quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Onde tem fogo amigo, em quem se pode confiar?

Receber um convite de trabalho vindo de uma outra empresa tem sido a cada dia mais comum. Mas receber um convite de trabalho vindo de uma outra filial ou departamento da sua própria empresa, só é ético se for as claras e se o seu chefe atual estiver de acordo. E quem está preocupado com isso? Quem está eu não sei, mas que todos deveriam, isso deveriam sim. Afinal, o ser humano não percebe, mas em casos como esse, invariavelmente o feitiço atinge a vítima, mas também atinge e prejudica demais o feiticeiro.

Se você é gestor de um departamento e entende que um determinado funcionário de outro departamento poderia ser mais útil para a empresa trabalhando na sua equipe, não deixe de dar a ele esta opção, mas antes de qualquer outra coisa, fale com o superior direto desta pessoa. Pois se você lançar unilateralmente o convite, a moda pega e aí pode ter certeza que num determinado momento você também será vítima disso, pois criará uma cultura e alguém irá se aproveitar de você também.

Se a empresa é uma rede ou um grupo de franquias a coisa fica mais complicada ainda. O início da queda das redes de franquias geralmente se dá quando os próprios parceiros são adversários ou quando há, dentro da própria rede, o "fogo amigo". O que acontece, por exemplo, se um franqueado começa a assediar funcionários do outro franqueado, oferecendo as vezes até um salário maior, acima dos padrões? Esse franqueado estará criando uma concorrência interna e certamente estará iniciando uma guerra entre os próprios componentes de sua empresa. E isso é mais comum do que parece. É a primeira coisa que um empresário novo pensa em fazer, contratar aquele que já tem experiência, oferecendo um salário maior para quem, em tese, já chegaria fazendo o que tem que ser feito. Porém se esquece que sempre há troco, que esse troco inflacionará o mercado e o preço será pago por ele também. Além do mais gerará um ambiente de desconfiança, onde o inimigo passa a estar dentro de sua própria casa.

Aqueles que se beneficiam dessa jogada, principalmente enquanto só estão sendo beneficiados, defendem-se dizendo que os convites são normais e que se o funcionário estivesse satisfeito onde atuava, não teria aceitado o seu convite. Mas coloque-se agora, do outro lado: imagine que um de seus funcionários recebe uma "cantada" do seu parceiro de rede, mas satisfeito que está trabalhando contigo, nega a proposta. Porém, alguns meses depois, por um motivo ou outro esse seu funcionário se vê contrariado por um motivo banal... será que não passa pela cabeça dele algo do tipo "não preciso disso" ou "tenho outra proposta quando eu quiser"? Eu mesmo já fui vítima dessa situação algumas vezes e sei bem o quanto tais variáveis atrapalham o trabalho. O que o meu parceiro assediador não percebia é que, além de faltar com a ética e gerar a antipatia de alguém que veste a mesma camisa, estava criando uma cultura de "fogo amigo" dentro de sua própria empresa, onde parceiros não confiam uns nos outros. Se não podem se entender internamente, será que terão força para se juntarem e ganhar mercado?

Quando um time compra o passe do jogador do time concorrente, além de fortalecer sua equipe, ele enfraquece a adversária. Agir assim, buscando profissionais vindos da concorrência é aceitável, mas fazer o mesmo de maneira interna é apenas uma falsa sensação de vantagem, pois a longo prazo, o preço que se paga é alto demais. Além do que, profissionais que aceitam esse tipo de convite, com o tempo, passam a serem mal vistos pelos parceiros. Num determinado momento, ninguém mais confia naquele que já provou que a fidelidade não é a sua melhor característica e em alguns casos estes são até mesmo comparados com... quem vai com o que paga melhor.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ter uma segunda opção significa falta de foco?

No mercado de trabalho, ter uma segunda opção significa falta de foco? Essa é uma velha pergunta, cujo a resposta é SIM... significa falta de foco sim. Mas acalmem-se leitores, antes de me enviarem as críticas, entendam que eu não disse que isso é negativo. Eu disse que significa falta de foco, mas se o seu trabalho principal permite que parte de seus pensamentos possam ser desviados, isso não causará nenhum problema.

Desde quando eu era criança que percebo alguns trabalhos tidos como "bicos" ou complementos de renda, os quais podemos citar os catálogos de cosméticos, de livros e revistas, tarefas de final de semana e etc. Também existem os profissionais que acumulam tarefas, trabalhando numa determinada função durante o dia e dando aulas a noite, além daqueles outros que mantém dois empregos na mesma função, como médicos, enfermeiros, professores e jornalistas. Dependendo da profissão do profissional envolvido, a distração com outra tarefa pode até ajudar.

