sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Malabarismo

Pergunta do Leitor:
Eu e o meu marido abrimos uma lanchonete só de cachorro quente. Só funciona à noite. São vários tipos de hot dog, produtos de primeira linha, boas instalações (ainda quero deixar mais legal) num dos melhores pontos da cidade. Percebo que as pessoas gostam, voltam, mas não consigo crescer, mal tiro para as despesas (o aluguel não é barato). Preciso vender mais. Me vejo dividida, cada vez que tenho que pegar meu suado dinheiro e completar o aluguel. Tenho medo de desistir antes da hora (abri há seis meses). Tenho medo de extrapolar no tempo e perder mais dinheiro. Quando puder, escreva no blog sobre o "tempo certo" para um negocio dar certo.



Resposta:

Prezada Leitora, as coisas precisam ser mais bem avaliadas do que sua simples narrativa, mas algumas coisinhas já dá pra gente notar. Em primeiro lugar é importante definirmos o que é dinheiro perdido, dinheiro gasto e dinheiro investido. Talvêz seja a falta de identificar essas diferenças que te fazer chegar na aflição e pensar que seria melhor parar agora do que ir em frente. Então a primeira atitude que deveria ter sido tomada antes de abrir a lanchonete seria fazer um plano de negócios junto ao Sebrae. Se foi feito, basta segui-lo pra observar se está nos conformes e se o prazo de payback está sendo cumprido. Mas deduzo pelas suas palavras que isso não foi feito... ainda bem que ainda está em tempo, procure o Sebrae imediatamente e crie um plano de negócios para a recuperação.

Um empreendimento, principalmente do porte de uma lanchonete, depende de uma série de investimentos iniciais, como cozinha, materiais de preparação de alimentos, reforma do imóvel e identidade visual. Isso tudo custa dinheiro e na maioria das vezes o empresário busca financiamentos bancários para fazer tudo isso. Em 6 meses, talvez você ainda esteja pagando o financiamento e por isso o seu lucro ainda esteja passando despercebido. Mas quando o financiamento cessar, esse dinheiro vai virar lucro. Mesmo que não haja nenhum passivo em pendência como eu estou imaginando, a tendência é de que a cada etapa, a sua lanchonete venha ter mais movimento e consequentemente mais giro.

O Mauro Halfeld, comentarista da CBN, sempre fala a respeito do investidor de primeira viagem que compra ações esperando ter lucro imediato. Muitas vezes ele compra essas ações a preço de mercado e, na primeira crise, ao ver que o preço das cotas diminuiu, vende correndo e com preço de baixa... moral da história: perde dinheiro. O empreendedor não deixa de ser um investidor, ele precisa confiar no negócio e nos planos. Cada ramo, empreendimento ou negócio tem seu prazo de payback específico e é preciso ser paciente, pois a maioria deles é maior que 6 meses. Portanto suponho que ainda esteja longe da hora de você se cobrar tanto assim.

No início o empreendedor precisa fazer alguns malabarismos. Partindo disso, tenho duas notícias pra você, uma é boa e a outra ruim. A notícia boa é que a aflição passa. A notícia ruim é que inevitavelmente ela volta de tempos em tempos, mas sempre passa de novo. Essa capacidade de fazer malabarismo é justamente o que diferencia você empreendedora de uma pessoa comum e passiva. Claro que não é saudável ser assim pra sempre, mas crises sempre vão haver e você precisa aproveitar os momentos bons para fazer o pé de meia. Quando vierem os momentos ruins, você pega o que poupou e investe no negócio a ponto dele render duas vezes mais.

Mas você quer melhorar alguma coisa na lanchonete, né? Me parece que você sente que poderia fazer mais, é isso? Então comece respondendo algumas perguntas:
  • Em sua lanchonete há filas? Se há, isso pode ser bom ou ruim. Quanto tempo um cliente espera até ser atendido?
  • Você conhece seu público? Sabe qual é a faixa etária predominante? Conversa com os clientes a ponto de fidelizá-los? Trata pelo nome aqueles mais fiéis?
  • Quais os produtos que você poderia ter em seu estabelecimento para agregar mais valores (e lucro)? Será que cabe doces e chocolates no caixa? Que tipo de bebidas poderiam ser servidas? Bebidas alcoólicas seriam toleradas para esse tipo de negócio?
  • Tem embalagem para viagem, uma pessoa poderia comprar lanches para a família que ficou em casa?
  • Nos momentos de pouco movimento, há o bate papo com os clientes?
E não se esqueça, vá no Sebrae.

2 comentários:

  1. Espero que a leitora leia meu comentário: Pegue custo fixo + quanto vc quer ganhar no mes, divida pelo numero de lanches que estima ser possível vender, some o custo dos ingredientes para cada pão, se este preço for maior do que o mercado cobra pelo mesmo lanche, repense seu custo fixo e sua margem de lucro, ou adimita que seu lanche é tão melhor que vão lhe pagar sem comparar preços. Coloque tudo no custo fixo, suas retiradas para custeio, as retiradas pra pagar contas, luz , água, gasolina, aluguel, empregados, mesmo que sejam parentes fazendo bico. este é o planejamento inicial pra saber se é viável. Muitas vezes não contabilizamos os custos que parecem só ocasionais e que se tornam fixos, ser empresário requer uma disciplina de monge! E o mais importante, faça com amor!

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  2. Agradeço as dicas e orientações. Vou reformular uma porção de coisas. depois falo do resultado
    Obrigada.
    Obrigada ao comentarista acima LURAS

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