinho. Tem muito espaço entre uma letra e outra.
- Mas é da fonte.
- De novo a fonte?
(Silêncio)...
- Tá, garoto... Então vamos pro outro lado, dá pra revelar essa foto da minha filha na capa?
- Revelar?
- É, você põe a foto dela aqui.
(Silêncio...)
- Eu vou escanear.
(Silêncio...)
- Sêo Tuta, veja se tá bom assim.
- Tá tremido... parece que o fotógrafo tremeu na hora de bater. Ou foi você que escamou?
- Escamei? Eu não...
- O que você falou que ia fazer?
- Eu escaneei.
- Mas você deve ter tremido pra escamar, porque ficou tremida.
(Silencio...)
- É que uma foto pequena como essa não fica boa pra imprimir.
- Não dá pra revelar então?
- Até dá, mas fica com resolução baixa.
- O que é resolução?
- Uma quantidade menor de pixels.
- Do que?
- De pixels.
- Do que?
- De pixels, tem menos pixels, aí desconfigura.
- An?
(Silêncio...)
(Silêncio...)
- Como o Senhor quer que faça?
- Não quero mais, deixa que eu vou pedir pro meu filho desenhar com nanquim, porque esse negócio de computador é muito complicado e não serve pra nada!
- O Senhor está estressado?
- Não. Eu to é nervoso mesmo... E falando nisso, vocês vendem nanquim?
- An?

No diálogo acima, para Kauê a palavra “fonte” como “modelo de letras” é tão comum que já fez parte da sua vida desde o nascimento... mas para o Sêo Tuta, aquilo era linguagem de ET. Do mesmo modo, a geração daquele senhor cresceu fazendo desenhos com tinta nanquim, coisa que hoje somente é usada para tatuagens. Moral da história: Quando você perceber que alguém não está entendendo a sua linguagem, tente falar de outra maneira que possa ser compreendida, afinal um idioma sofre uma certa metamorfose de geração para geração e o bom profissional precisa se adaptar, afinal para ter sucesso, deverá vender para clientes mais idosos.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quem motiva o motivador?


Hoje, por duas vezes, eu me deparei com uma mesma situação muito curiosa: tentar motivar uma pessoa resistente a ser motivada. E embora esse tema valha essa crônica, não é nem um pouco um assunto incomum. São muitas as ocasiões onde percebemos uma pessoa se lamentando mesmo tendo diversas oportunidades para virar o jogo enquanto outra quase se ajoelha em sua frente pedindo que se anime. E por que ela não se anima? Por que o ser humano tem a tendência de transferir para outras pessoas a culpa de seus desatinos e de tudo que dá errado em sua vida.

Então se o trabalho não está bom é por culpa do patrão, se o projeto não saiu é por culpa da prefeitura, se o dente está doendo é por mau trabalho do dentista e por aí vai. Às vezes até é mesmo... mas tenho alguma dificuldade de acreditar que uma única pessoa seja escolhida para ter todo o azar do mundo. Na verdade o que acontece é que o cara desencana do emprego ou do objetivo e fica esperando que alguém venha o bajular e convencê-lo a pensar o contrário e isso na gíria urbana é conhecido como "fazer c...doce".

As empresas atuais mantêm sempre um motivador, seja ele o gestor de RH, o chefe de vendas ou, em alguns casos, o próprio empresário. Este motivador tem a tarefa de manter a equipe focada, com seus objetivos desenhados e sua fé inabalada. Mas de tempos em tempos um integrante da equipe se torna resistente a essa motivação e começa a trabalhar como se o objetivo não fosse dele... como se nem a metadezinha do objetivo fosse dele. Começa com aquela cara de coitado, aquele discurso de “não sei o que está acontecendo comigo” ou algo parecido... o trabalho não rende e o mesmo fica só se lamentando. Quando o motivador vai conversar com ele, vem uma resposta do tipo “não sei... não sei se é isso que eu quero...” ou “acho que preciso por minha cabeça no lugar...”. E tudo isso acompanhado de um baita “pouco caso”.