Creio que a melhor maneira de definir isso é através de uma pergunta: "o meu trabalho principal suporta uma atividade paralela?" E a resposta depende do seu horário de trabalho, mas também de "com o que" você trabalha. Por exemplo, um profissional que mantém suas atividades em horário comercial, na teoria poderia dar aulas a noite. Um funcionário público eventualmente pode ter free-lancers em paralelo, mas um Representante Comercial certamente teria muita dificuldade em cumprir suas metas se mantivesse dois trabalhos. Isso porque a venda depende muito mais da concentração de pensamentos do que da presença do vendedor, uma meta cumprida se inicia no momento em que ela passa a ser a coisa mais importante para aquela pessoa e um profissional com uma segunda tarefa não tem a flexibilidade do outro que é exclusivo.

Quando isso se torna bom? Quando a segunda tarefa passa a ser uma terapia, um descarrego. Atualmente tenho uma colega de trabalho que, além das tarefas do nosso escritório, também é bar-girl numa casa noturna e, como só trabalha conosco a partir da hora do almoço, se desenvolve muito bem nas duas tarefas. Mas se eu soubesse que um membro de minha equipe estivesse se lançando a uma atividade dessas chamadas popularmente de "pirâmides", eu me preocuparia, pois elas são estimuladas como se fossem para serem feitas em momentos de folga e em pouco tempo os momentos de folga passam a invadir as horas de trabalho.

Uma vez recebi um email em que um suposto senhor se dizia vítima de um desses trabalhos, classificando a ele próprio, pejorativamente, como um "herbalóide". Segundo ele, quando foi demitido do seu trabalho principal por não estar mais rendendo e por, também os outros não aguentarem mais seus papinhos "herbalóicos", ele próprio achou que isso seria bom pois a partir de então poderia se dedicar integralmente ao segundo trabalho, mas não notava que já se dedicava quase que 24 horas por dia a isso. Então, o trabalho ligado a área comercial geralmente se torna incompatível quando, inevitavelmente, o profissional tenta misturar os clientes.

Além disso, há também os casos onde o funcionário sai do escritório no final do expediente e se utiliza de momentos de lazer (que deveria estar com a família, praticando esportes ou estudando) para desenvolver outro trabalho. Num médio prazo isso pode se tornar incompatível e naturalmente trará efeitos nocivos, como stress e perda de rendimentos. As vezes, ter dois empregos é igual a ter duas namoradas... é legal no início, mas quando o bicho pega e as duas se encrencam, dá problemas em dobro e quem acaba morto é sempre você.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Criança mimada, adulto frustrado

Não é com base científica que escrevo essa crônica, pois não pesquisei a respeito. Pode até ser que ao ler novamente autores como Clô Guilhermino, Içami Tiba ou Daniel Goleman, nos deparemos com teorias que confirmem minhas palavras, mas nesse momento passo a escrevê-las baseado simplesmente em minhas observações no dia a dia. E o que tenho observado é que o mercado de trabalho está a cada dia mais repleto de pessoas choronas e mimadas. Tenho notado uma diferença muito grande, principalmente nos mais jovens, se comparado ao que eu percebia nas pessoas que buscavam emprego conosco na década de 1990. 

Naquela época, me parece que as pessoas entendiam melhor ou com mais naturalidade o significado da palavra conquista como sendo algo buscado através de trabalho. As de hoje, por sua vez, entendo que estão incluindo nesse significado aquilo que se consegue através de birras e escândalos. O que suponho é que a maneira mais humanista de comportamento dos pais, empenhados em dar aos filhos tudo aquilo que podem dar (e a troco de nada) pode estar transformando essas crianças em "adultos pidões".

Tenho em meu próprio convívio o exemplo de pessoas, hoje na faixa dos trinta, que viveram uma infância de luxo, com acesso a quase tudo que pudesse desejar, bastando pra isso apenas pedir. Depois de uma virada na situação financeira, quando então os desejos não eram mais todos possíveis, o adulto passou a fazer as mesmas birras de quando era criança, chegando inclusive a "cumprir seus objetivos" no peito e na raça sem se preocupar posteriormente com quem "pagaria a conta". Pessoas que, de tempos em tempos, vivem linhas depressivas e precisam serem "bajuladas" para que possa seguir em frente, aumentando com isso ainda mais a "mimodependência".

