sexta-feira, 29 de julho de 2011

A estabilidade te estabiliza tanto pra baixo quanto pra cima


Cheguei a essa conclusão num dia desses, conversando com um amigo gerente de contas de uma administradora de planos de saúde. Ele me contava que seu ex-funcionário, com inglês fluente e formação universitária, havia pedido demissão do cargo de analista financeiro para trabalhar em suporte numa multinacional. Porém nessa grande empresa ele não conseguiu se manter e, desempregado, foi trabalhar como motoboy, entregando encomendas durante o dia e pizza a noite. Ao saber disso, esse meu amigo ofereceu ao ex-colega uma nova oportunidade no departamento de vendas, considerando que é a área mais valorizada financeiramente em qualquer empresa. O ponto surpreendente é que o convite não foi aceito.

Pergunte se não se tratava de nenhum tipo de situação mal resolvida, mas não é o caso, pois os dois sempre tiveram bom relacionamento e conservam amizade. Na verdade o ex-funcionário não aceitou o convite por se tratar de uma área de vendas. Segundo ele, vender é muito difícil e o mesmo diz não levar jeito para isso. Lembrei-me então de diversas situações onde percebemos certa mediocridade (palavra derivada de mediano) nas pessoas, que preferem desempenhar cargos sem nenhuma expressão a trabalhar com vendas. E ao perguntarmos o motivo disto, a resposta é sempre a mesma: “Vendas é uma área muito incerta”.

Quando fazemos entrevistas de contratação, uma das perguntas que sempre fazemos é “o que é importante para você num emprego?” e a resposta mais assinalada é “estabilidade”. Ou seja, percebemos que as pessoas não querem correr riscos e elas entendem que a área de vendas faz o profissional assumir muitos. De certa forma elas têm razão, afinal um vendedor ganha por comissão e nunca um mês é exatamente igual ao outro. Então muitos preferem a estabilidade do fixo do que o risco de não conseguir. Mas em muitos casos, as pessoas rejeitam empregos em área comercial onde só o salário fixo já é maior do que o que se oferece em outras áreas e, mesmo assim, têm medo.

Freud explicaria isso pelo que se chama “medo do desconhecido”. Elas têm medo de não darem conta de uma tarefa e se frustrarem, então buscam sempre a proteção de uma vida sem sustos. Acontece que quando alguém busca estabilidade, ela vem para todos os lados. As pessoas buscam a estabilidade para não correrem risco e com isso cimentam seus próprios pés num determinado ponto para não caírem, mas feito isso também não conseguem subir (justamente por terem os pés tão fincados no chão).

Como já dizia o Velho Deitado, quem não arrisca não petisca. Os empreendedores de sucesso sabem que quanto menos risco se corre, menor é também a chance de crescimento. Quem se protege contra o risco, se blinda também para o sucesso, pois a redoma é a mesma. O técnico de futebol Vanderley Luxemburgo tem uma frase muito boa para isso, ele diz que "o medo de perder tira a vontade de ganhar" e nós empresários provamos isso no dia a dia. O ideal é aceitar o risco moderado, que é aquele que você consegue buscar um “plano B” caso o “plano A” não dê certo. Trabalhar com vendas não me parece oferecer mais risco do que trabalhar como motoboy. A chance de um acidente de trânsito é infinitamente maior para um profissional das motos do que a chance de um vendedor não conseguir cumprir fazer o mínimo aceitável de suas tarefas.

Para concluir, vale dizer que a diferença entre correr risco e correr perigo é o que separa a estupidez da ousadia e segundo um famoso consultor de empresas, a diferença entre as duas coisas pode ser definida pela sogra: “Correr risco é ter uma sogra, perigo mesmo é morar perto dela”.

2 comentários:

  1. Você fez eu me lembrar duma crônica minha que se chama "Desconhecendo a média (Mediocre ignorância)", já fiz entrega de moto é bem emocionante mesmo, isso que é se arriscar rs.
    Valeu!

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  2. Nos Estados Unidos aprendemos que a função do empresario é resolver os problemas dos outros. Se alguem tem fome o sujeito monta um restaurante. Se alguem precisa aprender ingles o camarada monta uma escola e assim por diante.
    Acontece que existem muitos tipos de empresarios e de resolvedores de problemas dos outros. Os bem sucedidos sabem diferenciar e se fazer valer da carencia dos clientes e constrõe sua empresas para ter lucros pelo seu trabalho e risco. Outros, ficam tão empenhados com a maxima acima que se esquecem de resolver seus proprios problemas e se tornam construtores de empresas e tomadores de problemas, não auferem lucros e por consequencia se esgotam e se levam a ruina.
    Assim que, antes de tomar riscos ou aventurar-se em perigos, tem-se que ponderar a que objetivo se deseja chegar: Crescimento ou Derrotas.
    Mesmo com toda ponderação existe o "risco" emimente e o sucesso torna-se algo desafiador.
    O que não se pode, jamais, é desistir e sim aprender com os erros, fazendo destes a luz necessaria para o desconhecido.
    Falei...

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