O caminho normal é que o empresário motive o gerente, que motiva o supervisor, que motiva o vendedor, que motiva o trainee e, este último motiva o estagiário. E é aí que vem a minha pergunta: quem motiva o empresário??? A resposta óbvia é que são seus próprios ideais... o empresário é um bicho motivado pelos seus próprios sonhos. Mas acontece que se o profissional a quem ele está tentando motivar dá uma de difícil e se torna resistente, é bem possível que o motivador se irrite, o abandone e vá buscar outro a quem motivar. E o desmotivado continue... desmotivado. É por isso que a gente sempre diz: motive também o seu motivador!

Motivar o motivador a te motivar é muito importante. Faz de contas que isso não está escrito aí atrás, então eu vou repetir: motivar o motivador a continuar te motivando é muito importante. Pois o empresário ou gestor é invariavelmente uma pessoa persistente, mas não é trouxa... então se ele perceber que você está fazendo o tal do c...doce, ele vai desistir de você e aí pra retomar a mesma motivação leva tempo. O meu conselho é que você, profissional, esteja sempre interessado em motivar o seu motivador. E como se faz isso? Dando retorno e resultados... mostrando que o esforço do motivador que sempre foi buscar um motivo não tem sido em vão. É simples!


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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Por que nos boicotamos?


Um dia, numa dinâmica sobre empreendedorismo que eu conduzi, um participante me perguntou se eu também acreditava que as pessoas boicotam a sua própria vida. Depois de, convictamente, eu ter respondido que sim, ele continuou me perguntando se eu sabia explicar o que levaria alguém a atrapalhar a sua própria carreira. E eu pensei por um minuto e me lembrei do trecho de um livro (não me lembro o nome) que li de passagem numa biblioteca e que fazia citações bíblicas. Um desses trechos falava sobre os problemas que as pessoas acham que têm, mas que foram criados por elas mesmas (Jó).

Notamos que algumas pessoas são tão problemáticas que não conseguem viver em paz. Vivem um transtorno atrás do outro, na sequência. Têm sempre um problema grave, um motivo que não as permite deslancharem na vida, crescerem e progredirem. Quando estão por resolver este revés, aparecem magicamente outros que continuam as impedindo. Essas pessoas se julgam azaradas, vivem dizendo que carregam um karma ou um fardo e que nunca serão felizes. O que se percebe é que a maioria dos problemas dessas pessoas são atraídos por elas mesmas. Indiretamente são gerados porque elas estão tão acostumadas a viverem no caos que quando não é assim, sentem falta. As vezes, quando vêem seus caminhos livres, não sabem caminhar, porque nunca aprenderam a fazê-lo.

Se usarmos a alegoria da "estrada da vida" para explicar esse sentimento, poderemos dizer que os caminhantes olham pra frente e vêem aquele caminho longo que se perde no horizonte. Para algumas pessoas é um estímulo e representa que tem muito espaço ainda para crescer, mas para outros pode dar efeito contrário. Há os que sentem preguiça de caminhar, enxergam uma vida muito trabalhosa, com estradas muito longas e, inconscientemente, se boicotam, cavando buracos e colocando obstáculos na sua própria frente, talvez para justificar a sua não caminhada. E enquanto alguns caminham em direção aos seus objetivos, outros choram ao lado dos buracos cavados por eles próprios e se lamentam por não conseguirem prosseguir. É um paradoxo, mas é verdadeiro! As pessoas geram problemas em suas vidas por preguiça de caminhar.

Mas quem pensa positivo também não tem problemas? Claro que têm. Mas estes se concentram em construir pontes para superar os buracos existentes e sentem-se bem quando os ultrapassam. São pessoas que nos ensinam a superar os desafios, pois constroem as suas pontes e depois que passam, as deixam lá para que outros possam também utilizá-las e seguirem seus exemplos. Um caso destes é o empresário carioca Ricardo Bellino, autor de alguns livros e idealizador de projetos como a Elite Models e a Villa Trump que, quando sonhados também foram considerados loucos. Ele provou com a sua trajetória que é possível vencer na vida sem ter todas as condições a favor. Outro exemplo de vitória é Sérgio de Sousa Monteiro, o empresário mineiro que deu o ponto de partida em sua Rede de Escolas num momento de crise e justamente quando o seu primeiro filho nascia com graves problemas de saúde. Sérgio não só conseguiu cuidar da família e juntamente com sua esposa dar o tratamento devido ao filho, como também transformou uma micro-empresa em um grupo franqueador e ganhador dos prêmios mais importantes na última década.