Muitas vezes, uma criança quando quer um brinquedo, usa como técnica de conquista a azucrinação aos pais. Se isso dá certo, mais tarde quando adulto e em momentos de dificuldades, tentará utilizar-se das mesmas técnicas da infância, lamentando-se, chorando ou até mesmo, adoentando-se para tentar sensibilizar outras pessoas quando desejar algo inacessível pelas suas próprias forças. E o que o mercado de trabalho menos precisa nos dias de hoje é de pessoas deprimidas, lamentadoras e pidonhas. Precisa sim de adultos que ajudem a "entregar uma carta a Garcia", trabalhando para o bem comum. 

É claro que os pais querem o melhor para o filho, por isso procuram dar a este uma vida tranquila e cheia de acessos. Mas é justamente por isso que precisam pensar no futuro deles. Os tios e avós, famosos por serem permissionários demais, precisariam ter um pouco mais de parcimônia na hora de bajular as crianças e deixar de tratá-las como se fossem "seres de estimação" entendendo que elas um dia vão crescer e que o mundo provavelmente não será tão humanista quanto se é com o caçula da família. Sejamos práticos um pouquinho e façamos uma pergunta: Estamos preparando os nossos filhos para que sejam adultos bem resolvidos e prontos para o mundo ou estamos egoisticamente os transformando em meros produtos para satisfazerem apenas a nossa vontade de bajular?

Vale a reflexão.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Malabarismo

Pergunta do Leitor:
Eu e o meu marido abrimos uma lanchonete só de cachorro quente. Só funciona à noite. São vários tipos de hot dog, produtos de primeira linha, boas instalações (ainda quero deixar mais legal) num dos melhores pontos da cidade. Percebo que as pessoas gostam, voltam, mas não consigo crescer, mal tiro para as despesas (o aluguel não é barato). Preciso vender mais. Me vejo dividida, cada vez que tenho que pegar meu suado dinheiro e completar o aluguel. Tenho medo de desistir antes da hora (abri há seis meses). Tenho medo de extrapolar no tempo e perder mais dinheiro. Quando puder, escreva no blog sobre o "tempo certo" para um negocio dar certo.



Resposta:

Prezada Leitora, as coisas precisam ser mais bem avaliadas do que sua simples narrativa, mas algumas coisinhas já dá pra gente notar. Em primeiro lugar é importante definirmos o que é dinheiro perdido, dinheiro gasto e dinheiro investido. Talvêz seja a falta de identificar essas diferenças que te fazer chegar na aflição e pensar que seria melhor parar agora do que ir em frente. Então a primeira atitude que deveria ter sido tomada antes de abrir a lanchonete seria fazer um plano de negócios junto ao Sebrae. Se foi feito, basta segui-lo pra observar se está nos conformes e se o prazo de payback está sendo cumprido. Mas deduzo pelas suas palavras que isso não foi feito... ainda bem que ainda está em tempo, procure o Sebrae imediatamente e crie um plano de negócios para a recuperação.

Um empreendimento, principalmente do porte de uma lanchonete, depende de uma série de investimentos iniciais, como cozinha, materiais de preparação de alimentos, reforma do imóvel e identidade visual. Isso tudo custa dinheiro e na maioria das vezes o empresário busca financiamentos bancários para fazer tudo isso. Em 6 meses, talvez você ainda esteja pagando o financiamento e por isso o seu lucro ainda esteja passando despercebido. Mas quando o financiamento cessar, esse dinheiro vai virar lucro. Mesmo que não haja nenhum passivo em pendência como eu estou imaginando, a tendência é de que a cada etapa, a sua lanchonete venha ter mais movimento e consequentemente mais giro.

O Mauro Halfeld, comentarista da CBN, sempre fala a respeito do investidor de primeira viagem que compra ações esperando ter lucro imediato. Muitas vezes ele compra essas ações a preço de mercado e, na primeira crise, ao ver que o preço das cotas diminuiu, vende correndo e com preço de baixa... moral da história: perde dinheiro. O empreendedor não deixa de ser um investidor, ele precisa confiar no negócio e nos planos. Cada ramo, empreendimento ou negócio tem seu prazo de payback específico e é preciso ser paciente, pois a maioria deles é maior que 6 meses. Portanto suponho que ainda esteja longe da hora de você se cobrar tanto assim.

No início o empreendedor precisa fazer alguns malabarismos. Partindo disso, tenho duas notícias pra você, uma é boa e a outra ruim. A notícia boa é que a aflição passa. A notícia ruim é que inevitavelmente ela volta de tempos em tempos, mas sempre passa de novo. Essa capacidade de fazer malabarismo é justamente o que diferencia você empreendedora de uma pessoa comum e passiva. Claro que não é saudável ser assim pra sempre, mas crises sempre vão haver e você precisa aproveitar os momentos bons para fazer o pé de meia. Quando vierem os momentos ruins, você pega o que poupou e investe no negócio a ponto dele render duas vezes mais.

