segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Fantasia de Herói não faz a gente voar

Hoje eu me lembrei do Astorga. Esse era o apelido de um ex-colega de trabalho, muito “gente boa”, que era chamado assim em alusão à cidade onde nasceu. Ele contava que quando tinha 8 anos ganhou uma fantasia de “Super Homem” e não teve dúvidas, subiu no telhado e tentou voar... Só não se arrebentou porque foi salvo por um tio. Só criança mesmo para achar que poderia se transformar em herói só por vestir uma fantasia... e a história do Astorga termina aqui, pois o resto da crônica nada tem a ver com ele.

A história é apenas para ilustrar o que acontece no ambiente corporativo, quando algumas pessoas usam fantasias para parecerem mais fortes. Em alguns casos, fazem isso na má intenção, mas nesse caso a gente chama de mascarado mesmo, ou seja, são pessoas falsas. Em outros casos, nada tem a ver com qualquer canalhice, apenas com o ego. Isso porque tem gente que ingressa numa empresa querendo de verdade fazer o melhor, mas tem medo de demonstrar fragilidade, por isso vive repetindo que “está tudo sob controle”. As pessoas encobrem suas próprias falhas esperando que amanhã farão algo para corrigi-las e ninguém nunca saberá.

Eu já percebi que a primeira bronca que um funcionário leva na empresa é mais dolorida, é como se rompesse uma espécie de hímen. Acredito que o cara tenha a impressão de estar decepcionando alguém. Talvez até seja por isso que alguns escondem as fragilidades. Notei também que depois de algumas repetições, as broncas se confundem com a paisagem, o cara vai ficando “sem vergonha” e elas não fazem mais efeito. É igual a tomar bronca do pai, a gente respeita e até fica com medo, mas sabe que não vai perder o pai por causa disso.

Imagine um doente que quando vai ao médico, mente sobre a doença. Ele, ao contrário, deveria contar a verdade em relação a dor ou desconforto que está sentindo. Se tentar fantasiar os sintomas, seja para cima ou para baixo, certamente tomará o remédio errado. Penso que quem está doente tenha duas opções: ou confia no médico ou nem lá aparece. Mas há os que têm o ego inflado e não querem parecer abatidos ou desmotivados, então em nome da aparência, deixam de pedir ajuda.

Um profissional orgulhoso é algo muito ruim para uma organização e não pode ser confundido com aquele outro que assume a bronca. É preferível o que faz besteira e conta o que fez, do que o outro que esconde os cacos debaixo do tapete. Vestir uma fantasia de super herói definitivamente não dá super poderes e nem faz ninguém voar. Quem quer crescer e fazer coisas legais, precisa ser humilde para aprender e isso depende fazer perguntas, demonstrar esforço e admitir os erros. Escondê-los é o mesmo que colar na prova de especialização do pelotão anti-bombas... tá se preparando pra morrer.

2 comentários:

  1. Boa Noite Aguinaldo, gostei muito do seu artigo e calhou com um estudo de psicologia analitica que estamos fazendo em um grupo a qual faço parte. São cinco tipos e o primeiro deles é justamente o heroi, e realmente dá problema como vc ja mencionou acima. O segundo tipo é o conciliador, aquele que nunca toma partido, ta sempre no eu acho e muda sempre de lado, ora ta do lado do chefe, ora ta do lado do funcionario. O terceiro tipo é o Palhaço, tá sempre fazendo palhaçada para distrair a atenção do problema. O quarto tipo é o Indiferente, é aquele que enquanto o heroi diz que a empresa vai falir e o indiferente diz, não to nem ai se a empresa fali arrumo outro emprego e não tem vontade de ir em busca de melhorias. O quinto tipo é o criança/adulto problema, aquele que sempre fica doente para chamar atenção ou para faltar o trabalho.
    Todos podem apresentar uma ou mais destas tipologia que vão se mesclar dependendo das dificuldades apresentadas.
    No geral não temos consciência de onde vem a raiz e causa dos problemas no momento atual. Mas existe sim, sintomas e comportamentos que podem identificar como sendo provavelmente, causadas por traumas na infância. O importante é identificar e corrigir. Um abraço!
    Adriana Mota

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  2. Qdo penso que ja li sobre todas as questões profissionais possiveis, me surpreendo com um texto assi. Lição sempre.

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