quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Criança mimada, adulto frustrado

Não é com base científica que escrevo essa crônica, pois não pesquisei a respeito. Pode até ser que ao ler novamente autores como Clô Guilhermino, Içami Tiba ou Daniel Goleman, nos deparemos com teorias que confirmem minhas palavras, mas nesse momento passo a escrevê-las baseado simplesmente em minhas observações no dia a dia. E o que tenho observado é que o mercado de trabalho está a cada dia mais repleto de pessoas choronas e mimadas. Tenho notado uma diferença muito grande, principalmente nos mais jovens, se comparado ao que eu percebia nas pessoas que buscavam emprego conosco na década de 1990. 

Naquela época, me parece que as pessoas entendiam melhor ou com mais naturalidade o significado da palavra conquista como sendo algo buscado através de trabalho. As de hoje, por sua vez, entendo que estão incluindo nesse significado aquilo que se consegue através de birras e escândalos. O que suponho é que a maneira mais humanista de comportamento dos pais, empenhados em dar aos filhos tudo aquilo que podem dar (e a troco de nada) pode estar transformando essas crianças em "adultos pidões".

Tenho em meu próprio convívio o exemplo de pessoas, hoje na faixa dos trinta, que viveram uma infância de luxo, com acesso a quase tudo que pudesse desejar, bastando pra isso apenas pedir. Depois de uma virada na situação financeira, quando então os desejos não eram mais todos possíveis, o adulto passou a fazer as mesmas birras de quando era criança, chegando inclusive a "cumprir seus objetivos" no peito e na raça sem se preocupar posteriormente com quem "pagaria a conta". Pessoas que, de tempos em tempos, vivem linhas depressivas e precisam serem "bajuladas" para que possa seguir em frente, aumentando com isso ainda mais a "mimodependência".

Muitas vezes, uma criança quando quer um brinquedo, usa como técnica de conquista a azucrinação aos pais. Se isso dá certo, mais tarde quando adulto e em momentos de dificuldades, tentará utilizar-se das mesmas técnicas da infância, lamentando-se, chorando ou até mesmo, adoentando-se para tentar sensibilizar outras pessoas quando desejar algo inacessível pelas suas próprias forças. E o que o mercado de trabalho menos precisa nos dias de hoje é de pessoas deprimidas, lamentadoras e pidonhas. Precisa sim de adultos que ajudem a "entregar uma carta a Garcia", trabalhando para o bem comum. 

É claro que os pais querem o melhor para o filho, por isso procuram dar a este uma vida tranquila e cheia de acessos. Mas é justamente por isso que precisam pensar no futuro deles. Os tios e avós, famosos por serem permissionários demais, precisariam ter um pouco mais de parcimônia na hora de bajular as crianças e deixar de tratá-las como se fossem "seres de estimação" entendendo que elas um dia vão crescer e que o mundo provavelmente não será tão humanista quanto se é com o caçula da família. Sejamos práticos um pouquinho e façamos uma pergunta: Estamos preparando os nossos filhos para que sejam adultos bem resolvidos e prontos para o mundo ou estamos egoisticamente os transformando em meros produtos para satisfazerem apenas a nossa vontade de bajular?

Vale a reflexão.

Um comentário:

  1. Adorei o "mimodependência", ótimo. Meu post de hoje no blog "Pais que Educam" tem total relação com isso! Sabemos que educando as crianças como temos feito, elas se tornam esses adultos. Mas bem que esses adultos, que já foram criados assim e não há o que fazer, poderiam superar isso, né?

    ResponderExcluir

Para comentar este artigo, escreva seu comentário, assinale a opção "NOME/URL" e clique em "publicar comentário".

SUA OPINIÃO, FAVORÁVEL OU CONTRÁRIA, É FUNDAMENTAL PARA MOTIVAR O BLOGUEIRO. NÃO DEIXE DE ESCREVER!