Mas você quer melhorar alguma coisa na lanchonete, né? Me parece que você sente que poderia fazer mais, é isso? Então comece respondendo algumas perguntas:
  • Em sua lanchonete há filas? Se há, isso pode ser bom ou ruim. Quanto tempo um cliente espera até ser atendido?
  • Você conhece seu público? Sabe qual é a faixa etária predominante? Conversa com os clientes a ponto de fidelizá-los? Trata pelo nome aqueles mais fiéis?
  • Quais os produtos que você poderia ter em seu estabelecimento para agregar mais valores (e lucro)? Será que cabe doces e chocolates no caixa? Que tipo de bebidas poderiam ser servidas? Bebidas alcoólicas seriam toleradas para esse tipo de negócio?
  • Tem embalagem para viagem, uma pessoa poderia comprar lanches para a família que ficou em casa?
  • Nos momentos de pouco movimento, há o bate papo com os clientes?
E não se esqueça, vá no Sebrae.

sábado, 10 de setembro de 2011

Os opostos se ajudam



Em qualquer lugar que você pense em viver, frequentar ou trabalhar, encontrará uma coisa em comum: pessoas reclamando de outras ou tentando livrar-se delas. As diferenças nem sempre são toleradas e os conflitos surgem por motivos idiotas, mas surgem. A constatação que eu fiz ao longo de alguns anos é que a gente tolera quem a gente gosta e, as vezes, até fica esperando por um pequeno deslize daquele outro meio antipático pra detonar com o cara. Ou seja, o ser humano fica mesmo de marcação.

A intolerância nas empresas tem diversos motivos: biotipo, condição social, raça, religião, gosto musical, modo se se vestir, opção sexual e até o time de futebol. Ontem um colega me contou que foi demitido de uma empresa quando o seu chefe descobriu que ele seguia uma doutrina religiosa diferente, embora nunca houvesse manifestado o assunto dentro da empresa . Na semana passada um aluno contou sua saga por ser o único estagiário vindo de escola pública. São coisas que nada interferem ou nada deveriam interferir no trabalho ou no clima da equipe. Deveríamos, então, preservar o direito das pessoas serem diferentes.

As empresas sofrem com rivalidades até mesmo entre os departamentos. O comercial é inimigo do administrativo, porque um é prático e o outro é burocrático. Ambos acham que o operacional é condicionado e por isso também não se bicam com ele, que por sua vez, não vê muita utilidade para os outros departamentos. Aí eu pergunto: alguém conhece uma empresa de sucesso composta somente por iguais? Não existe, porque a eficiência em cada departamento passa também pelo perfil de cada profissional, que se encaixa melhor ou pior em determinados afazeres. Portanto, para que possamos ser práticos para vender, há que se ter a burocracia do administrativo para compensar e o procedimento metódico do operacional para produzir. Enfim, os opostos se ajudam.

Tenho um amigo que torce para a Ponte Preta. Ele diz, em tom de brincadeira, que odeia o Guarani, mas adora os bugrinos (torcedores do Guarani). Quando perguntado porque gosta tanto dos bugrinos, ele diz que "se eles não existissem, nós teríamos que procurar outro freguês". E na brincadeira esse meu amigo "falou e disse" e isso me faz lembrar de uma conversa que tive a um tempo atrás com um outro amigo, que é médico endocrinologista e fazia uma explanação a respeito da importância das plantas na vida do homem. Afinal o ser humano respira oxigênio (O2) e expira gás carbônico (CO2). E como o CO2 que expiramos volta a ser O2 para respirarmos novamente? Através das plantas.

As plantas fazem o processo inverso. Elas se alimentam de carbono (que é o C do CO2), então elas respiram o gás carbônico e, através de um processo chamado fotossíntese, elas separam o C pra elas (que o transformam em CarboHidratos) e soltam o O2 na atmosfera. Então o mundo animal é muitíssmo importante para as plantas e o mundo vegetal é de fundamental importância para nós. Mas ainda assim a gente, num corporativismo de espécies, elimina as plantas, as florestas e a natureza verde para fazermos moradias de pedra para as pessoas. E com isso passamos nós a respirarmos carbono, que é veneno. É igual a "Patrão e Empregado", ambos precisam um do outro, mas tentam exterminá-los.

Talvez no futuro o homem encontre uma maneira de ficar torrando no sol pra fazer fotossintese e as empresas descubram como terem profissionais multi-funcionais que possam vender, administrar e produzir, tudo ao mesmo tempo. Se um dia isso acontecer, alguém vai surgir com a maravilhosa ideia de separar as pessoas em departamentos e transformá-las em ESPECIALISTAS.