sábado, 10 de setembro de 2011

Os opostos se ajudam



Em qualquer lugar que você pense em viver, frequentar ou trabalhar, encontrará uma coisa em comum: pessoas reclamando de outras ou tentando livrar-se delas. As diferenças nem sempre são toleradas e os conflitos surgem por motivos idiotas, mas surgem. A constatação que eu fiz ao longo de alguns anos é que a gente tolera quem a gente gosta e, as vezes, até fica esperando por um pequeno deslize daquele outro meio antipático pra detonar com o cara. Ou seja, o ser humano fica mesmo de marcação.

A intolerância nas empresas tem diversos motivos: biotipo, condição social, raça, religião, gosto musical, modo se se vestir, opção sexual e até o time de futebol. Ontem um colega me contou que foi demitido de uma empresa quando o seu chefe descobriu que ele seguia uma doutrina religiosa diferente, embora nunca houvesse manifestado o assunto dentro da empresa . Na semana passada um aluno contou sua saga por ser o único estagiário vindo de escola pública. São coisas que nada interferem ou nada deveriam interferir no trabalho ou no clima da equipe. Deveríamos, então, preservar o direito das pessoas serem diferentes.

As empresas sofrem com rivalidades até mesmo entre os departamentos. O comercial é inimigo do administrativo, porque um é prático e o outro é burocrático. Ambos acham que o operacional é condicionado e por isso também não se bicam com ele, que por sua vez, não vê muita utilidade para os outros departamentos. Aí eu pergunto: alguém conhece uma empresa de sucesso composta somente por iguais? Não existe, porque a eficiência em cada departamento passa também pelo perfil de cada profissional, que se encaixa melhor ou pior em determinados afazeres. Portanto, para que possamos ser práticos para vender, há que se ter a burocracia do administrativo para compensar e o procedimento metódico do operacional para produzir. Enfim, os opostos se ajudam.

Tenho um amigo que torce para a Ponte Preta. Ele diz, em tom de brincadeira, que odeia o Guarani, mas adora os bugrinos (torcedores do Guarani). Quando perguntado porque gosta tanto dos bugrinos, ele diz que "se eles não existissem, nós teríamos que procurar outro freguês". E na brincadeira esse meu amigo "falou e disse" e isso me faz lembrar de uma conversa que tive a um tempo atrás com um outro amigo, que é médico endocrinologista e fazia uma explanação a respeito da importância das plantas na vida do homem. Afinal o ser humano respira oxigênio (O2) e expira gás carbônico (CO2). E como o CO2 que expiramos volta a ser O2 para respirarmos novamente? Através das plantas.

As plantas fazem o processo inverso. Elas se alimentam de carbono (que é o C do CO2), então elas respiram o gás carbônico e, através de um processo chamado fotossíntese, elas separam o C pra elas (que o transformam em CarboHidratos) e soltam o O2 na atmosfera. Então o mundo animal é muitíssmo importante para as plantas e o mundo vegetal é de fundamental importância para nós. Mas ainda assim a gente, num corporativismo de espécies, elimina as plantas, as florestas e a natureza verde para fazermos moradias de pedra para as pessoas. E com isso passamos nós a respirarmos carbono, que é veneno. É igual a "Patrão e Empregado", ambos precisam um do outro, mas tentam exterminá-los.

Talvez no futuro o homem encontre uma maneira de ficar torrando no sol pra fazer fotossintese e as empresas descubram como terem profissionais multi-funcionais que possam vender, administrar e produzir, tudo ao mesmo tempo. Se um dia isso acontecer, alguém vai surgir com a maravilhosa ideia de separar as pessoas em departamentos e transformá-las em ESPECIALISTAS.

4 comentários:

  1. PERFEITO!!! Percebo através de suas palavras que as situações são muito semelhantes em qualquer organização. Precisamos ter muito "jogo de cintura" no dia a dia com essa rivalidade entre os departamentos, pois não é nada fácil administrar isso. A tolerância, muitas vezes, é algo difícil de digerir, mas é extremamente importante para o sucesso da organização!!! adorei seu texto.... abraço.

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  2. Exelente adorei!!!
    Rosane Guedes

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  3. Verdade, Aguinaldo Oliveira. Aprende-se muito com as diferenças. Não vou falar mais nada, senão a Paula Buono fica falando que eu escrevo um blog dentro do seu blog, kkkkk

    Carlos Cunha (via facebook)

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  4. Olá Aguinaldo Luis .

    Comecei a Ler o seu Blog Crônicas Corporativas, e já me agradei muito pelo que eu já pude ler.
    Muito interessante e desafiador ter o privilegio de se transferir o conhecimento que adquirimos trabalhando.
    Parabéns.

    Vladimir (através Chat)

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