quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Transformando pessoas inseguras em Gigantes



Inicio este artigo parafraseando o Godri: "Se você for ao Rio Amazonas com um copo vazio, haverá água suficiente para enchê-lo... se for com um balde ou um tambor, também haverá água suficiente para enchê-los... e se for com um caminhão pipa, também haverá água suficiente para enchê-lo. O problema é que a maioria das pessoas vai buscar água com um copinho pequeno e por isso que traz pouca água". Ele quis dizer que as pessoas vão em busca do sucesso com recepientes pequenos, simplesmente porque não querem carregar peso, afinal o sucesso tem também o seu peso e suas responsabilidades. Então me lembrei do caso da Mirela.

A Mirela é uma ex-colega de trabalho, com quem infelizmente eu não mantenho mais contato. Era uma garota jovem, baixinha, magrinha, muito elegante e muito motivada a "viver a vida". Nascida e criada em Porto Alegre, ela havia sido transferida pela empresa, em meados da década de 1990 a Campinas e foi colocada sob minha gestão, no intuito de ser transformada em uma executiva, pois reunia todas as características para tal, exceto uma: a responsabilidade. É isso aí, ela era habilidosa com as palavras, trabalhadora, motivada, mas irresponsável. Marcava um horário e não chegava, combinava uma tarefa e não cumpria, entrava nas reuniões matutinas sempre 20 ou 30 minutos depois e com aquela baita cara de sono. E porque? Porque ficava a noite inteira na balada e dormia pouco.

Muitas foram as tentativas de fazê-la mudar, conversando, conscientizando, estimulando, castigando, entre outros meios... sempre sem resultados. Mas um dia eu tive um insite e a chamei numa sexta-feira no final do expediente para conversar e contei que estavamos contratando novos colegas para a nossa equipe e que eu havia feito um treinamento maravilhoso, com pessoas fantásticas e alegres, prontas para terem a experiência prática no dia seguinte, sábado, pela manhã. A empresa abria ao público às 9 horas, mas eu havia marcado com os novatos às 8 da matina e era aí que entrava a nossa trainee. Eu deixei as chaves da empresa com ela e disse: "Se você não chegar às 8, ficaremos todos pra fora e pagaremos o maior mico do mundo". Como sempre, ela me garantiu que chegaria cedo.

Caro leitor, o que você faria se estivesse em meu lugar? Eu sei dizer o que EU fiz: precavido e desconfiado, levei pra casa uma cópia das chaves e no outro dia me programei para chagar 5 minutos antes do horário, preparado emocionalmente para o que sempre acontecia, ou seja, ver a Mirela atrasada pedindo desculpas e dizendo que o despertador não tocou ou outra coisa qualquer. Mas ao virar a esquina, para a minha surpresa, vi a porta do escritório aberta. Entrei e me deparei com a recepção arejada e o café pronto. A nova equipe já estava recepcionada por uma baixinha muitissimo bem vestida e sem absolutamente nenhuma olheira. E o que esse dia mudou na vida dela? Mudou tudo!

A partir daquele dia a nossa colega se tornou a minha principal profissional, exemplo de responsabilidade, de tarefas cumpridas, de motivação e pontualidade. Em 3 meses conseguiu pontuação para o cargo gerencial e foi novamente transferida. Perguntando a ela o que havia acontecido, a resposta foi simples: "Percebi que eu era importante para os outros", disse ela. E isso me ensinou muito, eu entendi que a gente também consegue formar uma pessoa a desafiando.

No final de Junho desse ano, testemunhei um caso parecido. Numa associação em que participo, na falta do membro titular, o parceiro mais tímido e introvertido do grupo foi colocado inesperadamente pelo presidente num dos cargos de maior importância para os trabalhos, o de mestre de cerimônias. Além de ser um cargo com tarefas complexas, é também cheio de regras que um novato somente cumpre se for bastante observador, o que não era o caso deste. Deixando de lado os detalhes, quero apenas informar que o nosso colega se tornou em 2 meses uma outra pessoa, muito mais ousado e confiante, determinado a difundir suas idéias e convicções. Conclusão: A melhor maneira de transformar inseguros em gigantes é DESAFIANDO-OS.

Não deixe de desafiar os seus gigantes.

3 comentários:

  1. Quando fui mestre de cerimônias também, tive que mudar uma coisa muito importante, tinha que fazer minha voz ser ouvida para o início dos trabalhos, hoje falo sem a timidez que me perseguiu tanto tempo. Subi montanhas para vencer meu medo de altura e fiz natação e mergulho pra vencer meu medo de água. Faço amigos de verdade pra vencer meu egoísmo.

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  2. Me emocionei com essa história.
    Me identifiquei com a MIrela em alguns pontos e tive algus AGUINALDOS na vida que me ajudaram tanto quanto.

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  3. Bons momentos de leitura. Eu me identifico com a Mirela, não sou baixinho nem tão elegante, mas me identifico na excelente execução de tarefas, porém deixo a desejar no cumprimento de prazos, vou desafiar a mim mesmo depois de ler esse texto. Como diria o Dir. de Marketing da Petrobrás: O desafio é nossa energia!

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