Finalizo com duas frases muito interessantes. Um provérbio árabe que diz que "quando queremos fazer alguma coisa, encontramos sempre um jeito de fazer, mas quando não queremos, encontramos sempre uma desculpa para não fazer". Outra frase, esta de autor desconhecido, diz que "em tempos de crise, enquanto a maioria chora, os mais empreendedores se lançam a vender lenços".

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

O que é Comunicação?



"COMUNICAÇÃO NÃO É O QUE UM FALA, MAS SIM O QUE O OUTRO ENTENDE"

Por mais básico que pareça esse conceito, é certo que não é visto pelo mundo desta maneira. É mais do que comum notarmos pessoas se eximindo da culpa da falha de comunicação simplesmente dizendo que “avisaram” ou que deram o recado. Então, a antiga frase cabe perfeitamente nesse tema, pois sintetiza que a mensagem entregue e decodificada é a verdadeira comunicação.

Para entender melhor, vale dizer que comunicação é quando uma mensagem chega de maneira válida ao seu destino. Para que tenhamos a tal da comunicação, é fundamental que haja a MENSAGEM a ser comunicada (produto); o EMISSOR, que emite a mensagem; o RECEPTOR, que é o destinatário que deverá recebê-la; um CANAL DE COMUNICAÇÃO que é por onde transita a mensagem; um CÓDIGO COMUM que permita que o receptor entenda a mensagem e o FEEDBACK que implica na retroalimentação.

Podemos dar como exemplo uma forma elementar de comunicação que são as correspondências via serviços de correios: Imaginemos que a empresa A (emissor) mandou para a empresa B (receptor) uma carta de cobrança (canal de comunicação). Nesta carta estava escrito (código comum) a relação de débitos (mensagem). Até aí temos quase uma comunicação feita, a não ser pelo fato de o emissor não ter certeza que o receptor recebeu a carta, leu a mensagem ou até mesmo entendeu o que lá estava escrito. O feedback, que completaria a comunicação poderia ser um aviso de recebimento fornecido pelo serviço de entrega, porém ainda mais eficiente seria uma resposta do destinatário informando que tomou ciência do conteúdo.

Os autores Medeiros e Hernandes (Manual da Secretária - 1999) dizem que, para bem comunicar é necessário aprender a ouvir. Outro autor mais popular, o cronista Ruben Alves cita em um de seus trabalhos a necessidade de haver cursos de “escutatória”, já que segundo ele, o cidadão tem dificuldade de ouvir. Mas também faz parte da comunicação, ela ser bem emitida, principalmente quando se trata da comunicação escrita. Um ponto mal colocado ou uma palavra repetida podem mudar completamente o entender do receptor e acabar com eficácia da comunicação.

Hoje, com a tecnologia e com a escrita sendo banalizada, o risco de comunicação deficiente está presente de forma muito comum na emissão dos correios eletrônicos. O envio instantâneo pode fazer com que o emissor escolha mal as palavras e emita uma mensagem diferente daquela que desejou. Comunicar-se é tão fundamental que, segundo Maria Ester Alonso (2002) é impossível não se comunicar (Até mesmo quando ficamos em silêncio estamos nos comunicando). “Essa é uma pergunta que não merece resposta” é uma frase que certamente já foi ouvida por nós e, embora essa seja uma resposta falada, ela explica como o silêncio também pode ser uma forma de comunicação.

Além da palavra, a expressão corporal ou visual e o tom de voz também são poderosos códigos comuns, pois num tom de voz um emissor pode mudar diversas vezes a mensagem. Um olhar fixo, um movimento das mãos ou mesmo a testa franzida também podem trazer uma mensagem. Muitos autores escrevem sobre isso, inclusive Pierre Weil em seu livro "O Corpo Fala" da editora Vozes. E principalmente por essa nossa expressão não verbal é que precisamos estar atentos ao quanto de confiança transmitimos com a nossa comunicação.

A má comunicação gera conflitos que destroem a relação de confiança entre as pessoas no ambiente corporativo. No sentido contrário, quando há confiança, o receptor torna-se mais aberto ao tema e a tarefa de ouvir seu interlocutor. A maneira com que cada pessoa define a palavra “confiança” pode ser encarada com certo intervalo de divergência. Definições passam desde “poder contar com alguém quando precisa” até “avaliar as intenções de uma pessoa”.

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