quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Miséria é... riqueza de santo!


O mundo moderno tem gerado alguns personagens interessantes. Alguns deles são repetidamente citados neste blog, afinal, a maioria está também presente nas empresas. Numa crônica antiga eu falava sobre o profissional que se dá o direito a estar de mau humor e deixava no ar a questão de que motivo levaria alguém a decidir viver assim. A resposta é que cada um chama atenção da forma que pode. Da mesma forma que os Titãs cantavam que "miséria é riqueza de santo", na letra do Serginho Britto, podemos dizer que cada aleijado usa as muletas que melhor o convier.

Toda desgraça gera benefício para alguém, isso é fato. O guincheiro só tem serviço porquê os carros quebram. Espantoso é perceber que, dependendo da mentalidade da pessoa, uma desgraça também beneficia a própria vítima. É o que acontece com os sofrenildos, que caçam problemas e transformam qualquer contratempo em motivo para uma baita chantagem emocional contra o resto do mundo. Eles vivem um problema atrás do outro, parece que nada dá certo em suas vidas e por conta disso, e a reação é chorar, sofrer, se angustiar e se lamentar. Porque fazem isso? Porque, no fundo de seus sentimentos, essa é uma maneira de chamarem a atenção dos outros de seu convívio. É uma maneira de conseguirem algumas "esmolas" na vida.

Se um colega de trabalho passa o dia com cara de choro porque está com muito trabalho, em pouco tempo uma alma bondosa irá oferecer-lhe ajuda. Se isso acontece algumas vezes e a ajuda é obtida, poderá se tornar rotina aquele colega reclamar da vida achando que sempre alguém se solidarizará com a sua saga. Com o tempo, ele será conhecido como "o incompetente que não dá conta de seu serviço", mas aí já vai ter virado vício e o cara nunca mais deixa tal comportamento. Da mesma forma que muitos mendigos não querem emprego mas sim esmolas, muitos sofrenildos não querem soluções, querem apenas a esmola. 

Mais grave ainda é quando as pessoas afundam suas vidas por preguiça de buscar uma solução. Quero algo que sei que sozinho eu não posso ter e, por isso me torno um chorão e passo a vida me lamentando na esperança que alguém me dê o que desejo. Não percebo que, mesmo quando eu consigo o que quero por intermédio de alguém, o "preço social e psicológico" que pago por isso é infinitamente maior. Em outra de suas músicas, os mesmos Titãs dão a receita de como agir em casos de dificuldade, mostrando que a melhor forma de fazer as coisas é com a maior objetividade possível. E eles encerram a poesia dizendo que "as respostas estão no chão, a gente tropeça e acha a solução". Só que pra tropeçar e achá-las, precisamos estar sensíveis a enxergá-las, porque se estivermos negativos, o tropeço somente servirá para reclamarmos ainda mais um pouquinho da vida.

3 comentários:

  1. É por isso que eu não dou mais atenção para essa tática.

    Cara feia para mim é fome!!! Rsrsrs...

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  2. Rosimari A. Bernardino6 de outubro de 2011 23:23

    O pior de tudo é que estas pessoas mal percebem que no final das contas elas mentem pra si; acreditando que no fundo o mérito acaba por serem delas; já que o objetivo foi cumprido.
    Agora quando estas mesmas pessoas se deparam numa circunstância na qual a função só depende delas e que infelizmente não conseguem contar com a boa vontade de alguém, elas se frustram porque é neste momento que se descobre sua incapacidade de encarar os fatos de forma simples e objetiva. Até porque a visão sistêmica das birras, o mal dos “Ites”, dos choros e lamentações não “resolve” mais os problemas... Daí Deus e o mundo estão contra elas e que tudo foi “injusto”.

    GALERA: Vamos assumir o posto de nossas vidas e bora conjugarem o verbo tão ensinado – EU!

    EU SOU RESPONSÁVEL POR TUDO O QUE ACONTECE NA MINHA VIDA E DEIXA DE ACONTECER!

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