quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Desestabilizando o adversário


Sabotar o trabalho de uma empresa concorrente é algo relativamente comum no mercado. Embora seja uma ação totalmente sem ética, percebemos que as empresas agem assim, ainda que de forma velada. Falar mal do concorrente ou adversário vem sendo algo corriqueiro no dia a dia do mundo corporativo. Na década passada, uma emissora de TV claramente se valeu desse recurso. Bastava que um apresentador fizesse algum sucesso em qualquer outra emissora que ela corria oferecendo um contrato aparentemente mais rentável. Mas nem sempre tinha um espaço para o contratado, queria apenas tirá-lo da concorrente. Colocava o profissional para apresentar programas de madrugada ou mesmo em aparições mensais, somente para justificar a aquisição, mas estava mesmo enfraquecendo o adversário.

Em primeiro momento, isso parece ser uma concorrência leal, inclusive vantajosa a quem é convidado a mudar de emprego. Mas na maioria das vezes é apenas uma isca para desestabilizar a outra empresa. Em alguns casos o funcionário vai para um emprego novo, com contrato curto, sem muita importância e é demitido depois de alguns meses. Pior que isso e na maioria das vezes, a técnica usada é apenas o flerte. Telefona-se para o funcionário da concorrente oferecendo uma vaga que nem existe, dizendo que ele está ganhando pouco, que o mercado paga mais que aquilo, oferece mais benefícios, etc. A intenção é gerar a dúvida na cabeça do funcionário e atrapalhar o clima, simplesmente isso. Com o concorrente em crise, a idéia é aproveitar mais do mercado enquanto o adversário junta os cacos. Coisa de novela, não é?

Outro exemplo é o caso daquele dirigente de um grande time de futebol paulista, que quando percebe um bom jogador se destacando num outro time, ele solta rumores que tem acordo ou pré-contrato com o atleta para a próxima temporada. Com isso a imprensa cai em cima, o jogador fica preocupado em desmentir os boatos e perde o foco no objetivo principal que é o futebol. Não estou dizendo que todos os convites de emprego são fajutos, mas há que se perceber que, geralmente o funcionário, mesmo bem intencionado, vira vítima da situação. 

Ao longo dos anos, já fui muito incomodado por casos como esse. Em algumas oportunidades, flagrei gente de empresas concorrentes se passando por candidatos em meus recrutamentos. Eles entram como se estivessem mesmo procurando emprego, mas lançam uma série de dúvidas na cabeça dos colegas e acabam por espalhar um tipo de revolta ou “vírus mental” no grupo, o que geralmente faz com que ninguém seja aproveitado. É uma espécie de “efeito Dick Vigarista” (que está mais preocupado em sabotar do que em vencer a corrida) e a principal vítima é o funcionário que se influenciou e caiu nessa, pois além de não ver se concretizar a suposta oportunidade melhor, ainda fica sem o emprego anterior, onde estava feliz.

7 comentários:

  1. Isso também pode ser em razão da falta de bons profissionais no mercado... Acaba levando quem for mais competitivo... coisa mais comum nas empresas hoje em dia... Mais importante que atrair bons talentos, é retê-los...

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  2. Mabezia Vilas Boas21 de outubro de 2011 10:37

    Mesmo entendendo que o funcionário assediado, tem todo o direito de se sentir de fato injustiçado ou explorado, ou ganhando bem menos do que deveria, ou seja se influciando pelo adversário, deve, de fato ir aproveitar a oportunidade, até porque acho que sempre vai ficar com a pulga atrás da orelha e não vai produzir com traquilidade. Agora se ficar indignado com a postura do adversário será tudo de bom, pois significa está seguro e volorizado como profissional, ou seja, a parceria esta sendo feita de forma sólida.

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    1. Concordo com suas palavras assim como sempre. Perdemos uma excelente líder e isso foi um dos motivos por eu ter saído da empresa. Um forte abraço de seu admirador profissional: Kleber Moraes da Silva e-mail:klebermsil@yahoo.com.br

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  3. Adorei o texto! É a mais pura verdade. Existem pessoas que ao invés de buscar melhorar para ficar igual ou melhor que a concorrente, perde seu tempo pensando em como destruir a outra. Mesmo que a pessoa queira copiar, sabotar, ou roubar uma idéia, ela nunca terá sucesso, pois por trás dessa história de sucesso existe um sentimento, um conceito que pessoas medíocres nunca vão ter. Pessoas inteligentes não caem nestes contos do vigário.

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  4. O Assunto Aguinaldo é de real importância pois por mais que o funcionário esteja feliz com o trabalho, sempre irá pensar na proposta da concorrência e pior achar que estará fazendo a melhor escolha, principalmente se a proposta financeira for mais atrativa, o que o profissional esquece muitas vezes á a oportunidade de carreira, e a importancia de estar bem no ambiente onde passamos 80% do nosso tempo, muitas vezes se arrepende, ai já é tarde de mais...
    abraço

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  5. em abril eu perdi um vendedor aqui do escritório para uma outra representação de papeis, desse mesmo jeito. Eles ofereceram uma comissão maior e o rapaz foi embora iludido. Só que agora já vieram me dizer que ele está insatisfeito e arrependido querendo voltar, porque embora lá tenha a comissão maior, não é registrado em carteira e não tem decimo terceiro salario. Será que as pessoas não pensam nisso? Denise Krause.

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  6. A situação vivenciada pelo Aguinaldo,na minha opinião, mostra o de sempre. "Nós nunca vamos conseguir dar o que não temos". Explico, quando uma empresa define o seu Propósito de atuação, seu projeto, seus objetivos, ela segue os principios para alcança-los. Por isso que esse fato aconteceu. O bom de tudo isso é que trabalhamos com outros propósitos, e somos fieis a esses principios.Quando se mantem o pensamento focado naquilo que se acredita, alcança-se o objetivo que é formar profissionais com nossa mentalidade e principios. O que sempre vai incomodar a concorrência. Volto a dizer que só podemos dar o que temos, quando nada temos a dar buscamos em outros lugares(concorrência)o que já está prono. Parabéns Aguinaldo pela ação e reação diante de mais uma confirmação que estamos no caminho certo.

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